Royalty - A Realeza

15 Capítulo 14 - O Menino Que Sabia Voar


Notas iniciais
AEHOOOOOO! capítulo novo pra vocês! ele é o inicio do primeiro Arco de Royalty! Boa leitura!

–Meu Deus! Como ele é idiota!- Exclamou Nari.

–Deixa, o Dean vai acabar com ele!- Disse Josh Levantando-se.

–Eu não estou falando do Herdeiro, estou falando do Dean!

–Mas o nosso objetivo não é capturá-lo?

–Não é isso. Dean sabe que nunca devemos usar os Propulsores Vita pra voo, só em ultimo caso — Ela tirou Plucky da cintura e o moldou em um bastão. -Eles gastam uma quantidade absurda de Vita, por isso que só usamos para aterrisagens. Não dou nem 2 minutos para que ele apague em pleno voo.

...

O Herdeiro rasgava o céu em alta velocidade e logo atrás vinha Dean com fúria no olhar. Ele odiava ser atacado pelas costas, e odiava mais ainda que fizessem isso com seus amigos. Logo à frente, o Herdeiro girava e rodopiava entre outdoors e placas que Dean desviava com dificuldade. Era duro controlar o voo. Ele se arrependeu amargamente de ter faltado às aulas sobre isso. O Garoto de alargador a orelha brincava com aquilo, regularmente virava e mostrava o dedo do meio á Dean.

O Voador dobrou bruscamente em uma esquina. Dean ao fazer o mesmo foi acertado em cheio por uma placa, caindo em um amontoado de lixo.

–Entendam vocês nunca vão pegar o Papai Andrew aqui! – o Herdeiro apoiava a placa que dizia “pare” no ombro, só que ele não parava. Movimentava-se de um lado para o outro, de cima para baixo freneticamente. – E ai, carinha do cabelo branco, já vai arregar?

Dean observou o Display do comunicador que exibia a porcentagem de 20% agora. Sua visão começou a embaçar e os movimentos, mais lentos. Ele sabia que não conseguiria perseguir o garoto. Precisava tomar alguma atitude rápida senão ele fugiria e Nari iria lhe dar o sermão Como Dean Donovan é um Irresponsável Que Sempre Põe As Missões Em Risco pela centésima vez.

Olhou ao redor e viu uma barra de ferro. Logo a arremessou em direção ao voador que facilmente desviou e debochou daquilo tudo. Dean notou que quando enquanto ria, Andrew havia parado no ar e foi perdendo altitude. Falha que logo foi consertada pelo mesmo ao se mover.

Dean olhou novamente no comunicador, onde agora 2 pontos piscavam.

Ele sorriu.

–Ah quer saber desisto. Você é apelão! –Disse.

–Eu! Apelão?! Se eu fosse apelão não deixaria você nem ficar de pé meu amigo.

–Quem disse que somos amigos? Você é fraco, não consegue me encarar de boa.

– Fraco? Você que “acha” que sabe voar, e eu que sou o culpado?

–Então desce aqui.

–Eu não! Você que quer me pegar, então você sobe!

–É, realmente tu é um apelão.

–Eu não sou apelão!

– É sim.

–Não sou!

–A-P-E-L-Ã-O! Apelão! –Enquanto enrolava, Dean pensava: O que estão esperando?

–Ei passarinho! — Josh apareceu em cima de uma casa apontando a mão aberta para o garoto. – Você vai pro chão agora! – E apertou um botão no comunicador. A palma de sua mão começou a brilhar intensamente. Andrew virou-se bruscamente para fugir e deu de cara com uma linha gelatinosa disposta entre os postes da rua. O centro da linha envolveu seu corpo completamente, finalmente parando seus movimentos. O que o fez descer lentamente. Ao atingir o solo, Dean pulou em sua direção imobilizando-o no chão com o cotovelo pressionando a garganta.

–Nem pense nisso! Já não basta a besteira que você fez — Nari surgiu a final da rua. –Bom trabalho Plu.- A linha se desfez e se tronou o ser felino gelatinoso novamente. Ela pegou um pouco de Gosma Plucky e pediu para que Dean Levasse o desordeiro até um dos postes. Quando o fez, Nari algemou o rapaz com a coisa grudenta.

–Ainda bem que vocês perceberam!-Exclamou aliviado o garoto de mechas brancas.

–É claro que sim, o padrão de voo dele era muito estranho — disse a garota.- Ele precisa se manter em movimento para voar. Qualquer pausa ele perde altitude. nós só precisávamos imobiliza-lo. Até Josh conseguiu notar isso.

–Isso soou meio ofensivo sabia?- Disse Josh ao se aproximar.- Qual o nome dessa paradinha da luz e tal?

–Isso é pulso Vita, é uma das coisas que o Pablo vai lhe explicar depois.

–Tá mas, porque vocês não me explicam agora?

–Eu não tenho paciência.- Disse Dean.

–Idem- Completou Nari.

Josh iria protestar, mas preferiu ficar calado. Já havia feito perguntas demais para aqueles dois. Enquanto isso, Andrew bufava preso ao poste:

–Tá bom, vocês me venceram, parabéns. Agora o que querem de mim? Vão me matar? Interrogar? Enfiar minha cabeça numa privada?

–Eu bem que queria fazer essas três coisas mas não posso -Disse Dean. — Nós viemos aqui pra te levar. Nosso superior precisa conversar com você.

–Não posso ir com vocês. — Disse Rispidamente.

–Isso não é uma escolha cara. — Dean o encarou sério.

Andrew meneou a cabeça em direção a um de seus bolsos. Josh aproximou-se e tirou de lá um frasco de remédios.

–Isso é da Minha vó — Disse Andrew.- Eu tinha saído pra comprar quando vocês chegaram.

–Ah fala sério! Joguinho sentimentalista uma hora dessas?-Ironizou Dean.

–Não Dean- Interrompeu Nari,- Consta nos arquivos que o Pablo enviou, ele realmente tem uma avó doente, e esse remédio é para problemas cardíacos. – Era incrível que Nari soubesse qual a finalidade do remédio, afinal de contas só a nomenclatura química constava na embalagem.

–Se quiserem me levar me levem, mas antes preciso dar isso pra minha vó. Já vai passar da hora do remédio.

Eles entreolharam-se. Dean tinha certeza de que aquilo era um truque para fugir, mas sabia que os corações moles de Nari e Josh iriam aceitar. Nari precisava passar confiança para Josh, se fosse em outra situação, já teria nocauteado Andrew e o levado a força para NY. E Josh não saiba o que fazer, a única coisa que não queria era beijar o chão outra vez.

–Ok, nós vamos com você até sua casa, mas – Nari soltou-o do poste e logo e seguida atou as mãos novamente. – vai ficar quietinho.

...

Eles caminharam pela periferia da cidade. Estava escuro, porém a iluminação forte suprimia até mesmo o brilho lunar.

O bairro de Andrew era um típico “Bairro de Bares”. À cada esquina encontrava-se alguém vomitando ou pessoas ajudando seus amigos que exageraram no álcool a levantar do chão. Era realmente um lugar terrível para criar-se um adolescente. Nari agora conseguia compreender as atitudes inconsequentes do garoto. O cheiro de álcool e cigarro era insuportável, tanto que faria um asmático ter uma crise instantaneamente.

–Uma pergunta Andrew- Disse Josh tropeçando em uma garrafa de Whisky pela metade, – Como você nos achou?

–Simples, vocês são previsíveis. Toda vez que vocês agentes vem atrás de mim é sempre a mesma coisa: um helicóptero militar sobrevoa exatamente meu bairro e logo depois vocês aparecem. Dessa vez resolvi ir logo ao encontro de vocês.

–E porque nos atacou? –Dean perguntou sério.

–Da ultima vez que vieram atrás de mim, tentaram me imobilizar com tazers e com uma droga de gaiola gigante sem perguntar absolutamente nada. E, deixaram uma lembrancinha em mim – ele virou o pescoço e exibiu uma cicatriz que ia da costa até a parte de trás da orelha – agora sabem porque ataquei vocês?

Nari meneou a cabeça. Mas além da cicatriz notou outro detalhe, no braço direito dele havia uma tatuagem de uma Coroa. Ela ignorou, mas tinha certeza que aquilo ali era mais do que um desenho qualquer.

–Eu não sei quem foi que fez isso, mas espero que aceite minhas sinceras desculpas em nome de toda agência. Isso não é a maneira que nós costumamos agir — ela mentiu. Até pouco tempo atrás os agentes seguiam a linha “primeiro apague, depois questione”. Coisa que irritava muito Mack. Ele mesmo havia mandado prender todos os agentes que agissem fora dos que lhe foi ordenado nas missões. John por pouco não foi um destes.

Andrew permaneceu calado por todo o trajeto. O mais cômico era que de tão bêbadas, as pessoas nem notavam os trajes High-Tec vestidos pelos agentes. Eles adentraram no caído e mofado prédio onde Andrew morava. Subiram alguns lances de escadas que rangiam a cada passo, até chegar ao apartamento. O Garoto de alargador bateu na porta várias vezes com ritmos e frequências diferentes. Era um código Morse. Nari automaticamente decifrou: “vó. Andrew. te amo” Eles esperaram por um bom tempo até que a porta abriu e uma senhora morena surgiu.

Ela tinha uma pele bem enrugada, os cabelos brancos mal restavam na sua cabeça. Porém o pior na sua aparência era os olhos.

Eram brancos.

A avó de Andrew era totalmente cega.

–Você demorou filho- Disse a senhora estendendo as mãos. – Teve problemas? –Ela passou a mão pelo rosto de Andrew. – Quem são essas pessoas?

–São novos...amigos. –Ele respondeu nervoso. Os três se espantaram pela senhora ter os notado ali.

Ela os convidou para entrar no apartamento que fedia a mofo. As paredes eram cheias de infiltrações e rachaduras. O piso rangia a cada passo criando uma horrível sinfonia. A tevê, de um modelo bem antigo, exibia uma reprise de uma velha sitcom com risadas pré-gravadas. No centro da sala havia um sofá velho com a armação exposta em algumas partes e a janela remendada com fita isolante deixava o ambiente estranhamente escuro.

Nari Desfez a algema Plucky e colocou a mascote em seus braços. Andrew foi até a cozinha suja , colocou água em um copo e deu o medicamento para a avó. Em seguida, beijou-lhe a testa. Josh logo lembrou que fazia o mesmo com sua mãe. Isso o fez começar a simpatizar com o menino que sabia voar.

–Vocês moram sozinhos aqui?- Perguntou Josh enquanto observava os poucos porta-retratos em cima da mesa de centro. Em todos eles só estavam o Garoto Andrew e sua avó.

–Sim — respondeu seco. Um clima tenso pairou. –Vó, preciso ir com eles, vou tentar não demorar. –Era perceptível a angústia em suas palavras.

–Filho -disse ela encarando o nada, — Por favor, não se meta em problemas. Minha vida iria acabar sem você.

–A minha também vó — Ele a abraçou forte. Os três agentes sentiram um nó na garganta. Deixar uma senhora de idade cega sozinha era algo desumano. Mas precisavam fazer aquilo, infelizmente.

Batidas rápidas na porta foram ouvidas. Andrew deu um pulo e empurrou Nari Dean e Josh para o quarto trancando a porta:

–Fiquem aqui. – sussurrou. – E não façam um pio, se quiserem viver. – aquilo não foi uma ameaça.

Andrew Abriu a porta do apartamento e um Rapaz negro entrou. Ele era Alto, careca os olhos eram castanhos claros, beirando o amarelo. Tinha uma expressão rígida no rosto. Usava uma jaqueta preta em cima de uma camisa branca do The Doors.

O Rapaz Negro nem pediu licença e foi logo entrando, esbarrando no franzino herdeiro.

–Onde você estava! Nós te esperamos esse todo esse tempo!- Esbravejou.

–tive alguns imprevistos. Não vai se repetir.

–sabe que perdemos muito dinheiro por sua causa seu inútil?! – a voz do jovem negro era muito forte. A cada grito fazia a pobre vó de Andrew tremer no sofá. – Da próxima vez que der uma fora vou Quebrar você!

Ele pegou um copo em cima da mesa. Seu dedo começou a emitir um brilho amarelado e ao encostar no copo, o mesmo começou a rachar e se esfarelou completamente. Andrew fechou o punho para não demonstrar quão nervoso estava.

–Essa vai ser minha última vez Chris. Não quero mais isso!

Chris pegou Andrew pelo braço e evidenciou a tatuagem da coroa que ele tinha. Logo em seguida mostrou que compartilhava do mesmo desenho.

–Você está envolvido nisso para sempre, não há como voltar atrás. — Chris ouviu um choro fraco, e quando virou-se viu a vó de Andrew aos prantos. Ele largou o braço do garoto e saiu batendo a porta.

Andrew foi correndo abraçar sua vó.

Nari e os outros saíram do quarto. Ela pegou o comunicador que tinha deixado em cima da tevê, parando a gravação.

Ela gravou tudo.

–Andrew- Disse. — Você tem que nos contar tudo, agora.

Notas finais
Se você leu até aqui meus parabéns! Vai ganhar uma garrafa de Ar.