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18 No final, somos apenas eu e ele


Notas iniciais
Oi xuxus! Sei que demorei décadas pra postar (foi muito tempo mesmo) e peço desculpinhas por isso. *snif*snif* Entãoooooo... É, esse foi o capítulo que eu mais demorei a fazer na minha vida, por que eu não gostava de como ficava, apagava, e fazia tudo de novo. (Pra quem não conhece, a música de inspiração do capítulo é Him & I, da Halsey; aconselho vocês a ouvirem) Já que eu demorei pra postar, eu resolvi fazer um capítulo um pouco maior, mas apreciem com moderação, porque eu ainda não tenho mais capítulos sobressalentes. Boa leitura, curtam o feriado e enjoy!! *-* Vejo vocês nos comentários e até o próximo!! Bissous, ArU.

Com os olhos focados em mim através do espelho, ele esperou minha reação. Qualquer reação. Mas eu não conseguia nem ao menos respirar, que dirá me mover.

...

Sabe aquele momento em que tudo a nossa volta parece estar em câmera lenta, e você é a única pessoa que tem noção disso?

Eu estava em um desses momentos.

Quase conseguia ver a cena por uma terceira pessoa. Como se nem estivesse no meu próprio corpo, mas apenas observando a cena de cima.

A garota parada, com os olhos arregalados, as sobrancelhas arqueadas e um leve rubor nas bochechas.

Eu vi o exato momento em que Justin vacilou com a minha falta de reação e talvez um ar de preocupação. Ele me afastou levemente para frente, colocando um palmo de distância entre nós, mas permaneceu com uma mão sobre a minha e a outra segurando-me pelo cotovelo.

— Eu... — ele começou — Eu estive pensando sobre isso. Já a algum tempo.

Eu não sabia o que dizer. Eu sempre tive uma resposta na ponta da língua, mas naquele momento eu estava totalmente sem palavras.

— A algum tempo...? — tentei fazer disso uma afirmação, mas havia saído mais como uma pergunta

Ele soltou meu braço e passou a mão pelos cabelos, desarrumando-o. Parecia até mesmo envergonhado.

— Eu falei com o seu pai. Expliquei a situação...

— A situação... — eu momentaneamente fiquei brava por não conseguir pronunciar nenhuma frase coerente.

— ...mas talvez eu tenha me precipitado. — ele continuou como se eu não houvesse falado nada, o que foi bem inteligente da parte dele — Talvez ele não tenha entendido direito. Ele rejeitou minha proposta no segundo em que eu a fiz.

Eu não estava entendo mais nada. Eu quase conseguia ver pequenos pontos pretos dançarem na minha frente, minha mente ficando cada vez mais confusa.

— O que...? Do que você está falando? — eu consegui perguntar sem gaguejar

— Eu falei com o seu pai. Disse que me casaria com você, assim que você aceitasse. — ele soltou o ar como se estivesse cansado — Acho que eu não agi muito bem colocando a frase desse jeito. Ele negou meu pedido. Falou que isso nunca aconteceria. Disse que você só se casaria se fosse por amor, e apenas isso. Ele não entendeu o que eu quis dizer, acho.

Minha cabeça funcionava a mil, ligando pontos, tentando montar uma teoria com uma perspectiva de fora. Eu me sentia até tonta por não conseguir entender tudo direito.

Mas eu tinha uma boa ideia do que estava acontecendo.

E eu precisava urgentemente achar o rei. Colocar em prova minha teoria.

Ele não podia estar falando sério, podia?

Quando eu voltei meu olhos para Justin, vi que ele ainda me encarava, um pouco aflito e assim como eu, um pouco confuso. Vi vincos se formarem entre suas sobrancelhas e quase sorri por acha-lo tão fofo.

Senti um leve aperto em meu peito enquanto lágrimas se formavam em meus olhos.

"Esse não é o momento. Eu preciso me acalmar. Mas, mais que tudo, primeiro eu preciso me resolver com o rei."

Suspirei e coloquei uma mão na bochecha de Justin, vendo ele fechar os olhos e se inclinar em minha direção.

'Tão maravilhoso.' Pensei. Mas não agora. Depois.

— Eu preciso conversar com você. De verdade. Mas primeiro, preciso resolver algumas coisas.

Ele abriu os olhos enquanto minha mão se afastava do rosto dele.

Me virei indo em direção a porta, mas senti a mão de Justin segurar meu pulso, me parando.

— Diga que é minha. — ele sussurrou em meu ouvido, fazendo os pelos da minha nuca se arrepiarem

Eu sorri sem me virar.

— Ainda não. — respondi abaixando o braço fazendo com que ele me soltasse — Só quando você disser o que eu quero ouvir.

Saí pela porta deixando-o sozinho na sala de vidro e segui marchando até o salão onde a festa ainda ocorria.

...

Quando cheguei ao salão, a festa seguia seu ritmo normal e, se eu fosse verdadeiramente sincera, um pouco mais animada do que quando eu estava nela, o que era, no mínimo, triste; pra não dizer depressivo.

E quando caminhei em direção ao rei, que conversava animadamente com um barão e sua esposa, percebi o volume da música ser baixado levemente, já que conseguia ouvir meus passos ecoarem no mármore.

Também percebi que meu pai havia notado minha presença antes que eu pudesse realmente alcançá-lo, pois abriu os braços para me receber em um abraço.

— Feliz aniversário, princesa.

Ele costumava usar a palavra ‘princesa’, como um termo carinhoso, tentando amenizar o peso que ela carregava.

— Ainda não é meia-noite, papai.

Ele sorriu para mim e concordou com a cabeça.

— Tem razão. Não vamos apressar as coisas, não é mesmo?

Foi a minha vez de sorrir para ele, porque aquilo poderia dar muito errado.

— Falando sobre apressar as coisas… eu já tomei minha decisão.

Ele arqueia as sobrancelhas e vira a cabeça totalmente na minha direção, agora já sem nenhum sorriso no rosto.

Como se esperassem uma deixa, a baronesa e o barão lentamente se afastam, indo em direção a outro círculo de companhias, nos deixando a sós.

Não que eu quisesse ficar a sós com ele; eu preferiria mil vezes ter alguém por perto, observando o desenrolar da conversa toda.

Desagradável? Um pouco. Mas o nome disso é testemunha ocular.

Só para o caso de ser necessário.

Não que fosse realmente chegar a esse ponto. Pelo menos eu esperava que não chegasse.

— O que você quer dizer com isso? — ele perguntou pegando-me pelo braço, me trazendo para mais perto de si e tentando não causar uma cena

Era muito tarde para isso; a maioria das pessoas ao nosso redor haviam parado o que estavam fazendo para apenas nos observar.

— O casamento. — respondi — Eu deveria lhe dar uma resposta até o final do baile. — dei-lhe meu maior sorriso, aquela era uma briga que eu estava pronta para comprar — Já tenho minha resposta.

Meu pai arqueia as sobrancelhas, dando um passo para trás, e antes que eu possa perceber ele está deixando o salão à um passo rápido, me deixando para trás, sozinha.

Sem saber o que fazer eu o sigo, também deixando o salão para trás e pedindo silenciosamente para que os guardas fechassem a porta entre nós e os convidados.

Quando encontro novamente meu pai, ele está sentado em seu trono, olhando fixamente para mim enquanto me aproximava, com uma expressão pensativa em seu rosto.

Saindo de seu transe, sua voz ecoou pelo salão vazio.

— Quem foi o escolhido? — ele pergunta

Percebo em seus olhos que ele espera que eu diga que é o Richard, o cara legal, amigo da família à eras; o que me leva a respirar fundo antes de responder.

— Justin Drew Bieber, herdeiro do Canadá.

E é aí que as coisas ficam… complicadas.

Eu sei que não deveria rir, mas a careta que meu pai havia feito quando pronunciei o nome de Justin fez um riso abafado sair pela minha boca, aumentando ainda mais sua carranca.

Meu comportamento estava longe para ser o de uma princesa.

Não que eu realmente ligasse para isso.

— Porque ele? — meu pai pergunta arqueando uma sobrancelha

E…

Eu não sabia o que responder.

Porque eu o havia escolhido?

Ou teria ele escolhido a mim?

De qualquer forma, não importava, pois havíamos nos escolhido.

Não havia sido algo específico que tinha despertado meu interesse por ele, e sim um conjunto de fatores.

A personalidade, o sorriso, o jeito maluco que ele tinha para se preocupar com as pessoas.

Era tudo.

Será que essa resposta seria suficiente para meu pai?

Que eu amava a forma com que ele me observava, cuidando tudo nos mínimos detalhes, e a forma que ele parecia estar sempre um passo à frente de tudo e de todos.

Um estalo me atingiu e eu me ajoelhei aos pés do trono, sabendo exatamente o que dizer.

— Eu o amo.

Meu pai se inclina para frente em um modo de se aproximar.

Gaguejei as palavras para forma de mim.

— Eu não sabia antes… e não tenho bem certeza de como lhe explicar, mas eu o amo. — levantei minha cabeça tentando olhar em seus olhos por de trás das lágrimas que se formavam — Eu o amo, papai, e se Deus permitir, ele saberá me amar de volta.

Contrariando todas as minhas expectativas, meu pai sorriu para mim. Passou uma mão por meus cabelos e olhou por cima de meu ombro.

— Minha criança… em nenhum momento eu lhe obrigaria a se casar.

Franzi as sobrancelhas, esperando ele continuar.

— Eu nunca mandaria no seu coração, — ele tentou explicar — eu só queria lhe incentivar a se abrir mais com as pessoas, a conhecer e explorar.

— Mas… — eu estava a todo custo tentando entender o que estava acontecendo — e o trono?

Ele sorriu mais uma vez.

— Se você ainda não se sente pronta para assumí-lo, só nos resta esperá-la estar.

Sorri de volta para ele e me levantei, me aproximando e beijando sua bochecha.

— Obrigada, papai, mas estou pronta agora.

Ele passou uma mão por minha bochecha e pediu para que eu me aproximasse ainda mais, como se me quisesse contar um segredo.

— Além do mais, pela minha última conversa com Justin, ele também me pareceu bastante disposto a essa união. — ele disse piscando para mim e abanando a mão para que eu fosse embora dali

Me virei para sair do salão e dei de cara com Justin, me encarando com um largo sorriso no rosto e com as bochechas um pouco coradas. Extremamente fofo.

Ele me ofereceu a mão, a qual eu aceitei de muito bom grado, e me puxou levemente ao seu encontro, dando passos para trás em direção a porta.

— Tem minha benção. — ouvi meu pai dizer atrás de nós

Vi Justin fazer uma leve vênia ao rei, segundos antes de me puxar porta a fora.

Eu não consegui assimilar muita coisa até perceber estar em seu quarto, sendo cercada por braços que me empurravam e puxavam ao mesmo tempo, contra qualquer superfície relevante.

Ele me apoiou contra a parede, me mentando alguns centímetros acima do chão, pressionando seu osso do quadril contra a minha barriga, e tirando todo o ar de meus pulmões com seus beijos afoitos.

Se eu não estivesse mais preocupada com o príncipe a minha frente, eu com toda a certeza riria, pensando que já havia estado naquela mesma situação tempos atrás, sendo que aquele era o último lugar em que eu gostaria de estar.

Hoje, é diferente, hoje sou eu que o empurra para trás, em direção a cama.

Era eu que, impacientemente, puxava os botões da camisa dele para o lado, sem me importar em rasgar o tecido, querendo e tentando sentir mais da sua pele, mais do seu corpo.

— Não estamos perdendo tempo. — ele riu com a minha pressa

— Com você, nunca. — respondi arfando

Ele segura meus braços e me beija carinhosamente, daquela forma que só ele conseguia, e mal percebo quando ele desabotoa lentamente meu corpete, fio por fio, puxando ele para longe de mim.

Com um minuto de apreciação do meu corpo a sua frente, Justin toma as rédeas da situação com fome nos olhos.

Ele segura minha cintura e me joga com um pouco mais de força que o necessário em direção aos lençóis.

Caí na cama e minha saia subiu levemente, deixando parte das minhas coxas expostas, e eu não estava nem um pouco inclinada a me preocupar com o frio que estava fazendo. Eu, na verdade, estava me sentindo bem quente, quase febril.

De alguma forma, nós estávamos juntos. Num emaranhado sem fim, com as respirações curtas e ofegantes, com o suor escorrendo e com o coração acelerado.

E eu não saberia dizer onde eu terminava e ele começava.

No final, éramos apenas ele e eu.

Notas finais
*-*