Notas iniciais
Oi gente bonita! Voltei, fechou uma semana desde o último capítulo e eu pensei que era uma boa já postar o próximo. Então aqui está!! (detalhe: esse capítulo ainda não foi revisado, eu não faço ideia de onde a Bárbara tá pra fazer isso pra mim; então pode ser que depois tenha algumas alterações no português) (e também, pra quem queria um pouco mais de fofura, eu sei, eu sei, Angelique, a gente ama demais o casal principal) Ah, e esse também é meio que uma surpresa. Primeiro capítulo com o ponto de vista do Justin! Depois me contem o que acharam nos comentários!!! Beijos, ArU.

Olhando para o céu, as nuvens escuras que se aglomeravam traziam consigo uma sensação de desconforto. Um nó se formava em minha garganta e eu não conseguia entender claramente o porque. Através das janelas de meu quarto, as folhas das árvores balançavam fortemente com o vento parecendo que a qualquer segundo seriam arrancadas a força dos galhos.

Abri as janelas e caminhei para a pequena sacada tentando entender porque tudo parecia tão fora do lugar. Eu quase conseguia sentir o cheiro da grama molhada, mesmo sem ter começado a chover. Assustei-me ligeiramente quando um raio perpassou o céu e contei mentalmente até cinco esperando ouvir o barulho do trovão.

Um arrepio passou por minha espinha em direção a nuca e eu instintivamente me afastei do parapeito da janela e voltei para o meu quarto, fechando os vidros atrás de mim. Não havia conseguido nem caminhar até a porta quando ouvi o barulho da chuva caindo, fazendo-me novamente virar a cabeça em direção as janelas.

Uma chuva torrencial, sem dúvida.

Sentei-me na beirada da cama e fiquei algum tempo apenas olhando para o nada, ouvindo a chuva cair e o barulho que o vento fazia enquanto balançava os galhos das árvores.

Agora não havia muito o que fazer, não é como se houvesse muitas atividades disponíveis quando estávamos limitados a ficar apenas dentro do castelo. Eu teria que me virar com qualquer coisa que pudesse me distrair.

E foi com esse pensamente que saí pisando fundo do quarto em direção as escadas principais do castelo. Meu objetivo era achar algum criado no caminho e perguntar onde ficava a biblioteca, porque com toda certeza a ratinha de livros deve ter uma boa coleção para matar o tempo.

Afinal, onde ela estaria com toda essa chuva? Deve estar no salão arrumando as coisas para o baile e decidindo que tipo de tecidos vão ser usados nas mesas. Eu não sei diferenciar muito bem nem cores, que dirá tecidos. É o tipo de conhecimento que eu sempre achei inútil uma pessoa saber. Quem se importa se seda é mais brilhante que cetim, ou se cetim é mais confortável que musseline? Não é totalmente desnecessário saber isso?

Sorri com o meu próprio pensamento. Mas é claro que ela saberia coisas desse gênero. Eu já havia ouvido várias declarações da princesa pelos jornais e até mesmo comentários vindos do próprio povo da França, sobre como a princesa sabia tudo sobre o país. Conseguia recitar leis de trás para frente e parecia saber cada nome de cada homem que já havia lutado pela França. Por Deus, ela poderia até mesmo saber os nomes dos familiares desses homens! A quantidade de conteúdo inútil que ela conseguia reter naquele pequeno corpo era algo realmente impressionante.

Parei na beira das escadas e praguejei mentalmente. Onde raios estão os empregados desse lugar? Deve ter no mínimo 20 pessoas empregadas apenas pra cuidar dessa área. Onde todos foram param?

Virei a cabeça para lado ao ouvir algo como gritos vindos do andar de baixo. Apertei os olhos tentando ouvir melhor e pude reconhecer a voz da rainha.

Eram definitivamente gritos.

Desci as escadas com um passo mais apressado e sem nenhuma cerimônia me aproximei do grupo mais estranho que podia ser observado no castelo enquanto discutiam com as portas da entrada principal batendo com o vento.

Minha mãe mantinha-se calada enquanto a rainha da França resmungava entre lágrimas e elevações no tom de voz, resmungando para seu marido que tentava nas olhar para ele e falar com meu pai.

O que estava acontecendo?

Foi exatamente isso que perguntei ao estar próximo o suficiente para entrar no assunto, seja lá o que fosse.

Minha mãe nem ao menos levantou seu rosto para mim e a conversa entre meu pai e o rei Rafael cessou. Ao fundo um trovão se fez ouvir e a rainha Cintia tremeu com um soluço meio esganiçado.

Foi meu pai que tentou me explicar o que acontecia.

— Com... – ele fez uma pequena pausa olhando para Rafael, que assentiu – Com a chuva, não conseguimos localizar exatamente onde a princesa está.

Eu pisquei lentamente e tentei entender o que isso significava.

—Como assim onde ela está?

O rei suspirou.

— Ela saiu para cavalgar minutos antes da chuva começar.

— Então... – dei alguns segundos para alguém continuar com a história para que eu pudesse entender o que estava acontecendo, mas não precisei de nenhum comentário para ligar os pontos

A princesa havia se perdido. Durante uma tempestade.

— Alguém deve buscá-la. – eu disse um pouco exasperado passando a mão por meus cabelos

Meu pai me olhou e inclinou a cabeça para o lado como se estivesse pensando. Rafael cruzou os braços.

— Mandei guardas atrás dela, mas não há muito que eles possam fazer com toda essa chuva. Não é como se eles soubessem pra onde ela iria.

Levantei as mãos em sinal de rendição, lamentando por, mesmo que sem querer, ter ofendido o rei do país onde eu era apenas um hóspede. Eu o deixei acreditar que ele não estava se esforçando o suficiente para achar sua herdeira.

Cruzei os braços pensando, ouvindo a chuva batendo no chão pela porta aberta, de repente com o barulho dos soluços da rainha Cintia estarem altos demais para serem suportados.

Um pensamento, uma ideia passou pela minha cabeça, e eu quase me bati por não pensado nisso antes.

Olhei para meu pai, que ainda mantinha os olhos em mim; desviei o olhar pela porta e voltei a observá-lo. Ele parecia ter entendido o que eu estava prestes a fazer, pois apenas acenou levemente com a cabeça.

Havia obtido a resposta que precisava.

Sem pensar duas vezes corri até as portas e saí na chuva que caía forte, fazendo minha camisa colar no meu corpo e a calça ficar pesada.

Deixei para trás uma exclamação de surpresa da minha mãe e corri em direção aos estábulos, precisaria de um cavalo primeiro.

“Traga-a de volta, Justin.” Falei para mim mesmo enquanto colocava a cela em um dos cavalos sem me importar muito com delicadeza.

Saí galopando o mais rápido que o sangue puro cor de caramelo me permitia, atravessando o pátio principal do castelo, rezando para que eu conseguisse achá-la e conseguisse voltar em segurança para as paredes do castelo.

Rezando, acima de tudo, para que ela estivesse bem.

Adentrei a floresta fazendo com que o cavalo pulasse por cima raízes altas e cuidando para onde havia musgo se espalhando pelo chão.

Com a chuva caindo, ficava difícil enxergar muito a frente, e depois de meia hora eu estava pronto para dar minha busca como encerrada, e voltar ao castelo para ver o que faríamos a seguir, quando ouvi um relincho baixo a minha esquerda.

Segui em direção ao barulho e logo pude ver uma égua branca parada entre duas árvores altas, sem se importar com a chuva que caia e indisposta a se mover.

Cheguei mas perto descendo do meu próprio cavalo e segurando a guia da égua. Prendi a árvore mais próxima e olhei ao redor.

— Princesa! – gritei na esperança que ela pudesse me ouvir e responder

Andando em volta, passando pelas árvores, parei ao ver que eu estava no topo de uma pequena ribanceira, chegando bem próximo a sua borda. Olhando para baixo, vi um pequeno corpo encolhida na terra lamacenta, do qual eu ouvi um pequeno resmungo.

Graça a deus ela está viva.

Desci o barranco o mais rápido que consegui e me abaixei para perto dele, tentando ver se ela havia se machucado gravemente.

O vestido que uma vez havia sido de cor clara, agora estava cheio de lama, rasgado em um dos lados, fazendo aparecer a sai de armação. Ela possuía pequenos arranhões nos braços, como se tivesse passado por espinhos, e um pequeno corte na testa e no lábio inferior, da onde saía pequenos filetes de sangue. Seu corpo tremia com uma possível hipotermia e por um segundo tive medo de tocá-la e a machucar, deixando esse pensamento de lado quando ela abriu um pouco os olhos, o suficiente para poder focar em mim, e esticou os braços como uma criança manhosa que pede colo.

Puxei para mim, passando um braço por trás de suas pernas e pelas costas, a levantando comigo daquele lugar. Tive que fazer um esforço um pouco maior para subir o pequeno barranco com ela no colo, mas consegui chegar ao topo e voltar para perto dos cavalos.

— Está tudo bem, vai ficar tudo bem. – murmurei para ela, que agora já estava com os olhos fechados, a cabeça apoiada em meu peito

Larguei-a no chão apenas pelo tempo suficiente para amarrar a guia da égua na cela do meu cavalo, já a puxando de volta, colocando-a em pé.

Ela não tinha forças para permanecer em pé sozinha e dei uma olhada em sua roupa pensando no quão difícil seria manter ela em meu colo com tanto volume naquele vestido.

Fechei os olhos tentando clarear minha mente e não pensar em nada malicioso enquanto murmurava pra ela.

— Me desculpe, mas vou ter que fazer isso.

Abaixei-me, passando as mãos por baixo de seu vestido tentando... céus, que esforço eu estava fazendo, não tocar na sua pele. Parando mais ou menos na altura de seu quadril, segurei a cintura da saia de armação e lentamente a puxei para baixo tentando não assustá-la com os meus movimentos.

Mas fiquei assustado ao sentir suas mãos seguram meus braços e, mesmo com os olhos fechados, me ajudar a tirar sua saia de armação.

Que deus me ajude com essa garota.

Depois de jogar a saia para o lado, voltei a pegá-la no colo, subindo no cavalo e ajudando-a a se posicionar no meu colo. Ela passou os braços finos pela minha cintura como se quisesse me manter no lugar e não pude resistir a tentação de passar uma mão pelos seus cabelos, os puxando para o lado.

— Tudo bem aimer, estamos indo para casa.

E mesmo com a chuva caindo, fiz os cavalos correrem o mais rápido que podiam, temendo pela saúde da pequena e desprotegida garota em meus braços.

A diferença, é que agora eu a protegia, e faria tudo que pudesse para vê-la bem. Ela só não precisaria saber disso.

“Durante quase uma hora, as monarquias de Paris e do Canadá ficaram com o summun pontificem* em aberto, onde não havia herdeiros para assumir o trono.”