Notas iniciais
Sei que demorei com o capítulo, mas foi um pouco difícil escrever... Eu nem sabia como começar... bom, espero que tenha ficado bom e espero que os criadores tenham gostado de seus personagens!

O Dojo do Clã Tora parecia bem calmo. Alguns Ninjas treinavam tranquilamente, mas nunca lutavam entre si, até porque haviam acabado de chegar no Dojo, precisavam estar aquecidos. Nenhum deles percebeu a falta de alguém importante. Mas não é como se Yoshiro se importasse, afinal, ele já estava bem longe dali.

Ele passeava tranquilamente por cima dos tetos das casas, e as pessoas que viam, apontavam curiosas para o homem. Mas ao verem seus cabelos loiros amarrados de uma forma única e seu uniforme extravagante, perceberam que era o poderoso líder do Clã Tora.

A verdade é que ele não estava muito afim de decidir quem lutaria por ele contra os seres das sombras e recuperaria o poder. Além de isso já ter acontecido com ele – e não ter acabado bem –, seus discípulos eram muito mimados e arrogantes. Eles provavelmente acham que estão ali apenas para ganhar fama e prestígio. Mas a realidade é outra. Esses pensamentos continuaram rondando sua mente, até alguém aparecer na frente dele, fazendo com que ele se desequilibrasse e quase caísse, o que – felizmente – não aconteceu.

Se havia uma coisa que ele odiava, era ser atrapalhado. Ainda mais por seus alunos. Ainda mais por esse aluno em particular.

O garoto a sua frente tinha olhos dourados que brilhavam intensamente, um brilho carregado de malícia, um sorriso irônico bem repuxado no rosto, e ainda por cima, passava as mãos pelos rebeldes cabelos dourados.

Ele usava um hakama e um kosode preto, e por cima, usava um haori preto que carregava o brasão da poderosa família Yamasaki, uma das cinco famílias reais, sendo que a família Yamasaki pertencia ao Oeste. Além disso, ele tinha vários brincos na orelha e tinha um piercing na sobrancelha direita.

Yoshiro suspirou. Era desse tipo de gente que ele estava tentando fugir.

– Nakayama-sensei – disse o garoto com uma voz imponente, fazendo-o parecer mais velho. – O senhor está fugindo às suas obrigações? Yamasaki-sama não vai gostar de saber disso.

Essa era uma das poucas vezes em que Yoshiro desejava ser apenas mais um Ninja, e não o líder deles. Ainda mais quando um dos seus alunos fazia parte da família real. Aquele garoto fazia de propósito, queria fazer com que Yoshiro fosse mandado embora. Então, com uma pose mais calma, Yoshiro deu um sorriso meio forçado de canto.

– E o que você faz aqui, Yamasaki Hiroto? – disse, mas o garoto não perdeu a compostura. – Que eu saiba, você também está fora do Dojo.

– Mas você é o professor... Apesar de não ser qualificado para tal posto – o garoto alargou o sorriso irônico. – Papai vai saber disso já!

Assim que o garoto disse isso, Yoshiro já havia partido. Não era a toa que ele era o líder do Clã Tora. Quando queria, conseguia ser mais rápido do que um raio. Ele continuava correndo e, rapidamente, chegou ao Dojo.

Assim que chegou, os alunos pararam o que estavam fazendo para observar seu Sensei. Mas logo, voltaram ao seu treinamento. Ele voltou para seu canto e começou a observar o treinamento, assim, não viu que um de seus alunos se aproximava.

– Nakayama-sensei! – uma garota, um pouco mais nova que os outros alunos, se aproximou. – O que você aprontou outra vez?

– Você também não, Hisui...

A dita Hisui tinha cabelos negros que iam até sua cintura, olhos vermelhos de um brilho intenso e pele um pouco bronzeada. Ela usava um quimono longo e negro que tinha borboletas douradas como desenho, além de usar uma presilha de borboleta. Ela ostentava um sorriso irônico, e sentou-se ao lado de Yoshiro.

– Deixa eu adivinhar... O Hiroto outra vez? – o loiro apenas assentiu, e a garota prosseguiu. – Quando eu pegar aquele estúpido, vou dar uma boa surra nele!

– Vai dar uma surra em quem? – Hiroto aparecera do nada atrás dos dois. – Espero que não seja em mim... Nem se você quisesse, iria conseguir, pirralha! – como resposta, recebeu um olhar mortífero vindo da garota.

– O que foi que você disse?! – ela já se colocara em posição de luta, mas antes que tentasse alguma coisa, Yoshiro se interpôs entre eles, com uma ideia em mente.

– Bem... como eu sou o chefe aqui, é melhor parar vocês dois antes que façam algum estrago. E agora, me sigam. Vamos até a sala de reuniões – os dois iriam protestar, mas Yoshiro lançou um olhar que não aceitava discussões. – Agora.

Eles andaram até a sala de reuniões – com Yoshiro indo no meio, claro – que ficava bem ao lado do Dojo. Assim que entraram, Yoshiro sentou-se atrás da pequena mesa, enquanto os dois sentaram-se lado a lado, sem se olharem.

– Yamasaki Hiroto, Ushiromiya Hisui... Pra começar, não quero mais brigas entre os dois. Segundo... – antes de completar a frase, ele ouviu gritos do lado de fora, e a voz da pessoa que gritava era bem conhecida. Conhecida até demais.

Quando percebeu que os gritos estavam ficando cada vez mais próximos, Yoshiro começou a ficar desesperado e levantou-se da cadeira, olhando pela janela, reconhecendo aquela cor de cabelo de longe. Segundos depois, Yoshiro já estava no chão, com um pequeno ser por cima dele, e a janela quebrada.

– Yoshiro baka! – a ruiva levantou-se de uma só vez, com um enorme sorriso no rosto. – Ouvi dizer que você estava com dúvidas sobre quem escolher... Estou aqui para te ajudar! – a garota bateu continência, esperando o loiro levantar.

Os dois presentes naquela sala observavam a cena um pouco surpresos. Aquela não era a líder do Clã Ryu, a garota conhecida como Dragão Vermelho, por causa de sua agressividade e força? E desde quando os líderes dos Clãs eram amigos?

– Você não devia estar vigiando seu Clã, Miyako? – ele perguntou impaciente, e finalmente de pé.

– Alguém já está vigiando ele por mim, Yoshi! – ela alargou o sorriso, e logo, percebeu que não estavam sozinhos. – Quem são eles?

– Você tem razão, eu estava com dúvidas. Mas isso era antes, você chegou tarde – a garota olhou para ele indiferente e deu de ombros. – Como assim você não se importa? Você não acabou de dizer que estava aqui para me ajudar?

– Só um idiota iria acreditar nisso, Yoshi – explicou, recebendo um olhar frio do loiro. – Eu vim aqui para ver quem você tinha escolhido. Porque, você sabe, eu tenho que escolher alunos melhores que os seus. Esqueceu que nós somos rivais?

– Eu pensei que seu rival era o Jun... – o garoto coçou o queixo, pensativo. – Enfim...

– Afinal, vocês vão ficar batendo papo ou vai logo dizer por que nos trouxe aqui? – Hiroto se pronunciou, recebendo um olhar mortal da ruiva.

– Ei, pirralho, nunca te disseram que era falta de educação interromper a conversa dos outros? Ainda mais quando são adultos conversando coisas importantes?

– Como assim, pirralho?! E adultos? Você não deve passar dos vinte, ruiva.

Miyako olhou um pouco surpresa para Hiroto, e ele continuou observando-a. Logo, ela deu de ombros e sentou-se na mesma cadeira em que Yoshiro estava sentado.

– Pode continuar, prometo que vou me comportar – e começou a brincar com as canetas que estavam na mesa de Yoshiro.

– Então, vamos continuar nossa reunião... Fingindo que ela não está aqui – Yoshiro retomou uma postura mais séria. – Como eu estava dizendo, eu preciso de vocês dois. Quero que vocês lutam para mim, contra os seres das sombras, os seres que estão roubando os poderes Ninja.

– E por que nós? – a garota perguntou, olhando fixamente para seu mentor.

– Vocês... dificilmente obedeceriam alguma ordem minha, ou me escutariam. Não que isso seja uma coisa boa, mas mostra que vocês têm seus próprios princípios, uma personalidade própria. É desse tipo de gente que eu preciso. Então... vocês aceitam a proposta?

Pela primeira vez naquela sala, os dois se entreolharam e pareceram entrar em um acordo mútuo, e, virando-se para seu mentor, os dois acenaram positivamente com a cabeça.

– Aceitamos – disseram em uníssono, e até parecia que eram amigos de longa data.

– Ótimo – Yoshiro deu um suspiro de alívio. – Agora, vamos começar a treinar todo tipo possível de técnicas, estilos de luta... E quando todos estiverem preparados, vamos para a Central, que é onde fica o Clã Kuma. Já pode ir embora agora, Miyako.

Ao virar-se para expulsar a ruiva da sua sala, teve uma surpresa. Seus longos cabelos ruivos agora estavam cheios de coques que ela amarrou com as canetas. E não eram apenas dois ou três coques, não. Era bem possível que houvessem mais de dez.

– Eu não acredito que você usou minhas canetas para isso – ele levou a mão ao rosto, e a garota levantou-se de uma vez, um pouco assustada.

– Acabei de me lembrar! Ainda não escolhi meus alunos! – antes de qualquer coisa, ela pulou pela janela e correu rua afora, até desaparecer.

– Então... – Hiroto colocou o braço em volta do pescoço de Hisui, que olhou para ele com cara de poucos amigos. – Por onde começamos?

Notas finais
Já comecei a escrever o próximo capítulo, que vai mostrar o Clã Ryu! Assim que terminar de escrever, vou responder os reviews de vcs com muito carinho.
E pra quem quer se inscrever, as vagas que estão faltando são essas:
Clã Kuma: feminino
Clã Same: masculino
Apenas duas vagas sobrando, galera! Se inscrevam se ainda quiserem participar. E logo, estaria falando aqui quem foi aceito na fic!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.