Royal Garden - Camren
1 Capítulo 1
Milléa – Novo Estados Unidos, 2064
O palácio estava um caos nesse dia, criados corriam para lá e para cá, guardas ficavam ainda mais atentos aos seus postos, o rei estava apreensivo, os conselheiros estavam esperançosos, assim como toda a população do país.
A Rainha Sinuhe Estrabão Milléa, está para dar à luz.
Todos esperavam aquele momento a anos, o país estava sendo a ameaçado, o rei com a cabeça praticamente posta em uma bandeja pelos seus inimigos, eles precisavam de alguma segurança futura. O que melhor do que um herdeiro legítimo ao trono? Nada seria tão glorioso como isso, eles precisavam de um homem para bater de frente contra os inúmeros rebeldes, contra a Nova Inglaterra, tudo já estava planejado, o menino iria nascer forte, com instinto de batalha, com raiva dos Ingleses e logo após treinar o suficiente teria um bela esposa para o acompanhar em lugares importantes. Além do mais, o que é um homem sem um rosto bonito para chamar de sua propriedade?
Mas os planos do Rei foram totalmente por água abaixo quando fora informado que sua criança acabara de nascer e que era... uma garota.
Na cabeça do Rei apenas preocupações vinham, como uma garota tomara conta de um país como Milléa? Como lutara e batera de frente contra os rebeldes e os Ingleses? Tudo estava arruinado.
—Não fique chateado, Alejandro, é apenas nossa filhinha, ela será uma boa rainha- Sinuhe olhava encantada para a pequena garotinha de fortes traços latinos na sua frente –Olhe como ela é linda, ela me parece que será tão forte quanto os guardas que protegem este castelo!- ela dizia maravilhada.
—Não seja tola Sinu! O que povo falara? O conselho? Teremos que procurar um bom país com um herdeiro forte que possa se casar com ela futuramente, apenas assim poderemos manter o controle de tudo... – ele foi interrompido pela mulher em sua frente.
—Alejandro eu não acredito que isso é o que mais lhe preocupa! Nós somos ameaçados a anos, diziam que matariam nosso primogênito, estamos sobre constantes ameaças e o que mais lhe preocupa é o fato dela ser uma garota? Eu não posso acreditar em tamanha barbaridade!- Ela sempre tivera medo desta conversa com seu marido. A sua família existia uma linhagem tão imensa quando a família de seu marido, e seus ancestrais a maioria era do sexo feminino, ela sabia de tamanha possibilidade, mas isso nunca foi visto com olhos ruins para ela, era o seu sonho ter uma princesinha.
—Mas é claro que eu me preocupo com isso também mulher! Temos que presar por toda a família, mas o fato dela ser uma garota é tão preocupante quanto!- ele passou as mãos nos cabelos e bufou –Eles nos acharam fracos! Acharam ela fraca! Na primeira oportunidade tentaram mata-la e nós não poderíamos fazer nada Sinu!- Ele dizia enquanto gesticulava com as mãos.
—Eu entendo o que se passa pela sua cabeça, Alejandro, mas por favor, apenas agora, dê um pouco de atenção a mim e a tua filha- ela voltou a usar o tom doce de sempre, com o tempo ela aprendeu a nunca levantar a voz, muito menos ao seu marido que antes disso era um Rei.
16 anos depois...
Scolips – Nova Escócia, 2080
A chuva fraca escorria gradativamente pelo vidro da grande janela que ficara na sala de estar da grande casa, ela olhava atentamente como as gotas iam e voltavam rápido como ponteiros de um relógio. O tempo passara tão rápido que a garota mal podia contar direito, ela se lembrara perfeitamente do dia que sua mãe lhe contou que iria se mudar para outro país e sozinha. Ela ficou assustada. Ela era apenas uma garota de míseros 7 anos quando se mudou para um orfanato o mais escondido possível em Scolips, na Nova Escócia. Ela entendia que precisava sair para sobreviver, já que esteve em perigos inúmeras vezes até mesmo dentro de sua casa, e o quanto mais longe de seus país ela estivesse, melhor seria para ela. Mas ela sabia que teria que voltar logo, pois ela já estava quase na idade se arranjar um marido para governarem juntos Milléa, não que ela esteja muito animada com isso, pois ela sabia que administraria melhor tudo sozinha, só precisa convencer seu pai disso.
—Camila? Venha comer querida, todas a sua espera para comer- ela é tirada de seus pensamentos por Soledade, uma das freiras que ajudavam a cuidar do orfanato. Ela abre um sorriso e salta para longe da janela seguindo a freira até que estivessem na varanda lugar. Camila poderia tirar uma foto daquele momento. Todas as outras garotas do orfanato riam de alguma coisa enquanto as freiras tentavam reprimir sorrisos as mandando ficarem quietas, a mesa posta e bem farta, o verde das árvores e da grama, o colorido das flores estava atrás das mulheres a sua frente moldando tudo, e as perceptíveis gotas do sereno deixando tudo mais calmo e ameno. Com calma e tentando não derrubar nada da mesa ela se sentou no meio das outras garotas e de frente as freiras.
Como todos os fins de tarde antes do jantar elas deram as mãos de rezaram, pediram por mais comida sempre, amor, saúde e essas coisas que todos pedem.
Tudo estava normal até ela notar um movimentação estranha a sua frente, a freira Soledade a olhava de olhos arregalados, tudo que aconteceu depois foi muito rápido, o seu cérebro apenas processou a imagem da freira com os ouvidos escorrendo sangue e a boca com bastante espuma e o corpo desfalecido caindo para frente. Em um piscar de olhos todos os pratos já estavam sendo retirados da frente de todos enquanto uma freira a puxava pelo braço a fazendo entrar novamente no orfanato.
—Pegue todas as suas coisas o mais rápido possível, você precisa voltar para casa- a freira dizia rápido enquanto a empurra porta adentro.
—O que está acontecendo? O que houve com Soledade?- ela perguntava rápido e assustada.
—Criança, desde que chegaste aqui sua comida é provada antes de você, para evitar que casos como esse acontecesse com você- a freira falava enquanto puxava uma pequena mala de baixo de uma das inúmeras camas do quarto –Em todos esses anos nada aconteceu, isso provava que você estava segura, mas agora é diferente, você está grande, prestes a voltar para casa, era óbvio que tentariam algo- ela abriu a mala em cima da cama enquanto sinalizava para que Camila pegasse suas roupas, e no automático a garota o fez.
—Isso significa que eu estou literalmente agora voltando para casa?- a garota dizia devagar tentando assimilar tais acontecimentos, a freia apenas concordou com a cabeça.
[...]
Depois que já haviam feito uma breve ligação para o palácio anunciando que voltaria mais cedo para casa, Camila, se encontrava em uma improvisada pista de pouso, por ser membro da realeza, aviões era uma das utilidades que ela tinha, já que os mesmo só podem ser utilizados pela realeza e pelos soldados em batalha, fora tirado de uso comercial a muito tempo atrás.
Ela estava nervosa, sempre esperou incansavelmente pela sua volta para casa, estava com saudades de seus pais, das únicas duas amigas, Allyson e Dinah. Ally era filha do braço direito de seu pai na corte, então Ally praticamente vivia em sua casa, foi sua primeira amiga. Dinah era filha de uma das cozinheiras do palácio, Dinah era uma criança arteira, e isso rendia boas broncas de sua mãe, já que Dinah sempre fugia da cozinha e aparecia no jardim com o rosto sujo de farinha para brincar com Camila e Ally. Com certeza era disso que Camila sentia mais falta, mas também sentia muita falta de sua mãe, era a pessoa que ela mais ama no mundo, sempre esteve em todos os momentos por ela, era a pessoa que a acalmava de noite quando algum pesadelo atrapalhava seu sono, ela se lembra a árdua luta que sua mãe batalhava para tirar pensamentos de “homens ruins e bobões” – como ela mesma dizia – da cabeça de seu pai, mesmo que naquela época ela não entendesse 100% ela sabia que seu pai sempre falava para sua mãe que ela havia falhado com o povo e com ele. E agora ela entendia. Isso apenas por ela ter gerado uma garota. Isso não era culpa de ninguém. A cabeça bobona de seu pai que havia errado, e com certeza estaria errando até hoje.
Mas ela provaria para ele que era forte, sabia muito bem chutar a bunda dos Ingleses. Ele ficaria orgulhoso dela.
Isso era tudo que ela queria. O orgulho de seu pai, o abraço de sua mãe, e fugas a noite com suas amigas para correrem no jardim real e deitarem na grama para verem as estrelas.
Englafis – Nova Inglaterra, 2084
Lauren entrava bufando na sala do trono, era a quarta vez no mês que fora chamada para estar na presença do Rei e suas marionetes, e aos poucos infelizmente ela se tornava um deles.
—O que devo a honra de ser convocada a presença desses puros e maravilhosos homens?- ela disse com a voz carregada de ironia enquanto se sentava em uma das cadeiras da imensa mesa bem centralizada.
—Não gosto do seu tom de voz Lady Jauregui, não se esqueça que está na presença de seu rei, ou eu também esquecerei do nosso acordo e ligo para o clero fazendo uma denúncia contra seus pecados...- o Rei John II falava enquanto levava uma taça de vinho aos lábios.
—Não acontecera novamente Majestade... apenas fiquei curiosa por minha presença ser solicitada outra vez aqui- Lauren dizia enquanto fechava sua expressão, ela odiava mais que tudo ser submissa daqueles sangue sugas, mas outras opções não existiam.
—Acabamos de sermos comunicados que a princesinha de Milléa irá retornar o mais rápido possível para sua casa... o nosso veneno não deve ter chegado nela, ou já teríamos solucionado o problema que ela é- um dos conselheiros dizia enquanto gesticulava com as mãos –E com isso nós conversamos e decidimos que algo melhor que mata-la seria ridiculariza-la para o mundo, tornar a vida dela impossível ao ponto que ela pedirá para morrer- conforme ele dizia um sorriso ia crescendo em seus lábios.
—E para isso precisaremos de você Lady, você entrara em campo como uma dama de companhia da princesa, você seria uma Portuguesa que migrou para se casar com algum homem importante de Milléa para dar uma condição melhor para sua família, você terá de ser a melhor amiga dela, saber de exatamente tudo que ela planeja fazer, principalmente contra nós e nos manter informados, assim sempre estaremos um passo a frente, você como sempre será nosso bode expiatório, eles nunca desconfiam da pobre mulher indefesa- Lauren rolou os olhos, era sempre a mesma história.
—Tudo bem, apenas me informar quando devo ir, vou tratar de conseguir as informações rápido e sair logo de lá- ela dizia enquanto se levantava –Estou liberada?- eles concordaram com a cabeça, ela suspirou em alívio e saiu da sala erguendo minimamente o vestido preto que ela usava revelando os coturnos brilhosos que ela usava embaixo do vestido, ela correu até o gramado e respirou fundo sentindo o ar puro dominar seu corpo.
Ela precisava outra vez enganar uma jovem princesinha mimada para que seu país não saísse como idiota perdendo alguma batalha. Não que ela odiasse 100% seu posto de utilidade, a parte boa era as escapadas no meio do “expediente” para apertar a bunda de alguém atrás de uma árvore. Experimentar o gosto dos gringos era seu passatempo preferido.
Estava ansiosa para saber o gosto que as pessoas de Milléa possuíam.
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