Royal Academy
2 Capitulo 2 - Primeiras impressões

Skye
Prometi ser uma boa aluna mas depois de várias conversas e uma noite ruim de sono, não pude deixar de estar cansada no dia seguinte, quando as aulas começaram. Minhas colegas de quarto e eu conversamos até tarde da noite sobre de onde viemos e as vidas que tínhamos levado antes de acabar aqui.
Minha primeira aula foi o Básico da introdução a magia, eu já tinha lido tudo o que podia sobre o assunto, mas estava determinado a fazer o melhor. Infelizmente, nenhuma das minhas outras colegas de quarto teve a aula nesse período, e eu fui deixada sozinha.
Caminhei pelos vastos corredores da escola, procurando minha sala de aula. Parecia levar uma eternidade para navegar não só para o prédio certo, mas depois para encontrar a sala certa as pessoas ainda olhavam para mim enquanto eu passava por eles.
Eu me sentia como se não pertence aqui e os outros alunos pareciam saber disso. Eles sabiam quem eram os novos bolsistas, e embora eu tivesse determinado a não arranjar confusões durante meu tempo aqui, descobri que eu já estava no meio sendo o centro das atenções, mesmo não fazendo nada.
Todos olhavam.
Literalmente todo mundo.
Eles olharam para mim enquanto eu caminhava pelos corredores, e a maioria das pessoas realmente me deu uma boa olhada, analisando cada centímetro da minha existência. Embora eu estivesse determinada ao deixar isso me incomodar, era mais fácil dizer do que fazer. Fechei os botões da minha jaqueta e alisei a saia xadrez apenas para aliviar a tensão, odiava este tipo de uniforme é como se eu estivesse em uma serie de drama de adolescentes rebeldes.
Apressei o passo para encontrar rapidamente a sala então tropeço nos meus próprios pés, não deixando de esbarrar no braço do garoto que estava de costas. Fui pega de surpresa, mas o garoto de cabelos negros me captou com um brilho arrogante. Ele olhou para mim, com os olhos afiados com desaprovação e outra coisa? Eu estava abaixo dele, isso era muito claro.
De repente senti que cada momento embaraçoso da minha vida estava exposto para as pessoas verem. Tentei encolher o menor possível, como uma ratinha fugindo mas uma parte de mim sabia que não ia funcionar.
Ele já tinha aquele olhar mortífero sobre mim. Meu estômago pulou no meu peito enquanto uma garota oriental surgiu ao lado dele me olhando de cima e até baixo.
Lembrei-me da menção de pessoas assim aqui. Eloise tinha falado sobre o seu irmão ontem à noite que se formou na Royal Academy. Ela disse que sempre havia algumas pessoas em escolas como esta que se achavam melhores do que todos os outros. Eles tinham dinheiro, o nome certo da família, e o poder vinha com isso e eles viam a todos os outros como lixo.
Ela saberia... Porque ela era de uma família assim, e sua própria família a tratava como lixo. A única razão pela qual ela estava aqui era por que o seu pai não queria ter uma fama negativa para o seu lado. Ela tinha sido renegada na família apenas porque não era forte como os seus outros irmãos e mal sabia controlar o sua gota de magia.
Esse tipo de gente estava por toda parte. Eu odeio pessoas que tratam os outros como se não fossem nada. Eloise tinha dito ao resto de nós que o bullying nesta escola eram tão fodido que nos acostumaríamos. Eu odiava isso, odiava ter que me sentir assim. É uma sensação terrível, Sentir-se inferior só por causa de quem você era.
Isso não é certo!
Eu odiava que esse riquinho mimado apenas olhasse para mim, mas ainda eu odiava que eu tinha realmente encolhido, como se eu precisasse, como se eu fosse uma rata, como se fosse o que eu deveria fazer, porque eu era inferior.
Só agora eu reparei em como seus olhos eram estranhos. Heterocromia, minha mãe já tinha me falado sobre isso numa atividade de ciências, os olhos raivosos eram de um castanho avermelhado e o outro era verde quase branco.
— Você não pertence aqui. — Sua voz era profunda e selvagem. Eu queria me acovardar , mas não o fiz.
— Não me importo com o que você pensa — encontrando minha força, respondo empinando meu nariz.
Eu não era inferior e não permitiria os idiotas desta maldita escola fazer me sentir assim.
Ele bufou e caminhou em direção contrária, a garota de olhos puxados ainda me olhava arrogante e então o seguiu.
Entrei na sala faltando alguns minutos para a aula começar, suspirei de alívio que eu consegui fazer. Procurei uma cadeira no fundo da sala, não me importando se eu parecia ainda mais uma esquisita social do que eu tinha antes. Eu não tenho nenhuma chance de realmente me encaixar.
Eu balancei a cabeça pensativa, eu não queria estar aqui atrás então me mudei para a cadeira da frente e então com receio fui para o meio. Eu tinha acabado de deslizar para o novo assento quando senti alguém atrás de mim.
— Novata, você está no meu lugar. – A voz arrogante e cruel me assustou por um momento, pensei que fosse o garoto de antes, mas não, este era mais um idiota.
— Oh – Eu olhei fingindo surpresa — Eu não sabia que as cadeiras aqui eram marcadas – estreitei meus olhos para ele.
— Este é e sempre foi o meu lugar, saia dele – O cara era alto com cachos loiros quase como um anjo, muito diferente do moreno com quem eu tinha interagido momentos antes.
— S-sinto muito – gaguejei, criando coragem para me manter mais firme — Mas se os assentos fossem atribuídos, tenho certeza que os instrutores iriam me avisar – Minhas palavras ficaram mais fortes e fortes enquanto eu falava.
— Esse não é o caso – Seus olhos eram azuis como gelo.
— É agora – Olhei para ele e não esforcei um dedo para me mover.
Eu não deixaria as pessoas nesta escola me intimidar. Eu poderia ter crescido como uma “ Parasita ” mas eu não era inferior. E eu não ia dar a esses idiotas a satisfação de me intimidar. Eu sabia que deixá-los implicar comigo desde o início significaria muitos problemas para mim, e eu tinha que me defender, e eu não ia deixar que piorasse .
Ele grunhiu suavemente e mais uma vez, senti-me sendo examinada, olhei para cima e para baixo. Ele mandou um arrepio na minha espinha e eu senti uma onda de excitação, eu tinha a súbita imagem dele me despindo com os olhos, mas eu sabia que não podia ser verdade. Em vez disso, ele se virou e sentou-se na cadeira logo ao meu lado. O tempo todo pude sentir os olhos dele furando buracos na minha cabeça. Imaginei aqueles olhos azuis incapazes de se afastarem de mim.
Depois dos eventos a caminho da aula e depois disso, ficou muito claro que eu estava atraindo atenção.
Isso ficou ainda mais claro quando o professor entrou na sala, começando a falar sobre os segredos da magia e como todos nós nos escondemos do mundo normal. Também sobre como o básico da magia nos ajuda a nos esconder. Algo que eu nunca tive nenhuma consciência, mas tinha sido um extinto básico da minha magia, tendo vivido toda a minha vida naquele mundo.
A timidez me impediu de responder várias perguntas durante o dia, e os alunos continuavam a me olhar mesmo não falando nada. Eu queria me encolher sob os vários olhares, mas eu me recusava a recuar e com certeza continuaria fazendo.
Ao longo do dia, eu encontrei as meninas na fonte em frente ao patio, onde um lindo dragão de pedra jorrava água em cascata.
— Olha só a novata mais popular — Lexie, a garota albina sorriu mexendo nos óculos escuro.
— De quem vocês estão falando? — perguntei confusa.
— De você claro, todo mundo está falando sobre como você foi incrivelmente estúpida na frente do príncipe — Octávia responde .
— Que príncipe? E-eu estou completamente confusa, existe uma majestade nesta escola? — As três garotas me olham incrédulas.
— Você está fudida — É a vez de Eloise — Você bateu de cara com Ares Arcane o primeiro na linha de sucessão ao trono, sim, existe um príncipe e um rei em Aster e são eles que comanda todo o nosso mundo, a família real Arcane.
— Não é a toa que o colégio se chama Royal — murmura a loira ao lado.
— Ouvi falar que ele é tão poderoso que matou a própria irmã quando eram apenas crianças...
— Crianças não, foi quando eles dois eram bebês — Eloise corta Lexie.
Engulo em seco, talvez eu tenha colocado um alvo bem grande nas minhas costas.
— Estou realmente fudida — Falo mais para mim mesmo e as três confirmam balançando a cabeça.
— Sem falar em Rin Masuyo, ela é louca pelo príncipe e agora que você o provocou ela vai te intimidar — Continua a morena.
— E um loiro de cabelo cacheados e olhos azuis, vocês conhecem? — Pergunto e vejo Octávia revirar os olhos.
— Se for o loiro que você enfrentou na sala, sim conheço, Petrus Knight — a loira responde me observando — ele é meu primo.
— E como vocês sabem de todos com quem esbarrei? — pergunto curiosa.
— Você está no topo dos assuntos mais comentados de hoje, é claro que sabemos de tudo – responde a loira.
Depois de comer juntos com as meninas caminhei em busca da sala de artes, mais pessoas esbarraram em mim e me olhava com raiva e nojo.
Malditos garotos de elite, graças aos nomes de sua família e dinheiro, todos os alunos da escola pareciam segui-los e o que estavam fazendo. Eles eram populares. Eles tinham a atenção dos outros alunos. Eles tinham os amigos. E se eles não aprovavam algo ou alguém, os outros também não aprovavam.
Eu suspirei enquanto ia para a sala. Esta seria a minha vida na Academia Arcane, e não havia nada que eu pudesse fazer. Eles não iam ser capazes de me tolerar, mas nada que eu pudesse fazer seria capaz de mudar isso.
Não valia a pena lutar por mim mesmo por pessoas que nunca seriam capazes de ver além de seu próprio ódio. Eu poderia me esconder como eu tinha planejado originalmente, encontrar um canto tranquilo para espairecer e fazer alguns estudos enquanto eu comia um bom chocolate.
Sim! Optei pela segunda opção. Eu estava acostumado a não me encaixar. Foi graças ao meu namorado Luke que passei de esquisita da sala a garota normal na antiga escola.
Uma placa de proibido entrar me chamou atenção, caída para esquerda e enferrujada como se a muito tempo estivesse alí. Abaixo da placa, uma portão de madeira que não estava trancada dando indícios de que alguém já esteve e poderia ir, sou curiosa demais para não entrar é óbvio.
Passando pela portão um imenso galho verde me acertou, era o lugar mais bonito de todo o colégio com certeza. Era como um jardim secreto vivo cheio de árvores e flores dos mais diversos tipos. Um pessegueiro selvagem me chamou atenção, as folhas rosas caiam em pétalas formando um lindo tapete.
— Se você mover mais um dedo morrerá aqui e agora – Senti uma lâmina fria no meu pescoço e uma voz masculina no meu ouvido.
— A portão estava aberto – foi tudo o que consegui dizer.
— Feche os olhos e prenda sua respiração agora – engasguei quando senti o braço forte circular minha cintura.
— O que? porque? – ele não precisou me responder quando vi uma grande serpente branca camuflada entre as flores, ela tinha mais ou menos quinze metros ou mais, matemática não era meu forte.
— Siga sempre a placa de aviso...
Fechei meus olhos quando a cobra de olhos de amarelos veio na nossa direção, medo subiu em meu estômago me fazendo tremer mas o cara atrás de mim me segurava como se sentisse que eu desmaiaria a qualquer momento. Ouvi a serpente sussurrar algo inteligível com sua língua sibilante e então foi embora.
Abri meus olhos e corri rapidamente em direção a saída, eu nunca, nunca mais entraria novamente aqui. Senti o estranho puxar meu braço e então me virei, okay, agora entendo por que na minha antiga escola tinha tantos caras feios é porque trouxeram todos os gostosos para cá.
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