Era alta madrugada, Rowan sempre teve o costume de acordar durante a noite, o que permitia sua saída às escondidas após encontros ruins.

Ao seu lado estava Mackenzie, ou Wavy, com quem já vinha se relacionando há um tempo. O maior medo de Rowan era tornar o caso sério demais.

Se levantou com cuidado para não acordar Wavy, que dormia abraçando-se nos lençóis, não acordasse. Com os dois pés no chão, agora, fazia seu percurso até o banheiro, tratando de não tropeçar nas roupas espalhadas pelo chão. A escuridão seria total se não fosse a luz dos postes de rua adentrando pelas frestas da persiana.

Abriu a porta do banheiro lentamente, tentando não acordar Wavy, que se retorcia na cama. Rowan fechou a porta e acendia as luzes. A princípio via tudo embaçado, efeito do sono misturado à troca da iluminação.

Olhou-se no espelho, molhou o rosto com a água gelada na tentativa de se espertar. O banheiro de Wavy sempre foi organizado, a escova de dente no lugar certo e os itens de higiene bem separados. Rowan sempre se sentia desajeitada ao reparar, no fundo, sabia que Wavy merecia bem mais do que ela.

Estavam juntas há seis semanas, nada sério, Rowan fez questão de deixar claro, não achava ser capaz de suprir as expectativas sob suas costas.

Após um tempo, voltou para o quarto, mais consciente. Vestiu sua blusa cinza lisa e sentou-se na beira da cama, colocando seu jeans e calçando suas botas.

O estômago roncava de fome, mas não poderia se aproveitar do que tinha na casa de Wavy, era uma de suas regras.

Ao terminar de se vestir, se aproximou da garota por fora da cama, inclinando-se para beijar sua cabeça, mas desistindo no último minuto. O apartamento era pequeno, mas aconchegante. Se estivesse disposta a se abrir mais, aproveitaria melhor sua presença naquele lugar.

Saiu e trancou o apartamento com as chaves que Wavy havia lhe dado, colocando-as debaixo do tapete após seu uso. Não se sentia bem carregando tal objeto consigo.

Seu carro estava estacionado na calçada, um Cadillac DeVille 1950, vermelho e reluzente, Rowan gastava cada centavo que tinha para cuidar dele e não se arrependia da decisão.

Deu partida no carro, vestiu o casaco que havia deixado no banco do carona. Vagou pela cidade em busca de um lugar aberto para comer, até encontrar uma lanchonete vinte e quatro horas no posto de gasolina.

Estacionou no local demarcado, pegou a carteira, o celular e os fones de ouvido, eternos companheiros.

Na sua mente fantasiava o X-Eggs Bacon que planejava devorar. Botou seu fone, tocava Starman, Bowie. Sentou em uma das mesas com assentos acolchoados, próxima da janela, onde teria uma vista para seu carro, alguns loucos na madrugada já tentaram roubar seu maior bem e arranhar a pintura perfeita.

Observou o cardápio por um tempo, será que seria muito ruim uma Coca-Cola às três da manhã? Ou deveria optar por um smoothie, um café? Ah, decisões.

Levantou a cabeça quando escutou passos se aproximando e olhou ao seu redor. A garçonete parecia ter saído de um catálogo de fotos dos anos 40, o cabelo perfeitamente arrumado e um sorriso que ostentava seus dentes perfeitos.

Ela falou alguma coisa, mas Rowan, absorta em seus pensamentos, não soube identificar.

— Desculpa, você pode repetir? – Estava envergonhada, ainda tentava de parar de observar a garçonete de um jeito estranho.

— Você já decidiu o que pedir? – Ela perguntava calmamente, mas não tinha uma voz angelical, mas sim possuía um tom inquisitivo.

— Ah, sim, um Eggs-Bacon. – Gaguejou levemente, a garçonete sorriu, enquanto anotava em sua caderneta.

— Nada para beber? — Perguntava sem tirar os olhos das anotações.

— Ainda tô em dúvida, você pediria um café ou uma coca essa hora da noite? – Tentava ser amigável, pegou a garçonete de surpresa. A mulher mordeu a tampa da caneta enquanto pensava no que responder.

— Hm... Considerando a presença do bacon, eu pediria coca, não estou muito aberta a experimentar um café da manhã inglês. – Ambas sorriram. – Coca, então?

— Sim, sim. – Balançou a cabeça positivamente.

— Então, mais alguma coisa?

— Seu nome. – Quando falou, percebeu o espanto da garçonete. Perguntou-se se tinha sido um erro. Tentou aliviar a situação. – Nossa, desculpa, essas falas ficam melhores nos filmes.

— Não, não, tudo bem. – Ela se recompôs e seguiu com o pedido para o balcão, mas parou no meio do caminho e virou-se para Rowan. – É Skylar, à propósito.

Rowan sorriu, sentiu sua bochecha ficando vermelha e chegou a pensar que Skylar talvez fosse algum tipo de alucinação. (Rowan não usava drogas, talvez fosse apenas seu cérebro ainda dormente).

Enquanto esperava seu pedido chegar, olhou seu reflexo na janela e arrumou seu cabelo para ficar mais apresentável.

Skylar trouxe seu prato e uma garrafa de Coca-Cola nas mãos, estava sorrindo, seus lábios eram vermelho brilhante, óbvio que por conta do batom que usava. Era um pouco irreal ver alguém tão tarde da noite estando praticamente impecável.

— Aqui está, Eggs-Bacon, como você queria. – Ela sorriu assim que pôs o prato cheio na mesa. Ela deslizou a coca-cola e a abriu. – Aproveite.

Assim que ela começou a ir para o balcão, Rowan se levantou e segurou em seu braço.

— Hey, hm, você poderia sentar comigo? – Sorriu levemente. – Tudo bem se não quiser, isso foi estranho, mesmo.

— Não, não, é claro que eu quero. – Skylar sorriu de volta, mas hesitou por um momento. – Mas com uma condição.

— Tudo bem, qual é?

— Você tem que me contar a sua vida.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.