Roulette
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Já sou péssima pra dizer qual categorias minhas fics se encaixam, aí chego aqui e as explicações não me ajudam em nada? Ficou assim mesmo, já que tem uma pequena insinuação à atos libidinosos...huhuhuhu...
Enfim primeira fic de SNK e antes de ver a fan art, eu já tinha brevemente imaginado esses dois juntos. Acho que pouca gente vai gostar já que metade dos fãs shippam Ymir com Historia, but, tomara que agrade a alguém.
ENJOY :3
- Sente falta dela?
Desde aquele fatídico dia havia se passado pouco mais de uma semana. O dia em que abri mão da segurança temporáriadas muralhas, o dia em quedisse adeus para minha pequena Christa... não, Historia. Mas sabe, foi por ela, para mantê-la a salvo, não foi realmente um adeus, foi um até logo.E agora venho convivendo com duas das tantas pessoas que eu jamais imaginaria ficar tão próxima: Reiner e Bertholdt.
As coisas com Reiner são complicadas, talvez seja pelo modo como ele parece relativamente tranquilo com o fato de ter contribuído com todas as mortes nesses últimos anos, nossos diálogos nunca acabam bem, simplesmente porque detesto sua cara de sínico. Ou talvez seja pelo fato de nossa pequena competição por Historia, é, deve ser por isso mesmo.
Já Bertholdt, bem, a companhia dele me tem agradado. Sempre gentil e às vezes estranhamente atencioso, o tempo todo parecendo estar arrependido sobre seus atos,e o modo como cuidou de mim depois dos estragos de nossa fuga, oh, isso me faz pensar no porque dele ter feito o que fez contra a humanidade.
E agora estou aqui sentada a seu lado no grande e espaçoso tronco de uma árvore gigante, depois de encurralados pela tropa, tivemos que voltar para cá, e até agora nossos ferimentos não se curaram completamente enão iríamos arriscar novamente.Lá embaixo Reiner assava alguns coelhos sob uma fogueira improvisada, e tantoo cheiro quanto a luminosidade já chegavam até nós.
Ele me encarava esperando a resposta desua pergunta. Oh não, quanto tempo fiquei pensando e o fiz esperar? Qual era a pergunta mesmo?
- Como?
- Christa.
- Eu já disse que é Historia.
- Ah claro, apenas não me acostumei a isso ainda. Mas sente falta dela?
E novamente minha cabeça foi tomada de pensamentos, mas estes vinham em forma de lembranças mais longínquas, e logo estas lembranças foram tomando forma. Cabelos loiros e perfumados, olhos grandes e azuis brilhantes, pele macia e o abraço mais caloroso que eu já havia recebido.
- Sinto. Todos os dias.
Agora, o que é isso no rosto dele? O que se passa por sua mente? Seriam lembranças como as minhas?
- E você? É bem evidente que sente algo pela Annie. Sente falta dela?
- Como sentir falta de algo que nunca foi seu? Mas vê-la... eu poderia ficar apenas a observando por horas, e sinto falta de ver seu rosto nem que seja por míseros minutos por dia...
Por quê? Por que isso tocou tão fundo meu coração? Seria esse olhar triste? Suas palavras? A falta que eu sentia da minha Historia já se transformando em carência?
- Bertholdt...
- Sim?
- Nada. Deixa pra lá.
- Ymir? Por que você está vermelha? Sua febre voltou?
Ao dizer isso ele tentou encostar a mão em minha testa e... como assim vermelha? Desviei na hora, admito essa ter sido a pior ideia que poderia me surgir no momento. Pendi para trás caindo pateticamente do galho, minhas mãos estendidas para cima tentando em vão alcançá-lo novamente. Tarde demais, minha última visão foi sua cara de desespero e suas mãos tentando encontrar as minhas, e depois apenas o incessante verde das folhas e o marrom escuro do tronco. Uma queda de 20 ou 30 metros me aguardava. Fechei meus olhos com força esperando o chão duro me receber, mas ao invés disso... macio, quente, braços ao meu redor. Bertholdt? Abri meus olhos e dei de cara com íris azuis a centímetros das minhas, não eram tão intensas quanto às de Christa, mas... eram bonitas. Ali estava ele, com o corpo colado ao meu e uma mistura de alívio com tensão formavam sua expressão, podia até ver uma pequena gota de suor frio descendo por sua testa.
Como ele fora capaz desta façanha? O DMT que ele havia trazido de seu último dia como soldado, ainda sobrara um pouco de gás, pude ouvir ele se esvaindo ao contestar que estava no final e ao invés de subir, seria mais fácil descer. Agarrei-me mais ao corpo dele enquanto descíamos aos trancos, já havia me acostumado a ficar tão próxima dele depois de ter sido carregada tantas vezes nesses últimos dias.
Chegamos ao solo masnão fui capaz de soltá-lo. Meu corpo inteiro ainda tremia.
- Você está bem Ymir?
- Obrigada...
Sussurrei e o apertei mais enterrando meu rosto em seu peito, ele é 20 centímetros mais alto, era bom abraçar alguém maior que eu. Mas... isso, isso está errado, eu não deveria me sentir tão bem por abraçá-lo, não deveria me sentir tão bem por ter seus braços ao redor da minha cintura. O soltei rapidamente, e quando o fiz percebi que esse constrangedor momento estava sendo observado por Reiner segurando um coelho quase assado em um graveto, e por que ele sorria? Ah eu posso sentir de longe a malícia no olhar das pessoas, e o dele estava repleto dela, minha face esquentou na hora pela raiva... ou seria vergonha?Bertholdt também deve ter ficado constrangido com isso, pois quando me dei conta estava sendo praticamente arrastada para trás, algumas árvores de distância apenas, seguro de titans, e longe o bastante do olhar perturbador de Reiner.
- Isso foi estranho.Ymir? Te abraçar... é bom. Posso fazer isso de novo?
Meu coração falhou uma batida,como se respira mesmo? Por que Bertholdt? Por que tudo que você fez e disse hoje tem me deixado tão inquieta por dentro? Essa sua pergunta, a resposta lógica é não! Mas então por quê? Por que eu sinto vontade de dizer o contrário?
Fiquei olhando-o sem saber o que dizer. Então sem esperar mais, ele apenas uniu nossos corpos novamente, mais forte, e apoiou seu queixo sob minha cabeça. E eu? Eu fui tomada por uma sensação de tranquilidade imensa.Ah Ymir! Pense! Isso é errado!Você não pode amar ninguém, já cometeu esse erro com Historia, que seja somente ela então!Ande! Solte-se dele! Dê-lhe um soco! Corra!Ah não, o que ele está fazendo? Suas mãos indo até meu ombro, nos afastando um centímetro, para quê? Agora elas deslizam até meu rosto.Pare! Pare com isso! Grite! Fale coisas ruins! Parta o coração dele! O impeça!Oh não! Ele está se aproximando... já posso sentir sua respiração descompassada se chocando contra a minha... seus lábios... tão perto, e cada vez mais.
Um beijo.
Suas mãos voltando à minha cintura e eu paralisada. Ele deixa meus lábios e me encara. Como ele pode estar tão calmo?
- Ymir?
- S-sim?
Ele suspira.
- Deve me odiar agora, eu sinto muito...
Ele estava se afastando, isso. Não. Por que estou segurando a mão dele?Droga Ymir! Deixe-o ir! Ah ótimo, ele voltou a te encarar. Parabéns, ele está se aproximando de novo, segurando sua cintura de novo.
Mais um beijo.
Entreabro meus lábios, por que fiz isso? Agora não tem mais volta, nossas línguas já se uniam em uma peça de péssimo gosto contra mim.
E agora? Agora ele me encostava no tronco de uma das árvores enquanto suas mãos passeavam por meu corpo. Em que ponto sua boca começou a descer até meu pescoço? Por que estou gostando disso? Ah Historia... me perdoe, mas não posso resistir, talvez seja culpa da falta que sinto de você. Carência.
Um gemido quase inaudível escapa de meus lábios. Droga! É óbvio que ele ouviu.
- Ymir...
Sua voz... sua voz pronunciando meu nome dessa forma... isso... isso me arrepiou. Quando foi que minhas mãos foram parar em sua nuca? E quando foi que elas começaram a deslizar até os botões de sua camisa? Oh não, a minha já está no chão.
-Bertholdt...
Será uma longa noite.
Notas finais
Sobre o título: Roulette é uma música do SOAD, procure a tradução que você entenderá o motivo de ter sido escolhida como título.
https://www.youtube.com/watch?v=xhQbRzyeXOw
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