Rotten to the core
1 Rotten to the core — capítulo único
Por onde ela andava, ganhava a atenção de todos. Fosse pela sua beleza fora do normal, fosse pelos seus ideais. Todos a observavam e viravam o pescoço para acompanhar seus passos. Era incrível como Medusa conseguia o que queria, de uma forma ou de outra, ela sempre deveria estar no topo. Se não estivesse encabeçando as alturas, então ela tramaria o diabo para estar lá.
Ela era má, seus atos cheiravam a problema e qualquer coisa que se passasse por sua cabeça com certeza não era boa.
Todos poderiam dizer o que quisessem dela, poderiam odiá-la até o confim de seus pobres seres mas, uma coisa que todos admitiam de uma forma quase única é que ninguém conseguiria ser como ela. Medusa. A bruxa. Não uma bruxa comum, como aquela dos contos infantis que, muita vezes, tinham seu coração ferido e como recompensa se transformavam nas vilãs da história. Ela não, ela era diferente. Era difícil para qualquer um distinguir uma forma de bondade em seus atos egoístas, ela era apenas perversa em busca de seus próprios objetivos, conseguira até mesmo superar sua irmã, Aracne, roubando de si seu corpo. Medusa só via seus interesses em primeiro lugar e não se importava dos meios que fosse utilizar para tal. Sabia prever com maestria seus passos, medir suas palavras, agir de maneira adequada, mascarar todos seus objetivos sujos. Não se arriscava ao menos que fosse estritamente necessário.
Era odiada por todos, não mantinha círculos de amizades mas sim, de interesses. Todas as bruxas ao seu redor a temiam, aquelas que ousassem desafia-la acabavam em maus lençóis. Mulher impiedosa, era assim que ela era.
Amor? Talvez essa palavra não existisse em seu dicionário, o que existia ali era uma distorção de amor, uma forma totalmente errônea de dar atenção aquele que era seu descendente. Ela nem era capaz de ver Chrona com afeição, aquela era apenas a sua cobaia, seu objeto de estudos, seu bichinho de estimação. Aquilo não era amor, só uma distorção disso, e por acaso ela se importava com isso? Mas é claro que não. Seus objetivos sempre vinham em primeiro lugar.
Uma mescla do que seria amor para ela poderia ser definida em Stein e na forma como ela queria tê-lo para si. O sádico, aquele que só conseguia ver as pessoas como presa para suas dissecações. Eles eram parecidos de certa forma e ela tinha interesse nessa semelhança. Lutou até seu último suspiro para fazê-lo seu, mas não conseguiu, ele nunca poderia ser dela por completo.
Porém, nesses mesmos contos de fada, as bruxas não possuem um final feliz. Medusa não teve o seu. Ela não foi queimada por aldeões nem presa por sua falta de ética. Ela foi morta por quem descendia dela, Medusa fora morta por Chrona em um de seus acessos de loucura.
Mas, ainda assim.
Ela era má de corpo e alma.
E não havia ninguém que ousasse superá-la.
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