Rotten Girl Grotesque Romance
1 Prólogo - A curiosidade que mata o gato
Pelos corredores desertos, apenas o barulho do salto baixo das botas da garota que ali ia, á passos lentos e vacilantes, olhando para os lados e sempre atenta para algum ruído. Todos estavam dormindo no andar acima dela, o único andar que ela julgara existir, até escutar os boatos sobre o subsolo. Por quase ninguém saber disso ela sabia que ninguém poderia salvá-la caso acontecesse algo... Mas salvar de quê, se aquilo era só uma lenda para assustar as policiais mais novas?
- Uma cela secreta? Como assim? – A garota parecia interessar-se enquanto abocanhava seu sanduíche.
— Sim, é o que me disseram. – Sussurrou a outra se aproximando mais. – Parece que está interditada e ninguém pode entrar lá.
— E onde é que fica isso? – A garota limpa o canto da boca com o guardanapo.
— Isso eu não sei, mas se é secreto mesmo deve ser tipo um subsolo ou um porão, algo assim, sei lá. Vem, tá quase na hora de voltar para o expediente. – A outra guarda sua garrafa térmica e alguns de seus potes na bolsa e puxa a amiga para voltarem aos corredores.
- Isso deve ser mentira, só pode ser mentira, tem que ser mentira. – A garota repetia olhando para o chão iluminado apenas pela luz de sua lanterna. – Aqui nem tem luz, como alguém poderia viver aqui?
O fim da linha era o que sua lanterninha mostrava, uma parede rebocada e sem pintura que fechava o corredor.
— Eu sabia que não tinha nada aqui. – A garota balançou a cabeça, mas sabia que no fundo ainda estava com medo.
Ela ouviu um barulho atrás de si que a fez dar meia volta passando a lanterna em tudo á sua volta, percebendo se tratar de um rato insistindo em tentar roer uma porta de metal que até esse instante, ela não havia percebido de forma alguma.
A porta era totalmente fechada, não havia ao menos uma janelinha como nas solitárias comuns, o jeito era olhar pela fechadura, mesmo que todos os seus instintos dissessem para não olhar.
Abaixando-se e olhando cuidadosamente pelo buraco, ela estranhou ao ver que tudo ali era vermelho, como se tivesse algo vermelho á frente da porta. Não dava para ver através da camada vermelha, então ela optou por abrir a porta, que abriu sozinha, antes mesmo que ela tocasse na maçaneta.
— Você é tão curiosa, mas parece que somos duas. Pelo buraquinho da porta, eu também espiei você.
Os olhos da moça eram completamente vermelhos.
Fim do Prólogo.
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