Rotten Flesh

13 Capítulo XIII


Notas iniciais
Mais um capítulo e um de enorme importância. Aproveitem ^^

Marina:

“Estávamos na estrada há uma hora e meia, mais ou menos, sem falar absolutamente nada, estava escuro ainda e por parecer que ia chover talvez não ficasse claro naquele dia, a ideia de o sol não aparecer só tornava as coisas mais depressivas.

Amber dirigia calada e Dan, sentado no banco do passageiro ao seu lado, mantinha a cabeça escorada na janela encarando as sombras lá fora. Eu estava sentada no banco de trás escorada na porta esquerda virada para George com os pés no banco, eu queria estar pronta para o caso de ele acordar e não ser mais... ele, a primeira coisa que eu faria seria chuta-lo e depois pular para fora daquele carro. Eu mexia no celular do homem de quem peguei a mochila, era um milagre ainda ter bateria, me lembro que fazia uma semana e alguns dias desde a ultima vez que eu carreguei sua bateria, devia ter ficado desligado esse tempo todo.

No dia em que eu encontrei aqueles três eu tentei liga-lo, mas não conseguia, felizmente... ou talvez não, ele ligou naquele momento.

Vi quatro mensagens não lidas e vinte e seis ligações perdidas, meu coração disparou.

As mensagens eram da filha do homem que morreu Amanda, ela era quatro anos mais nova que eu. Comecei a falar com ela no dia em que seu pai morreu , descobri então que seu nome era Richard, que ele tinha uma mulher e uma filha esperando-o em casa e que tinha ido lá atrás de suprimentos. Eu tive que dar as más noticias, mas elas não me odiaram por não ter ajudado ele, elas me perdoaram e me ajudaram a me manter viva nas duas semanas que se seguiram assim como eu as ajudei da minha forma. Sarah, a mãe de Amanda, era médica e me ajudou me dizendo o que eu devia fazer quando desloquei o ombro, em troca eu lhes dei informações sobre os lugares mais seguros da cidade e das formas mais eficazes de lidar com os mortos. Eu criei um laço com aquelas duas sem nem mesmo tê-las conhecido pessoalmente, e agora...

—Marina você está chorando? —Amber perguntou ao me ouvir tentar segurar um soluço—O que aconteceu?

—Não é nada. —sequei as lágrimas

‘Marina onde você está? Um grupo de homens apareceu aqui na vizinhança, vivos, eu não sei o que fazer, eles estão armados, por favor, nos ajude’, cinco dias antes.

‘Mari, eles pegaram a mamãe. Eu estou com medo. Cadê você? Eles foram embora agora, mas eu ainda estou escondida em baixo da cama, eu estou com muito medo’, quatro dias antes.

‘Mari eles voltaram, eles me viram na cozinha, eu corri para debaixo da cama de novo’, três dias antes.

‘Eles estão no corredor. Eu estou com medo’, três dias antes.

Mandei uma mensagem de volta.

‘Eu sinto muito’.

Quase três horas na estrada, Amber já estava obviamente incomodada com o silêncio, seus dedos não paravam de batucar no volante. H avia começado a chover, a paisagem lá fora era mórbida, não que houvesse muitos mortos, havia um ou dois na beira da estrada muito de vez em quando, mas tudo parecia morto ali. As arvores, a grama, as casas, o céu, tudo se misturava ao cinza do asfalto.

—Ele deu algum sinal? —perguntou pela terceira vez

Nem olhei para George.

—Amber, você está me dando nos nervos, pela terceira maldita vez, ele nem se mexeu! —bradei

—Por quê?! Eu não compreendo, você acordou tão rápido, as outras também.

—Nós não tentamos fugir, ele tentou e lutou com os caras, por isso eles foram mais agressivos com ele, eles injetaram mais daquilo nele. —contei

—Você não sentiu nada depois que eles injetaram aquilo em você? Tipo, efeitos colaterais ou algo do tipo? —Dan indagou curioso

Cocei a nuca e suspirei, lembrar daquilo era um porre.

—Meu corpo parecia pesado, como se eu estivesse usando uma roupa de chumbo, tive febre e uma dor de cabeça que quase me matou. —olhei para George dessa vez—O carinha aí teve convulsões, não foi nada bonito de se ver.

Amber apertou o volante com força, os nós de seus dedos ficaram brancos.

—Eu devia ter matado aquele velho maldito, mas antes eu devia tê-lo torturado muito

—Você já não matou gente de mais para uma vida, mocinha? —Daniel torceu o nariz indignado—Eu ainda não consigo entender de onde você tirou tanta força, e principalmente como você fez tudo aquilo sem nunca ter tocado em uma arma antes.

—George que lhe disse isso? —zombou—Não, eu já usei armas antes, Adam e eu gostávamos de praticar tiro de vez em quando como passatempo, o pai dele é delegado e nos deixava treinar com os recrutas. —contou—Eu até conheci seu pai por lá, Dan, bom homem.

—Quem diabos é Adam? —questionei

—Como infernos George não ficou sabendo disso?

Amber conseguiu dar uma risadinha, mas não respondeu nenhum de nós.

Ela olhou de forma pensativa para a estrada a frente iluminada apenas pelos faróis do carro, a chuva se mantinha na mesma proporção o que me preocupava um pouco, se um morto aparecesse no meio da estrada e tivéssemos que virar bruscamente... teríamos problemas. Entretanto tudo ficou bem, vimos casas aqui e ali com as luzes apagadas e carros abandonados no meio da estrada tornavam a aparência daquilo cada vez mais macabra, o mundo estava macabro, como um filme de terror.

—Vocês acham... acham que o que eu fiz foi certo? —ela perguntou insegura—Aquelas pessoas estavam sendo usadas, mas pelo menos estavam seguras e talvez... talvez a vacina realmente ajudasse.

Ficamos em silêncio por um minuto o que pareceu deixa-la agitada e mais insegura.

—Wells matou alguns dos médicos e mais seis pessoas porque eles questionaram suas ordens. —afinal fui eu quem acabou falando primeiro—Ele era instável de mais, o poder lhe subiu a cabeça, era uma ameaça.

—Essas pessoas vão se sair melhor sob a liderança de Castiel, ele é um cara legal. —Dan falou—E esse lugar no Arizona deve ser bem mais seguro que aqui.

Ela soltou um suspiro longo.

—Eu espero.

Quatro horas na estrada, paramos uma vez para empurrar um carro para fora do caminho e pegar algumas coisas para comer. Os suprimentos de Bianca realmente eram o bastante para dois dias, três se bem racionados, mas ainda sim não era tudo o que precisávamos, os remédios para cuidar dos ferimentos não eram suficientes, não tínhamos álcool ou soro para limpa-los de forma adequada e não tínhamos nada para uma maldita dor de cabeça. Tínhamos o bastante de água, mas barras de cereal e alguns feijões enlatados não eram muita coisa.

Se chegássemos a San Francisco e as coisas estivessem como em Los Angeles teríamos problemas.

Ajudei Amber a tentar dar água a George, ela temia que ele ficasse desidratado. Eu não queria, mas já que eles estavam me levando com eles para um possível local seguro e sem gente inútil para nos atrapalhar, além de eles serem mais confiáveis que muita gente por ai... eu meio que devia a eles, então eu o fiz.

Dan em algum momento parou de me provocar e começou a dar em cima de mim.

[Dan: Aí você voltou a agir como uma vadia e eu comecei a fazer os dois.]

[Marina: Calado!]

Eu não queria me envolver com eles, não queria criar laços com ninguém, pois se você está muito ligado a alguém, quando precisar mata-lo você vai falhar e então... é você quem morre.

Mas eles não pensavam como eu.

Amber tratava Dan como um irmão, sorria e falava comigo como se eu fosse uma amiga, eles não notavam que eu estava com eles pelo fato de serem os menos ruinzinhos e de eu não confiar muito nesse tal refugio do Arizona. Eu não sabia como lidar com eles.

Cinco horas e meia na estrada.

Chovia menos agora e o sol da manhã finalmente aparecia, era estranho ver aquele arco íris e lembrar que era primavera depois de ver toda aquela paisagem de filme de terror lá atrás.

—Estamos quase chegando. —Amber anunciou

—Chegando onde?

Amber freou o carro com tudo.

Todos nós olhamos para ele.

George havia acordado, estava um pouco confuso coçando a cabeça e olhando para nós sem entender onde estava. Mas nós estávamos mais confusos ainda e muito surpresos também. O olho esquerdo dele não era mais verde, era esbranquiçado como os olhos dos mortos, sem cor, sem brilho ou vida.

—O que foi? —ele perguntou”

Notas finais
E ai, mereço reviews? favoritos? :3