Rotten Flesh

4 Capítulo IV


Notas iniciais
Espero que gostem do capítulo ^^

Dan:

“Amber e G cantavam Pompeii e se balançavam nos bancos da frente, só que era uma versão mais agitada e desafinada da musica. Eu estava no banco de trás encostado na janela, havíamos nos afastado muito da cidade, estávamos na autoestrada naquele momento, fazia umas duas horas que havíamos deixado o posto e o dia já havia amanhecido quase completamente.

As paisagens passavam rapidamente, não haviam mortos por ali, não ainda, mas as vezes passávamos por um ou dois lugares com casas na beira da estrada ou estabelecimentos que haviam sido atacados- alguns nós não tínhamos certeza se haviam sido atacados só pelos mortos.

[George: Explique o por que a gente não chama de zumbi!]

[Dan: Tá, tá] [grunhido]

Nós não chamamos de zumbi porque esse é um termo inventado por nós humanos... vivos, e nós odiamos tanto essas coisas que não queremos ter nada a ver com eles. George acha que se o chamarmos de zumbis faz parecer que fomos nós que os criamos... e todos nós esperamos que não tenham sido criados por ‘nós’.

Voltando a estrada, aqueles dois papagaios estavam cantando cada vez mais alto.

—Quando vocês vão calar as malditas bocas?!

—BUT IF YOU CLOSE YOUR EYEEEES…—Amber berrou para me irritar.

Chutei as costas do banco em que ela estava sentada.

—Ranzinza! Esqueceu que eu estou dirigindo? Quer matar a gente? —fingiu estar brava

Revirei os olhos.

—Não é para tanto, Amber... e se você parasse de berrar como um bezerro recém nascido eu não faria isso.

Ela bufou.

—Nunca ouviu falar que quem canta os males espanta?

—Já, mas no seu caso você não vai só espanta-los, vai traumatiza-los também.

George gargalhou.

Ela mostrou língua para nós pelo espelho retrovisor.

Estávamos chegando à Los Angeles, no céu víamos uma fumaça e na pista que saía da cidade diversos carros estavam parados, a maioria havia batido, outros haviam sido abandonados, mortos devoravam corpos e outros vagavam entre os carros perdidos.

Só então me lembrei que dois dias antes vi na internet uma noticia sobre LA, vandalismos, assassinato e caos haviam se espalhado pela cidade, parecia ter começado em alguns hospitais onde pacientes com a “Gripe Asiática” que não conseguiam ser atendidos- algo comum nos últimos tempos já que os hospitais estavam sempre lotados- ficaram raivosos e começaram a atacar as pessoas.

Logo depois a cidade foi ‘interditada’. Mas eu não esperava que estivesse daquele jeito tão... tão parecida com um cenário de filme pós apocalíptico.

—Amber! —gritei ao notar o morto entrar na frente do carro

/////

Amber virou o volante com tudo fazendo o carro derrapar, o morto chocou-se contra a lateral do carro e foi jogado para o alto, primeiro bateu no teto do veiculo e depois caiu no asfalto. Amber deu duro para conseguir o domínio do automóvel novamente, nós todos estávamos tensos, quando ela reconquistou o controle do carro nem tivemos tempo de respirar aliviados. Uns metros a frente um bando de uns dez mortos apareceu gemendo e mancando.

Amber desviou de todos que conseguiu, eram muitos e o numero só pareceu aumentar a cada dez metros. E os obstáculos passaram a não ser apenas mortos, mas carros batidos, barraquinhas de cachorro quente, árvores, garotas de quatorze anos correndo com shotguns.

A garota apareceu do nada, atravessando a rua engatilhando a shotgun e atirando na cabeça dos mortos. Ela tinha a minha idade, era alta, pele morena, cabelo preto preso em duas chiquinhas de cada lado da cabeça, tinha uma grande mochila nas costas e não parecia nenhum pouco assustada... até ver o carro indo em sua direção.

Nós gritamos alto, o carro ia na direção dela rapidamente e Amber não conseguia mudar esse fato. A garota correu em nossa direção e pulou em cima do carro em movimento- sim, eu sei isso parece impossível, mal ela fez isso, tipo... tipo uma ninja latina! Deus sabe que eu estava apaixonado.

Ela subiu do capô para o teto do carro depois de nos dar uma olhada, nós ainda gritávamos como idiotas.

George foi o primeiro a se recompor, ele abriu a janela do seu lado, colocou o braço para fora e bateu no teto, quando colocou o braço para dentro a garota entrou junto pela janela, passou para trás rapidamente e se sentou ao meu lado respirando ofegante.

—Que infernos é você?! —consegui balbuciar

—Me llamo Marina... —disse e quando notou que eu não entendi uma palavra se corrigiu: —Me chamo Marina, vamos sair daqui agora!

/////

Mortos para todo lado rosnando e mancando, sem nenhuma coordenação, mas com a maioria dos sentidos três vezes melhores que os de um humano vivo. Eles podiam nos ouvir de uma distancia incrível e sentir nosso cheiro também.

Amber fez um milagre para que conseguíssemos passar em alta velocidade entre duas partes de uma barricada feita pelo exercito e destruída pelos mortos. Ainda havia gente viva naquela cidade, ouvimos o barulho de tiros, gritos e explosões. Quando passamos por um beco pude ver duas pessoas tentando pular uma cerca de metal, Amber estava tão focada na rua que nem as viu, passou direto, ela não sabe disso, para ela nunca houve um beco ou duas pessoas ali... é melhor assim, se ela soubesse nunca se perdoaria, e ela já carrega culpa demais...

[Dan: Só estou contando porque ela e G saíram, mas se contar eu juro que...]

[Marina: Quem você pensa que eu sou, perro?!]

Estávamos tensos, não falávamos nada, Marina tirou um celular da mochila e começou a mexer nele de forma desesperada. George olhava para ela pelo espelho do carro de forma desconfiada, não gostava da forma que ele olhava para ela, mas estava ocupado de mais tentando não entrar em pânico por causa da shotgun no colo dela apontada para mim. Meu pai era policial, mexia muito com armas, eu não tenho medo delas por isso, mas eu não gosto de ter uma delas apontada para mim- ainda que sem querer e por uma garota encantadoramente atraente.

[Marina: Você não cansa, não é perro? Não vai rolar!]

[Dan: Cale-me se puder]

O céu escureceu, uma chuva fortíssima cairia, bem... ela começou a cair como uma tempestade. As mãos de Amber tremiam no volante... o acontecimento depois disso foi inevitável.

Um bando de mortos apareceu, Amber tentou virar o carro para desviar deles, mas ele derrapou no asfalto molhado.

Antes de apagar eu ouvi os gritos, meus e de meus amigos, Marina caiu para o meu lado e bateu com a cabeça na janela, o carro chocou-se contra uma parede e tudo ficou escuro.”

Notas finais
E ai? Mereço reviews? Favoritos? Falem comigo ! :3