Rotina
1 Rotina
Notas iniciais
Fanfic Presente de Amigo Secreto para ShiryuForever94
P.S.: Tem que sempre ter as notas iniciais, né?
Mas vamos lá, eu não tenho muito o que dizer sobre essa fic porque, sinceramente? Essa fic foi uma surpresa até pra mim.
Eu a escrevi de supetão, ouvi Secret Smile do Semisonic e bang! Tive a idéia.
A música em si não influencia em nada na fic, mas quando eu li a relação dos ships do AS bateu um desespero e eu sei que a Shiryu adora esse casal, então queria tentar algo com eles.
Estranhamente essa song me lembrou o Radamanthys.
Espero que gostem.
Bjoks!
^_^
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O homem loiro soltou a pasta marrom sobre o chão pintado à óleo, seus braços fortes empurrando a porta de ferro e forçando a fechadura até que sua chave a destravasse. Era um ato mecânico, abrir o pequeno escritório todas as manhãs, a pasta cuidadosamente colocada aos seus pés e seu paletó, quase sempre cinza, dobrado sobre ela.Sua rotina pela manhã era simples: levantava cedo e tomava um banho rápido, vestia o terno que deixava separado na noite anterior, arrumava a cama e saía antes mesmo de conseguir tomar um bom café da manhã. Mas naqueles últimos dois anos em que instalara seu pequeno escritório de advocacia no bairro mais afastado de Kyoto, famoso por seus casos de violência e assaltos, o café da manhã em casa acabara se tornando um pormenor em sua vida agitada.Não que Radamanthys fosse um homem badalado, sempre ocupado. Ele era apenas casado com seu trabalho, exercendo sua profissão de escolha com afinco e dedicação.Ele não sonhava mais, não esperava mais nada de sua vida. Dedicava-se ao pequeno escritório o quanto conseguia, superando as dificuldades quando elas existiam e procurando sempre uma maneira de crescer, sua mente focada em conseguir um dia ser juiz.O advogado colocou a pasta sobre sua mesa e deixou também as chaves e o celular, apoiando como podia o paletó sobre o espaldar da cadeira. Ele dobrou as mangas da camisa e caminhou pelo pequeno corredor, passando pelo único banheiro do estabelecimento e acendendo as luzes da pequena e apertada cozinha, onde ele e seus outros dois funcionários passavam todas as horas de almoço e alguns raros momentos de café da tarde, além do desjejum matinal.Radamanthys ligou a tomada da cafeteira e lavou o coador, secando-o com papel absorvente logo em seguida. Ele se virou para a pequena bancada e montou a cafeteira de novo, colocando o filtro de papel e contando as colheradas para um café preto bem forte. Seus ouvidos aguçados perceberam a movimentação na porta de entrada, seguida por um resmungo baixo e dolorido.Na certa era Val, seu advogado associado, que ficara enroscado na porta de ferro de novo.Era quase um hábito que se estabelecera entre eles nos quase oito meses em que contratara Valentine: Radamanthys chegava cedo, abria o escritório e preparava o café. Quando o outro homem chegava, trazia os pães e alguns biscoitos. Tinham uma rotina cansativa e abrir o escritório meia hora mais cedo para tomarem o desjejum era uma alternativa mais prática do que perder o trem todos os dias.– Bom dia.– Bom dia. Dia cheio?– Trem cheio. — Valentine colocou as duas sacolas que trazia sobre a pia de alumínio e retirou o paletó, caminhando rapidamente pelo estreito corredor e deixando-o sobre o de Radamanthys na cadeira.– Dia cheio também, mas o trem estava pior. — O mais novo dobrou as mangas da camisa e lavou as mãos na pia, secando-as num pequeno pano de prato e se dedicando à tarefa de montar a mesa.Valentine desembrulhou os pães salgados e abriu a embalagem de brioches, tirando ainda da sacola um saquinho de celofane transparente com uma generosa porção de rosquinhas açucaradas. Ele soltou o laço enquanto Radamanthys dispunha duas canecas sobre a pia, enchendo-as com o café recém-coado e pingando algumas gotas de adoçante na caneca do sócio.– Obrigado. — O advogado mais novo tomou um longo gole do líquido escuro e suspirou, extasiado. — Hmmm, café maravilhoso. Nem chega perto daquela gosma que eu compro na padaria.– O que é isso?– Rosquinhas de vinagre. — Valentine cortou um pedaço de brioche e passou uma quantidade generosa de manteiga, deixando-o sobre o pires do outro advogado. Ele cortou mais um pedaço do pão e mordiscou de leve, misturando-o ao gosto do café. — Eu procurei rosquinhas de nata, mas não tinha, aí decidi arriscar. São boas?Radamanthys pegou uma rosquinha e mordeu de leve. Ela era mais dura e tinha um cheiro menos adocicado, mas tinha um sabor quase agridoce, ambíguo e que deixava em dúvida se tratava de uma iguaria doce ou salgada. Era leve apesar de rija, e saciava sua pequena necessidade de açucar.Enquanto apreciava o café da manhã naquela sexta-feira, Radamanthys reparava, talvez pela primeira vez em todos aqueles dias de convivência, nas feições sinceras do sócio. Os cabelos curtos do mais novo eram ainda em um tom rosa brilhante, mas isso não diminuía suas qualidades como profissional e como pessoa e não desmereciam, em absoluto, suas feições másculas e maduras.O advogado mais velho engoliu o resto de seu café e colocou o pão com manteiga na boca, mastigando-o rapidamente antes de atender a campainha. Ele enxugou as mãos no pano de prato e estava quase deixando o cômodo quando Valentine o parou, retirando com os dedos o excesso de manteiga que se encontrava entre seus lábios, em direção à sua bochecha.Os dedos macios do homem mais novo se demoraram alguns poucos segundos sobre os lábios finos de Radamanthys, momentos antes de ser substituídos por uma boca quente e adocicada, que não se furtou em provar o gosto forte do café sem açúcar que o loiro tomara.
Tão rápido quanto seu caminho fora interrompido, Radamanthys tinha a passagem livre pela apertada cozinha e Valentine retornava aos restos de seu café da manhã. O homem mais velho já tinha dobrado o corredor quando a voz do sócio atingiu seus ouvidos, fazendo-o recuar alguns passos.– O que foi?– Tenho uma audiência às dez horas, não fico para o almoço. — Valentine tomou o último gole frio de seu café e suspirou, deixando a caneca sobre a pia antes de continuar: — Quer fazer alguma coisa hoje à noite? Quem sabe um jantar, um cinema, sei lá...E para a surpresa do advogado com cabelo rosa, o mais velho apenas esticou os lábios e sorriu levemente, voltando à sua expressão fechada em alguns poucos segundos. Era um movimento quase imperceptível, mas que Valentine aprendera a ler todas as vezes que estava ao lado do amigo, flertando com ele mesmo que Radamanthys ignorasse suas investidas.– Te pego às nove.– Vou avisar a Pand.O loiro deu meia volta no corredor e continuou seu caminho até a porta, ouvindo o advogando reclamar alguma coisa com o celular que não cumpria com suas funções. Ele desdobrou as mangas da camisa e ajeitou a gravata, descendo os degraus para atender a porta e iniciar o último dia de trabalho naquela longa e exaustiva semana, considerando a proposta tentadora que rodeava sua mente.– É um encontro, Valentine!O loiro sorriu com o barulho provindo da pequena cozinha, e com os xingamentos que o cíprio recitava em sua língua-mãe. Conhecendo tão bem o homem com quem trabalhava, Valentine tinha derrubado o celular ao perceber a extensão daquele convite tão singelo e comum para uma noite de sexta-feira.–----FIM
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