Rota Zero

32 Tom: Route 18 - Parte 2


Notas iniciais
Bem vindos a segunda parte de Route 18, ainda faltam algumas senanas pra voltarnos. Estamos com saudade! ATT: Julio

As roupas e a mochila foram uma droga, o colete mal permitiu que eu entrasse na água, me puxando de volta para a superfície no mesmo instante. Quase perdi minha boina no processo o que seria um grande prejuízo para Benjamin que eu faria pagar.

Quando me agarrei aos pelos do Pokémon ele rugiu, virando a cabeça para trás, me mostrando os dentes. Soltei na mesma hora, meu coração quase saiu pela boca. – Calma garoto – Ben pediu e o Pokémon se acalmou novamente. – Ele não gosta que peguem nos pelos no pescoço, tente agarrar um pouco mais a baixo.

– Agora você diz? – Retruquei furioso e amedrontado.

O caminho até a ilha, apesar de tudo foi tranquilo, o Beartic era enorme e nadava com grande sutileza. Quando finalmente chegamos à areia joguei o colete salva-vidas longe. O tempo estava instável e algumas gotas finas começaram a cair.

Ben ordenou que Beartic fosse à frente, abrindo caminho pela selva densa. Coqueirais e capim alto tapavam a vista de qualquer coisa mais longe que três ou quatro metros.

Seguimos o Pokémon por entre a faixa costeira até chegarmos a um ponto onde o capim quase não mais existia e árvores altas impediam que a luz entrasse. O chão estava escorregadio, coberto por folhas secas e lama.

– Temos que seguir pro norte, o pilar de fogo surgiu mais a cima – Ben me orientou.

Confirmei com a cabeça e seguimos andando. A floresta estava estranhamente silenciosa, a não ser pelo barulho das gotas de chuva nas folhas das àrvores, e por alguns troncos que estalavam vez ou outra. Os Pokémon se mantinham em silêncio e aquele era um mau sinal.

Ao subirmos um morro íngreme, Beartic começou a cheirar o ar. Tom ativou o aparelho em seu braço e olhou pra mim. Ficamos imóveis e ouvimos o som de algo se mexendo nas folhagens. Procurei uma das Pokeball em meu bolso e me preparei para algo.

O barulho foi ficando mais intenso a cada instante e os arbustos começaram a balançar mais acima. Meu coração deu um salto, porém apenas um pequeno Scraggy saiu correndo segurando a pele como se fossem calças caindo.

Algo rugiu atrás dos arbustos em seguida e alguém gritou – não o perca de vista. – Um instante depois um enorme Slaking saltou sobre as folhagens. O primata Pokémon de pelos amarronzados que deveria pesar meia tonelada nos encarou por apenas um momento antes de se atirar em cima de mim com os braços erguidos.

Desviei por pouco sendo salvo um momento depois por Beartic. Os dois Pokémon foram para o chão se engalfinhando em meio a arranhões, mordidas e socos. Dei alguns passos para trás desnorteado e trombei em Ben.

Um homem vestido com roupas de frio e galochas surgiu, segurando uma rede nas mãos – um dos pescadores? – Soltei surpreso.

O homem parecia tão surpreso quanto eu. Arregalou os olhos quando viu nosso uniforme e sacou outra Pokéball. – Beartic, Ice Beam. – Ben comandou. Quando percebi a situação Beartic estava abrindo a boca, lançando o raio gelado no Pokémon de pelos marrons que estava caído no chão.

O treinador encarou o Pokémon caído e colocou as mãos na cabeça – parem, por favor.

– Beartic – Ben chamou e o Pokémon parou. – È melhor começar a falar antes que o grandão aqui se irrite – ele disse apontando para o Pokémon de pelos transparentes que rosnou mostrando seu temperamento.

O homem olhou para o Pokémon caído, preso ao gelo recém-formado pelo ataque e fez uma careta. Ele parecia ter mais de quarenta anos, trazia algumas rugas no rosto e manchas de sol. Só podiam ser contrabandistas.

– Acho que ele precisa de um incentivo para falar – comentei lançando minha Pokéball para o alto. O Raio vermelho deixou a criatura no chão, porém ao invés de Emboar, Ratata. O homem me encarou confuso e até mesmo chegou a abrir a boca – não era esse – estendi o braço com a esfera em mãos e o trouxe de volta.

– Tom, não é hora para brincadeiras. – Benjamin sendo Benjamin – Você sabe que a captura de Pokémon por quaisquer meio que não envolva Pokeball é expressamente proibida pelo estatuto. Você está em uma reserva meu amigo, enquanto vocês são?

Em quantos? Me surpreendi com a pergunta, mas depois de um segundo percebi que era obvio. Se o contrabandista estava vestido como pescador o barco ancorada próximo à ilha era só era uma farsa e eles provavelmente mandariam um grupo para capturar Pokémon.

O homem franziu o cenho e ergueu o queixo na direção do Pokémon caído – deixe-me trazê-lo para Pokéball e eu conto tudo o que quiserem.

– E que garantia teríamos que você vai se comportar? – Bem sorriu

A expressão do homem se encheu de raiva – Porque se vocês não agirem agora mesmo meus amigos vão fugir com o prêmio maior.

– Prêmio? Do que você está falando? – Perguntei em dúvida. Por que esse tipo de homem tem que agir sempre da mesma forma? Ele nem era tão ameaçador assim.

Ouvimos outro barulho no mato atrás de nós. Me virei depressa e desta vez peguei a Pokeball certa. Mas para a nossa surpresa, Corin e Dania saíram correndo entre as folhagens. Eevee e Tim, a Oshawott de Dania, surgiram um momento depois, junto a mais um Pokémon: um Tangela de tentáculos balançantes.

As roupas dos dois estavam molhadas e a expressão no rosto deles também se encheu de surpresa. Tangela se virou para eles e começou a fazer sons estranhos, típicos do Pokémon tentando se comunicar.

Dania olhou para Corin, depois para nós e depois de dar um sorriso sem graça murmurou – olá.

O brilho vermelho nos surpreendeu, o contrabandista retornou seu Pokémon a Pokéball e saiu correndo. Beartic reagiu primeiro saindo correndo atrás do homem. Ben que não parecia nada contente saiu correndo junto, não antes de dizer – cuide das crianças, eu vou atrás dele.

Abri os braços frustrado e olhei para os dois. A chuva voltara a cair nesse exato momento. Fria e forte. – O que estão fazendo aqui? – Perguntei irritado.

– Não temos tempo pra discutir isso – Corin soltou. Tangela voltou a correr e eles saíram correndo atrás, indo na mesma direção que Ben havia acabado de ir.

– Inferno – gritei antes de me enfiar no meio dos arbustos e ir correndo atrás dos dois garotos. Escorrei e cai no chão de bunda. Amaldiçoei mais uma vez antes de levantar e começar a correr novamente, mais lentamente por causa da dor.

Os dois já tinha uma distância na minha frente o que me impediu de alcançá-los com facilidade. Começaram a subir um monte íngreme, se agarrando a raízes no chão – parem, ou eu juro que mato vocês – gritei ainda sentindo dor.

– Você não sabe falar com crianças, não é mesmo? – Dania soltou finalmente chegando ao topo.

Cansei da atitude dos dois e alcancei as duas Pokéball no meu bolso. As arremessei para o alto do monte e gritei enquanto os Pokémon surgiam. – Se eles se moverem usem de força bruta.

Ratata pode não ter sido persuasivo, mas Emboar, mesmo enfraquecido pela chuva, ainda tinha suas chamas trepidantes para intimidar. Os dois pararam no mesmo momento, sendo seguidos pelos Pokémon.

Xinguei mentalmente cada passo que tive que dar até chegar ao topo e quando cheguei lá eles estavam com expressões horríveis. No entanto não parecia medo, mas sim ansiedade, talvez preocupação.

– Onde está Arthur? O que esta acontecendo?

Os dois se olharam, mas se mantiveram calados. O Tangela que estava junto deles parecia compartilhar da mesma angustia. Batia a pequena pata no chão e me olhava com uma expressão impossível de ser lida.

– Arthur está no barco – o garoto começou. – Só precisamos chegar às cavernas – Corin disse pausadamente. Parecia cansado e frustrado.

Eu nunca tinha visto ninguém da idade deles se comportar daquela maneira. – Vocês não querem mesmo me contar o que tem de tão importante lá em cima? – Os dois balançaram a cabeça negativamente. Suspirei e recolhi meus Pokémon. – Sinto muito garotos, eu serei obrigado a segui-los pra descobrir.

– O quê? – Dania perguntou surpresa.

– Vou segui-los e impedir que se metam em encrenca. E claro, vocês terão de me obedecer – respondi. Estendi a mão, apontando para o mato e fiz um movimento com a cabeça – vamos?!

Corin balançou a cabeça positivamente para Tangela que saiu correndo, os dois saíram atrás e os comecei a segui-los. Não fazia sentido realmente, mas por algum motivo minha curiosidade foi maior que a sanidade. Eles não pareciam ter saído do barco apenas para explorar a ilha. Eles estavam correndo para algum lugar especifico.

Corremos por mais alguns minutos, as duas crianças estavam ofegantes, mas se mantinha firmes atrás do Pokémon Grass. Mudamos de repente de percursos ao nos depararmos com uma pedra negra de formato arredondado, então me dei conta, eles sabiam mesmo onde estavam indo. Eles tinham um rumo detalhado.

Tentei ligar meu School Styler pra entrar em contato com Ben, mas o aparelho era inútil. Ele ficaria provavelmente puto comigo ao perceber que eu tinha me esquecido de carregá-lo. Continuei correndo até ouvirmos o barulho de tiros.

Os garotos pararam na mesma hora, deixando a Tangela seguir em frente desesperada. – Chame seu Pokémon – murmurei alto o suficiente para que eles pudessem escutar.

Dania que estava abaixada mais perto virou um pouco o corpo e cochichou de volta – o Pokémon é selvagem.

Abri a boca para perguntar como eles estavam comandando um Pokémon selvagem, mas Corin saiu em disparada. Dania gritou tentando impedi-lo, mas antes que pudéssemos reagir ele e Eevee já estavam ganhando distância. – O que esse garoto tem? – Cuspi antes de sair correndo atrás dele.

Arranquei a Pokéball do bolso e a arremessei para frente. – Cerque-o – pedi a Ratata – e por Arceus, se ele se mover arranque um dedo dele.

O Pokémon me ouviu e saiu correndo, como um raio roxo cortando a mata fechada. O ouvi rosnar mais a frente e poucos segundos depois nos deparamos com Corin dando comando a Eevee de atacar. O Pokémon o olhou e se sentou, se negando a seguir o comando do treinador.

– Deixe nos passar – Corin ordenou e Ratata rosnou pra ele. – Não me importa – o garoto disse irritado – eu preciso ir. Você também ouviu.

– Ouviu o quê? – Perguntei assim que os alcancei. Dania estava junto a nós um segundo depois. Ratata abaixou a cabeça e começou a caminhar em minha direção, saindo da frente do garoto que voltou a correr.

Olhei para o Pokémon incrédulo e praticamente saltei sobre Corin caindo junto com ele no chão lamacento da floresta. Ele se debateu e Dania começou a gritar para eu largá-lo. – Me solta – ele ordenou – eu preciso ir.

– Por quê? – Gritei de volta. A essas alturas pouco me importava com a presença dos contrabandistas. – Por que você tem que ir?

Respirei fundo e soltei o garoto, me levantando em seguida. Dania e os três Pokémon me olhavam assustados. Corin se levantou, arrumou as roupas molhadas e sujas no corpo e depois da sua expressão se encher de raiva vociferou:

– Os Pokémon ok? Eu os entendo. – Arregalei os olhos por reflexo.

– Corin – Dania chamou com urgência.

– Você... Pode entender? – Eu não estava processando as informações. Eu já tinha ouvido falar de coisas parecidas do antigo Team Plasma N, ou a campeã de Unova, Iris. Mas aquele garotinho?

Ele ergueu as mãos para alto e começou a falar sem parar. – Desde que minha irmã fugiu de casa essas coisas ficaram piores, eu já ouvia vozes desde novinho, mas ninguém acreditava em mim além de Dania. No dia seguinte a partida de Haila eu simplesmente não...

– Haila? – O interrompi mais surpreso ainda. – Loira, baixinha e marrenta?

– Haila Gray. Você a conhece? – Ele perguntou também surpreso.

– Espera – coloquei as mãos na cabeça e comecei a processar toda a informação. Corin era irmão de Haila, que fugiu de casa e por isso não podia ficar em Nuvema. Além disso, olha só, ele falava com Pokémon. – Droga – choraminguei – eu sabia que não deveria ter aceitado esse trabalho.

– Você a conhece? – Ele perguntou de novo mais alto – meus pais espalharam cartazes com o rosto dela pra todo lado. Se você sabe alguma coisa sobre ela...

– Espera ai o espertalhão, eu vi sua irmã já faz dois meses. Não sei de nada sobre ela – menti. Eu precisava saber por que ela fugiu de casa, antes de dizer qualquer coisa pra alguém, eu queria ouvir da boca dela. – Agora sobre você entender Pokémon, o que aquele Tangela te disse?

O garoto suspirou e voltou a falar – ele estava me levando até o Pokémon que os contrabandistas querem. Ele é o guardião da ilha, mas não pode se defender sozinho agora.

– Que Pokémon é esse? – Quis saber.

Ele balançou a cabeça negativamente e respondeu com um tom frustrado – Pokémon selvagens costumam dar nomes uns aos outros. Eles a chamam de Aapi.

Certo, era muita informação. Tentei assimilar tudo, mas estava difícil.

– Precisamos chegar a tal Aapi, essa é nossa prioridade agora. Corin tente achar mais algum Pokémon pra bater um papo... – ele fez um careta, porém continuei – enquanto eu vou tentar ligar pro Ben e descobrir se ele esta vivo.

Corin começou a andar e nós o seguimo-lo. Dania passou na minha frente e alcançou o garoto me deixando mais atrás. Peguei o Xtransceiver na mochila e agradeci a Arceus por ele ser aprova d’agua. A chuva ainda caia, mesmo que fraca.

Liguei para Ben duas vezes no caminho, porém ele não atendeu. Não era comum Rangers se comunicarem de outra que não o Styler. Era bem provável que ele nem sequer tenha trazido para a missão.

– Tom – Dania me chamou quando percebeu que eu estava distraído. Corin estava abaixado perto de um Petilil.

A Pokémon parecia nervosa, olhando para os lados a cada barulho de folhagem movendo. Assim que Corin se levantou ela saiu correndo, desaparecendo entre a relva. – Ela me deu as orientações, mas não quer se envolver nisso – nos contou com uma expressão séria.

– Ela disse isso tudo? – Perguntei achando graça. Ele novamente fechou a cara e saiu correndo.

Começamos novamente a corrida atrás de Corin, porém eu não consegui tirar a ideia de Haila ter fugido e não ter me dito nada. Não é como se fossemos amigos há anos, mas estivemos juntos com aquela coisa toda de Zoroark. Pensei que fossemos amigos.

Então procurei o número do qual ela tinha me ligado na lista de chamadas e liguei de volta. Chamou algumas vezes até que ela apareceu na tela. Aparentemente aquele era o número dela.

Ela atendeu enquanto eu corria. Ela estava linda do outro lado da tela molhada, um pouco mais morena, mas com aqueles mesmo olhos grandes verdes me encarando séria.

– Achei que nunca mais falaria contigo – fiz um charme.

– Eu sou uma pessoa ocupada – Ela respondeu tentando se manter séria. Ouvi um barulho estranho do outro lado da linha, ela virou o rosto um segundo, mas voltou a me encarar.

Escorreguei na lama e quase fui ao chão. – Droga de chuva... – resmunguei. – Sabe, você deveria ter me dito que estava fugindo de casa – disse o mais calmo que pude para não assustá-la. Ela ia me responder, chegou até a abrir a boca, mas eu continuei – agora há cartazes com seu lindo rosto para todo lado, senhorita Gray.

Ela deu um sorriso estranho e respondeu com arrogância: – O que você esperava que eu dissesse? – Bem o que eu já esperava. – Olá, meu nome é Haila Gray, fugi de casa há alguns dias porque meus pais me controlam e eu não quero o futuro que eles planejaram pra mim. Aliás, gosta de chocolate?

– Não, mas... – Ela me tirava do sério às vezes.

– Mas o quê? – Ela me interrompeu. – Desculpa por mentir, não posso mudar isso. Quando for a polícia ou falar com meus pais diga-lhes que estou bem e que não, não voltarei para casa – e pela segunda vez ela desligou na minha cara. Por Arceus tive vontade de socá-la. Era por essa garota que eu tinha um tombo?

Ironicamente nesse momento escorreguei e cai. Os dois garotos a minha frente param e me encararam de longe. Ratata chegou e me cheirou. Eu estava ficando cada vez mais dolorido.

Me ergui com um pouco de dificuldade e voltei a andar mancando. Os dois continuaram parados e só então percebi. Havíamos chegado.

Eles estavam atrás de uma grande rocha que dava visão a entrada da enorme caverna no pé do vulcão. A montanha se erguia sobre nós. Havia alguns Pokémon presos a uma rede e mais a frente, dois homens guardavam a entrada juntos a um Arcanine.

– Ela esta lá dentro – Corin comentou. – Precisamos passar por eles.

– E quem garante que não há mais deles dentro da caverna? Não podemos abatê-los com força bruta. – Respondi para o garoto que me olhou surpreso. – Ratata...

– O nome dele é Tofim – Corin me interrompeu.

Olhei pra ele um pouco assustado e para o Ratata que ainda me encarava – Tofim – repeti devagar, aquilo era muito estranho – preciso que você os distraia. Corra até as redes e roa até que os Pokémon consigam fugir. Depois que entrarmos use de qualquer artimanha, mas afaste-os. Conto com você. – Tofim balançou a cabeça positivamente e saiu correndo. – Ele te disse? O nome, quero dizer? – Perguntei a Corin.

Corin comprimiu os lábios e ponderou antes de responder – eu não ouço. Não é como se eles falassem. Eu só sei o que eles estão sentindo. E você chamá-lo de Ratata o incomodava.

Balancei a cabeça positivamente e ouvi os gritos dos homens saindo correndo atrás dos Pokémon. Arcanaine foi junto deixando o caminho livre para nós.

– Preciso verificar o que esta acontecendo lá dentro. Vai ser muito perigoso então... – vi a forma como eles me encararam e suspirei – vocês não vão me esperar, vão?

– Não – Dania respondeu erguendo as sobrancelhas de forma engraçada.

Balancei a cabeça negativamente e sai correndo junto deles. A entrada da caverna era ampla. Bem larga e escura. Havia uma pequena tocha no fundo iluminando o caminho. Fomos até ela o mais rápido possível e nos deparamos com uma decida. Porém, surpreendentemente, no fim da decida algo estava esculpido nas laterais da rocha que tomava um formato estranho. Era como se alguém houvesse esculpido.

Descemos devagar e assim que pusemos os pés no chão notamos a diferença. O chão não era arenoso, nem tampouco de pedra disforme. Era reto tal quais as paredes. Já o teto, ainda iluminado pela tocha na entrada era abobadado. Definitivamente aquele lugar tinha um toque humano.

– Esperem – Pedi enquanto remexia na minha mochila. Encontrei a lanterna e apontei adiante no corredor. Havia um pequeno desmoronamento à frente, onde pedra invadia metade do corredor.

Seguimos depressa, ultrapassando o primeiro obstáculo. Corin e Dania pegaram seus parceiros no colo e se mantiveram em silencio atrás de mim. O corredor era extenso e tinha um leve decline nos levando cada vez mais para baixo.

– Não gosto disso – Dania comentou em determinado momento.

Ao decorrer do que andamos nos deparamos com uma bifurcação no caminho. Um caminho começava com escadas que ia para o alto e o outro era uma extensão do corredor. – Ótimo – resmunguei – pra onde vamos?

– Temos que continuar descendo – Corin afirmou indo na frente. Segurei seu ombro e o olhei surpreso. – Você não vai perguntar de novo como sei, né?

Suspirei frustrado e ainda impressionado e o puxei para trás – deixei-me pelo menos ir na frente.

O corredor era bem parecido com o antigo, porém nas paredes havia imagens esculpidas. As primeiras mostravam ilustrações de pessoas cultuando o que parecia ser o vulcão. Dezenas de figurinhas ajoelhadas e de mãos erguidas em direção a uma montanha em chamas.

Conforme descemos vimos a imagem se repetir, até encontrarmos uma diferente. Uma ilustração de uma criatura alada se erguendo da boca da montanha.

– Aapi – Dania concluiu enquanto eu lançava a luz da lanterna nas figuras esculpidas.

Então nos encontramos em uma câmara que se dividia em diversas passagens diferentes. Corin deu alguns passos a frente quando eu parei surpreendido com o tamanho daquela sala. Tentei imaginar quando tempo aquilo deve ter levado para ser construído dentro da rocha vulcânica, mas imagino não ter conseguido chegar sequer perto do certo.

Ele suspirou, olhou em volta e apontou para um corredor qualquer entre meio aqueles tantos. – Tem certeza? – Dania perguntou com um tom preocupado.

– Não, vi tudo muito turvo, mas... – ele fez uma pausa curta – dá pra ouvir os sussurros e vem dali.

O comentário do garoto me deu arrepios. Deveria ser uma benção, mas também uma maldição aquele dom.

Seguimos pelo caminho indicado por algum tempo e quando finalmente o corredor se transformou em uma escada começamos a ouvir um zumbido. Algo contínuo e alto. Diminui a luz da lanterna colocando a mão em frente à lâmpada e pedi silêncio.

Depois de viramos uma curva vimos um foco de luz trêmula. Havia uma nuvem de poeira mais a frente, formando silhuetas fantasmagóricas. Andamos devagar e o mais silenciosamente que pudemos até que, encostado a parede, coloquei minha cabeça para fora, encontrando um enorme salão com pilares de talvez cinco ou seis metros de altura.

Dois homens grandes estavam de pé, de braços cruzados olhando um Excadrill girando bravamente contra uma parede, que pouco parecia se importar com sua presença, pois no fim não se permitia furar um centímetro. No chão, com as mãos amarradas estava Ben, desacordado provavelmente.

Tochas presas às paredes iluminavam o ambiente. Revelando que havia outras câmaras e corredores se iniciando a partir dali. – Como você disse – Dania cochichou.

Virei para trás curioso depois de ouvir o comentário, esperando uma resposta, Corin percebeu minha expressão.

– No sonho que eu tive, que me fez vir a ilha. Aapi estava um pouco mais a frente, eles estão tentando abrir a passagem errada.

– Droga – amaldiçoei voltando a olhar para os homens. – Isso não significa que estamos seguros.

– Eu conheço o caminho. Já sonhei com isso dezenas de vezes. – Corin sussurrou.

– Mesmo? – Perguntei incrédulo, mas apenas por um segundo. A verdade era que depois daquela loucura toda isso estava começando a parecer normal. – Precisamos resgatar Ben e achar Aapi. – Suspirei tirando a Pokéball do bolso e pensei na situação – não temos escolha. Eu vou criar uma distração e vocês dois terão de fazer o que vieram fazer.

– É perigoso, talvez possamos... – Dania começou, me olhando de forma preocupa. Me senti de certa forma lisonjeado, no entanto, não tínhamos muito tempo. Logo os capangas distraídos por Tofim voltariam e se fossemos pegos no corredor estaríamos em apuros.

Me abaixei, deixando meu rosto na altura do dele e sussurrei – preciso da ajuda de Eevee, Corin. Quando Emboar entrar criarei uma grande distração, preciso que você peça a Eevee para libertar Ben. Enquanto isso, vocês devem correr e ir em direção a Aapi. Seja lá o que tiverem de fazer, façam rápido.

Corin retirou a Pokéball do bolso da blusa molhada e me encarou.

– Boa sorte! – Me desejou sem expressão. Então sorri e entreguei a lanterna a Dania.

Olhei novamente antes de começar. Joguei a Pokéball para o alto e assim que o raio vermelho deixou o suíno gigantesco no chão, eu saltei atrás dele. Os homens levaram apenas um segundo para perceber o que estava acontece. – Boa tarde senhores, vamos dançar? Emboar, Ember.

Notas finais
Espero que estejam convulcionando de alegria, ou quase isso. kkkkkkkkk parei, até daqui 10 dias.