Rota Zero

63 Terror de Opelucid – parte 1


Notas iniciais
Olá meninos e meninas, como estão vocês? Saudades da minha pessoa? Pois é, eu também estava. Não sei mais viver sem vocês! Aqui está mais um capitulo da Haila, agora modo time de futebol de mesa. Haila, Dee, Lila e Desmond tem que resolver a vida deles e decidir se vão ou não se engajar nessa empreitada. Então? Capitulo gigante, dividido em três! Aproveitem.

Haila

TERROR DE OPELUCID – Parte 1

Ergueu o peito, prendendo a barriga e começou a andar pelo corredor com um gingado estranho, que fazia inevitavelmente com que meus olhos fossem de encontro ao seu quadril. Parecia um Farfetch se exibindo, todo pomposo e teatral. – Você tem que se destacar Deedee. Tem que chamar atenção da pessoa.

— Eu não acho que isso seja realmen... – Dee tentou para-lo, estava com as bochechas coradas, mas o garoto continuou falando, enquanto agora, encostava-se à parede e nos lançava um olhar constrangedoramente sensual que fez Lila cair na gargalhada.

— Necessário? Claro que é, a conquista é uma arte e como tal deve ser praticada – Desmond pareceu ressabiado.

Durante a viagem até Opelucid, Desmond havia se engraçado pra cima de algumas garotas e enfiado na cabeça que Deedee deveria acompanha-lo em sua “caçada”, depois que, em meio a uma conversa, o assunto Skyla havia surgido. Era tudo, claro, em tom de brincadeira, um modo de tentar aliviar a tensão que tinha se instaurado, mas não deixavam de ser constrangedores todos os movimentos e táticas de paquera ensinadas pelo fotógrafo.

Optamos por fazer a viagem de trem. Tivemos que passar novamente por Black City, agora que a ponte já havia sido restaurada, mas dessa vez, sem nenhum líder de ginásio conosco e trancafiados no quarto até passar pela cidade, não nos sentimos tão mais inseguros do que já estávamos.

Além disso, aproveitamos para encontrar Lila em Humilau e assim fazer o restante da viagem juntos. Não dava para ter certeza, mas o modo como Burgh comentara sobre Opelucid parecia uma "direta" para que fossemos até lá, mesmo que fosse apenas para se livrar de nós ou ocupar nossa mente.

Havia o já tão falado Contest de Lila e Dee, e o laboratório onde eu poderia fazer a inscrição, e mesmo que eu não estivesse a fim de ir enfrentar ginásios agora atrás das insígnias necessárias para alcançar o primeiro nível de especialização, já era alguma coisa.

Mas principalmente eu precisava tentar cumprir pelo menos uma das várias promessas que tinha feito. Deerling estava curada, já havia se passado um bom tempo desde que Serpio a atacara, e independente do motivo que ele o fizera, minha obrigação era dar oportunidade a ela de voltar para casa, para sua família.

Ainda dentro do trem, em um vagão específico para os Pokémon poderem se esticar, libertei a Pokémon e lhe expliquei da forma mais simples que consegui que a estava levando para casa. Ela pareceu confusa durante algum tempo, olhou para as janelas, vendo os galhos correrem depressa em vultos e depois me encarou.

— Eu gostaria de me desculpar pela maneira como Serpio se comportou e pelo que ele te causou. Tirar você da sua casa no momento pareceu o certo a se fazer, mas agora que esta curada eu posso te levar de volta a floresta.

A Pokémon bufou e deu um arranque em minha direção, parando a pouco centímetros, quase me acertando uma cabeçada, me fazendo saltar para trás em reflexo. Sua cauda balançava nervosamente, me encarou mais uma vez com olhos meio apertados, deu alguns passos para trás e me deu outra investida, sem me tocar.

— O que ela está fazendo? – Dee me perguntou. As pessoas no restante do vagão já começavam a nos encarar e a placa luminosa que havia se tornado a cabeça de Dee já era atenção suficiente a ser chamada. – Ela quer uma batalha?

— Você quer? – Perguntei e ela balançou a cabeça para cima e para baixo, ainda balançando a cauda nervosamente e agora fazendo sons baixinhos e finos, típicos da espécie. – Sei que você quer uma revanche contra Serpio, mas não acho que seja bom. A atitude dele não foi correta e encontrarei um modo de puni-lo. Mas ele pode acabar te machucando de novo.

Meu comentário apenas piorou a situação, Deerling pareceu ficar ainda mais angustiada. Começou a salta de um lado para o outro fazendo as pessoas e os Pokémon em volta terem que se afastar.

Desmond saiu de trás de mim e se abaixou na frente dela, estendeu a mão e depois de alguns segundos a Pokémon parou de saltar, olhou pela janela e veio até o garoto, recostando sua cabeça na mão erguida dele.

Fez um muxoxo e olhou para fora e finalmente para mim, emitindo novamente o som que lembrava parte do seu nome. Ling.

Meu coração ficou apertado por algum motivo, uma tristeza estranha tinha brotado. Fosse lá o motivo eu não queria ver mais essa Pokémon sofrer, mas eu não poderia permitir que ela batalhasse com Serpio novamente.

— Você ainda não entendeu o que está havendo? – Desmond fez um carinho na Pokémon e me encarou. Balancei a cabeça negativamente. Eu estava de pé ao lado de Deedee com os punhos fechado com força rente ao corpo.

Meu corpo todo parecia rijo. Talvez ela ainda achasse que eu a devia, talvez minha obrigação com ela ainda não tivesse terminado e ela não achasse justo que eu me simplesmente a jogasse na floresta.

— Ela quer ficar com você, ela não quer ir embora – disse em um tom contente, – me parece que essa Deerling quer que você seja sua treinadora.

Balancei a cabeça negativamente de novo, apenas por impulso. Uma pequena onda de energia percorreu meu corpo fazendo meus músculos relaxarem.

– Você quer mesmo, Ling? – A Pokémon voltou a me encarar, seu olhar pareceu mais relaxado e sua cauda a balançar de forma mais calma. Caminhei até ela e me abaixei na sua frente ao lado de Des. – As coisas não costumam ser muito fáceis quando eu e Dee estamos envolvidos.

— Definitivamente – o garoto concordou em tom de brincadeira e Desmond riu.

— Mas se você quiser mesmo vir comigo eu serei a treinadora mais feliz do mundo – tentei sem esforço deixar minha voz o mais tranquila possível. Eu já tinha me afeiçoado a Pokémon e mesmo que não estivesse nos meus planos capturar mais Pokémon no momento era provável que eu não me sentisse confortável capturando outros Pokémon de forma diferente no futuro.

Ling lambeu meu rosto e eu a abracei, envolvendo seu pescoço com os braços. – Parece que a família está crescendo, – Des brincou – e pelo visto ela já tem nome. Ling ling

Quando o trem finalmente atracou na estação em Opelucid já era noite. Estávamos cansados, mas Desmond e Lila ainda conversavam alegremente como se fossem amigos de velha data. A garota tinha o braço em volta da cintura dele, enquanto ele mais alto tinha o seu sobre o ombro dela.

Ela falava sem parar, seu pai tinha contado para ela sobre as dezenas de cavernas espalhadas em volta da cidade, outras dezenas soterradas pelos prédios e outras incontáveis inundadas pela represa que era responsável pela energia de um terço de Unova. Nos dando uma aula de geografia sem fim.

O Centro Pokémon era um pouco longe então teríamos que andar algumas coisas quadras antes de podermos ir descansar.

Opeulcid era conhecida popularmente como a cidade de metal. Não porque realmente fosse construída com o material, mas seus prédios sem tintura, de cor fria e acinzentada lhe garantiram o apelido. Frieza não apenas no visual, Opelucid era a maior cidade do norte de Unova, onde o clima não era tão ameno como os que experimentamos nas cidades ao sul.

Não ostentava os mesmo grandes prédios de Castelia ou Black City, mas em extensão percorria quilômetros quadrados de pequenos prédios, casas e estabelecimentos. Muitos deles voltados para tecnologia. O que era orgulhosamente demonstrado em sua iluminação futurística, feita por leds presos as laterais dos prédios do centro. Uma visão impressionante para qualquer um.

Dee e eu andamos um pouco mais devagar olhando com curiosidade para tudo em volta. Era definitivamente um ótimo lugar para um Contest, inspiraria qualquer um, mesmo os menos criativos a performances luminosas.

— Você imaginou que seria assim? – Ele me perguntou com um olhar distante, ainda dando atenção aos detalhes do mundo novo em nossa volta.

— Que estaríamos cheios de cicatrizes indo atrás de qualquer pista do desaparecimento de uma líder de ginásio, a beira de uma guerra iminente, mas não declara – continuei sem dar pausa direito entre as palavras, – causada por fanáticos que pregam a desunião entre humanos e Pokémon. – Tomei um pouco de ar, – mesmo sendo desacreditados pelos outros lideres que não apoiam nossa ideia de ajudar a caça aos lendários? – Suspirei alto – acho que não.

Dee me encarou por um tempo sem saber o que dizer, pareceu me analisar com o olhar de uma forma nada Deedee de se fazer e depois riu, de um modo meio sem graça, mas fofo – Que conheceríamos lugares tão legais – concluiu.

Balancei a cabeça afirmativamente e sorri, não um riso forçado, mas um solto e despreocupado, como se a angustia que eu sentia desde que Lenora fora sequestrada me abandonasse.

Não importava o quanto eu tentava me afastar disso tudo, parecia que algo sempre me puxava de volta. Talvez fosse questão de eu me importar demais. Eu não conhecia Lenora tão bem assim, mas a conhecia o suficiente para saber o quão generosa ela era.

O livro da folha era uma marca constante da obrigação que eu sentia. Ela me dera de bom coração, sem segundas intensões e graças a ele eu aprendi a maior parte do que sei sobre Pokémon Grass. Graças ao livro da folha eu sabia pra onde ir, o que fazer da minha vida.

Quando ainda estávamos em Nimbasa, logo após o primeiro ataque, ela tentara me ajudar novamente, sem qualquer motivo. Mesmo ela sabendo que fugi de casa, ela não me julgou pela minha atitude ou se quer questionou meus motivos. Lenora julga as pessoas pelo que ela vê em seus corações, mas aparentemente para todo bem há custo.

“Você é uma garota incrível e fez coisas incríveis. Não importa o que eles digam, acho que você já tem seu caminho” ela dissera na ocasião. E mesmo que nada tenha saída nem perto do que eu esperava, mesmo que tudo depois disso tivesse desandado, eu tinha aprendido lições que levaria para o resto da minha vida.

Aprendi respeito, limites e percebi o elo que eu tinha com Deedee. Fui ao ponto mais alto da dor e da raiva e perdi tudo que eu achava que tinha, mas isso me deixara ainda mais forte. Ela estava certa, eu tinha um caminho. Não importava o que Jaden ou Magnus achassem de mim e eu estava pronta para deixar isso para trás também.

Serrei os punhos e voltei a caminhar ao lado de Dee, meu corpo estava quente e rijo. Toda a tensão estava de volta e toda minha vontade estava voltada para Lenora. Ela era umas das melhores pessoas que eu conheci, e eu tinha que fazer de tudo para encontra-la, porque pra pessoas como Lenora isso era o mínimo que elas poderiam fazer.

=8=

Fiquei sentada com as pernas dobradas em cima da cadeira, vendo Lila e Desmond conversar na mesa durante nossa refeição no restaurante. Os assuntos variavam bastante, de coisas inúteis a sem sentido, o que me fez notar o quanto eu prezava o silêncio no Deedee.

Ele não falava apenas pela necessidade de preencher o vazio. Podíamos passar horas um ao lado do outro, sem simplesmente dizer nada, lendo ou apenas imersos em nossos pensamentos. Apenas a presença um do outro era o bastante, bem, pelo menos pra mim.

— Temos que treinar Deedee. Já tem algo da performance em mente? – Lila quis saber em determinado momento.

Ele balançou a cabeça negativamente e respondeu desanimado.

– Acho que deveríamos confirmar se haverá mesmo o Contest antes. – Depois da quantidade de participantes no ultimo Contest e o aumento dos movimentos da Team Plasma o clima em Unova estava mudando.

Mesmo que não fosse dito em voz alta por ninguém, podia-se perceber pela expressão das pessoas na rua o que passava em suas mentes. As ruas à noite acabaram por se tornar menos movimentadas e as pessoas menos receptivas, mesmo em Centros Pokémon, quando o caso era estadia. Até mesmo grandes espaços públicos que antes se mantinham aglomerados agora diminuíam drasticamente seu movimento.

— Vamos lá está tarde – sugeriu – tenho que ensaiar o quanto antes.

— Quando eu vou conhecer Butterfree? – Des ergueu a câmera.

— Você capturou um? – Dee pareceu estranhamente interessado. Talvez estivesse apenas surpreso.

— Eu te contei – a garota pareceu nervosa com o questionamento, – eu queria captura-lo ha meses.

Então a expressão de Deedee pareceu se iluminar, depois ele abriu um sorriso – o Slowpoke, claro.

Por um segundo me surpreendi, mas logo passou, era de Lila quem estávamos falando. Enchi o garfo com um pedaço de torta e levei a boca, deixando o sabor me preencher. Estava sendo difícil controlar a ansiedade e mesmo que eu não tivesse um plano eu ia andar por toda Opelucid atrás de qualquer coisa estranha e repetiria isso em todas as cidades de Unova se fosse preciso.

Lila enfiou o pão na boca e se levantou de forma brusca, derrubando a cadeira na qual estava sentada, chamando a atenção de todo o restaurante do Centro.

— Vamos de uma vez – disse com a boca cheia e com os olhos brilhando – nossos nomes não vão para posterioridade sozinhos Deedee.

Ela correu até nosso lado da mesa e agarrou o braço do garoto, dando-lhe um puxão que quase arrancou seu braço.– Calma, eu ainda não terminei – ele tentou retrucar.

— É melhor você fazer isso de uma vez, ninguém é melhor em convencer alguém de alguma coisa do que a Lila – Desmond interveio.

— Claro – me enfiei no assunto – falou o amigo de infância dela. – Ele fez uma careta e me mostrou a língua, da forma como Lila faria. A energia dela tomava conta de todos, ela era realmente alguém que exercia influencia.

Ela estava fazendo um muxoxo, agarrada ao braço de Dee como um bebê Kangaskhan a sua mãe.

— Lila – a sua voz já o entregara, Lila tinha ganhado mais uma. Ele me lançou um olhar frustrado, com o cenho franzido, quase tapado por uma franja rosada – Vamos?

— Ainda tenho um pedaço de torta gigante pra terminar – olhei para o prato. – Vou aproveitar para visitar a escultura de Reshiram na praça, prometi a Cilan que faria uma vídeo-chamada com ele lá.

— Desmond? – Lila chamou começando a fazer beicinho.

Ele arregalou os olhos e depois cobriu o rosto com as mãos.

– Não, você não vai usar seus poderes maléficos comigo. Vá criatura da noite – respondeu com uma voz dramática.

Ela deu de ombros e fez uma cara que dizia “tudo bem, vocês que estão perdendo” voltando a puxar Deedee novamente. Pude ouvi-lo dizer que estava perdido enquanto eles se distanciavam em meio às mesas. E provavelmente estava.

Enfiei o resto da torta na boca de uma vez e empurrei tudo com o refrigerante que já começava a esquentar.

— Aonde vamos na realidade? – Desmond perguntou.

— Você eu não sei – respondi de boca ainda cheia, – mas eu vou naquela escultura.

— Você pode ser uma promissora treinadora tipo Grass, mas é uma péssima mentirosa. – Seu tom estava serio, do tipo que Desmond costumava assumir poucas vezes, como durante o ataque de Serpio.

Nossos olhos se encontraram por alguns instantes, ele parecia seguro apesar de sua expressão leve.

– Eu não quero te envolver nisso. Mesmo que Deedee tenha ouvido minha conversa com Roxie ela tinha razão, ele iria atrás de mim e eu não estou disposta a correr o risco dele se machucar.

Ele colocou os cotovelos sobre e mesa e apoiou o rosto sobre as mãos.

— Mas eu não sou Deedee e eu não preciso da sua proteção.

— E quem disse que ele precisa? – Respondi um pouco mais duramente do que pretendia. Respirei profundamente e voltei a falar, – ele tem se virado muito bem e seus Pokémon estão quase tão fortes quanto os meus. Eu me certifiquei disso em Nimbasa.

Ele deu de ombros, parecia surpreso com o comentário.

– Então por que você está mentindo pra ele? Por que não disse pra onde pretendia ir de verdade. Ele ia querer estar com você.

— Essa é a questão Desmond. Eu não sou forte o suficiente para enfrentar a Team Plasma e se eu não sou, significa que ele não é – balancei a cabeça negativamente – você se lembra do que me disse na Celestial Tower? Você disse que aquela vingança acabaria me matando e aos meus Pokémon. – Nos não desviamos o olhar – com quantas mortes você acha que eu consigo lidar?

Me levantei da mesa, minhas mãos estavam suadas de uma maneira que nunca ficavam. Meus punhos estavam novamente fechados com força, tanta que chegavam a tremer.

— E qual é o seu plano? – Ele me seguiu no movimento.

— Não tenho, – admiti – vou revirar Opelucid atrás de qualquer um desses desgraçados da Team Plasma e vou arrancar a informação dele. Burgh me disse que aqui era uma das cidades mais desprotegidas de Unova no momento. Eu não tenho outra aposta.

Ele riu ironicamente, parecia nervoso, nervoso comigo e com tudo o que eu dissera.

— Muito esperto da sua parte, princesa – sua voz estava lotada de indignação, – você quer se destruir e não percebe o quanto isso afeta todo mundo que está a sua volta. – Ele caminhou até meu lado da mesa, parando a poucos centímetros de mim – você é uma garota egoísta e destrutiva e não se dá conta de que se você morrer nessa busca idiota vai levar um pedaço de nós junto com você.

Uma onda elétrica passou pelo meu corpo, enviando uma onda de calor ao meu rosto. Um monte de sentimentos se mesclou angustia, raiva, uma pontada de alegria, e o modo de extravasar foi no grito.

– Você não me conhece tão bem quanto acha, não aja como conhecesse. Não estou atrás de vingança e se você soubesse quem eu me tornei saberia disso. A Team Plasma vai pagar, isso vai, mesmo que não seja eu quem os leve a justiça. – Dei dois passos o alcançando e o empurrei com os braços, mas ele quase não se moveu – eu não vou deixar que ninguém mais que eu gosto morra. Não vou.

Ele agarrou meus ombros e me puxou contra si. Minha fúria explodiu e eu comecei a socá-lo repetidas vezes no peito, até que a pressão dos seus braços me envolvendo me obrigou a parar.

— Vamos encontrá-la, faremos tudo o que puder. – Ele falou baixinho ignorando todos os olhares do restaurante concentrados na gente.

As lágrimas começaram a lutar para sair, encharcando meus olhos, mas eu não permiti. Mordi a parte interior do meu lábio e deixei o gosto metálico do sangue tomando conta da minha boca, trazendo de volta ao foco junto da dor.

Mas mesmo assim parei de lutar e deixei o som do coração de Desmond ecoar para dentro de mim, me acalmando gradativamente a cada batida. Até que toda a dor e raiva voltassem a ser apenas aquela faísca constante que ainda se fazia sentir dentro de mim a cada suspiro.

Não sei por quanto tempo ficamos assim, mas as pessoas em volta perderam o interesse. Os sons pareciam voltar a preencher o lugar, mesmo que não estivesse muito cheio.

— Melhor agora? – Ele quis saber.

Apenas balancei a cabeça positivamente, me afastando e ajeitando minha camisa no corpo. Minha cabeça se revoltara e agora começa a doer. Talvez fosse por causa do sono, das noites de sono lotadas por sonhos ruins ou somente as lagrimas. Não importava, eu estava mesmo me acostumando aquilo.

Des pegou seu Xtransceiver e me pediu um minuto, erguendo o dedo.

– Vou dar um jeito nisso. – Não prestei muita atenção no que ele dizia, mas o segui pelo restaurante até nos encontramos no saguão do Centro Pokémon. Ele pareceu satisfeito com o assunto e desligou sorridente. – Vamos encontrar uma amiga.

— Eu tenho mais o que fazer, se é que me entende – respondi em um tom rude.

— E eu sendo o bom amigo que sou, estou tentando te ajudar. Porque andar por Opelucid interrogando cada marginal que encontrar não vai te levar a lugar nenhum.

=8=

Ele não me deixou fazer muitas perguntas, o que era bem atípico da parte dele. Seguimos até um bairro mais distante da cidade, exatamente o tipo de lugar que nenhum turista costuma frequentar, mas Des parecia conhecer bem o caminho.

Passamos por algumas vielas até que o garoto parou em frente a uma casa simples e pequena, com porta feita de madeira roída pelo tempo. Bateu duas vezes e uma garota alta, de cabelo loiro um pouco mais claro que o meu atendeu, usando um rabo de cavalo alto e óculos.

— Por Arceus, faça essa barba – aconselhou a Desmond assim que o viu, em meio a um enorme sorriso convidativo. Depois saltou em seus braços e eu revirei os olhos.

— Faça a barba, Des – repeti alto o suficiente para que os Pidove voando ouvissem.

A garota, bem mais alta que eu se desvencilhou de Des e me fitou sorridente. – Essa é a famosa Haila?

Não tive reação quando ela disse meu nome, eu não podia imaginar que Desmond falava de mim para as outras pessoas, muito menos que eu era “famosa”.

— Sim, esse poço de doçura é ela.

— Sou Jeanine, – estendeu a mão pra mim – é um prazer finalmente conhece-la. Desmond não parou de falar de você durante o jantar da revista em Lentimas.

O dia em que eu reencontrei Dee, tinha até me esquecido de que Des tinha saído aquela noite. Apertei a mão da garota e olhei para Desmond, esperando saber o motivo dele vir me apresentar suas vadias.

— Jeanine é uma Colecionadora Pokémon e trabalha junto comigo às vezes. Ela é uma das melhores do ramo em Unova e pode encontrar qualquer Pokémon – ele começou assim que percebeu meu olhar, e continuou quando percebeu que eu ainda não estava satisfeita. – Ela tem algumas informações interessantes.

Entramos na casinha e nos ajeitamos no sofá. Havia uma velha senhora de cabelos brancos na cozinha que depois foi apresentada como avó da tal Jeanine. E por fim, depois de muita enrolação e convenção social finalmente a garota pareceu disposta a falar.

— Colecionadores Pokémon são especialistas em capturas e trabalham normalmente para clientes aleatórios ou grandes corporações, você sabe – eu não sabia. Mas balancei a cabeça para que ela continuasse, – nesse caso alguns de nós foram contatados pela Team Plasma e ela é uma organização que não fica muito satisfeita com não como resposta.

Então minha fixa caiu.

— Você está se escondendo, eles tentaram te recrutar.

— Exato, eu já contei tudo o que sabia para a polícia. Fiz minha parte e então me escondi aqui – respondeu pegando a xícara de chá de laranja e tomando um gole. – Eles querem os lendários.

— Conte-me alguma novidade. O que você contou a policia? – Perguntei ansiosa. A vadia da menina não rendia o assunto.

Ela trocou um olhar com Desmond que balançou a cabeça positivamente e apenas depois continuou. – Os Team Plasma que me abordaram não era ninguém, mas ele citou um mestre.

— Ouvi isso muito quando Dee e eu fomos capturados, inclusive chegamos a vê-lo de perto – aquilo não estava dando em nada, tive o impulso de me levantar e ir embora daquele lugar, mas ela continuou.

— Pelo que eles deixaram escapar, parecia que eles eram subordinados de alguém chamado de Morte. – Seu olhar estava firme, e apesar de toda a estranheza daquela conversa algo me dizia que eu podia confiar naquela garota. – Os dois pareciam muito ansiosos e não me passaram muitas informações, eles queriam me levar de qualquer forma até alguém que eles trataram como Guerra. A polícia não acreditou em mim, obviamente – pude sentir a repulsa em sua voz. – Eles me contaram toda aquela idiotice da doutrina Plasma e tentaram me convencer de que era o melhor para os Pokémon e quando não funcionou eles me ofereceram uma quantia generosa de dinheiro.

— É claro que eles tentaram – me lembrei de Dee contando sobre Rose e a lábia que ela tentou passar nele durante o ataque de Nimbasa.

— A questão é que muitos caçadores ilegais que não se questionariam uma vez se deveriam ou não se unir a eles. Quando eu recusei, eles me atacaram e eu tive que lutar para fugir, – sua expressão estava deixando transparecer sua raiva, seu nojo em cada palavra – por pouco não mataram meu Pokémon. – Ela ficou em silêncio por um momento, a raiva parecia correr pelas suas veias. – Duvido que você consiga fazer algo sozinha, mas eu preciso que as pessoas saibam da existência desses mestres, que saibam que estão recrutando contrabandistas. A Team Plasma precisa ser detida, agora, porque se eles puserem a mão em um lendário novamente não da pra saber que preço Unova vai pagar.

Confirmei com a cabeça permitindo inconscientemente que minha empatia pela garota crescesse espontaneamente. Eu não fazia ideia do que faria com essa informação. Provavelmente muitos contrabandistas estavam vasculhando cada pedaço de Unova agora mesmo, levantando cada pedra, desbravando cada ilhota e caverna.

Não havia somente caras de uniforme por ai. A operação era muito maior do que eu podia sonhar.

=8=

Liguei para Roxie assim que cheguei ao quarto do Centro Pokémon. Deedee e Lila ainda não tinham voltado então pedi para que Desmond verificasse se tudo estava O.k, me deixando sozinha no quarto para falar com ela.

Repassei a líder tudo que tinha ouvido de Jeanine o mais detalhadamente possível. Ela pareceu bastante interessada no assunto e pediu o contato da garota. Roxie queria ver se conseguia descobrir mais alguma coisa dela e ficou de ligar pra Draiden, o líder de ginásio da cidade para que ele pudesse recolher as informações e oferecer segurança a garota.

Antes de desligar ela acabou me abordando, seu olhar tomou ar preocupado.

– As coisas estão acontecendo muito rápido. Tome cuidado.

— Alguma coisa aconteceu?

— Cheren descobriu que pode haver um lendário escondida em alguma caverna – contou baixinho.

— Mas há algum indício de onde?

— Ainda não, há cavernas por toda Unova, mas não duvido que essa informação já tenha chegado aos ouvidos da Team Plasma. Fique atenta e qualquer outra coisa e não hesite em me ligar.

Isso significava que ela desconfiava de um traidor? Agente duplo? Que alguém os estava espionando? Ela nunca me diria caso soubesse. Tomei um banho demorado e esperei, junto a Des, que Dee e Lila voltassem do tal treinamento para podermos almoçar juntos. Não contei a Deedee o que ficara sabendo, nem do passeio que tinha dado com Desmond, ele parecia tão distraído e relaxado com Lila que eu não quis trazê-lo de volta a essa outra dimensão onde qualquer sombra parecia um ataque novo.

Nos dias que se correram Des e eu aproveitamos para dar escapadas durante o treinamento dos dois, com varias desculpas diferentes. Não havia muito que pudéssemos fazer, mas verificamos rotas próximas à saída da cidade, perguntamos sobre atividade estranhas para conhecidos do garoto e dedicamos o resto a ler sobre os ataques antigos.

Eu sei que Desmond só concordara com tudo aquilo e me acompanhara porque seu senso paternal de proteção não permitia me deixar correr por perigos desnecessários sozinha. Mas ele odiava mentir cada vez que Lila e Dee perguntavam onde tínhamos passado o dia.

E então chegou finalmente o dia do Contest. Lila acordou desesperada, falando pelos cotovelos. Cuidando dos últimos detalhes do vestido cheio de gliter que surgira magicamente em meio a seus pertences.

Deedee na verdade não parecia tão animado, mas Chiclete cuidava minuciosamente de sua aparência, ajeitando cada pelo arrebitado com as patas, até ficar tudo uniforme.

Usamos os Contest Pass dos dois e conseguimos entrar na arena onde seria o Contest antes da multidão e descobrimos, sem muita surpresa que o acontecimento do ultimo Contest tinha se repetido ali. Ainda menos participantes tinham se inscrito para a competição, fazendo a banca avaliadora quase questionar se o evento deveria ou não acontecer.

Infelizmente, querendo eles ou não, era tarde de mais para tentar. As pessoas já se aglomeravam as portas. Depois de acordar com os participantes como seria feito com a questão de categoria, eles foram enviados para o vestiário.

— Boa sorte! Tente desviar dos ataques dessa vez – brinquei, mas Deedee não sorriu do modo como teria feito. Ou sequer tentou retrucar.

Enquanto Lila e Des se abraçavam fitamos um ao outro, e ele não precisou dizer como se sentiu pra eu saber – Vou tentar.

Ele ainda não estava pronto para voltar aos palcos. Estava muito preocupado com a garota da Team Plasma, com a nossa segurança e com todo o resto. Então notei meu erro. Eu não podia fazer com que Deedee não se envolvesse ainda mais nisso tudo ou que não se magoasse mais.

Ele já estava tão imerso em tudo aquilo quanto eu e nesses dias eu tinha negligencia o único acordo que tínhamos, mesmo que nunca houvesse sido dito. Eu tinha traído sua confiança.

— Eu tenho que te contar uma coisa, – mas aquele não era o momento – tente não colocar fogo em nada ou desmaiar e conversamos assim que você sair com a fita.

— Eu não posso prometer isso – respondeu depressa.

— Não importa, confio em você.

=8=

Como fomos alguns dos primeiros a entrar Desmond e eu pegamos lugares privilegiados bem atrás dos jurados. Assim que eles chegaram os portões foram abertos, Draiden líder do Ginasio tipo dragão da cidade, Iris a campeã da elite Four e uma celebridade local chamada Yancy foram os convidados dessa vez.

Ainda sim, contrariando as expectativas, o lugar se encheu de gente rapidamente. Vozes animadas e risadas criaram uma aura receptiva que aparentemente foi sentida pelos poucos participantes que se aventuraram na competição.

O mesmo garoto que se apresentara antes de Deedee em Castelia, com o Purlloin foi o primeiro a se apresentar. Ele usara combinações impressionantes com ataques do tipo Dark do Pokémon, criando e brincando com as explosões escuras. Era notável sua melhora como Coordenador.

Em seguida uma garota se apresentou, mas acabou não se saindo bem. Provavelmente aquele era seu primeiro evento e ela gaguejara tanto que seu Pokémon não conseguiu entender seus comandos. Ela terminou sendo ajudado a sair por Cindy, em meio a lagrimas.

Deedee não seria o motivo da conversa dessa vez.

Então Lila entrou, seu vestido chamava tanta atenção que pude ouvir Iris fazer uma brincadeira sobre ele. Nada ofensivo, se não eu teria que ensinar-lhe uma lição.

A garota nos encontrou assim que entrou, nos dando uma piscadela, e depois fez uma revência digna de alguém da corte imperial, depois arremessou sua ball para o alto. Butterfree, o Slowpoke surgiu banhando de Gliter, usando asas idênticas aos do Pokémon que lhe originavam o nome.

— Lila Davis da cidade de Humilau nos trás hoje um adorável Slowpoke, – Cindy estava impressionada, e não somente ela, a plateia não sabia como reagir – o que tem para nós hoje?

— Butterfree, voe – o Pokémon bocejou seu nome e usando Telecinese começou a flutuar a poucos centímetros do chão, dando voltas velozes que faziam a purpurina presa ao seu corpo se desprender e criar um rastro luminoso e brilhante pelo tablado.

Lila estava radiante, girando enquanto o Pokémon dava voltas ao redor dela com os olhos brilhantes, quase como em um bale.

— Onde vocês conheceram essa garota? – Des perguntou sorrindo. Ergueu a câmera e começou a tirar fotos enquanto a plateia começava a aplaudia e a vibrar com ironia da cena.

O Pokémon foi ficando cada vez mais atrevido, ganhando altura e fazendo manobras ainda mais ousadas.

— Faça nevar – Lila pediu e o Butterfree lançou um raio de gelo para o alto. O ataque explodiu antes de acertar qualquer coisa, em uma onda branca, enviando dezenas de partículas de gelo para o alto.

Mas antes que a apresentação pudesse ser finalizada, um homem entrou correndo na arena e veio até os juízes. Ele estava suado e sua expressão tomada de pânico.

— Fomos informados de movimentações estranhas na represa, – falou sem qualquer pudor, sem tentar esconder o quão sem folego ele estava – pode ser a Team Plasma.

Íris se levantou mais depressa que o pai e saiu correndo. – Filha, espere – Draiden tentou para-la, mas era tarde de mais. Todos no lugar estavam focados naquela cena, enquanto a garota sai correndo e Draiden gritava tentando ir atrás dela.

Cindy ficou sem reação, ergueu o braço e anunciou, – faremos um breve recesso,– e depois correu na direção do ultimo jurado sentado.

Enquanto eu e Desmond trocamos olhares preocupados às pessoas mais próximas a nós que ouviram a noticia estava começando a espalha-la. Lila estava chocada, parada no meio do tablado sem saber o que fazer.

— Temos que ver o que está havendo, estamos sob ataque? – a apresentadora perguntou numa tentativa de sussurro a Yancy, a ultima jurada, mas ela não sabia responder, apenas repassou o que ouvira.

Lila recolheu o Pokémon e voltou correndo para dentro do vestiário, enquanto a plateia explodia em comentários e o tumulto começava a se instaurar.

— Vamos atrás de Dee e Lila. Precisamos sair daqui – Desmond sugeriu com urgência. Agarrou minha mão e me puxou sem hesitar para dentro do tablado. Ignoramos totalmente a repreensão do segurança e partimos o mais rápido que pudemos para o vestiário.

Os coordenadores estavam todos reunidos em um grupo na frente de um monitor acompanhando o que acontecia do lado de fora. Eles conversavam exaltadamente entre si, tentando supor o que estava havendo.

Nós empurramos todos que podíamos até encontrar Dee e Lila conversando atrás do grupo.

– O que aconteceu? – Ele perguntou assim que nos viu.

— Alguém disse a Draiden e Iris que eles estavam aqui – Desmond tentou manter sua voz baixa para não alarmar os demais participantes.

— A Team Plasma está invadindo? – Lila gritou fazendo todo o grupo de coordenadores nos olharem.

Simplesmente estapeei a cara da garota e gritei da forma mais teatral que pude, – acalma-se garota. Sua nota não será prejudicada por isso.

Ela colocou a mão nos rosto e não conseguiu, graças a Arceus, dizer nada, fazendo o grupo voltar à própria conversa e indagações.

— O que vamos fazer? – Deedee perguntou e só então reparei nas suas roupas. Ele usava um blazer, provavelmente alugado e um par de calças jeans que só podiam ter sido presente de Lila. E se não fosse à confusão eu exaltaria a forma como seu cabelo estava penteado e organizado.

— Não sabemos, mas eu sugiro que sigamos Draden e Iris.

Desmond me encarou surpreso. – Você tem certeza? – Perguntou desviando o olhar para Deedee por um instante, de forma que apenas nos dois entenderíamos.

— O que você acha Dee? – Fui direta com ela.

— Talvez eles saibam alguma coisa da Team Plasma e ela nos leva a Lenora – ele respondeu com firmeza, do jeito de Deedee de ser firme, é claro. Isso podia não só ter haver com Lenora, conhecendo Dee da forma como eu conhecia ficava claro que ele esperava encontrar Rose, mesmo que apenas para saber se ela estava viva.

Agarrei seu braço o puxando um pouco mais para longe de Lila e Des e falei o mais baixo que pude, – é melhor você levar Lila para um lugar seguro, você sabe que ela não está preparada para o que podemos encontrar.

Dee me fitou por um tempo e pela primeira vez em muito tempo não consegui decifrar sua expressão.

— Eu sei que está mentindo sobre o que esta fazendo enquanto Lila e eu treinamos – falou sem tentar abaixar o tom de voz, fazendo Lila e Des se surpreenderem com sua explosão. – sei que mentiu pra mim e entendo porque – lançou um olhar para Desmond e depois voltou a mim, – mas eu já estou envolvido nisso.

Meu coração deu um salto ao ouvir as palavras. É claro que ele saberia que eu estava mentindo, era de Deedee quem estávamos falando, a pessoa que mais me conhece no mundo. E agora ele estava pensando que eu o tinha trocado por Des, que eu o achava fraco e assim não digno de me acompanhar.

Balancei a cabeça negativamente depressa, negando o mais rápido que pude aquilo. Os olhos dele estavam firmes em mim, transparecendo todo o sentimento guardado que ele omitiu.

— Eu jamais faria tal coisa – dei um passo para frente me aproximando mais dele e coloquei a mão em seu ombro. Ergui um pouco mais a cabeça olhando em seus olhos, – você é o irmão que eu nunca vou ter Deedee. Eu escondi isso de você porque não queria te colocar em risco, não quero arriscar que você se machuque porque você é tudo o que eu tenho e eu não saberia o que fazer da minha vida se eu te perdesse.

“Esse tempo todo, tudo o que passei, tudo o que eu vivi... tudo o que eu me tornei foi porque você estava do meu lado. Incendiando as coisas, criando filas de garotas pra que eu pudesse brigar, me apoiando – meus malditos olhos estavam ficando molhados. Maldição do oceano, benção do deserto. – Haila não existe sem Dee – encostei no seu peito e depois no meu.”

Ele ficou sem reação, mas seus olhos também estavam ficando molhados. Ele parecia surpreso com tudo o que eu disse e aquilo conseguia me doer ainda mais, por fazer com que ele duvidasse do quanto eu me importava com ele.

— Você não pode me proteger do mundo, Haila – falou firme, passando a manga da blusa no olho. – Estramos nessa juntos e vamos terminar juntos.

Eu queria abraça-lo mais sabia que aquele não era o momento.

— Então vamos fazer isso, mas eu preciso que você me prometa que não vai hesitar. Quando formos correr, vai correr até suas pernas queimarem, quando precisar atacar vai atacar com tudo. E se eu não puder, se eu não conseguir e apenas chamar seu nome, não tenha pena. Queime tudo.

Nossos olhos estavam focados um no outro e eu pude acompanhar a segurança com que Deedee estava concordando com aquilo. Ele não era apenas meu melhor amigo, meu irmão, ele era meu companheiro de batalha e eu nunca mais me esqueceria disso.

Então nossa atenção se voltou para o monitor que mostrava a arena. As pessoas tinham entrado em pânico, saindo correndo, empurrando violentamente umas as outros e gritando, como se a Team Plasma estivesse atirando lá dentro.

Cindy e Yancy começaram a pedir calma, mas as pessoas corriam como uma debandada de Boufallant e nada iria para-los.

— Acho que temos que sair daqui – Lila estava com os olhos arregalados.

— Vamos todos para a represa então, depressa – confirmei olhando para Deedee que apenas balançou a cabeça positivamente e deixou com um leve sorriso surgisse em seu rosto.

Infelizmente a ideia não fora apenas nossa, os coordenadores já começavam a correr para fora. Em questão de alguns minutos a cidade inteira poderia ser tomada por uma crise de pânico como as do cinema. Farsantes da Team Plasma como o que Dee encontrou em Nimbasa se aproveitariam da situação e a polícia ficaria abarrotada.

Lila e Desmond saíram na frente enquanto segurei na camisa de Deedee correndo junto aos coordenadores para fora. O tumulto tinha se alastrado enquanto as pessoas saiam do lugar correndo, atravessando a rua na frente de carros e empurrando umas as outras, tentando salvar sem motivo suas pobres vidas.

Um homem alto acertou o ombro em Deedee enquanto corria e o fez perder o equilíbrio. Tentei segura-lo pela blusa que ainda segurava, mas ele escapou. Dezenas de pessoas ainda saiam, fazendo com que ele desaparecesse na onda na minha frente.

Senti alguém me empurrando e tive que me concentrar no movimento das minhas pernas para não cair.

— Deedee – gritei, mas minha voz apenas se juntou a dos demais. Eu tinha perdidos todos de vista e estava sendo guiada ainda mais rua abaixo.

Foi quando me deparei com um feixe rosado em meio ao mar de cabeças, nunca gostei tanto ser baixinha como nunca fiquei tão agradecida por alguém ter um cabelo tão chamativo na vida. Cotovelei as costas do maldito armário que estava na minha frente e me exprimi entre ele e outro mulher conseguindo finalmente um pouco mais de espaço para correr.

Quando encontrei Dee estávamos finalmente chegando a uma rua mais larga, onde podíamos correr sem ficar ombro a ombro com ninguém, e ironicamente na direção certa para ir em direção à represa.

Foi quando notei isso que me lembrei do que Lila dissera assim que chegamos à cidade sobre seu pai tê-la enchido com uma conversa de cavernas inundadas pela represa. – Roxie me disse que um dos lendários estava em uma caverna. Lembra o que o pai de Lila a contara? – Disse a Deedee. – A Team Plasma está aqui atrás de outro. Temos que contar isso ela – disse com urgência.

— Se ligarmos ela pode tentar nos impedir – indagou enquanto virávamos mais uma rua que nos levaria a principal.

— Como se ela já tivesse conseguido fazer isso alguma vez. – Olhei para trás mais uma vez e não encontrei Desmond nem Lila e de certa forma me senti mais confortável por estar apenas com Deedee. Ele estava certo, começamos isso juntos e iriamos até o final assim. Aparentemente com ou sem a permissão dos lideres estávamos na caçada aos lendários.

Notas finais
Então, o que acharam? Eu escrevi isso ai sem ver, tava louco pela parte seguinte. Desesperado para escrecer os novos acontecimentos. Estamos começando a caminhar pro climax meus amigos. Rota Zero o/ ta chegando no clímax!