Notas iniciais
Parte final de Mascaras ai minha gente, a coisa ta ficando cada vez mais interessante na minha opinião. Vejamos o que realmente aconteceu com Lila e os outros.

Os olhos dele se arregalaram e seus punhos se fecharam com força ao lado do corpo, – Você vai. Vai sair daqui comigo agora e eu vou te mostrar tudo o que você precisa ver e sua opinião vai mudar.

— Vou mesmo?

— Vai – ele respondeu abrindo de novo as mãos.

— Ou o que? – Eu serrei os meus com ainda mais força, os erguendo a altura do peito. Estava pronta para lutar.

Ele sorriu, apenas parte do lábio dele pelo menos. Eu podia estar jogando bem até ali, mas me esqueci por um segundo que a Team Plasma não gostava de jogar com regras e meu irmão agora era um deles. – Eu vou quebrar todos que você ama. Um por um... Alakazam.

Os olhos do Pokémon se iluminaram e quase não houve tempo para reação. Me virei para Lila a tempo de ver seu corpo ser envolto pela aura luminosa e nossos olhos se encontrarem cheios de pavor. Ela foi arremessada com violência contra a janela, partindo-a em dezenas de pedaços de vidro e madeira.

Haila

Parte 2

Um único grito agudo foi emitido da garganta de Lila antes que o corpo dela desacordado fosse suspenso no vazio do outro lado. Uma lufada gelada invadiu o quarto e fez com que os pelos da minha nuca se arrepiassem de pavor, antes que eu pudesse gritar uma negativa e me jogar atrás da garota sem pensar.

Mas meu corpo foi bloqueado pela mesma aura luminosa, me travando como um boneco de plástico, apenas com o tórax para fora da janela, com os braços estendidos na esperança mórbida de salvar a menina da queda. Meus olhos se encheram de lagrimas e meu coração parecia que saltaria para fora do meu peito. Havia sangue pingando pelo pé de Lila que estava apagada a centímetros de mim, tão poucos que eu poderia toca-la se pudesse flexionar meus dedos. Suspensa no ar como eu.

Eu quis gritar coisas odiosas ou apenas gritar por ajuda, queria gritar que odiava Jaden, que me deixa-se em paz, mas minha boca estava fechada e não havia força suficiente para abri-la. Meus olhos corriam desesperadamente de um lado para o outro, como se eu pudesse quebrar o poder com a minha vontade, mas tudo o que eu conseguia fazer é ver a enorme altura que nos separava do chão.

— Alto não é mesmo? – Ele surgiu do meu lado na janela, casualmente como se quisesse ver a vista. Depois acariciou meu rosto com a mão esquerda, – aproposito, gostei do corte de cabelo.

Usei todas as minhas forças para tentar me libertar e me afastar, sentia as lagrimas queimando, querendo vir à torna, mas lutei com tudo o que podia para segura-las. Meu nariz começou a ficar ruim por causa disso e fiquei com dificuldade de respirar, o ar estava começando a parecer insuficiente para que eu pudesse continuar. Mas tudo o que eu podia fazer era olhar.

— E agora? Você virá comigo irmãzinha? – Aproximou o rosto do meu e deu-me um longo beijo rosto. Pude sentir o calor dos seus lábios tocando minha pele gelada pelo contato imediato com a noite gelada de Icirrus e senti que meu estomago embrulhava. – Terminando meu discurso... A tanto que eu quero que você veja. Tanto que eu quero que você entenda. As possibilidades para os Pokémon e para um mundo melhor... Eu adoraria que você tivesse saído em jornada comigo. Que tivesse passado pela mesma iluminação que eu passei – suspirou, – acho que não precisaríamos estar nessa situação agora.

Olhou para Lila por alguns segundos e depois para mim, – pobre garoto burra. Você fez isso com ela, – olhou para baixo e ergueu as sobrancelhas, – é mais alto do que eu pensei. Que tal terminarmos com isso depressa? Está frio aqui.

Meu corpo foi puxado para dentro do quarto e posto sobre a cama, como se eu fosse um brinquedo e me assustei ao me deparar com Couve-flor também imobilizado no teto do quarto. – Estou sem paciência para brincar. Você tem duas opções. A primeira é ter uma conversa civilizada comigo e sua amiga sai com vida daqui. Ou você abate meu Pokémon, ela cai e a gente faz do seu jeito. O que prefere?

Havia tanta raiva dentro de mim, tanto medo, que meu coração parecia que ia explodir. Era como se um punho tivesse se fechado em volta dele, o pressionando com força, o impedindo de bombear.

A técnica foi desativada e eu fui solta de repente, fazendo-me chicotear para frente. Me sentei depressa, puxando o ar com força, como se tivesse acabado de dar um longo mergulho. Lágrimas estavam prestes a rolar para o meu rosto, mas o sentimento mais difícil de controlar era aquele que gritava dentro de mim, dizendo para usar os cacos do abajur e fazer com Jaden o mesmo que Dreidran fizera ao pai de Iris.

Ele balançou a cabeça positivamente como se aprovasse minha inercia e perguntou de novo, – qual vai ser, Haila? Eu me lembro de ter te feito uma pergunta.

Encarei seu rosto e tive que segurar as cobertas com força para não agir. Olhei para trás rápido e voltei a ver o corpo de Lila, desmaiada, flutuando do lado de fora. Com a cabeça baixa e olhos fechados, cabelo balançando no rosto.

— Traga-a para dentro, faremos do seu jeito – respondi com dificuldade. A voz me pareceu faltar.

Ele balançou a cabeça negativamente e colocou a mão no queixo como se pensasse, – acho que não gosto do seu tom. Implore. – Meus olhos se arregalaram com a ordem. Eu não consegui acreditar nas suas palavras. – Estou brincando, mas se vamos mesmo ser como uma família de novo, preciso que você tenha mais respeito, – disse sorrindo. – Apenas peça, por favor.

Quando ainda éramos crianças Jaden sempre fora o filho que meu pai esperava que ele fosse. Obedecia às ordens sem questionar, seguia todas as regras e comando como um soldado. Mas eu nunca fora a filha que meus pais queriam que eu fosse. Eu sempre o obrigava a me seguir nas minhas pequenas jornadas pelas florestas ao envolta de Nuvema.

E quando algo acontecia, quando eu me machucava por burrice minha, quebrava algo, ou desobedecia alguma ordem, Jaden sempre estava lá. Ele sempre se pusera na minha frente, sempre assumia a culpa, mesmo que ela não fosse dele, para me livrar do que viria depois.

Quanto mais eu crescia, mais eu entendi que, por mais que eu não temesse as consequências das minhas atitudes por mim, deveria temer por ele. Então com o passar dos anos eu fui me permitindo entrar na mesma inercia que minha mãe vivia. Para que ele não precisasse mais me defender.

E agora ele estava ali, na minha frente, usando o manto da Team Plasma. Me pedindo para implorar pela vida de alguém que eu prezava muito. E parecia um preço justo, afinal, ele tinha feito isso por mim antes. Algo que saberia que doeria nele para impedir outra pessoa de se machucar.

— Por favor – as palavras saíram falhas mesmo assim. Eu estava começando a tremer de frio. Uma brisa forte estava invadindo o quarto. – Por... Favor.

— Parece justo, – Olhou para Alakazam que flutuava perto da porta. Eu acreditei por um segundo que se agisse da maneia correta, se usasse aquela mascara ao invés de partir para agressão, eu conseguiria mais coisas do que brigando. – No entanto... – ele continuou, olhando friamente pra mim, – sua amiga não pode sair daqui com vida está noite. Eu disse que mataria um por um, não é mesmo?

Meus olhos se arregalaram e eu agi quase automaticamente, mas foi rápido demais. Assim que eu consegui me virar para a janela me deparei com a luz em volta de Lila falhando e o corpo dela despencando incontrolavelmente, com braços erguidos como se tentasse agarrar o vazio. Mas aquilo não era verdade, ela estava apagada e não saberia nunca o que aconteceu a ela. O que Jaden fez com ela. Um grito agudo e sem sentido saiu da minha garganta, tomado de pavor e sofrimento enquanto eu via impotente à garota ir em direção à morte. Lila estava morta.

Um vulto preto chamou minha atenção de repente. Um grito e longas asas abertas. – Pegue-a – Skyla gritou algumas janelas acima de mim. Com seu cabelo preso um rabo de cavalo e metade do corpo pra fora da janela.

Mandibuzz usou a potência do ataque Brave Bird, fazendo seu corpo ser tomado por uma luz azulada e aumentar ainda mais sua velocidade, alcançando Lila a pouco centímetros do chão. Planando com ela agarrada a suas patas rua acima.

Puxou o ar com vontade e só então percebi que estava prendendo a respiração. Agarrei o caco de louça do abajur com força, cortando minha mão, e atravessei o quarto quase em um pulo cravando a estaca de louça no ombro do garoto.

Ele soltou um grito de dor indo para o chão junto comigo. Então tudo aconteceu muito rápido.

Pelo susto Alakazam se desconcentrou, deixando Couve-flor cair do teto como uma pedra. O Pokémon reagiu depressa, trazendo os chicotes a tona e acertando golpes seguidamente no Pokémon Psychic.

Sai correndo por cima de Jaden, o pisoteando em direção à porta e me empurrei para o corredor, batendo com força na parede listrada de azul a minha frente. Couve-flor agiu logo depois de mim, saltando atrapalhado para fora do quarto.

Olhei para frente e me deparei com dois soldados da Team Plasma, apontando armas para o quarto dos garotos e agi mais uma vez sem pensar, apenas por instinto de sobrevivência. Me joguei em cima do primeiro armado que consegui encontrar e comecei a soca-lo.

Cilan surgiu um momento depois fazendo o mesmo, acertando o outro soldado com o próprio corpo. Os dois foram ao chão, enquanto Desmond e Dee saiam do quarto em disparada. Como se já estivem esperando qualquer oportunidade de fuga.

O soldado em quem eu me joguei me empurrou, me derrubando no chão e foi pra cima de Dee. O homem tentou acertar um soco em seu peito, mas Deedee saltou para trás o mais rápido que pode. Aproveitando a brecha, Desmond acertou um chuto no homem que vacilou e Dee aproveitei para empurra-lo quase sem pensar, fazendo o homem tropeçar em mim e cair.

— Você está bem? – Ele perguntou no grito em meio à confusão.

Cilan ainda rolava com o outro Team Plasma pelo chão. Alcancei a arma do primeiro e apontei para ele que agora tentava se reerguer. Couve-flor estava estático, olhando a confusão, sem saber ao certo como interferir ou mesmo se deveria.

Foi quando Jaden apareceu na porta, com uma mancha de sangue no ombro. Seu cabelo perfeito estava atrapalhado e ele bufava como se tivesse corrido meia maratona. O Pokémon surgiu atrás dele um momento depois e seus olhos começaram a brilhar, mas em vez de usar o Psychic, usou o Psybeam.

Um raio luminoso varreu o corredor acertando todos nós. Foi como se nossas cabeças fossem marteladas sem piedade. Levei as mãos ao rosto sem reação a tamanha dor e tudo o que pude fazer foi gritar, sendo acompanhada pelos garotos e os próprios Team Plasmas que Jaden deveria estar do mesmo lado.

A dor debilitante nos fez ir ao chão, gritos de dor e sem sentido preencheram o corredor enquanto o Pokémon parecia incendiar nossas mentes.

Quando o ataque parou eu estava tonta, minha cabeça ainda doía e uma pequena quantidade de sangue tinha escorrido pelo meu nariz. Me levantei com dificuldade, ainda atordoada pela dor e logo os garotos também começaram.

Jaden ergueu uma Pokéball e trouxe Couve-flor de volta. Meu corpo se enrijeceu, a burra devia ter deixado no quarto em meio a toda a confusão de Lila. O Pokémon era a única forma que eu tinha de me defender e agora estava nas mãos de Jaden.

Rosnei de fúria e não reparei que o soldado da Team Plasma cujo qual eu havia pegado a arma tinha se levantado. Ele acertou minhas costas com uma cotovelada e recuperou a arma, apontando pra mim. Enquanto o que estava ao lado de Cilan socou o olho do garoto de cabelos verdes e alcançou a sua arma no chão.

— Droga, – Desmond reclamou.

E Dee se afastou até mim, segurando meu braço.

— Quem mais eu vou ter que tentar matar pra você entender que eu não estou brincando aqui? – Jaden gritou furioso.

Dee me encarou com olhos arregalados e perguntou sem se importar com a altura de sua voz, apertando com tanta força meu braço que chegou a doer, – onde esta Lila?

— Ele a jogou da Janela, – respondi desviando meu olhar para Jaden, – mas o Pokémon de Skyla conseguiu pega-la em plena queda. Aparentemente a líder é mais esperta que meu irmão.

— Seu desgraçado, – Desmond rosnou se segurando para não pular na garganta de Jaden. A atenção de Cilan parecia dividida entre os dois Team Plasmas armados.

Jaden me olhou parecendo indignado, – é mesmo? – Bufou, – Andalos, Ronan aqui. – Os soldados caminharam até o lado de Jaden, ainda nos mantendo na mira, – mostre a minha irmã o dia do julgamento. Matem todos.

Pulei o mais depressa que pude, me jogando na frente dos garotos e abrindo os braços, me fazendo de alvo. Meu coração estava na boca, meus olhos arregalados e minha respiração ainda ofegava.

— Não, não faça isso. Jaden.

Os soldados hesitaram e encararam o superior confusos, esperando ordens. – Estou cansado dessa palhaçada. Está noite só vai terminar quando você for embora comigo. Há muito em jogo para que eu falhe nisso.

— Eu não vou a lugar nenhum, – gritei furiosa.

— Vai, nem que eu tenha que te arrastar pelo sangue derramado dos seus amigos no chão.

— Maluco desgraçado, – Cilan cuspiu, – você só vai leva-la por cima do meu cadáver.

A expressão de Jaden estava ainda mais dura, seus olhos pareciam ter se escurecido. Havia algo queimando dentro dele, uma fúria que eu desconhecida, maior do que qualquer coisa que eu já tivesse reparado no meu irmão. E eu temia aquilo. – Eu posso arranjar isso.

Mais tinha algo que eu temia mais ainda. Perder aqueles com quem eu me importava. Eu nunca poderia permitir que Jaden tocasse em Dee e nos outros. Mas depois de Lila não havia garantia de que ele cumprisse sua palavra, apenas esperança de que eles fossem espertos o suficiente para fugir antes que fossem executados. – Eu vou com você – gritei.

— Não vai não – Dee respondeu cheio de pavor.

Olhei para trás e aproveitei para decorar o rosto de garoto. Minhas costas doíam tanto que o frio que eu estava sentindo parava de fazer sentido. Eu podia sentir o sangue escorrendo pelas veias, enquanto meu coração batia tão forte que parecia querer romper meu peito e saltar para fora.

Se existe uma chance de mantê-lo a salvo, mesmo que isso significasse me entregar, eu o faria. – Se cuide, eu vou fazer o mesmo.

— Haila, – Desmond chamou. Cilan parecia estático, sem reação. Havia apenas tristeza em seus olhos.

Balancei a cabeça positivamente, esperando que ele se acalmasse e fui em direção a Jaden com os braços erguidos. Lila estava a salvo, eu tinha que garantir que eles também estivessem.

O elevador se abriu e mais dois soldados apareceram. Não carregavam armas, mas as Pokéball estavam em evidencia presas ao cinto dos dois. Olharam para Jaden que estendeu a mão, pedindo que esperassem.

— Não se entristeça. Você nunca teve chance real de fazer alguma coisa – as palavras me atingiram como um soco. Minha vida inteira tinha sido controlada por outras pessoas e mesmo meus primeiros passos para a liberdade foram manipulados.

Mas eu não era mais aquela garota. Eu não estava mais sozinha. Serrei meus punhos e encarei o bolso onde Jaden havia guardado a Pokéball de Couve-flor. Eu iria conseguir escapar, não importava como. Eu ia escapar.

— Tomem conta deles, se ouvirem qualquer som de batalha, mate-os – Jaden me lançou um olhar frio. – Não haverá resistência, não é mesmo? – Apenas ergui minha sobrancelha mostrando que tinha escutado.

Os soldados ergueram novamente as armas e apontaram para eles, enquanto seguimos em direção aos outros dois. Lancei um ultimo olhar para trás, tentando ver seus rostos mais uma vez. A tensão estava palpável no ar e o medo estancado em seus rostos, mas eu confiava neles. Eles arrumariam um jeito de fugir dali.

Assim que o elevador começou a descer os dutos de ventilação ficaram roxos. Fumaça estava começando a surgir de todos os cantos, descendo do alçapão do teto como se fosse pesada e a gravidade a puxasse com força.

— Que droga – um dos Team Plasma amaldiçoou.

— Pareceu que sua amiga conseguiu escapar, – Jaden constatou com desagrado. Era o ataque de Desdemona, o Pokémon de Roxie. Meu desejo tinha sido atendido.

Jaden apertou o botão para parar no andar seguinte depressa. O elevador já estava tomado de gás. A respiração tinha se tornado difícil e os olhos ardiam. Um dos dois Team Plasma começou a tossir desenfreadamente. Não pude deixar de desejar que morresse intoxicado.

Assim que as portas se abriram e o primeiro passo foi dado para fora, Toxicroak caiu do alçapão praticamente em cima de Jaden. O Pokémon agiu sozinho, acertando um soco na barrida do Team Plasma que tossia, fazendo o homem ceder no chão no mesmo instante.

Alakazam reagiu depressa, agarrando o Pokémon com as mãos, mas acabou sendo atingido por um Poison Sting que gravou no meio do seu peito.

Jaden me arrastou pra fora, correndo pelo corredor em direção as escadas de emergência. Assim que elas foram abertas uma onda de fumaça escapuliu, fazendo o Sprinkler acima de nós começar a apitar e em seguida jorrar agua.

O alarme de incêndio fora ativado e uma sirene quase ensurdecedora começou a tocar. Provavelmente outro Pokémon Toxico de Roxie tinha enchido as escadas de fumaça. –Maldição, – Jaden deixou escapas, levando a mão na cintura e liberando outro Pokémon de uma Greatball.

Uma Gothitelle um pouco mais alta do que eu surgiu ao meu lado. Seu olhar sombrio foi em minha direção e depois na de Jaden. O som de tiros começou a vir dos andares de cima, abafado pelo barulho do alarme e as portas dos quartos que começavam a se abrir.

— Parece que você está com problemas – comentei tentando desestabilizado.

Meu rosto ardeu antes meu que eu pudesse perceber o que tinha havido. Eu estava sentindo o sangue vir à pele. Ele tinha me estapeado e o anel em sua mão tinha feito um corte na minha bochecha. – Cale a boca – disse furioso. Depois deu um passo para frente, ignorando toda a confusão a nossa volta e os dois Pokémon se engalfinhando no elevador que novamente voltava a se fechar e envolveu meu rosto que pulsava com as mãos. – Desculpe. Eu te amo, mas é toda essa situação.

Senti vontade de retribuir na hora, de bater nele até minhas mãos começarem a sangrar. Serrei os punhos e os trouxe de encontro ao corpo, desviando minha mente para meus amigos em perigo no andar de cima, para não fazê-lo.

— Guerra, como sairemos daqui? – O soldado armado perguntou quando a mulher no fim do corredor, que acabara de abrir a porta, gritou ao se deparar com o Team Plasma.

Jaden agarrou meu braço novamente e me puxou em direção à janela no fim do corredor. As pessoas estavam começando a se aglomerar no corredor e o burburinho a se exaltar. Parecia que uma batalha furiosa estava acontecendo nos andares superiores, se ainda havia som, ainda havia gente lutando e uma esperança.

— Gothitelle, Psychic. Tire-nos desse lugar – Jaden comando e a Pokémon reagiu depressa. Seus olhos começaram a brilhar e todos fomos envoltos pela aura. Nossos corpos começaram a levitar junto com o do Pokémon e fomos levados janela a fora.

Uma brisa forte veio em nossa direção fazendo meu corpo molhado tremer. Olhei para baixo a tempo somente de sentir o medo da queda. Quando uma sombra enorme desceu rasgando o céu. As garras afiadas de Mandibuzz, o Pokémon voador de Skyla, cravaram nos ombros do segundo membro da Team Plasma conosco, desaparecendo com ele na escuridão do céu noturno.

O tempo estava nublado e sequer uma estrela podia ser vista. Apenas as luzes da cidade abaixo de nós nos iluminavam aquela noite. – Você só pode estar de brincadeira comigo, – Jaden parecia revoltado. – No chão, agora Gothitelle.

Descemos rápido, quase como se estivéssemos em queda livre, mas antes que pudéssemos chegar ao chão uma janela explodiu acima de nós enviando uma onda cacos de vidro e madeira. Pokémon estavam batalhando lá em cima e a julgar pela rajada de vento, Skyla parecia ter conseguido se resolver.

Tentei me proteger com os braços, mas a barreira luminosa voltou a aparecer sobre nós, impedindo que fossemos acertos. Gothitelle estava gemendo pelo esforço, mas conseguiu nós deixar em segurança no chão.

Mais cinco Team Plasma surgiram acompanhados de Gorluk, Beartic, Krokodile e dois Bisharp. Eles guareciam a entrada do hotel juntos a um furgão. – Mestre Guerra – a única mulher do grupo, chamou com uma expressão preocupada, – o senhor está bem?

— Hyper Beam – uma voz se fez ouvir em meio à confusão. O raio luminoso veio na direção dos Pokémon dos Team Plasma, varrendo o chão violentamente. Uma explosão se seguiu ao ataque, criando uma parede de chamas e fumaça a nossa frente.

Cheren estava vindo correndo acompanhado de Dee , Cilan e Desmond, misturados às pessoas que começavam a sair do hotel, apavoradas com a possibilidade de fogo. Eles estavam molhados, mas tirando uma pequena mancha de sangue na camisa social de Cheren, pareciam bem.

— Revide com o mesmo Gorluk – o mais baixo dos Team Plasma comandou. O gigante de pedra se pós a frente dos demais e uniu as mãos, enviando um Hyper Beam na direção dos quatro.

Senti o impulso de gritar, mas antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, Jaden me puxou força, – não há mais nada pra ver aqui. Vamos!

Prendi meus pés no chão e me virei a tempo de ver que em meio à explosão eles estavam bem. Salvos pelo Protect do Pokémon de Cheren. E agora os outros três libertavam seus Pokémon também. Liepard de Desmond, Crustle de Cilan e Peach, o último Pokémon que sobrara a Dee.

Um barulho veio do alto e enormes rochas começaram a despencar do vazio na nossa frente. Era o ataque do Pokémon de Cilan que eu não conhecia o nome. – Vou ter que acabar com seus amigos antes de ir embora pelo visto, eles escolheram terminar dessa forma – Jaden disse com revolta. – Gothitelle.

Bastou chamar a Pokémon que novamente eu estava presa, envolta pela aura luminosa. Tentei me mexer, lutando com todas as forças para mover qualquer parte do corpo, mas sequer gritar eu consegui. O aperto era forte dessa vez, fazendo meus músculos doerem com a pressão.

O frio cortante fazia meu corpo vibrar com a impossibilidade de nem mesmo me mover o suficiente para poder temer.

Jaden olhou para mim sorrindo e comentou, libertando outro Pokémon – assista. Você vai entender porque me chamam de Guerra. – Metagross surgiu soltando um rugido metálico. Seus pés bateram pesadamente no chão, criando rachaduras no asfalto sob eles.

Enquanto Crustle arremessava pedras em Krokodile, Peach tentava desviar dos ataques contínuos dos dois Pokémon metálicos, saltando de um lado para outro, com tamanha destreza que eu não sabia se ela estava realmente obedecendo Dee ou apenas tentando salvar a própria pele com os antigos ensinamentos de Cassie.

As pessoas estavam apavoradas saindo do hotel, gritando desesperadas ao encontrar a destruição crescente do lado de fora. Carros estavam dando marcha ré de acordo com que iam surgindo de ambos os lados da rua. A vizinhança surgia cada vez mais nas janelas.

Stoutland e Gorluk davam golpes poderosos, praticamente sem parar. Enviando ataques de energia e se chocando um contra o outro no mesmo nível poder. Enquanto Beartic esperava seu momento de entrar na luta.

O corpo de Metagross começou a brilhar e de repente ondas de energia quase transparente foram em direção aos Pokémon. A princípio nada aconteceu, mas em seguida os olhos de Peach se viraram e a Pokémon saiu do controle. Colocou suas presas para fora e com um guinchado pavoroso se jogou contra o Beartic, que foi tomado pela mesma fúria.

Os Pokémon pareciam criaturas selvagens tomados por um instinto demoníaco. Todos, um a um, começaram a uivar, grunhir e gritar. Ataques começaram a ser disparados sem qualquer alvo determinado, se chocando contra prédios próximos, destruindo vitrines, carros e até mesmo acertando pessoas. A confusão se transformou em caos. Ou o que mais parecia com as cenas de guerra dos filmes de ação. Aquele garoto loiro a minha frente não era mais meu irmão, ele era Guerra.

— Confusão, – ele voltou aos seus extensos monólogos. – A guerra começa na mente de cada um deles. Somada a adrenalina da batalha o ataque Confusão com essa potencia tira os Pokémon completamente do controle, e os faz acreditar que estão sendo atacados por todos e por todos os lados. Amigos virão inimigos... – Stoutland estava indo na direção de Cheren com as presas em chamas. Os Bisharp dos Team Plasma se voltaram um contra o outro – e qualquer um pode ser o novo alvo.

O ataque de Stoutland fora impedido por Crustle que saltara sobre o Pokémon e agora os dois se atracavam furiosamente no chão, com mordidas, arranhões e patadas. Sangue começava a jorrar dos pelos e da carapaça. Cheren tentou trazer seu Pokémon de volta, mas não conseguiu, enquanto os Team Plasma tentavam fazer o mesmo. A situação estava totalmente fora de controle.

De repente um vulto saltou sobre Gothitelle a derrubando no chão. Liepard estava usando Shadow Claw e Desmond vinha correndo na minha direção. Meu corpo caiu no chão com violência, fazendo meu braço machucado se chocar contra o chão gelado e enviar uma onda de dor pelo meu corpo.

Jaden se virou para o garoto depressa e comandou Metagross, – Meteor Mash.

Os braços do Pokémon foram envoltos por uma luz avermelhada e ele disparou como um torpedo na direção de Desmond. O garoto saltou para o lado como um felino e rolou pelo chão, mas logo o Pokémon estava em cima dele de novo, tentando acerta-lo a todo custo com socos.

Se um sequer pegasse, sem duvida, Desmond teria ossos quebrados. Me forcei a levantar e sai correndo, me jogando contra Jaden. Nós dois fomos ao chão ralando nossos corpos no asfalto. Aproveitei o único momento de brecha que tinha conseguido ganhar e o soquei. Soquei com tanta força que as junções dos meus dedos doeram.

Soquei de novo, acertando sua bochecha e ele arfou. Serrei os punhos com mais força e bati de novo e de novo. Bati com toda a força que podia, descontando toda a minha raiva e frustração, todo o meu ódio e decepção. Bati porque ele era um monstro e aquilo tinha consumido o que um dia foi o irmão que eu conheci. Bati porque ele estava machucando meus amigos e isso tinha que parar.

Mas não durou. Levei um soco no queixo que me fez ir para trás, me deixando desorientada. Ele estava rindo, Jaden estava rindo enquanto se sentava e me olhava.

Liepard a nossa esquerda soltou um gemido de dor, enquanto Desmond fazia o que podia pra se desviar. Novos Pokémon tinham sido libertos pela Team Plasma e agora apenas Cilan e Cheren batalhavam lado a lado usando também outros Pokémon. Era uma luta desleal, cinco contra dois, mas infelizmente para a Team Plasma eles não eram pessoas normais. E sim lideres de ginásio.

O hotel agora realmente estava em chamas e ainda se podia ver, ao longe, as janelas se acendendo de acordo com que os ataques eram lançados. Roxie e Skyla ainda batalhavam pela própria vida.

— Está gostando, Haila? – Jaden perguntou sorrindo. Agora havia um corte na sua sobrancelha que começava a sangrar. – Está gostando do meu presente?

— Você é insano – disse quase sem voz. Meu corpo todo tremia e doía. Parecia que tinha sigo eu a apanhar tanto. Havia gosto de sangue na minha boca e ainda mais escorria da minha bochecha.

Desmond gritou chamando nossa atenção. Ele ainda estava no chão agora gemendo perturbadoramente com a mão sobre a perna que fazia um ângulo estranho abaixo da coxa, com o Pokémon de metal ainda sobre ele. Gothitelle caiu e Liepard saiu correndo na direção de Metagross, se chocando contra o Pokémon com as patas brilhando pelo Shadow Claw.

Tentei me levantar e correr na direção do garoto para ajuda-lo, mas Jaden saltou sobre mim. Acertando meu braço machucado com um soco. Perdi as forças e caiu novamente, batendo a cabeça no chão.

A dor levou lagrimas aos meus olhos e quase cedi à tentação de parar. Eu só queria que aquilo tudo acabasse. Mas a realidade me puxou de volta, ou no caso Jaden me puxou pela perna. Ele tinha se erguido novamente e agora me arrastava como um saco velho pelo asfalto.

Me virei como pude e chutei sua mão. Explosões e gritos de dor e pavor esquentavam a noite gelada. O garoto gritou e me soltou por tempo suficiente para que eu pudesse sair correndo em direção a Des e me deparar com Metagross segurando Liepard pela cabeça. Seu corpo inerte balançava como um pêndulo.

— Por Arceus – Arfei sem parar de correr, mas era tarde. O Pokémon bateu com a cabeça de Liepard no chão, usando o peso do próprio corpo de metal como ferramenta de impulso. Um ultimo ganido foi emitido pela Pokémon antes que seu crânio fosse rachado contra o asfalto e eu seu treinado urrasse de sofrimento.

Me joguei pra cima de Metagross com meu próprio corpo e foi como me jogar contra uma parede de tijolos. O Pokémon mal sentiu o impacto, enquanto eu ricocheteei de volta com força, caindo de costas no chão.

Minha visão ficou escura, mas ainda sim consegui ver Desmond conter o grito de dor, tentando se levantar com a perna quebrada, de punhos fechado e em direção a Metagross. – Deixe-a em paz – gritou meio rouco pelas lagrimas.

Metagross girou o corpo e esbofeteou o tórax de Desmond, o arremessando cerca de dois metros pras trás. Ele levou a mão ao peito e tentou buscar ar, respirando alto o suficiente pra que seu som pudesse ser ouvido em meio a caos.

A janela do terceiro andar se partiu e Mandibuzz saiu voando com Roxie apagada, segura pelas suas garras, enquanto o cabelo de Skyla era tudo o que podia ser visto pelo lado de fora. Aquele só podia ser o inferno.

Me forcei para levantar, meu corpo doía em vários lugares. Tive o impulso de levar a mão ao bolso, mas não havia mais Pokémon, não havia mais ajuda. Só tinha a mim mesma agora e eu não servia de nada

Dee tinha ido ajudar as pessoas a saírem do prédio, atrás de Cilan e Cheren que batalhavam contra dois Ryhorn, Duramaka, Palptoad e Sawk, impedindo que elas fossem em direção à batalha e se machucassem. Mas Snorlax e Ferrothorn estavam vacilando. Aquela batalha parecia que seria perdida.

— Haila – Desmond chamou e eu corri até ele, ignorando completamente Jaden que andava em minha direção. Eu não consegui olhar para o seu rosto, não tive coragem de encara-lo. Ele tinha matado Liepard. Tinha dado a ordem e Liepard estava morta.

O garoto estava se sentando, se forçando a levantar. Seu rosto deixava clara sua dor. Havia sangue no seu lábio e um grande pedaço de pele ralada em seu braço. Era possível ouvir as sirenes da policia e do corpo de bombeiros ao longe, os gritos, os burburinhos e os sons de batalha.

— Acabou Haila, – Jaden gritou, abrindo os braços. – Vocês perderam.

— Deixa-a em paz – Desmond disse o mais alto que conseguiu. – se você a tocar eu te mato, – ordenou, se contorcendo para ficar em pé. O alcancei segurando sua cintura e ele se apoiou a mim. Seu corpo estava gelado e tremia. Sua respiração continuava alta e parecia difícil. Era possível que o tapa que levara no tórax tivesse quebrado alguma costela.

A expressão de Jaden se endureceu ainda mais, – Metagross, pegue a minha irmã.

Os olhos do Pokémon brilharam e meu corpo travou. Fui puxada com violência para o alto perto de Jaden, fazendo Desmond cair no chão dolorosamente. Ele gemeu, mas voltou a tentar se erguer logo em seguida. Ele não ia desistir.

Eu queria gritar para que ele parasse, para que desistisse e deixasse Jaden achar que ganhou. Meu coração estava acelerado e o aperto do Psychic aumentava ainda mais a dor que eu estava sentindo por toda a parte.

O frio era tanto que eu estava perdendo a sensibilidade dos dedos, que começavam a ficar dormentes.

— Por que você não desiste? Você não tem chance contra mim – Jaden quis saber. Caminhou depressa até o garoto, com passadas largar e nervosas. Chutou a cabeça do garoto, que caiu para o lado gemendo de dor sem hesitar, – por quê?

Tentei desesperadamente me soltar. Eu precisava parar aquilo. Eu precisava impedir Jaden. As lagrimas simplesmente vieram por causa da impotência. Nem mesmo implorar eu podia. Eu tinha me tornado tão inútil que nem mesmo implorar pela vida dos meus amigos eu podia. Ódio já não era mais a palavra certa, eu estava explodindo por dentro. Aquilo era medo, injuria.

Jaden chutou Des de novo e o garoto se contorceu envolvendo o peito, onde Jaden tinha chutado, com os braços. Ouvi o grito de Cheren e Cilan que viam à cena, também impotentes, de longe, mas não havia muito que ser feito.

Então Jaden gargalhou. Desmond estava olhando pra mim, tentando de novo se levantar. Seu rosto estava vermelho, seus olhos molhados, mas ele não conseguia mais dizer uma só palavra. – Você está apaixonado por ela, não está? – Jaden perguntou sem esperar resposta, empurrando o garoto com o pé, o fazendo deitar no chão novamente.

Um primeiro floco de neve caiu.

— É isso, não é mesmo? Um idiota caiu nos encantos da loira raivosa de olhos verdes – Jaden parecia completamente satisfeito por ter desvendado o mistério. – Você nunca vai tê-la, – afirmou se agachando ao lado de Desmond acompanhado por outro floco de neve.

O garoto no chão fez uma careta de dor e cuspiu. Sangue e saliva acertaram o rosto de Jaden, escorrendo pela sua face até seu queixo. – Nem você – Des respondeu com tanta dificuldade quase não pôde ser ouvido.

Eu estava lutando, mas não era forte o suficiente. Eu precisava me libertar, precisava parar aquilo. Meu coração estava saindo pela boca. Eu tinha que evitar.

Jaden limpou o rosto com um das mãos, nojo estava claro em seu olhar, – pelo menos, – gritou puxando a cabeça de Desmond para trás, segurando seu cabelo. – Eu vou estar vivo para ser negado. – Soltou, batendo com força a cabeça do garoto no chão. – Metagross.

Os olhos do Pokémon se acenderam como faróis na escuridão e o corpo de Desmond foi jogado para o alto como se fosse feito de pano, girando violentamente. Tive vontade de virar a cara, de fechar os olhos, mas não pude. Ainda estava presa ao Psychic.

O grito morreu na minha garganta quando o corpo de Desmond bateu no chão fazendo um baque surdo. Depois sendo arrastado e arremessado novamente contra a parede do prédio ao lado. Para o alto e depois para baixo. O Pokémon queria sangue e eu queria chorar, queria gritar. Queria bater em Jaden sem parar.

O corpo de Desmond era arremessado de um lado para outro, emitindo sons pavorosos de estalos e pancadas. A cena foi se repetindo até que Cheren lançou um Hyper Beam que desviou do Pokémon com que batalhava e acertou Metagross diretamente. Cilan e Dee olhavam completamente apavorados a situação. Sem voz, sem reação.

Eu cai de costas no chão e não consegui mais controlar. Comecei a chorar cheia de desespero e em voz alta. – Desmond, – gritei tão alto que a minha garganta chegou a arder.

Abracei a mim mesma e trinquei os dentes, chorando sem voz, chorando sem forças, chorando tão intensamente que eu queria que o mundo inteiro explodisse em chamas. E neve estava caindo.

— Desmond – gritei de novo, revendo a cenas em meus pensamentos, sentindo cada parte do meu ser se despedaçar. Meu peito subia e descia depressa, a mão que ainda prendia meu coração não queria deixa-lo bater. Minhas unhas se cravaram na carne, mas aquela dor nem se comparava a que eu estava sentindo por dentro. – Desmond – chamei até não ter mais ar.

Chorei alto até conseguir me erguer, levantar minha cabeça e ver o corpo do garoto jogado no chão a metros de distância de mim. Caido no chão, com braços e pernas virados em posições impossíveis. – Desmond.

Senti as mãos de Jaden me puxando, vindo pra cima de mim. – Acabou, vamos sair daqui – ele tentou me fazer levantar.

Comecei a chutar e socar como os Pokémon descontrolados de mais cedo, acertando Jaden onde podia. Me ergui quase por instinto e me joguei pra cima dele, estapeando, socando chutando, mordendo até ser erguida novamente pelo Psychic, mas desta vez sem ser travado, – eu te odeio. Te ódio.

— Você vai ter que lidar com isso, – foi a ultima coisa que disse antes de me acertar com uma braçada no rosto. A escuridão veio em seguida, enquanto o mundo se apagava a minha volta, frio e sangrento.

=8=

“– Fuja enquanto você ainda pode. Fuja enquanto ainda está inteira e leve todos os seus amiguinhos idiotas com você. Pode não haver mais tempo pra isso depois – Dan disse com a dor estampada em cada silaba, mas naquele quarto de hospital nenhuma lagrima foi derramada.”

Naquele hospital. Eu tinha acabado de acordar, mas ainda estava tudo escuro, eu não tinha tido coragem de abrir os olhos. Lagrimas escorriam descontroladamente pela minha bochecha até pingar no meu queixo.

Abri os olhos devagar, a luz os feriu assim que terminei de fazê-lo. Estava amarrada a uma cadeira. Peito, braços e pernas presos por fita. O ambiente foi se tornando mais nítido a cada segundo, mais claro, branco e quente.

Assim como as dores no ferimento da bala, nas costas, na cabeça, bochecha e braços. E eu não conseguia parar de chorar.

— Que bom que acordou, – a voz de Guerra me veio como uma faca. O timbre divertido era como ouvir um quadro sendo riscado. – Temos muito que fazer juntos, – ele tinha tomado banho, trocado de roupa e sua expressão parecia limpa e calma.

Estávamos uma sala praticamente vazia, apenas decorada por uma mesa de metal e duas cadeiras. Uma a qual eu estava presa e a outra a que Guerra sentava. Eu não voltaria a dizer seu nome enquanto não o fizesse pagar. Meu irmão tinha morrido pra mim.

— Onde estamos? – Perguntei e só então notei o quão fraca estava. Quase não tinha voz, minha boca estava seca.

Havia um barulho constante, quase como um zumbido que eu não conseguia reconhecer ao fundo, – na sua nova casa. A base dos cavaleiros da Team Plasma.

Notas finais
Lila, Des, Haila, Dee? Eu gostei de escrever, espero que tenham gostado de ler. Comentem, me xinguem, elogiem... era hora vai.