Notas iniciais
Esqueci de postar, gomen!!!! Achei que fosse semana do Julio, sei lá o que achei. Bom, sem muito papo. Exceto que nenhum Pokémon aparece nesse capítulo. Já aviso antes que alguém estranhe. Boa leitura!

– Se a Elesa souber disso, vou culpar vocês – Alanna cruzou os braços e fechou a cara, por mais que estivesse tão curiosa quanto nós. Ela nos fez seguir silenciosamente por um corredor que estava quase todo destruído. Podia-se ver o encanamento exposto e parte da fiação queimada.

Quando chegamos ao ginásio, um pouco antes, mal conseguimos passar da barreira de seguranças que interditava a entrada e que comprovava que a reunião era realmente séria, como Haila tentara me convencer. Havia também uma dezena de jornalistas com microfones e câmeras, mas não havia cidadãos comuns.

Quase uma semana havia se passado e as pessoas tentavam retornar suas vidas e suas obrigações, ou quase. Haila parecia desesperada para saber o que acontecia ali dentro e por mais que eu estivesse curioso, tinha certeza que havia um bom motivo para não estarmos presentes.

– Skyla não quis me contar nada. Mas tenho certeza que é sobre a Team Plasma. Ela deve ter descoberto a localização ou algo assim – havia um fogo estranho queimando em seus olhos.

– Ela deve nos contar tudo depois, certo?

– E se não contar? E se ela for atrás da Team Plasma sozinha e não me levar com ela? – Era raiva misturada com desespero e algo mais que eu não saberia descrever.

– E você acha que é uma boa ideia ir atrás deles?

– E deixar a morte do Simi impune? – Lágrimas pareciam se formar nos olhos claros, mas ela balançou a cabeça e pude ver o fogo novamente através de seus orbes.

A morte de Simi tinha sido triste e havia abalado muito Haila. Eu também estava triste, mas não tinha muita certeza sobre essa história de justiça com as próprias mãos. Primeiro porque a Team Plasma era perigosa e segundo, Simi havia morrido por causa da queda da roda gigante. Era uma fatalidade, mais do que qualquer coisa. E me parecia que Haila buscava desesperadamente um culpado para não responsabilizar a si mesma. Não era culpa de ninguém, tinha sido um acidente afinal, mas ela não via as coisas dessa forma.

Ficamos ali, rodando de um lado pro outro, enquanto Haila procurava uma falha no cordão de isolamento. Até que ela avistou Alanna, aprendiz de Elesa, saindo do ginásio.

– Alanna! – Haila gritou tão alto que até os jornalistas fizeram silêncio para ver o que estava acontecendo.

A garota se aproximou, passando pelo cordão da segurança e lançou um olhar enjoado para Haila.

– São só vocês – mas não havia realmente desdém na voz.

Apesar de toda animosidade entre elas, Haila e Alanna tinham se tornado amigas. Amigas talvez não fosse a palavra certa, mas elas se suportavam.

Nos dias após o ataque, Haila gastou muito mais do tempo dela com Skyla do que comigo e consequentemente acabou passando um tempo com Elesa e sua assistente. Ela vivia reclamando da morena enjoada metida a modelo, mas não havia tanto rancor como quando ela se referia a Kara.

Talvez o ódio pela Team Plasma fosse tanto que ela não tinha disposição para odiar mais ninguém. E vendo agora a reação de Alanna ao nos ver, realmente a relação delas não estava tão ruim assim.

– O que está acontecendo lá dentro? – Haila foi direta.

– Nada que você precise saber – respondeu atravessado.

– E pelo jeito você também não, já que está aqui fora como nós, pobres mortais.

– Para sua informação eu sei muito bem o que está acontecendo lá dentro – Alanna inflou as bochechas, irritada.

– Mesmo? O quê? – Alanna abriu a boca várias vezes, mas não conseguiu responder nada. Haila um, Alanna zero. – Aposto que você quer saber tanto quanto a gente.

– Mestra Elesa me disse para ficar de fora – e o descontentamento na voz era tanto que chegava a ser palpável.

– E você vai obedecer como boa menina que é.

– Agora não é hora para essas coisas – A modelo protestou. – Se nós não podemos saber é porque não devemos saber.

– Mas isso é sobre todos nós – e pude perceber uma nota desespero na voz de Haila. – Todos fomos atacados, feridos, perdemos parceiros. Se for sobre a Team Plasma é nosso direito saber.

Alanna torceu o lábio e com um muxoxo concordou. Ela não tinha perdido nenhum Pokémon, mas Louis, o Flaaffy da garota, tinha ficado bastante machucado. Aparentemente, eu era o único que havia saído inteiro daquela situação e isso parecia tão estranho. Provavelmente Haila me provocaria até o final da vida em como eu fui a donzela encantada que saiu imune se o estado de espirito dela fosse outro.

A garota virou as costas e saiu andando pesado, passou pelo cordão de isolamento e fez sinal para que a seguíssemos. Quando passamos pelos seguranças, eles fizeram menção de nos parar, mas Alanna disse que estávamos com ela e a contragosto nos deram passagem.

Circundamos o prédio até chegar a uma área cheia de escombros. Desviamos dos amontoados de concreto e adentramos em um pequeno corredor que levava a parte interna do ginásio. No final do corredor, à direita, havia longos tapumes de madeira que serviam para bloquear a entrada, substituindo uma parede destruída. Toda a ala adjacente estava interditada, mas do lado esquerdo havia um tapume menor, funcionando como parede interna e que dava acesso direto à sala principal do ginásio, onde Haila e Elesa haviam batalhando anteriormente.

E era exatamente nesse local, com uma mesa e cadeiras improvisadas que estava acontecendo uma importante reunião. Reunião essa que nós três (Alanna, Haila e eu) não deveríamos ter acesso, mas que a loira fez questão de me arrastar até lá.

Eu não tinha certeza de como ela soubera da tal reunião, mas o evento reunira líderes de ginásio, rangers, polícia e governo para discutir os últimos acontecimentos. Talvez ela soubesse por causa da Skyla, as duas andavam muito próximas, mas quando questionei, ela disse simplesmente que sabia e pronto.

Quando chegamos, a reunião já estava avançada e inflamada. Muitas pessoas falavam ao mesmo tempo, discutindo umas com as outras. Espiando pela fresta do tapume, pude ver alguns rostos conhecidos: Elesa estava ali em pé e gesticulava muito, estava ladeada por Skyla e Roxie. Num canto mais afastado pude ver Cheren que anotava coisas em um caderninho e Burgh, ao seu lado, com aquele jeito purpurinado de sempre, tentava estabelecer uma conversa.

Mas havia muitas pessoas estranhas que não fazia ideia de quem eram e que estavam com os ânimos bastante exaltados. Havia um garoto de uniforme preto e laranja e grandes óculos. Tinha uma cara séria e inteligente. De acordo com Haila, era um ranger, mas eu não sabia o que era um, então de nada adiantou a explicação. Ao seu lado havia um homem mais velho com um enorme sobretudo e que constantemente coçava o queixo que nenhum de nós sabia quem era, mas como Alanna observou, deveria ser um policial. Eles permaneciam em silêncio, mas os semblantes pareciam bastante analíticos.

Na fileira ao lado, estava uma mulher negra com cara de mãe. Ela tinha uma voz forte que se sobrepunha a maioria e era ela a pessoa com quem Elesa parecia discutir. Ao lado da mulher, havia um homem de cabelos vermelhos e aparência desleixada, ele estava em silêncio. Haila me explicou que eram Lenora, a ex-líder de ginásio que havia lhe dado o livro da Folha e Alder, antigo campeão da Elite Four. Alder era o dono e professor da escola onde Cassie estudava e era tudo o que sabia sobre ele. Sempre o imaginara um cara imponente, mas ele podia facilmente passar por um mendigo com aquelas roupas.

Sentado ao lado do homem de sobretudo estava um homem com uma pomposa barba branca e suspensórios de fazer inveja a Roxie. Drayden, líder de ginásio de Opelucid City, que cofiava os bigodes a cada segundo.

Na mesa principal havia um homem gordo, com vários assessores. Ele não parecia muito seguro da posição e parecia intimidado de estar diante de todas aquelas pessoas. De acordo com Alanna, aquele era o vice-prefeito de Nimbasa, já que o prefeito interino tinha morrido durante o ataque. No meio de todo aquele caos, ele parecia querer pegar suas coisas e fugir, mas seus assessores tentavam mantê-lo ali, para manter a dignidade do posto.

– Você está me dizendo que tudo isso foi por nada? – Elesa rugiu.

– Podemos dizer que foi um teste, tentativa e erro. – Um rapaz não muito mais velho do que eu, vestido inteiramente de preto, destacou. Eu não o tinha percebido até aquele momento.

– Grimsley, pessoas morreram aqui, Pokémon morreram, isso não é um jogo – Elesa parecia ainda mais furiosa.

– Elesa tem razão – o vice-prefeito se fez ouvir. – Uma cidade não pode ter sido dizimada só por causa de um livro.

– Não é apenas um livro – e apesar da voz forte que possuía, o tom de Lenora era gentil. – É sobre os lendários Swords of Justice.

– Uma historinha que meus pais me contavam quando criança – o vice-prefeito debochou. Minha mãe me contava histórias sobre eles, eram um trio de cavaleiros Pokémon que ajudavam pessoas boas. Eu não me lembrava de quase nada das histórias exceto que um deles era verde, o outro azul e um era cinza, talvez marrom. Realmente, eu não me lembrava direito.

– Não é apenas uma história – respondeu com um muxoxo.

– Me desculpe, mas eu sou obrigado a concordar com o prefeito. – O homem de sobretudo tomou a palavra. – Meus pais também me contavam histórias sobre o Swords of Justice. Para que roubar um livro de uma história que todo mundo sabe?

– Quando você vai ao cinema e gosta muito de um filme, você vai querer conta-lo aos seus amigos, certo detetive Looker? – E o homem acenou positivamente com a cabeça. – Mas você não reproduzirá todas as falas do filme, nem contará todos os detalhes do cenário. Fará apenas um resumo da história e é exatamente o que temos aqui.

“Quem roubou o livro não estava interessado na história que os seus ou os meus pais contaram. Está interessado na fonte. Na raiz de todos os fatos. E se ela precisa tanto dessa informação é porque a usará em algo.”

Looker coçou o queixo e concordou novamente com um aceno, mas não disse nada.

– Então, que informação tão importante existe nesse livro? – A voz estridente de Burgh ecoou pelo local. Por um segundo me lembrei de Clarice e me perguntei se Burgh já tinha conhecimento do acontecera a sua aprendiza. Mas agora não era momento para pensar nela.

– As localizações dos lendários, provavelmente. – Lenora tinha um ar muito inteligente e agora entendia porque Haila tinha certa admiração pela mulher.

– Está me dizendo que há um lendário em Nimbasa? – A voz de Elesa pareceu presa na garganta.

– Provavelmente não, ou nossa situação seria muito pior, minha princesa. – Novamente o rapaz todo de preto, Grimsley, que não fazia ideia de quem era. Apesar das palavras soarem como deboche, ele mantinha um semblante sério e altivo.

– Mas a Team Plasma acreditou que havia um lendário aqui e por isso atacou a cidade – Lenora confabulou. A verdade que não tinha como ter certeza de nada.

– Precisamos fazer algo a respeito – o vice-prefeito começou. – Não podemos deixar nossa cidade insegura.

– Se eles estão realmente atrás dos lendários e não encontraram nada aqui, certamente vão para outro lugar. – Grimsley sorriu lacônico.

–Quer dizer que toda Unova está em perigo? – Havia um tom alarmista na voz de Burgh que fez todos se calarem.

– É bem possível – a mulher respondeu.

– Estamos assumindo com essa conversa que quem roubou o livro está mancomunado com a Team Plasma. – Skyla se pôs de pé.

– Não temos como saber. – Looker tomou a palavra. – Temos uma lista de suspeitos e estamos cruzando informações. Mas considerando que desde que o livro foi roubado, vários ex-membros da Team Plasma fugiram da prisão, tivemos ataques e mortes misteriosas, somado aos ataques a Nimbasa, tudo deve estar conectado.

– Mas isso ainda não explica porque atacaram Nimbasa – a ruiva protestou.

– Interpretação errada, eu presumo. – E Cheren saiu de seu local isolado e parou ao lado de Lenora. Skyla o encarou interrogativamente, então o líder prosseguiu. – Quando eu era treinador, viajei por Unova e ouvi várias versões diferentes da história dos Swords of Justice. Cada versão sofria influências locais e aspectos regionais. Assim cada pessoa dá sua própria interpretação da história.

– Mas estamos falando de localidade, não? – Burgh parecia confuso com a explicação do mais jovem dos lideres.

– O livro não é um mapa – Lenora explicou – Toda a história está escrita através de poemas, cheios de metáforas, metalinguagens e recursos líricos. Inclusive os locais para onde fugiram. Um local descrito como um pico de luz forte que fazia a noite parecer dia pode ser interpretado de diversas formas.

– Luzes que fazem a noite virar dia. Como as lâmpadas e luminosos de Nimbasa – havia uma estranha e melancólica realização nos olhos de Elesa.

– Fugiram? – Skyla se perguntou e percebeu os olhares que recebera. – Minha mãe sempre dizia que isso não passava de historinha de contos de fadas. Uma garota de verdade deveria crescer sabendo a dureza da realidade – e deu de ombros como se isso fosse comum a qualquer criança.

– Existem várias versões. Em uma delas, os lendários fugiram para as nuvens para observar os humanos sem interferência. – Cheren explicou. – Mas você tinha o livro, Lenora. Qual é a versão correta?

– Isso não importa. – Alder interrompeu. Ele tinha uma voz forte, mas meio esganiçada. – Precisamos parar a Team Plasma.

– Não vamos conseguir detê-los se não sabemos o que querem – Cheren torceu o rosto em uma careta.

– Eles querem o que quiseram das outras vezes. Não precisamos discutir isso. – A voz saiu como um rugido. – Apenas precisamos pará-los.

– E o que podemos fazer? – O garoto de preto e laranja falou pela primeira vez.

– Devemos nos preparar, pois certamente entraremos em combate – Alder tomou à dianteira. – Então é provável que eles ataquem a Victory Road, como fizeram da outra vez...

– Você não é mais o líder. – Cheren cortou.

– Eu já enfrentei uma vez, sei como eles agem.

– A maioria de nós esteve lá se é só isso que vai usar de argumento. – O garoto de Numeva rebateu.

– E quem deveria assumir? – Era possível ver que apesar da voz forte, Alder ainda se mantinha calmo.

– Iris é nova campeã.

– Mas ela nem está aqui.

– Minha filha achou melhor manter sua posição caso a Team Plasma agisse novamente – o homem do bigode pomposo falou. A voz era grave e baixa, mas fez com que Cheren e Alder se calassem na hora.

– Discutir dessa forma não vai resolver nosso problema – Lenora retomou a palavra. – Precisamos estudar os poemas e descobrir quais são os locais dos lendários. Precisamos protegê-los. Achar um jeito de mantê-los seguros até que a Team Plasma seja presa.

– Mas como vamos fazer isso? A senhora não disse que possuía apenas uma cópia do livro? – O ranger questionou.

– Sim, mas eu me lembro de cada detalhe – e sorriu de um jeito delicado e caloroso.

– Isso é possível? – Burgh parecia mesmo espantado. – E um livro e de poesia, certo? Não que eu duvide das suas habilidades minha querida Lenora, mas...

– Eu o li diversas vezes. Sei todos os poemas decor.

– Me desculpe, mas não acho que seja um método muito confiável. – Drayden se manifestou. Tentou parecer o mais polido possível.

– Infelizmente é tudo o que temos. E é nossa melhor aposta. – Looker ponderou.

– O livro pode ajudar, mas não podemos depender só disso. Enquanto estivermos tentando decifrar os textos, eles estarão agindo. – Alder protestou. Ele não parecia ser exatamente paciente.

– Eles também precisarão interpretar os textos – Cheren observou.

– Eles podem fazer tentativa e erro, como Grimsley disse. Mas nós não podemos brincar com as coisas que estão em jogo.

– E se não estudarmos os textos será exatamente isso que irá acontecer. Precisamos saber onde eles vão atacar.

–Eu não disse que os textos de Lenora não são importantes, moleque. Mas precisamos estar prontos para o pior. – Alder parecia autoritário e responsável e agora entendia porque Cassie tinha tamanha admiração por ele.

Cheren fechou a cara, provavelmente não tinha gostado nada de ser chamado de moleque. Era engraçado porque de certa forma ele era uma das pessoas mais preparadas e inteligentes que eu conhecia, mas ali, no meio de outros líderes, ele parecia apenas um moleque.

– Se conseguirmos interpretar os textos e protegermos os lendários não será necessário nos preparamos para o pior.

– Você é muito ingênuo. – Havia um sorriso vitorioso no rosto de Alder, como se tivesse conseguido calar o garoto.

– Quem você está chamando de ingênuo – e desta vez, Cheren estava realmente muito bravo.

– Você não mudou nada. – Havia algo no tom de voz de Alder que fez Cheren ficar furioso por completo.

Segundos depois daquilo, eles estavam batendo boca, reclamando e tudo tinha virado uma bagunça infernal. Burgh tentava segurar o líder de Aspertia que parecia pronto para pular no pescoço do ex- campeão da Elite Four.

Nessa confusão toda, Roxie se levantou. Cochichou algo com Skyla e contornou as fileiras de cadeiras, se afastando da briga. Caminhou lentamente e parou diante do tapume onde nos escondíamos. Virou de costas e apoiou um dos pés na frágil estrutura.

– Vocês vão estar muito encrencados se souberem que estão aqui. – Falou baixo, mas o suficiente para ouvirmos.

Senti o sangue gelar e encarei Haila, mas ela mantinha uma aura confiante e aquele fogo no olhar ainda estava lá. Alanna parecia tão amedrontada quanto eu.

– Então, a Team Plasma está com o livro? – Haila perguntou.

– Provavelmente – como Roxie estava no oposto da mesma parede não conseguia vê-la. – Lenora tem seus próprios suspeitos, mas não é bom sair acusando qualquer um sem provas.

– Esses lendários são reais? – Perguntei sem jeito. – Porque são lendários e lendas são apenas, você sabe, histórias.

– Terrakion, Cobalion, Virizion e Keldeo. – Roxie enumerou. – Eles são reais.

– Mas o que a Team Plasma ganha matando eles? – Alanna perguntou.

– Eu não acredito que eles desejem a morte desses Pokémon. – A voz musical soou do outro lado do tapume.

– Captura – a voz de Haila saiu profunda, como se a resposta fosse óbvia.

– Mas são lendários, humanos não podem capturá-los – Argumentei, e nem fazia sentido algum isso.

– Reshiram e Zekrom. Talvez vocês sejam muito jovens para se lembrar do primeiro ataque da Team Plasma, mas eles nos atacaram com dragões lendários. E eu era criança também e nunca imaginei que algo como aquilo pudesse acontecer.

– O que aconteceu com esses dragões? – Eu nunca tinha ouvido falar daquela história antes, mas Alanna e Haila não pareciam tão ignorantes quanto eu.

– É uma longa história. Posso te contar no hotel se estiver mesmo interessado.

– Mas ainda assim não faz sentido. Quer dizer, o Swords of Justice protegem os humanos, certo? A Team Plasma nunca conseguiria ter controle sobre eles. – Alanna argumentou.

– Depende – e a voz de Roxie saiu pausada. – Em muitos lugares o Swords of Justice protegem os humanos, em outras eles simplesmente se mantêm acima das nuvens sem interferir nas nossas escolhas, mas não a versão que meu pai me contava. Em Virbank, diz-se que o Swords of Justice desafiava humanos a fim de proteger Pokémon que eram maltratados ou que perdiam seus lares devido à expansão humana.

– Liberdade – escapou dos meus lábios antes que pudesse refrear. Lembrei-me do discurso de Rose, e agora as coisas pareciam fazer um pouco de sentido. Se a Team Plasma convencesse o Swords of Justice a se unirem a eles, eles poderiam proteger Pokémon como o Audino de Clarice.

Vi os olhos de Haila me buscarem sem realmente entender o que eu queria dizer.

– Bem, é melhor vocês ficarem quietinhos ai, ou todos terão problemas. E a Skyla cortará a cabeça de vocês.

– Skyla? – Haila desviou a atenção de mim e encarou a fresta do tapume buscando a líder do ginásio voador.

– Foi ela quem viu vocês aqui.

Pude ouvir Roxie tirar o pé de apoio do tapume e em poucos segundos, entrou no meu campo de visão se afastando.

A briga entre Cheren e Alder havia se abrandado e agora todos estavam atentos ao que Lenora explicava. Ela dizia passagens do livro, citando os poemas e salientando pontos. Era a mesma história que eu havia ouvido de criança, mas com uma complexidade impressionante.

Depois que a mulher pontuou alguns trechos do livro, as discussões sobre o que deveria ser feito retornaram. E apesar do desgosto de Cheren, Alder tomou a liderança.

Ele orientou o garoto chamado Benjamin a repassaras as informações aos rangers e que eles deveriam ser organizar e patrulhar as rotas constantemente e repassar qualquer tipo de informação relevante. O ranger também foi orientado a não tentar resolver o problema sozinho caso encontrasse membros da Team Plasma e que deveria contatar o líder de ginásio mais próximo.

O garoto, apesar de concordar com as instruções, deu um muxoxo exasperado e comentou com Looker que os rangers poderiam resolver esse tipo de situação.

Looker se comprometeu a manter os líderes informados e dirigir e manejar esforços policiais para captura dos membros da Team Plasma que haviam fugido da prisão.

Já os líderes seriam divididos em grupos para protegerem os lendários. Alder sugeriria dois líderes para cada lendário, mas isso foi suficiente para causar nova confusão. Drayden disse que não abandonaria Opelucid a sorte, e que ficaria lá para proteger seus habitantes.

Elesa também manifestou sua vontade de permanecer em Nimbasa, ajudando a reerguer a cidade e manutenção local. Ainda mais com aquele vice-prefeito que parecia não ter boca para nada, entendia muito bem a preocupação dela.

Alanna pareceu bastante aliviada por sua líder permanecer ali. Ela não parecia o tipo de garota que se aventuraria pelo mundo atrás de sua mestra, mas também não parecia ser capaz de manter a cidade e o ginásio sem a veterana.

Além disso, havia alguns lideres que sequer haviam aparecido na reunião. Alguns não queriam deixar suas cidades ou tentavam se envolver o mínimo possível, fosse o motivo que fosse, provavelmente não daria para contar com eles na busca do Swords of Justice.

Burgh, embora não parecesse muito animado em deixar a galeria de arte, se propôs a ir a campo. Roxie e Cheren também se ofereceram. Skyla, para meu espanto, ficou em silêncio. A expressão dela era estranha, quase selvagem e me deixava ligeiramente amedrontado.

Alder se responsabilizou em cuidar do Victory Road, que geralmente sofria ataques, mas Grimsley disse que isso era responsabilidade de Iris e a Elite Four. O antigo campeão não pareceu muito contente em ser contestado, mas o garoto de preto mantinha-se impassível, do tipo que não valia a pena discutir.

Lenora também não iria a campo, ela permaneceria em Nimbasa até terminar de transcrever todos os poemas, depois disso voltaria para Nacrene, mas deixou claro que estaria sempre disponível para ajudar.

– Se vamos mesmo defender os lendários, precisaremos de mais pessoas – Burgh se manifestou ao ver que metade do grupo permaneceria protegendo suas cidades.

– Talvez Cilan, ele foi líder anteriormente – Roxie sugeriu, mas se calou diante do olhar de Skyla. Eu não entendi o que aquilo significava.

– Podemos pedir ajuda a treinadores – Burgh sugeriu.

– Não é uma boa ideia. Além de envolver muitas pessoas desnecessariamente, não sabemos se a Team Plasma tem espiões – Grimsley salientou.

– Realmente as pessoas vão preferir seguir com a vida normalmente. Foi assim da outra vez – Alder parecia desanimado com a lembrança.

Era estranho imaginar que mesmo com Unova toda sendo atacada por uma equipe vilanesca as pessoas preferissem seguir com suas vidas. Mas me lembrava de que a vida em Aspertia sempre fora sossegada. Não me lembrava de momento algum que alguém tivesse citado a Team Plasma, que estávamos em perigo ou que nossas casas estivessem ameaçadas. Talvez fosse algo que meu pai visse na televisão, mas parecia uma realidade tão distante, algo que só acontecia em outros continentes.

Se as pessoas de Aspertia podiam viver assim, não me impressionava realmente que todos de Unova tivessem esse tipo de pensamento.

– Skyla, você poderia se unir a nós – Alder insistiu.

– Desculpe – e aquele olhar faiscante se incinerou – eu tenho outros planos. – E abandonando seu lugar foi conversar com Looker em um canto reservado, próximo do tapume onde nos escondíamos.

Talvez ela não quisesse esconder isso da gente, pois sabia que estávamos ali, mas por que esconder dos outros líderes de ginásio?

Enquanto Alder tentava encontrar uma forma de melhorar as defesas aos lendários, Elesa se aproximou de Lenora e pediu uma nova explicação sobre o livro. Ela entendia o conceito, mas por que as coisas estavam acontecendo daquela forma e justamente agora? A mulher de Nacrene parecia não ter respostas exatas, tudo era especulativo e complexo, elas citavam pessoas e locais que eu não fazia ideia de quem eram ou onde ficavam e em poucos segundos não estava mais entendendo nada e divagando.

Se a Team Plasma se unisse aos Sword of Justice, eles conseguiriam muito mais facilmente persuadir os Pokémon a se tornarem livres. Era assustador, mas talvez fosse melhor assim. Existia muitos Pokémon que eram felizes com seus treinadores e talvez, eles pudessem ficar juntos. Mas mesmo que isso não fosse possível era um sacrifício para o bem de todos, não? Para Pokémon que não eram felizes, que eram maltratados, abandonados, forçados a evoluir antes da hora.

Eu teria que abrir mãos dos meus também, mas eu poderia viver com isso. Eu nem sabia se eles eram felizes comigo. Presumia que sim, mas não tinha como ter certeza. Em um mundo como a Team Plasma prometia, Abóbora nunca seria abandonado. A mamãe Flygon não seria obrigada a ter o filhote perfeito e eles poderiam viver felizes. Peach não seria a mais bonita só por ter uma coloração diferente dos outros Patrats e Chiclete não precisaria mais fazer aqueles exibições tão humanas. Eles seriam apenas Pokémon, selvagens e felizes.

– Você está bem? – Haila me encarava de um jeito engraçado.

Eu sabia como estava triste, sentia os músculos do rosto doerem em tentar não chorar.

– Eu estou bem.

=8=

Quando a reunião acabou a noite já tinha avançado consideravelmente e eu me movia de volta ao hotel como um zumbi. Haila me acompanhava e fazia expressões indecifráveis. Nós quase não tínhamos nos falado desde a saída do ginásio.

– Então a Team Plasma foi para as montanhas – a loira falou consigo mesmo. Quando Skyla puxara Looker para um canto, pudemos ouvi-la perguntar sobre os avanços da equipe. Ela parecia muito mais interessada em caçá-los do que proteger os lendários, como Lenora sugerira, e Haila parecia dividir seu estado de espírito.

Looker disse que sua rede de informações indicava que boa parte do contingente da Team Plasma tinha fugido para região montanhosa e que Opelucid City e região deveriam ficar em alerta. As autoridades já tinham avisado ao prefeito local e Drayden também estava a par do assunto.

Tanto é que não demorou para que o senhor se unisse a dupla. Ele cofiava os bigodes e acariciava a barba cheia, balançando a cabeça a cada informação que Looker compartilhava. Skyla tentava convencê-lo de um plano ofensivo intenso e decisivo, mas o homem parecia incerto, já que não queria para Opelucid o mesmo destino de Nimbasa.

– Você acha que dará certo, o plano da Lenora? – Perguntei em meio a um bocejo. Haila conhecia a mulher muito melhor do que eu.

– Ela é uma mulher muito inteligente. – A garota encarou as estrelas visíveis no céu. – Mas eu fiquei realmente curiosa com o que a Roxie disse, sobre Lenora ter seus próprios suspeitos. – E coçou a cabeça pensativa.

– Acha que possa ser alguém que você conheça?

– Não, creio que não. Eu tive um convívio muito curto com ela. Certamente, por causa do museu, Lenora deve conhecer uma infinidade de pessoas. Só espero que Doutor Dreidan esteja dando apoio a ela.

Dreidan? Esse nome não me era estranho, mas não conseguia me lembrar de onde tinha ouvido. Será que era alguém famoso? Só poderia porque eu dificilmente conheceria alguém com o título de doutor.

– Skyla deve ir atrás da Team Plasma em Opelucid City – Haila voltou a falar desse assunto.

– Ela está bem determinada – não consegui me estender porque sabia para onde aquilo caminharia.

Skyla estava disposta a rechaçar a Team Plasma de qualquer forma, era parte do seu senso de justiça e também desejo de vingança por seu Pokémon. Mas ela era uma líder experiente que já tinha enfrentado a Team Plasma antes. Só que toda essa audácia estava contaminando Haila. Não que eu achasse de todo ruim, era bom ver que a garota não tinha mergulhado em um vale profundo de tristeza. Mas mesmo que Haila fosse uma treinadora incrível, eu não tinha certeza se ela estava pronta para entrar em combate novamente.

Eu já tinha dito isso a ela, e a reação não foi das mais compreensíveis. Ela não gritou, chorou, nem nada parecido. Apenas me disse que os assassinos de Simi não ficariam impunes. Que isso era por ela, por Cilan e pelo Pokémon.

– Então, Opelucid City será nossa próxima parada.

– Acha que Skyla vai nos deixar acompanhá-la? – Mas havia aquele olhar no rosto de Haila. Aquele que eu conhecia bem e sabia o que significava. Ela iria, não importava como.

Notas finais
N/T: Visitem nosso tumblr. Tem mais coisas sobre Deedee e Haila lá: http://rotezero.tumblr.com/ Beijokinhas e até!