Rota Zero
40 Festival em Tributo a Lua
Notas iniciais
December
FESTIVAL EM TRIBUTO A LUA
– Onde você passou a noite? – A voz de Roxie saiu estridente, mesmo que tivesse acabado de acordar. Eu tinha tentado entrar de fininho no quarto de hotel que dividíamos, sem fazer barulho, mas havia falhado miseravelmente após meter o pé na mala que ela largava de qualquer jeito no meio do quarto.
– Ah, bem... – Passei a mão pelos cabelos nervosamente. Eu não devia satisfação da minha vida a ela e poderia muito bem responder de tal forma, mas Cheren havia a mandado manter os olhos em mim. – Estava com uma garota. – Confidenciei por fim.
– Uma garota? – Ela pareceu infinitamente mais desperta e sentou na cama, acendendo a luz do abajur que ficava ao lado do seu leito. – Conte-me!
– Não é nada do que você está pensando – senti o rosto corar. – Nós só...
– Não é aquela tal de Clarice, certo?
– Não, claro que não. – Eu me lembrava da reação da Clarice quando cruzou comigo no Festival de Tributo a Lua. Minhas memórias não eram exatamente boas.
– Então?
– Eu estava com a Lila.
– Lila? – Ela curvou as finas sobrancelhas em sinal de dúvida.
– Sim, a garota dos Psyduck.
– Oh, sua alma gêmea. – E ela não pôde conter o sorrisinho irônico.
Eu queria ter forças para retrucar, mas estava tão exausto que cai na cama, sem trocar de roupas e adormeci imediatamente. Ouvi Roxie resmungar qualquer coisa, mas imaginei que fosse para Chiclete, ele ainda estava me escoltando.
Quando acordei, o sol já estava bem alto no céu e Roxie parecia pronta para sair. Ela me arrastou da cama, puxando as cobertas. Pela cara emburrada, provavelmente iria ver Cynthia e Caitlin novamente. Aquilo estava se tornando um ritual e ela não havia conseguido persuadir nenhuma delas a ajudar nas batalhas contra a Team Plasma. Eu imaginava que parte da resistência, principalmente a de Cynthia, era uma espécie de vingança pelo que tinha acontecido no Festival, mas achei melhor não dizer nada.
Roxie sempre ia sozinha a esses encontros e por isso, não entendi tamanha selvageria em me acordar.
– Você tem visitas. – Resmungou colocando a última pulseira no braço, era uma pulseira grande cheia de desenhos de caveiras. – Eu estou indo falar com a Caitlin e você já sabe...
– Trate de se comportar – respondi cortando o discurso que ela repetia diariamente. – Mas afinal quem veio me ver?
– Sua alma gêmea – provocou antes de sair.
=8=
– Eu fiz uma nova estratégia – Lila disse animadamente, jogando um caderno sobre a mesa do café da manhã.
Eu estava morrendo de dor de cabeça e sem um pingo de fome. Tinha chegado quase cinco horas da manhã e dormido muito pouco. Não fazia ideia de como a menina sentada diante de mim, que havia passado pela mesma rotina, conseguia estar tão radiante.
– Lila... – Comecei, mas ela me cortou.
– Eu preciso daquele Absol. – Os olhos escuros brilhavam.
– Você não disse que são Pokémon de hábitos noturnos? Nem um deles vai aparecer agora – falei em meio a um bocejo.
– Eu sei disso, mas precisamos traçar uma boa estratégia para não falharmos essa noite. – E abriu o caderno, me mostrando vários apontamentos.
Lila Davis era uma menina de quinze anos tão baixa quanto Haila que eu havia conhecido ao acaso no Festival de Tributo a Lua. Ela tinha cabelos cacheados e a pele amendoada era muito bronzeada e luminosa. E falava sem parar. Desde que a havia conhecido, dois dias antes, ela falara tanto e sobre tantas coisas, que eu já não sabia se conseguiria gravar mais alguma informação.
Ela estava acompanhada de dois Psyducks chamados Charmander e Bulbasaur, e que eram tão barulhentos quanto ela. Eles tentavam interagir com Chiclete, mas ele parecia mais interessado em ficar me sondando pelo canto dos olhos. Aliás, Lila tinha planos de chamar o Absol que pretendia capturar de Mewtwo, e era por causa dessa estranheza nos nomes que Roxie me provocava dizendo que éramos almas gêmeas. Mas os nomes dos meus parceiros não eram tão estranhos a esse ponto, ou eram?
A menina discorria sobre seu grande plano enquanto sentia minhas pálpebras lentamente se fecharem. Exatamente como eu tinha me metido nessa situação? Ah sim, o maldito Festival de Tributo a Lua.
Diferentemente do que eu havia planejado, não fui para Lentimas Town depois do almoço em meu primeiro dia em Undella. Roxie tinha me dito que uma tempestade tinha destruído todos os caminhos até o vilarejo vizinho e o único acesso seria através das minas. Ela não estava minimamente animada com a ideia de atravessar a área subterrânea e muito menos de me deixar ir sozinho. Afinal, ela não podia tirar os olhos de mim.
Para piorar, agora Chiclete estava sem Pokéball e sem muito afeto por mim. Ele tinha devolvido minhas outras esferas, mas marchava ao meu lado o tempo todo, se certificando de que eu não faria nada estúpido. E não seria nada seguro eu vagar por ai, com um Pokémon fora do dispositivo, em terras desconhecidas.
De forma que minha viagem até Ixia seria adiada por tempo indefinido. Nesse tempo, Roxie ainda queria convencer a dupla dinâmica, como chamava Cynthia e Caitlin, de pelo menos aumentarem a segurança no festival e eu teria esse tempo livre para acertar minha situação com Chiclete. Mas nenhuma dessas duas coisas realmente havia dado certo. De forma que, Roxie achou conveniente ela mesma fazer a segurança do Festival e me arrastou de brinde, só para ter certeza que eu não faria nada idiota, além disso, como ela dissera, eu andava muito deprimido e precisava relaxar um pouco.
Na verdade, até tinha me sentido aliviado com o atraso da minha ida para Lentimas. Mesmo que não tivesse dito a ninguém, eu estava nervoso em encontrar o tal Ixia. Eu não sabia nada sobre ele tampouco sua habilidade, mas de acordo com Roxie, ele poderia me ajudar a elucidar o que se passava no coração dos meus parceiros. Mas, e se ele realmente confirmasse que meus Pokémon seriam mais felizes livres?
Eu vinha me preparando para aquilo, mas era uma coisa completamente diferente presumir um fato e sabe-lo realmente. Além disso, na minha tentativa com Cassie, havia falhado em me desfazer deles. Por mais que eu desejasse a felicidade deles nada garantiria que eu não iria fraquejar e voltar atrás novamente.
Para completar, agora tinha a situação com Chiclete. Ele tinha criado laços com seus parceiros e vinha me colocando no topo de pior ameaça. Ele não queria se desfazer dos amigos, da família que havia formado. Eu nunca havia pensando nos meus Pokémon como uma família até então. Companheiros sim, amigos com certeza, animais de estimação talvez, mas família era um laço profundo que achei que apenas humanos poderiam formá-lo.
Não tinha como saber se realmente Chiclete se sentia assim, afinal, eram apenas as suposições de Roxie e ela, tanto quanto eu, não poderia entender precisamente os monstrinhos. Mas me pareciam fazer certo sentido.
De todos os meus Pokémon Chiclete era com quem tinha criado um laço mais profundo. Eu julgava conhece-lo bem. Mas vendo-o como agia comigo talvez toda minha visão sobre ele estivesse errada. Talvez ele não gostasse tanto de Contest como imaginei e ele poderia participar por qualquer outro motivo, talvez medo se eu me desfizesse dele por não ser mais útil.
Desde nosso último Contest, onde ele havia se ferido, eu vinha me culpando pelo resultado. Ele estava totalmente recuperado do ferimento, mas os ombros pareciam ligeiramente desnivelados. Se eu tivesse aceitado minha derrota antes e o tirado da arena nada disso teria acontecido. Mas eu acreditava naquela época que finalmente tinha entendido o que era construir um elo com seu Pokémon. Só que agora, eu não tinha mais certeza se realmente havia tal elo ou se eu só desejava tanto formar um que imaginara tal coisa.
– Você está me ouvindo? – Lila tinha os olhos brilhando em expectativa e sua voz alta e forte me tirou do meu devaneio sonolento.
– Sim, claro. – Não, eu não tinha ouvido nada.
– Então, vamos seguir pela Rota 13 até o Giant Chasm, é bem provável que o encontremos por lá. – Disse apontando no mapa desenhado no caderno.
– Mas, por que você quer um Absol? Você não é uma treinadora de Psyducks? – E desviei o olhar para dupla que ficavam usando seus poderes psíquicos para levitar o saleiro sobre a mesa. Eles pareciam tão infantis e felizes que duvidava que conseguissem se adaptar a vida selvagem caso Lila um dia os libertasse. E isso me fez pensar se os meus Pokémon conseguiriam.
– Eles são tão fofos. – E fez um biquinho como se Absol fosse o Pokémon mais gracioso. E eu me perguntava exatamente onde aquele bicho com cara de ser sádico saído diretamente das mais profundas trevas poderia ser gracioso. Era bonito e imponente, não poderia negar. Mas com certeza, fofo e gracioso não eram adjetivos que eu empregaria. – Além disso, para as eliminatórias do Torneio Mundial de Fitas é preciso participar de todas as categorias de coordenação.
Lila havia me explicado sobre tal Torneio na nossa caçada da noite anterior. Diferente dos Contest que eu participava, era um Torneio que reunia os melhores coordenadores de todos os continentes. Assim, era necessário ser um dos cinco melhores classificados nos Contest de Unova para poder ir para as eliminatórias do Torneio e só os dois melhores de cada região teriam a chance de participar do Torneio Mundial.
A parte complicada era que diferente de um Contest comum onde cada coordenador concorria apenas a uma categoria, no Torneio era obrigatório se inscrever para as cinco e por isso, era altamente recomendável se ter um time diversificado. O que não era o caso de Lila, que só possuía Psyducks.
Claro que assim como eu, ela estava muito longe de conseguir chegar às eliminatórias. Ela tinha uma única fita e tinha ficado em segundo lugar em outro Contest. Nós tínhamos participado dos mesmos Contest só que em diferentes categorias, por isso, nunca tínhamos realmente nos encontrado até então.
– Você não acha que depois do que aconteceu em Nimbasa, eles deveriam dar um recesso? – Eu vinha me perguntando isso desde que ficara sabendo que haveria um Contest em Undella.
– Não podemos parar a vida só por causa daquilo, você sabe. – Era exatamente o mesmo discurso que Roxie ouvira de Caitlin e que a deixara tão irada. – Mas claro que se houverem mais ataques tanto os Contest como a Liga Pokémon serão canceladas.
– Cancelados?
– Provavelmente – se empertigou na cadeira. – Na última vez que a Team Plasma apareceu, todas as atividades que tinham aglomeração de pessoas foram canceladas para evitar ataques maciços. – Encarei-a abobado, como ela sabia de todas essas coisas sendo mais jovem do que eu? – Não que eu tenha presenciado essas coisas, meu primo Marlon me contou. – Ela me encarou esperando alguma reação, mas a expressão abobadada ainda estava estampada na minha face. – Marlon, líder de ginásio de Humilau.
– Oh. – Na verdade não fazia ideia de quem era e nem de onde Humilau ficava, mas ela parecia o tipo que acreditava que todas as pessoas conheciam o primo dela, ou deveriam conhecer. Por isso, decidi não me alongar muito nesse aspecto.
– Mas enquanto não cancelam, os Contest continuam e eu preciso daquele Absol – disse batendo as mãos animadamente. – Então, seis horas da tarde, a gente se encontra em frente ao Centro Pokémon.
– Seis horas? – Eu não tinha dormido nada, estava morto de cansaço e ela queria sair antes mesmo do jantar?
– Até Giant Chasm é uma longa caminhada, precisamos chegar lá antes de estar totalmente escuro. – Disse se levantando e fazendo sinal para a dupla de Psyducks. – E espero que sua namorada não cause nenhum problema desta vez. – Disse com uma piscadela antes de se retirar.
Por namorada ela queria dizer Clarice e todos os problemas que ela vinha me causando. Achei que depois de toda a confusão que ela havia provocado com Kara, eu teria sorte de não encontrar mais com ela, mas Arceus não era tão bondoso assim.
Para meu azar, encontrei com a menina de amarelo não só no Festival de Tributo a Lua, mas também no dia seguinte e embora ela não tenha dado nenhum espetáculo que chamasse a atenção dos passantes como acontecera com Alanna e Kara, só faltou me fuzilar com o olhar. E fez questão de deixar bem claro que não tinha gostado nada de me ver na companhia de Lila.
Depois que a coordenadora dos Psyduck foi embora, terminei meu café e voltei para o quarto. Chiclete ainda me escoltava com uma cara pouco amigável, mas a atmosfera estranha que havia nos permeado nos três dias anteriores parecia ter se dissipado e para quem não me conhecia podia até mesmo dizer que eu o permitira ficar vagando fora da Pokéball, como muitos treinadores faziam na cidade.
Desabei na cama, mas diferente do que imaginara o sono não veio. Eu teria que ter disposição para meu segundo dia de caçada com Lila e dormir seria essencial, mas meu cérebro decidira entrar em atividade justamente naquele momento.
Chiclete estava sentado no beiral da varanda, olhando o dia lá fora. Eu me perguntava no que ele pensava, desde que se libertara ele andava muito mais contemplativo e quieto. Talvez fosse o medo das minhas decisões, mas talvez fosse outra coisa. E eu não sabia o que era.
Além disso, eu quase não vinha usando meus Pokémon desde Nimbasa, ver seus rostinhos felpudos provavelmente pesaria na minha decisão final e eu não podia me deixar manipular por esse tipo de apego. Sim, apego. Não havia outra palavra para justificar minha relação com meus Pokémon. Afinal, se eu realmente os amava, a felicidade deles me bastaria, mesmo que longe de mim.
Puxei o Xtransceiver e pensei em ligar para alguém, mas não havia ninguém com quem realmente eu quisesse falar. Cassie estaria na escola àquela hora, minha mãe provavelmente me daria um sermão, como fizera há dois dias, Alanna deveria estar bem ocupada no ginásio e Cheren, bem, eu cheguei a discar seu número, mas desisti no último minuto. Não havia realmente nada que eu quisesse falar com ele. Ou talvez até houvesse, mas eu acabaria fraquejando de novo e ele já tinha visto muito do meu lado patético. Mais do que eu desejava que qualquer pessoa visse.
Desejei que Haila tivesse um Xtransceiver, mas me lembrei de como a situação havia terminado entre nós e mesmo que ela possuísse o dispositivo provavelmente não falaria comigo. Ela era única que talvez pudesse me tirar do estado de melancólico torpor que eu me encontrava. Sempre era ela quem me impedia de ficar totalmente depressivo, mas agora, que tínhamos linhas de pensamentos muito diferentes, imaginava que não importava o que ela dissesse, provavelmente suas palavras já não me valeriam de mais nada.
Me perguntava se minha amizade quase instantânea com Lila era uma forma de cobrir a carência que ela me fazia, e a resposta provavelmente era sim. Lila era uma boa garota, divertida e apaixonada por Contest, mas não era Haila e por mais que eu quisesse que fosse ninguém ocuparia seu lugar. Assim como ninguém ocuparia o lugar que Simi havia deixado no time da loira, assim como ninguém ocuparia o posto de amigo e mentor que Simi fora para...
Levantei a cabeça, apoiando os cotovelos na cama. A figura de Chiclete, entrecortada pela luz que entrava pela porta da varanda dava um ar místico e ao mesmo triste ao Pokémon. Poderia ser que a tristeza que ele viesse sentindo não tivesse nada a ver com reprovar minhas atitudes, mas sim com o vínculo familiar, mas não apenas aquele que ele havia criado com meus parceiros.
Mas se ele estava mesmo triste pela morte de Simi, eu não sabia o que dizer. Mesmo quando tentara consolar Haila, tinha sido um fracasso e apenas a deixara irritada, como diria ao meu Pokémon, que eu nem sabia realmente precisar como se sentia de que tudo ficaria bem e que Simi morreu como um herói.
Eu me sentia mal pela morte do Pokémon, ele havia me salvado várias vezes, não apenas no assaltado, mas me ajudando a lidar com o temperamento de Chiclete, mediando algumas brigas entre ele e Bacon, ensinando meus Pokémon, treinando com eles. Além disso, ele era uma companhia doce e agradável que sempre tentava cumprir os sonhos da Haila. Mas por mais que eu sentisse, eu não conseguia colocar isso em palavras, tudo parecia vazio e sem sentido quando saia da minha boca.
Parecia frieza minha considerar sua morte uma fatalidade, mas me parecia o mais sensato num momento tão difícil como aquele. Afinal, de que adiantaria apontar culpados, isso não traria o Pokémon de volta.
Mas eu não deveria ter dito tal coisa a Haila e nem poderia dizer isso a Chiclete, pois sabia que de nada ajudaria. Era o tipo de consolo que não consola, de palavras bonitas que não exprimem sentimento algum, palavras vazias que só quem realmente não sente tal dor tem coragem de dizer. Coisas que só eu em minha infinita ingenuidade externaria.
Se parte de tudo aquilo era pela perda do Simi, de um dos elos da enorme família que os Pokémon da Haila e o meu formavam, eu precisava dizer as palavras certas, palavras que trouxessem conforto e mostrassem que eu realmente me importava. Mas eu não conseguia pensar em nenhuma delas.
Enquanto minha cabeça estava presa nesse turbilhão, Roxie abriu a porta do quarto e estava bufando. Deu um chute na própria mala e um grito de raiva tão agudo que fez com Chiclete pulasse em posição de defesa.
Ela se jogou na cama diante de mim e puxou os cabelos.
– Aquela cadela maldita, vou arrancar o coração dela. – Roxie era bem temperamental, muito mais do que Haila, mas eu nunca a vira tão brava até então. – Você acredita que Caitlin não vai nos ajudar contra a Team Plasma porque a deusa fabulosa Cynthia não quer? Ela disse a Caitlin que ela não deveria se meter já que Undella City não foi atacada. Claro, como se Undella fosse uma ilha paradisíaca isolada do resto de Unova. E pior é que Caitlin acatou, porque Cynthia é muito mais experiente e blablabla... Como se não tivéssemos sido atacado pela Team Plasma antes e as cicatrizes não fossem recentes... – Desembestou a falar, sem pausa alguma para tomar fôlego. Mas de repente, parou a frase no meio. – December, você está chorando?
Só então percebi que meu rosto estava molhado e meus olhos ainda permaneciam presos a Chiclete. O Pokémon tinha voltado para a varanda, ignorando o falatório da líder, mas o semblante entristecido permanecia o mesmo.
– Por que você está chorando? – Me perguntou em um tom de voz mais suave, desviando o olhar também para o Riolu, ao perceber que eu o encarava.
– Eu não sei. – E realmente, eu não sabia. Só sabia que estava muito infeliz.
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