Notas iniciais
Olá, pessoitas, tudo buenos? Ué, tia Chibi? Sim, Júlio teve alguns probleminhas e cá estou, mas não se desesperem, o capítulo é da Haila, só estou aqui para postar mesmo. E aprendam, meninos e meninas, não coloquem fogo nas coisas!!!! Meus vizinhos fdp não param de incendiar o terreno baldio que tem perto de casa, devem achar legal ficar cheirando fumaça ¬¬ Chega de papo e boa leitura!

Haila

A HORA MAIS ESCURA

1:30 am

— Haila – senti as mãos de Deedee segurando meus ombros, me balançando com cuidado – Haila, você está sonhando.

Aos poucos fui tomando conta do ambiente a minha volta. O barulho das rodas dos vagões em fricção com os trilhos, a escuridão noturna, o leve cheiro de achocolatado e das lagrimas que escorriam em meu rosto.

Me sentei depressa e as sequei com a manga da blusa cinza surrada.

— Está tendo pesadelos de novo? Estava gritando – perguntou sentado na pequena cama, presa a parede da acomodação. Seu cabelo estava meio desengonçado e seus olhos inchados pelo sono.

— Não – menti. Eu nunca os tinha parado de ter. Dessa vez fora um misto de lembranças disformes, em parte revivendo o sequestro, o corpo do homem caído no chão da caverna e como sempre, a morte da mulher em Nimbasa.

Eu não lembrava mais seu rosto, mas a expressão do Emolga tentando inutilmente puxar a roupa da sua treinadora para que ela se levantasse, mesmo depois de morta nunca me abandonaria. E talvez isso me fizesse não sentir remorso pelo que quer que tenha acontecido com o Team Plasma que Serpio atacara na Seaside Cave.

Ninguém havia sido encontrado no outro dia quando a policia se direcionou ao local. Apenas restos de equipamento, Pokéballs e marcas de sangue espalhadas pelo solo irregular da caverna. Marcas de uma batalha de voraz e incontrolado pelo lendário que fugira tão rapidamente quanto surgiu.

— Bem – o garoto exclamou sem jeito, voltando a se sentar no sofá do outro lado do cubículo – Avistei uma placa a pouco que dizia que Black City estava a cinco quilômetros. Nimbasa não pode estar tão longe.

— Ainda faltam algumas horas para chegarmos. – Puxei um pouco mais as cobertas e me ajeitei, virando-me mais pra ele. Seu olhar estava distante, triste. – O que está havendo Dee?

— Nada – respondeu sem me olhar. Ficamos em silêncio por um instante, sentindo o sacolejar do trem. Vendo as formas fantasmagóricas das arvores passando em alta velocidade do lado de fora da janela.

Por um momento pensei que pudesse ser apenas saudade de Lila. A despedida da garota fora acalorada. Com muitos abraços apertados, beijos molhados e promessas de reencontro. Nossas personalidades eram muito diferentes, mas no final o jeito meigo e espontâneo tinha me conquistado.

Os olhos de Deedee obviamente ficaram marejados quando a garota o abraçara pela última vez e praticamente o implorara, em prantos, que ele fosse até o próximo Contest em Opelucid. Roxie queria chegar logo a Nimabasa, nos tirando depressa da cidade junto com ela. Precisava repassar os detalhes de tudo o que acontecera para Lenora e Elesa, mas a líder, assim como Shauntal, a Elite Four que eu havia encontrado em reunião com Skyla, o pai e Locker em Mistralton City, não confiara no Xtransceiver para passar as informações muito detalhadas.

—- Ela está bem – respondi sem que ele me perguntasse. Deedee era o tipo de pessoa que eu nunca mais conseguiria ser, se um dia fui. O enorme coração dele o fazia enxergar através de toda diferença ideológica e ficar preocupado com a garota da Team Plasma que ele dissera ser da sua cidade. E essa era a resposta correta. – Notícias ruins se espalham logo. Se ela tivesse morrido provavelmente nós saberíamos.

Ele balançou a cabeça positivamente, sem vontade, apenas para me agradar e depois se espreguiçou ainda sentado deixando a tensão se esvair um pouco.

— O que você acha que eles querem fazer com aquele lendário?

— O mesmo que da última vez, tomar Unova e separar os humanos dos Pokémon – respondi confusa.

O olhar dele se agitou.

– Você não o vi,u Haila. Ele era pequeno, poderoso, mas imagino que não tanto quanto Zekrom e Kyurem – Citou o que ouviu da boca de Roxie ao telefone, – Não entendo o suficiente de Pokémon, mas não acredito que Keldeo poderia nos render. Quero dizer, não todos os lideres, tão menos a Elite Four, dizem que o poder deles é impressionante.

— Eu não sei – admiti – mas isso não é mais problema nosso. Roxie, Marlon, Cheren, Skyla. Eles vão resolver isso. Eles tem que resolver.

Roxie estava certa. Eu não era forte o suficiente para derrotar a Team Plasma. Por mais que tivesse me esforçado e ficado mais forte desde Nimbasa, eu ainda não era pareô pra eles, e qualquer coisa que envolvesse a Team Plasma poderia não só me ferir, como também a Deedee.

Na caverna, quando percebi que Cryogonal direcionava seu ataque pra ele, as palavras da rockstar voltaram a minha mente como no momento em que as ouvira. Uma promessa havia sido feita “Me prometa que não fará na idiota enquanto estivermos em Humillau ... Se você tomar uma decisão errada, ele irá te seguir e eu prometi ao Cheren que cuidaria dele.”.

De uma forma indireta aquilo não valia somente pra Humilau, mas para o todo o resto. Nos metemos em uma dúzia de situações perigosas por má sorte, mas isso era completamente diferente. Eu não conseguiria viver sabendo que por minha causa ele se machucou.

Deedee e Corin eram as pessoas mais importantes no mundo pra mim. E se fosse necessário eu faria qualquer coisa para mantê-los longe do perigo. Mesmo que isso significasse não ir atrás da Team Plasma para leva-la a justiça, independente se com apoio dos lideres ou não.

O perigo naquela caverna tinha se tornado, de alguma forma, mais real do que Nimbasa. Quando Leaf foi abatida e minha perna estava presa em um bloco de gelo temi que Dee não desse conta e que morrêssemos ali mesmo.

Com Serperior fora de controle e apenas um Pokémon apto para batalha, por fim, Deedee era mais forte do que eu. Bacon, Marshmallow e Chiclete juntos eram um time mais poderoso que o meu. Ironicamente, mesmo depois de todo o esforço, eu era a mais fraca do “time”.

— Incrível – ele anunciou saltando para a janela. Casas, ruas iluminadas e carros. Ao longe os enormes prédios se faziam ver, com suas vidraças reluzindo na escuridão. A grandiosidade da cidade apenas servia para lembrar-me de quão pequena e medíocre eu ainda era.

Quando começamos a adentrar realmente na cidade alguém bateu em nossa porta. Dee e eu nos entreolhamos e temerosos e nos levantamos quase como em um movimento ensaiado. A pessoa voltou a bater, desta vez com mais força e com intervalos menores entre as batidas.

— Quem é? – Gritei mesmo sabendo que aquilo poderia ser uma ação idiota. Roxie não nos dissera nada sobre abrir a porta, mas depois do ataque a Humillau estava claro que Team Plasma estavam espalhados por ai.

— Serviço de bordo. – Uma voz masculina respondeu – Tivemos noticias de que os trilhos do trem foram danificados logo após a saída de Black City. Infelizmente todos os passageiros terão de desembarcar na próxima estação. O dinheiro de quem seguiria viagem será reembolsado nos guichês. Boa noite!

— Trilhos danificados? – Dee respondeu parecendo incrédulo.

Dei de ombros.

— Poderia ser algo pior – tentando afastar a ideia de o moço do outro lado era um assassino.

A maçaneta da porta girou com força logo em seguida e depois alguém a esmurrou com violência, fazendo a mim e Dee saltarmos pelo susto.

— Abram logo – Roxie ordenou. Dee agiu depressa, destrancando a porta, deixando a Rock Star entrar. Ela usava uma touca que cobria todo seu cabelo branco, uma calça jeans meio rasgada e uma blusa preta sem estampa, em seu ombro a mochila lotado de bottons que ela usava como mala estava pendurada. Seu olhar estava desperto, como se ela não tivesse pregado o olho um minuto durante a viagem. – Arrumem suas coisas, precisamos sair do trem assim que ele parar na estação – comandou com urgência.

— O que houve? – Deedee tinha percebido o tom diferente na voz da líder.

Ela voltou para a porta, olhou para os dois lados do corredor e depois fechou a porta, girando a tranca. – Eu estava com o maquinista. Não podemos seguir viagem por causa da Team Plasma, eles destruíram uma ponte logo após a saída da cidade.

— Mas o que homem do serviço de bordo... – ele tentou explicar o que tínhamos ouvido, mas ela passou por cima.

— Contou para os passageiros o que eu mandei, para não gerar pânico – inferiu ansiosa. Depois nos lançou um olhar nervoso – porque ainda não estão arrumando suas coisas?

Fiz um sinal positivo com a cabeça e corri para guardar o livro da folha e algumas roupas que eu tinha deixado cair da bolsa.

— Você – ela chamou Deedee e estendeu um boné preto na direção dele. – É melhor esconder esse holofote na sua cabeça. – Ele o colocou sem graça, empurrando os fios coloridos pra dentro da aba com cuidado.

Um burburinho tinha se instaurado do lado de fora do trem. Eram quase duas horas da manhã e a maioria dos passageiros estava sendo acordada pelo serviço de bordo, reclamando piamente por toda aquela confusão.

Nem dez minutos depois, o trem já estava se acoplando a plataforma de estação. Roxie nos segurou no quarto mais alguns minutos e quando as pessoas começaram a sair dos seus quartos e o corredor a se encher ela segurou Deedee pela blusa e nos puxou de lá.

Saímos ocultos pela multidão sonolenta. Meu coração estava batendo depressa, como se a Team Plasma fosse surgir a qualquer momento atirando em todos ali.

Subimos as escadas depressa, passando por roletas automáticas muito mais tecnológicas do que eu esperava, andando a passos rápidos, mas não o suficiente para chamar atenção. Seguindo o ritmo que Roxie ditava.

Me adiantei um pouco e me pus ao seu lado.

— Roxie, porque estamos correndo?

— Precisamos sair da cidade o quanto antes – ela respondeu olhando para frente, sem virar um momento para me olhar.

— Roxie – chamei mais alto – porque estamos correndo?

Dee que estava do outro lado estava começando a ficar ofegante.

– Vamos pra rodoviária? – Perguntou com a voz falha. Segurando a blusa roxa pendurada em um dos braços.

— Não podemos. Não é seguro. Precisamos alugar um carro – respondeu novamente sem virar o rosto. Então chegamos à rua.

Havia poucos carros passando por ali. Alguns mendigos deitado sob a marquise da estação, um casal quase desaparecendo na curva e um homem de chapéu vindo em nossa direção com as mãos no bolso do casaco.

— Roxie – me enfiei na frente dela, colocando a mão sobre seu peito. – Porque nos estamos correndo?

Ela tirou meu braço com um movimento brusco de sua mão, fazendo um estalo baixo que deixou minha pele queimando, dei um passo para frente se aproximando mais de mim e só então notei as olheiras sob seus olhos.

Ela não dormira nada na noite anterior ao ataque e logo após passara mais uma acordada passando todas as informações que podia aos outros lideres. Ela deveria estar exausta. Por fim disse o que eu temia.

– Você sabe porque, Haila. Agora – respirou profundamente antes de continuar – precisamos encontrar um lugar para passar a noite.

E voltou a andar apressada, seguindo na direção contraria a que o homem com as mãos no bolso vinha.

– O que está acontecendo, Haila?

As pessoas já começavam a surgir atrás de nós na escada. Dezenas de vozes exaltadas, barulho de salto alto contra o chão e risadas contidas.

— A Team Plasma, Dee. Ela está atrás de nós.

A explosão da ponte, o disfarce de Roxie e o boné de Deedee. Isso só podia significar que eles estavam mesmo atrás de nós. Provavelmente em retaliação a termos frustrado a captura do lendário. Aquelas operações na Seacave não era algo tão recente como havíamos imaginado. Tantos matérias e pessoas só poderiam indicar que eles já haviam se instalado lá a dias.

Agora minha cabeça, a de Deedee e a de Roxie estavam a premio.

— Não – Dee negou balançando a cabeça negativamente. – Haila, eu não acho...

Eu não percebi quando o vulto do homem de chapéu se aproximou, apenas quando toda a confusão teve inicio. A faca que ele retirou do bolso reluziu com o toque da luz do poste um segundo antes de seu braço começar a se mover.

Agarrei a blusa roxa de Deedee, o puxando com força contra o meu peito. Gritei sem saber ao certo o que. Uma negativa, apenas letras sem sentido. O objeto passara a centímetros, rasgando um pedaço da mochila do garoto.

O braço do homem fez outro movimento rápido, girando seu braço e perfurou de novo, ainda assim a mochila nas costas de Dee. Uma mulher que subia as escadas gritou e de algum modo, o homem que estava ao seu lado saiu correndo na noção direção, se jogando contra o homem de chapéu como se fosse um Pokémon em uma investida.

Senti o a mão de Roxie envolver meu pulso e me puxar e o raio vermelho reluzir a minha frente. Começamos a correr instintivamente, sem sequer processar ao certo o que estava havendo.

— Eles estão vindo – Dee gritou com a voz cheia de terror. Lancei um olhar rápido para trás e percebi que o homem de chapéu havia se livrado do homem com a ajuda de mais dois que agora vinham correndo em nossa direção.

— Desdemona, Smog – Roxie exigiu com a urgência estampada em cada letra. Fomos cegados por um momento com a cortina de fumaça toxica que nos atingiu no rosto, fazendo os olhos queimarem e a respiração se tornar difícil por um instante.

Roxie nos puxou para uma viela assim que o primeiro tiro explodiu na parede do prédio mais próximo.

— Malditos bastardos – pude ouvir enquanto Desdemona nos cobria e ao mesmo tempo alertava em que direção estávamos seguindo.

Nos encontramos em uma avenida maior. Com alguns carros passando e grupos de pessoas alocadas em bares. Roxie nos empurrou para fora da mira das armas e gritou:

— Hyper Beam.

A fumaça que saia dos orifícios de Desdemona sessou de uma vez enquanto um gancho de luz crescia em sua boca. A fumaça não chegou a se dispersar quando o ataque invadiu o beco, fazendo um estrondo poderoso enquanto varria tudo lá dentro.

O barulho de um último tiro ricocheteando soou dentro do beco, seguindo por gritos de homem desesperados e feriados, amaldiçoando a vida, amaldiçoando a nós.

As pessoas nas mesas dos bares se levantaram em choque. Algumas pasmas, outras gritaram e outros ergueram seus Xtransceivers, provavelmente tentando filmar o acontecido.

— Corram – Roxie pediu, trazendo a Pokémon de volta. Travamos apenas um segundo, mas assim que ela seguiu para o lado em que havia menos movimento nós a seguimos.

=8=

2:19 am

— Três quartos, por favor.

Estávamos com o corpo molhado de suor, apenas não tínhamos saído correndo pela ferida ainda não curada no tórax de Deedee e pelos hematomas na minha perna.

— Eu preciso levar meus Pokémon a um Centro – sussurrei atrás de Roxie, de cabeça baixa.

A mulher do balcão sorriu e entregou-nos as chaves.

— Os elevadores ficam a direita – apontou para o canto.

— Vai ter que se virar com o que tem – respondeu quase sem mover os lábios.

— Obrigado – Deedee tentou parecer simpático mais a nossa frente.

Não conseguimos nenhum taxi, era terça-feira e aparentemente aquele bairro não era boêmio. Andamos vários quarteirões até que Roxie decidiu se enfiar na espelunca em que nos encontrávamos. A única certeza que tínhamos era que não podíamos continuar na rua.

No caminho até ali, ela entregara o dinheiro a Deedee e o informou de que teria que fazer o registro no hotel. Nenhum de nós questionou, sabíamos que ela poderia ser facilmente reconhecida, independente de estar de touca ou não.

Lideres de ginásio eram celebridades naturais em qualquer região, ainda mais alguém como Roxie que adora os palcos. Pra ser sincera, era algo bem idiota tentar se esconder com uma estrela da musica.

Assim que entramos no elevador Dee arrancou o boné e agitou o cabelo, que estava muito pior a essas alturas do que quando eu o conheci.

— Não precisava de três quartos. Achei que colocaria a mim e Haila juntos de novo.

— E vão ficar. Inclusive comigo. – Assim que a porta se abriu ela saltou para fora do elevador, de forma brincalhona – dormiremos juntos como uma grande e excêntrica família feliz.

— Bem – dei de ombros – ainda assim é melhor que a minha de verdade. – Deedee acabou sorrindo, mas era verdade.

Roxie entrou nos outros dois quartos e acendeu as luzes antes de trancar novamente a porta. O prédio não tinha câmeras, o que não era de se assombrar. O nível conseguia ser ainda mais baixo do que aquele em que Dee e eu nos hospedamos no quando fomos expulsos do Centro Pokémon em Castelia.

O terceiro quarto era completamente igual aos outros dois, a não ser pelo leve cheiro de mofo que assombrava o lugar. Dee apontou para fora, fazendo uma careta e perguntou de forma inocente.

– Não podemos ficar naquele?

Roxie balançou a cabeça negativamente e tirou a touca, deixando seus cabelos amassados e molhados de suor caírem sobre seu rosto.

— Eles são mais próximos da entrada. Se formos descobertos os homens se posicionaram primeiro na frente de suas portas e apenas depois na nossa. Ou na melhor das hipóteses eles os invadiram primeiro.

— A melhor das hipóteses seria que eles não nos descobrissem – o incendiário comentou desanimado. Soltou sua mochila no chão ali mesmo.

— Vou tomar um banho. Não façam nada que me deixe com vontade de bater em vocês com um ferro quente. – A líder ordenou, completando ameaça com uma piscadela simpática, depois sumiu no banheiro.

Eu me sentia imunda. Minha pele estava coberta de suor, minhas pernas queimavam e eu me perguntava como Deedee suportara tudo aquilo com o ferimento ainda por cicatrizar em seu peito.

Ele se jogou na cama e fechou os olhos.

– Se Adzia soubesse que eu ia passar por tudo isso duvido que me deixaria ter saído de casa.

— Se Magnus soubesse provavelmente já teria quebrado meus dentes – comentei reunindo os medicinais que tinha na mochila.

A Greatball de Deerling tinha ido para o fundo da bolsa pesada. Roxie tinha razão, eu tinha que me virar com o que tinha. Centros Pokémon, hospitais, a polícia. Provavelmente a Team Plasma estaria esperando por nós em qualquer um desses lugares.

Soltei a Pokémon no tapete. Ela estava com as patas dobradas e a cabeça baixa. Sortudo não fazia ideia de toda a situação em que havíamos nos metido.

— Oi mocinha – tentei deixar minha voz a mais doce possível. – Como você está?

Ela ergueu a cabeça, lançando um olhar curioso pra tudo em volta. Seu pelo já começava a crescer nos locais onde Serpeio havia mordido. Aquelas cicatrizes estariam presentes para sempre, mas quando seus pelos crescessem seriam muito menos proeminentes.

Deerling se levantou e se espreguiçou da forma como podia, girando a cabeça de um lado para o outro. Depois deu alguns passos até mim, me cheirou e lambeu meu rosto animada. Ela estava muito melhor e mesmo fazendo careta com o gosto salgado da minha pele, eu acabei rindo e envolvendo seu pescoço em um abraço.

A fiz comer algumas ervas medicinais e depois apliquei o Potion sobre os locais onde as cicatrizes estavam. O mesmo mais tarde com Couve-flor, que apenas precisava de água com alguns nutrientes e Leaf que ainda se recuperava do gelo. Ela não poderia usar seus chicotes tão cedo ou se mover muito bruscamente, isso apenas por segurança.

— Você quer que eu dê uma olhada em Bacon, Deedee? – Ele não respondeu. Me levantei e o encontrei já ressonando.

Foi quando a porta do banheiro se abriu e Roxie saiu ainda falando no Xtransceiver, vestindo uma saia preta com babados brancos e uma blusa roxa, tão escura que era quase impossível notar seu tom. Pude ver de relance a imagem de Elesa do outro lado, com uma expressão seria.

— Não se preocupe, está tudo sobre controle. Sairemos da cidade assim que amanhecer.

— Black City seria um ótimo lugar pra eles se esconderem. Não há ginásios, nem grandes atrações. Apesar de ser uma cidade grande não chama atenção. Tome cuidado Roxie, o inimigo está cada vez mais forte.

Ela desligou o aparelho e lançou um olhar curioso para Deedee espalhado pela cama.

— Como ele consegue?

— Acho que ele pensa que está seguro com a gente – respondi sendo sincera. E estava muito grata pela confiança que ele depositara em mim, mas feliz, ou infelizmente, seu time era mais forte que o meu. Era mais provável que eu precisasse mais dele do que ele de mim.

Roxie ficou calada, seu olhar ficou longe por um instante, talvez se perguntando se realmente estávamos seguros ali.

— Elesa acabou de me informar. Conseguiram prender N, o filho de Ghetsis.

Meus olhos se arregalaram. Ghetsis era o principal suspeito por trás de tudo o que estava havendo. Seu nome havia sido citado pelo detetive Loocker quando tive oportunidade de ouvir a reunião em Mistralton City antes do fiasco com Skyla.

Ele foi líder da Team Plasma e principal idealizador extremista da doutrina que a Team Plasma seguiria nos acontecimentos de três e seis anos atrás.

— E o que isso significa pra gente?

— Esperamos conseguir extrair informações importantes. N traiu seu pai no final dos acontecimentos de seis anos atrás e ajudou os líderes e a polícia da época a desmantelar o restante da Team Plasma. Mas quando Ghetsis encontrou Kyurem há três ele não quis se envolver. Não tão diretamente pelo menos.

“Dessa vez, depois do ataque de Nimabasa, ele havia desaparecido sem deixar rastros. Isso pode ser um indício de que o bom filho a casa torna. A prisão dele pode ser o motivo de a Team Plasma sair da escuridão e começar a ir atrás dos líderes. Talvez a guerra finalmente tenha começado.”

— E onde estamos em tudo isso? Deedee e eu? – Perguntei lançando um olhar rápido para trás para ter certeza de que ele ainda estava dormindo.

— Não sei. Espero que a idiotice de vocês não os tenha colocado na mira daqueles malucos.

— Mas o homem no metrô tentou matá-lo – afirmei sem dúvida.

— Ele pode tê-lo feito apenas porque vocês estavam comigo. Ele nos viu saindo juntos. Talvez fosse uma forma de me machucar indiretamente – deu de ombros – talvez seja a forma como extremistas agem.

Passei a mão no rosto e tentei processar toda informação. Meu coração estava batendo depressa. A promessa feita a Roxie já não era mais válida. Era tarde de mais para cumpri-la.

— Vou tomar banho.

Passei por ela sem olhar seu rosto, mas percebi que ela me acompanhou com um movimento de cabeça. Eu só queria deixar a água quente cair e levar todos os problemas com ela.

=8=

3:47 am

Roxie estava na janela enquanto eu tentava inutilmente processar qualquer palavra que lia no livro da folha sobre esporos paralisantes, sob a luz do Xtransceiver, mas cada vez que eu virava uma página eu esquecia o conteúdo dela. Com a luz apagada e o conforto surpreendente da poltrona eu me sentia prestes a cochilar.

— Haila – a líder me chamou, sua voz saiu grave e angustiada. Ela virou seu corpo e me deu espaço para olhar. Assim que consegui me posicionar vi os dois furgões parando em frente ao hotel e sete homens armados, vestidos com as mesmas roupas que na Seaside Cave descerem depressa.

O descanso tinha acabado. Eles nos acharam.

— O que vamos fazer?

— Acorde Deedee – ordenou jogando a mochila nas costas e liberando Desdemona da Pokéball. O raio vermelho iluminou o quarto por um instante, mas os homens não olharam para cima. Foi então que pude notar que apenas quatro deles estavam armados.

Corri até a cama e dei um soco na barriga de Deedee. Ele deu um pulo, totalmente desorientado e gritou fazendo meu coração gelar.

— Temos que sair daqui. Pegue suas coisas bela adormecida.

Joguei o livro da folha na bolsa e corri de volta para a janela. Metade delas tinha desaparecido, e é claro foram aqueles que estavam armados. Estavam no prédio, estávamos ferrados.

— Subam pelas escadas de emergências corram para o mais longe que conseguirem – Roxie ordenou, nos olhando preocupada. – Entrem em contato com o Cheren, ele vai saber o que fazer.

— Espera, você não vem com a gente? – A voz de Deedee saiu falha, ele estava chorando?

— Eu vou atrasa-los o quanto puder. – Olhou para Desdemona, fez um sinal positivo com a cabeça e a Pokémon começou novamente a expelir fumaça, inundando o quarto com o ar toxico.

— Eu não vou a lugar nenhum sem você – gritei abrindo a janela.

— Não é hora para isso Haila. Vão – disse furiosa, seus punhos estavam fechados com força na frente do corpo.

Corri até ela e a agarrei pela blusa, puxando ela com força em direção a janela. Pelo susto ela não conseguira reagir, apenas disse em um perdido – o que você esta fazendo?

— Se vamos mesmo ser amigas você tem que entender uma coisa – a soltei com um movimento brusco – eu faço o que eu quiser. E você vai comigo.

Ela parou apenas um instante, me olhando incrédula. Não houve palavras, apenas um balançar positivo de cabeça. Estávamos de acordo, se ela ficasse morreríamos todos juntos. A única forma de tentar nos salvar era indo conosco.

Deedee se esgueirou para a escada de emergência que rangeu com seu peso e se atirou em direção aos degraus que levavam para cima. Depois eu e Roxie, Desdemona veio por último e em seguida a líder fechou a janela deixando o gás preso no quarto.

Foi então que a porta do quarto explodiu e gritos foram ouvidos. Os homens embaixo de nos olharam para cima e gritaram. Os tiros começaram.

— Eles estão fugindo. Matem-nos – algum deles gritou. Tanto fazia, eu estava engajada em sobreviver e subi os degraus aos tropeços, ignorando a dor que se alastrara em minha perna que provavelmente tinha cortado.

— Sludge – Roxie ordenou se jogando atrás de mim.

Desdesmona lançou a o líquido venenoso de coloração escura nos Team Plasma que surgiram na janela. Acertando o primeiro que se atreveu a colocar o rosto pra fora em cheio. O grito de pavor e asco do homem quase não foi ouvido em meio ao som de tiro perfurando o metal da escada de emergência.

Uma bala explodiu onde eu iria colocar minha mão, deixando um buraco perfeitamente redondo. Depois outro estourara a janela um andar acima de mim, fazendo Deedee gritar de susto e cacos de vidro voarem sobre mim e Roxie. Eu estava errada, um daqueles três lá embaixo estava armado.

Quando Deedee desapareceu sobre o telhado do prédio senti meu braço queimar. Não tive tempo de olhar, apenas senti o sangue começar a encharcar minha blusa preferida. Se eu sobrevivesse daria adeus à listrada de verde.

Me joguei sem medo no piso de cimento batido seguida por Roxie. Nem meio segundo depois fui puxada por Deedee, me levantando aos tropeços, como podia.

— Vão, vão, eles estão nas escadas – Roxie gritou vindo logo atrás. A boca de Desdemona voltara a brilhar e mais um Hyper Beam se formava, mas antes que eu pudesse me virar e voltar a correr vi a Pokémon urrar e a energia concentrada desaparecer.

Ela tinha sido atingida e começava a oscilar sua flutuação.

— Droga, filhos da mãe. – Roxie xingou tirando a Pokéball do bolso, trazendo a Pokémon de volta.

Não tivemos nem um momento para nos organizarmos e sentir as dores ou o pavor. As vozes e o praguejar dos Team Plasma estavam muito próximas. Voltamos a correr desenfreadamente, nos jogando para cima do próximo prédio praticamente colado a esse, apenas um pouco mais alto.

Foi quando ouvimos o som conhecido de um Pokeball se abrindo e os tiros voltarem. Eu estava ficando sem fôlego, meus pulmões não estavam preparados e pareciam não conseguir absorver todo o oxigênio necessário, meu coração batia tão forte que eu podia jurar ouvir seu som se misturar aos demais gritos e tiros.

Passei a frente e não hesitei em saltar quando o chão desapareceu, a queda foi curta, havia um prédio um pouco menor em seguida. Cai no chão com força, meu corpo virou meio de lado e eu perdi o equilíbrio. Pude ouvir meu ombro estalar quando se chocou contra o piso. Roxie caiu bem e Deedee sobre os joelhos, rolando para o lado como uma bola de lã.

Senti meu estômago girar, a dor fora tanta que minha visão chegou a escurecer. Mas desta vez, diferente de quando Serpio me envolvera no Warp, eu queria viver. Um pulso de adrenalina tomou conta de mim e sem saber ao certo para onde estava indo voltei a engatinhar e depois correr.

Ouvimos o bater de asas em seguida e quando eu finalmente consegui olhar para cima me deparei com o grotesco Fearow que silvava feroz. Moveu suas asas com força se jogando na frente de Roxie que tinha a dianteira e pousou pesadamente, tentando em seguida bica-la.

Ela caiu no chão e teve de se arrastar desesperadamente para desviar dos Fury Attack. Instintivamente agarrei uma Ball na minha bolsa e joguei, mas para meu desprazer Serperior surgiu, já sacolejando o chocalho em sua cauda.

— Razor Leaf – pedi com a voz falha, mas ele não me obedeceu, apenas sibilou pra mim de forma autoritária e se atirou para um canto.

Roxie gritou voltando correndo, o Pokémon vinha no chão atrás dela tentando desesperadamente acertá-la. – Termine com isso, Bicusso – a voz mais proeminente que praguejava agora surgiu atrás de mim. O primeiro Team Plasma já estava ali.

Estávamos cercados, estávamos mortos. Levei as mãos na cabeça em pânico quando Fearow conseguiu agarrar a mochila de Roxie a erguendo no ar e a arremessando para o lado. A líder de ginásio gritou quando atingiu o chão, mas não perdeu o controle. Sacou outra Pokémon e a lançou.

Scolipede surgiu se desenrolando e sem hesitar, como se entendesse tudo o que estava havendo agiu sem comando. Uma onda de energia surgiu entre seus chifres e um Mega Horn fora lançado diretamente na direção dos Team Plasma que acabavam de surgir sobre nós.

O impacto fora tão forte que parte da fachada rachou e caiu, levantando uma nuvem de poeira. Alcancei a Pokémon de Leaf e me repreendi mentalmente por ter de fazer isso. Libertei a Pokémon que também já parecia agitada e apontei para o Fearow.

— Swift. – As estrelas surgiram no mesmo instante. Dezenas delas foram em direção ao Pokémon que tentou se defender colocando as asas frente ao corpo.

Mesmo urrando de forma demoníaca ele pareceu bem, as abriu novamente com tanta força que uma onda de vento nos atingiu. Foi quando o primeiro tiro explodiu no chão. – Otelo, Mega Horn de novo – Roxie pediu com angustia, se levantando com dificuldade.

Mais uma vez o raio varrera o outro prédio afastando momentaneamente a Team Plasma. Mas o Fearow não se deteve, bateu asas e alçou voou, ganhando altura com uma velocidade tremenda e depois desceu em um mergulho inacreditavelmente rápido.

Leaf pulou mais a frente e arqueou o corpo lançando novamente outra rajada de estrelas em Fearow, o Pokémon oscilou, mas antes que desistisse do ataque ou fosse efetivamente ferido Leaf fraquejou e dobrou as patas dianteiras caindo deitada.

Me atirei para frente sem pensar e a agarrei contra o peito, rolando no chão junto dela. Ela estava sem forças, prestes a desmaiado com o esforço. Eu a chamara a lutar mesmo no limite e agora eu precisava defendê-la.

Ouvi outra ball se abrindo e vi as chamas de Bacon explodirem no outro prédio, ouvi o grito de Roxie e o arfar de Leaf ainda acordada em meus braços e por um segundo tudo pareceu ficar em câmera lenta, enquanto eu esperava o ataque de Fearow me atingir e perfurar minhas costas, mas ao invés disso ouvi o som do chocalho e um estrondo a minha direita.

Serpio interceptara o Pokémon no meio do ataque, cravando suas presas em seu pescoço. Os dois se engalfinhavam no chão enquanto Serperior tentava se enrolar violentamente em volta do pescoço da criatura alada para sufoca-la.

Foi quando ouvi o som de algo estalar e o Pokémon parar de se mover no chão. Abri a boca tentando dizer qualquer coisa, mas as palavras não saíram. Seria eu morta se Serpio não tivesse agido, talvez o destino fosse assim. Ele tinha que levar uma vida, qual seria não importava.

O Mega Horn seguinte acertara em cheio um dos nossos perseguidores o arremessando para o esquecimento no nosso campo de visão comprometido pela altura do prédio, mas Otelo também havia esgotando suas forças e fraquejou por um momento abaixando a cabeça e fazendo um som triste. Os homens vestidos de uniforme preto recuaram e Roxie voltou a gritar:

– Recolham-nos, temos que sair daqui.

Deedee que ainda estava com a Pokeball nas mãos trouxe Bacon de volta e saiu correndo meio aos tropeços atrás de Roxie, seu corte tinha voltado a sangrar, mas sua expressão não demonstra que ele tinha percebido.

Trouxe Leaf de volta sem ver direito como ela estava e depois peguei a de Serpio, mas antes que eu pudesse guardar o Pokémon ouvi outro tiro. A bala passou de raspão na minha cabeça, o primeiro homem a surgir estava ali. O treinador de Fearow.

Não vi ao certo os movimentos de Serperior, apenas vi quando as folhas cortantes acertaram o homem em cheio.

A primeira delas cravou em seu ombro antes que ele caísse de costas, com a boca cheia de um grito de dor que eu não podia calcular. Meu coração estava quase saindo pela boca, meu corpo todo parecia estar em êxtase, provindo do choque, do horror, do momento.

Serpio salvou minha vida duas vezes seguidas, mesmo que para isso ele tenha que ter tirado uma outra vida. Nos olhos se encontraram, por algo que pareceu minutos, mas provavelmente não durou mais que alguns segundos.

Trocamos palavras de respeito mutuo silenciosas e naquele momento eu entendi que como Couve-flor nunca estaria pronto para batalhas como essa, Serpio nunca seria um Pokémon de ginásios. Nunca seria um Pokémon que me seguiria piamente por mais que eu tentasse.

Mais uma promessa estava indo por terra naquela noite. Eu não podia impedir que Serpio ferisse mais um Pokémon, impedir que ferisse mais alguém. No entanto poderia redirecionar isso da forma correta.

— Philix – uma voz gritou e pude ver a cabeça do último Team Plasma aparecer, agarrando seu companheiro. Foi quando sai correndo e trouxe o Pokémon de volta sem precisar olha-lo. Tínhamos um acordo.

Me joguei das escadas e quase errei o primeiro degrau, Roxie e Dee já estavam dois lances abaixo. Descemos o mais rápido que podíamos, mas antes de alcançar o chão os últimos três Team Plasma apareceram.

A primeira na fila, uma mulher de cabelos ruivos esvoaçantes jogou uma Pokéball de cor verde e um Electivire de tamanho descomunal apareceu gritando. Uma corrente elétrica correu seu corpo iluminando a noite por um instante. O segundo Team Plasma atrás dela, um garoto não muito mais velho que Deedee repetiu o mesmo, trazendo um Darmanitan pouco menor que o Electivire a tona. E o ultimo deles, aquele que tinha a arma libertou um Pinsir.

Assim que Roxie chegou ao chão outro raio cortou a noite e um Toxicroak que deveria ter metade de sua altura surgiu, coaxando. Deedee fez o mesmo assim que pode, trazendo Bacon de volta. O suíno fez uma pose mostrando os músculos e soltou fogo pelas ventas.

— Vocês não tem saída. Não conseguirão nos deter, não todos nós – a mulher afirmou com um tom de nojo na voz. – A Team Plasma voltará a ascender.

— Se quer um pedaço meu, vadia, vai ter que vir pegar – Roxie cuspiu as palavras. – Iago, Revenge.

Os esporoes sobre as patas dianteiras de Toxicroak tomaram uma coloração arroxeada luminosas e com um movimento assustadoramente rápido, acertou Electivire no queixo, arremessando o Pokémon para trás com tanta força que seu corpo se dobrara, e como em um salto mortal ele caiu de frente no chão, já desacordado.

A mulher abriu a boca, sem conseguir dizer nada. Estava em choque. Bacon foi junto, o herói suíno ao resgate. Se jogou para cima de Pinsir e como no Seaside Cave Deedee ordenou:

– Flame Charge.

Os dois foram envoltos por chamas que incendiaram a noite, lançando jatos de calor que pude sentir assim que toquei o chão. Deixando o Pokémon inseto cair desacordado um momento depois, com as pontas das enormes pinças em brasa.

O garoto do Darmanitan deu um passo para trás revelando sua fraqueza, ele tinha se assustado e Roxie sorriu.

— A próxima bunda que eu vou chutar é a sua – Roxie apontou para ele e o garoto saiu correndo, trazendo seu Pokémon de volta sem olhar para trás, o mesmo foi feito pelo garoto do Pinsir sem ao menos pensar em sacar sua arma.

O rosto da Team Plasma se contorceu de ira, quando ela levou a mão no bolso Bacon explodiu chamas no seu tórax. E aproveitando a brecha do pânico e dor da mulher, voltamos a correr.

Nos enfiamos em becos, ruelas e evitamos qualquer fonte de iluminação por longos quarteirões. De alguma forma havia sobrevivido e era isso que importava.

=8=

5:56 am

As dores e o cansaço se faziam presente diminuindo nosso ritmo consideravelmente.

O cabelo branco de Roxie de alguma forma estava com mechas acinzentadas e pretas, que provinham de alguma sujeira incomum. Sua blusa preta tinha um rasgo na gola e em seu rosto gotas de suar escorriam como lágrimas.

As olheiras sob os olhos de Deedee estavam tão escuras que escondiam parte da sua expressão exausta e abalada por tudo que acabamos de passar. Ele gemia hora ou outra, finalmente a adrenalina o deixara e seu corpo começara a queimar.

E quando a mim, não estava nem um pouco melhor. Meu ombro doía a cada passo, mas eu agradecia a Arceus pela bala ter apenas me acertado de raspão no braço. Meu estômago se revirava de fome e talvez por isso a dor de cabeça estivesse tão forte que me deixara desorientada.

— Elesa, um grupo nos atacou, a Team Plasma perdeu o medo. Temos que tomar algum providencia – falou sem parar assim que a loira atendeu.

— Lenora foi levada – contou secamente – Marlon, Skyla e eu também fomos atacados. Eles sequestraram Lenora.

— Não, malditos – gritei agarrando o braço de Roxie na minha direção para ver o rosto de Elesa. Havia sangue seco na sua têmpora e sua expressão transparecia seu cansaço. – Como você pode permitir?

— Lenora foi um líder de ginásio e é tão forte quanto qualquer um de nós. – Respondeu com um tom irritado. – Foi tudo planejado. Distrações surgindo de todos os lados, ataques simultâneos – ela balançou a cabeça negativamente, pude notar finalmente a tristeza em seu olhar – não pudemos fazer nada. Havia um treinador mais forte que usava Pokémon tóxico, ele me abateu sem que eu mal pudesse reagir.

Coloquei as mãos na cabeça e senti meus olhos se encherem de lágrimas. Eu tinha convivido pouco com Lenora, mas um carinho enorme havia nascido dentro de mim por ela. Nosso encontro em Nimbasa, a primeira vez que nos vimos em Nacrene City.

Eu não seria ninguém se ela não tivesse me ajudado, me orientado, me dado o livro da folha sem que eu tivesse feito nada por ela. Lenora tinha um coração do tamanho do mundo e agora estava nas mãos da Team Plasma. Soquei o ar e fechei meus punhos com tanta força que pude sentir as minhas unhas começaram a perfurar a pele. – Não, Lenora.

— O que fazemos agora? –Roxie perguntou a líder mais experiente.

— O que sempre fazemos. Volte para cá e vamos dar um jeito nisso – Elesa respondeu sem emoção.

Deedee se aproximou de mim, colocou as mãos nos meus ombros e depois me puxou contra si, me dando um abraço forte. Não respondi ao abraço, continuei com os punhos fechados com os braços rentes ao corpo. – Lenora, não.

— Vai ficar tudo bem – ele disse e pude reconhecer o tom na sua voz. O mesmo que ele usara no trem. O mesmo tom exausto e cheio de dúvidas. – Eles vão resolver isso. Eles têm que resolver.

=8=

Quando a mulher abriu a porta seus olhos se arregalaram, imaginei que ela nunca tinha encontrado com pessoas naquele estado na vida.

— Precisamos de um carro – Roxie exigiu, sem permitir que a mulher conseguisse se orientar.

Meia hora depois estávamos sentados nos bancos macios do carro alugado indo em direção a Nimbasa. Nenhum de nós nos dizia nada. Não havia o que dizer. No final provavelmente a Team Plasma não estava atrás de nós, estavam apenas tentando tirar atenção de Nacrene.

Talvez nossas cabeças não estivem realmente a prêmio, mas isso não fazia diferença. De alguma forma eu tinha perdido mais um pedacinho de mim. E eles não iam parar, não até ter tudo sob seu controle.

Não era mais um lutado por vingança, por justiça, ou fosse lá o que eu dizia para me enganar. Era um luta por liberdade, uma luta pela vida das pessoas que você gosta. E eu estava disposta a lutar.

Notas finais
N/T: Nome roubado de filme kkk Júlio tá aprendendo comigo roubar nome de outras coisas kkkk. Sem muito papo, beijokinhas e até! Comente!