Rota Zero
58 A Canção - parte 1
Notas iniciais
December
A CANÇÃO — parte 1
“Em águas profundas, onde nem mesmo os rugidos das ondas podem chegar...”
A viagem de barco foi rápida, mas mesmo assim me pareceu durar horas. Talvez fosse o nervosismo e a tensão. Eu tinha me metido em uma situação bem ruim que não parecia nenhum pouco fácil de resolver. Nós estávamos amarrados, nossas Pokéball tinham sido confiscadas e nossos Xtransceiver só não tinham ido parar no mar porque o sinal ali era horrível. Eu sentia o estômago revirar, vontade de chorar e de pedir perdão a Haila, mas ela parecia estar numa vibe bem diferente da minha.
Falava pelos cotovelos comentando das ilhotas que víamos ou da revoada de Wingullls que passou muito próximo ao barco indo para um pequeno porto de areia. A mulher da Team Plasma mandava ela se calar, mas a loira continuava papagaindo sobre o rumo que estávamos tomando como se fosse uma guia turística tentando animar um passeio tedioso.
A mulher se irritou e pegou Haila pelo colarinho da camiseta, balançando-a violentamente e ameaçando jogá-la no mar, mas Thiers interviu pedindo para ela parar de cena, pois já estávamos chegando. Minutos depois, o barco fez uma pequena manobra e parou em uma ilhota, onde havia uma pequena praia de areia encharcada e uma pedra grande e alta com uma abertura.
Thiers nos desceu do barco empurrando-nos pela proa. Haila caiu em pé desajeitadamente, mas eu cai de cara na água. Com as mãos presas às costas não conseguia me levantar e senti o homem me puxar pelos cabelos, me pondo de pé. A água salgada escorria pelos meus cabelos e pela nuca entrando no moletom e eu me sentia ainda mais infeliz.
A mulher ficou falando com o piloto do barco enquanto ele nos arrastava para dentro da caverna. O chão misturava areia e cascalho e havia muitas poças de água, como se a maré invadisse o local em determinada hora do dia. O local era quente, úmido e escuro, a pouca iluminação vinha da entrada da caverna e vez ou outra eu tropeçava nos cascalhos.
Descemos um longo corredor até chegar a uma antecâmara com teto alto e uma claraboia natural. Ali havia várias lâmpadas penduradas nas paredes e várias caixas com todo o tipo de equipamento. Havia alguns membros da Team Plasma circulando por ali, mas nenhum deles realmente nos deu atenção.
— Thiers! – E imediatamente o homem do rosto queimado se voltou para o dono da voz e fez uma nobre reverência, apoiando um dos joelhos no chão.
— Meu mestre.
— E então, conseguiu os mapas? – O homem era mais velho do que Thiers, deveria ter a idade do pai de Lila. O cabelo branco rareava e ele tinha uma grande cicatriz no rosto, como uma profunda unhada. Usava roupas cinzentas, mas pareciam mais sofisticadas e nobres do que as de Thiers e o resto do bando.
— Sim, meu mestre – e puxou um tubo metálico das vestes.
O homem pegou o tubo e o abriu, tirando um grande pedaço de papel vegetal enrolado. Mesmo na luz fraca era possível perceber a planta de um local cheio de ramificações e corredores.
— Espero que a ação tenha sido discreta – a voz do homem saiu forte. – Você sabe muito bem que o líder não quer outro fracasso como em Nimbasa.
— De certo, meu senhor. Bellamy distraiu o bibliotecário enquanto eu roubava as plantas.
— E onde ela está?
— Acertando os últimos detalhes com o barqueiro.
Então Bellamy era a mulher que viera conosco.
— E o resto da equipe?
— As forças 2 e 3 estão vigiando as outras entradas, a força 7 ficou em terra...
— O combinado era trazer todos os nossos reforços, será uma tarefa difícil.
— Sim, meu senhor. Mas a líder de Virbank está na cidade. Ela neutralizou nossas forças na Rota 13, então achamos prudente manter uma força em terra. Além disso, ela pode ter a ajuda do líder local...
— Muito bem e essas crianças? – E finalmente o velho estava prestando atenção em nós.
— Eles estavam nos seguindo...
— Seguido por duas crianças – o velho debochou.
— Desculpe senhor. O senhor deve se lembrar dos acontecimentos em Castelia, essas crianças estavam com o Joslyn. Seria arriscado deixa-los soltos por ai, eles poderiam me denunciar e... – mas se calou diante do olhar rigoroso do homem.
— Temos mais com o que se preocupar. Resolva logo esse problema, preciso de você lá embaixo – ordenou se retirando.
Thiers resmungou qualquer coisa quando o velho se retirou e Bellamy chegou logo em seguida, quando perguntou do mestre, o homem deu uma resposta atravessada e a mandou seguir os corredores a leste da antecâmara. Quando a mulher se retirou, ele nos puxou pelo braço e nos arrastou por um corredor no outro extremo da antecâmara.
Descemos um corredor quase sem iluminação e com infiltrações pelas paredes, até chegarmos a uma pequena câmara com teto baixo que parecia ser usada de deposito. Havia várias caixas de madeiras, algumas quebradas e destruídas. Essa câmara tinha duas entradas, a que usamos e outra que parecia descer íngreme para dentro da caverna.
Thiers nos jogou lá e colocou nossas Pokéball em uma caixa, onde havia outras Pokéball, algumas trincadas e muito sujas. Então ele gritou para segunda saída, chamando por alguém e minutos depois, um membro com o tradicional uniforme preto apareceu. Ouvi-o passar instruções para ficar de olho em nós e atirar se tentássemos alguma gracinha, mais tarde ele voltaria. Então saiu pela entrada que nos trouxe enquanto o membro recém-chegado assumia sua posição de vigia segurando um enorme rifle.
Eu reconheceria aqueles olhos em qualquer lugar.
— Rose?
Ela pareceu assustada ao me ver e demorou um pouco para se certificar de que era mesmo eu, então puxou a parte da mascara que cobria o nariz e boca.
— Deedee, o que... – mas a frase foi morrendo como se não tivesse certeza de querer saber o motivo de eu estar ali.
— Você a conhece? – Haila perguntou estudando a garota que regulava de idade conosco.
Eu tinha contado a ela sobre o ataque e sobre Rose, mas era na época que ela estava cheia de torpor e ódio pela morte do Simi, então presumo que ela realmente não prestara atenção a minha história.
— É a garota que libertou a Audino da Clarice – esclareci e Haila apenas respondeu com um sonoro e incógnito “oh”.
— Como está sua amiga? – Rosie perguntou ao ouvir o nome da Clarice – espero que ela tenha aprendido com aquilo...
Eu não estava muito certo de como responder por que não sabia exatamente o que Rose estava perguntando. Se perguntava de Clarice em si ou suas habilidades como treinadora.
— Rose, o que você está fazendo? – Desviei da pergunta.
— Vigiando vocês – respondeu lacônica. Vi Haila revirar os olhos.
— O que você está fazendo aqui? – Repeti.
— Ajudando a Team Plasma a melhorar o destino do mundo – disse orgulhosa e Haila bufou.
— Como?
— Eu já te disse, humanos e Pokémon juntos não são uma boa combinação. Então estamos trabalhando muito duro para criar um futuro onde essa interação não seja mais necessária.
— E o que vão fazer, matar todos os Pokémon? – Haila cuspiu as palavras furiosa.
— Não seja tola, claro que não. O ideal é criar um grande santuário onde humano nenhum poderá ter acesso. Onde os Pokémon serão selvagens, livres e felizes.
— E para isso vocês escravizam Pokémon e matam muitos outros – ouvi os dentes de Haila rangendo e certamente se ela não estivesse amarrada já teria voado no pescoço da Rose.
— Você escravizam, não nós. Nossos parceiros são livres para partir quando quiser – corrigiu pomposamente. – Mas às vezes, sacrifícios são necessários.
— Sacrifícios são necessários? – Haila repetiu alucinada. – Você não tem noção das coisas absurdas e vazias que está dizendo, garota idiota.
— Haila... – chamei tentando acalmá-la, mas era visível que ela já tinha passado desse estado. Ela estava se debatendo novamente, provavelmente tentando se soltar e encarava Rose como se quisesse fazer um troféu com a sua cabeça.
A garota de uniforme preto se abaixou até ficar no nível dos olhos da loira, então estudou seu rosto demoradamente e finalizou com um sorriso enviesado.
— Você se parece muito com ele...
— Ele? – Haila curvou as sobrancelhas sem entender.
— Jaden, vocês são irmãos certo?
De repente, o humor dela pareceu mudar totalmente, a expressão encolerizada deu lugar ao assombro e ela moveu os lábios lentamente, sem realmente formar palavra alguma. Os olhos claros estavam muito arregalados e eu só poderia imaginar o que Haila estava pensando.
— Você conhece meu irmão? – perguntou receosa.
— Claro que sim – Rose respondeu confiante. Pude ver Haila tentar construir a frase seguinte, mas as palavras pareciam entaladas na garganta. – Ele me ajudou muito quando eu era uma trainer. – A expressão de Haila mudou novamente, desta vez um tanto confusa. – Eu era muito ruim e ele me ensinou muitas coisas – e deu um amplo sorriso como se gostasse da lembrança. – E me disse muitas coisas, inclusive sobre a irmã. Haila é um nome um tanto incomum e vocês são muito parecidos, então imaginei que fosse você.
— Então vocês se conheceram quando ele estava em jornada?
— Isso mesmo. Ele é muito inteligente e se não fosse por ele, eu teria voltado para casa chorando e admitindo aos meus pais que eles estavam certos sobre a minha carreira. – Os pais da Rose sempre foram contra ela seguir jornada e eu me perguntava o que pensariam agora se soubessem que ela estava unida a Team Plasma.
— Então Jaden deveria ter deixado você voltar com o rabo entre as pernas – Haila provocou e Rose desmanchou o sorriso sonhador do rosto.
— Tenho pena dele, quando voltar das Ilhas Laranja vai ver a irmã horrível que você se tornou – voltou a ficar em pé.
— Quando ele voltar vai ver a vadia da Team Plasma que você se tornou e se arrepender de ter te ajudado – respondeu atravessada. Era verdade que Haila não andava muito bem com o Jaden desde que soubera da aposta com o pai, mas sabia que ele não aprovaria o caminho escolhido por Rose.
Rose não disse nada, apenas deu de ombros como se não se importasse com a ofensa. O silêncio começou a reinar entre nós. Eu podia ouvir o som de água gotejando ali por perto e a respiração apreensiva de Rose. Haila encarava a garota e eu não sabia se ela estava pensando em Jaden ou em uma forma de nos tirar de lá.
De repente, um som profundo veio reverberando pelas paredes de pedra. Eu sentia o chão abaixo tremer e algumas pedrinhas soltas rolaram pela parede.
— O que é isso? – Perguntei assustado.
=8=
“O galope virá sobre espumas e vidros refletindo sua sombra branca na superfície caudalosa.”
O som repetiu duas ou três vezes, seguido dos tremores até finalmente parar e tudo ser jogado no silêncio. Encarei Haila de soslaio, conferindo se ela estava bem e voltei minha atenção para Rose, que se escorara na parede para não cair.
— O que foi isso?
— Devem ser os Excadrill – respondeu depois de se recompor.
— Excadrill?
— Nosso mestre está usando-os para escavar as rochas...
— E por que fazer isso?
— Há algo muito importante aqui e que precisamos ter.
— Um lendário – Haila confrontou. – E aqueles que pregam a liberdade dos Pokémon querem aumentar mais um para a sua vasta lista...
— Você não entenderia mesmo se eu te explicasse – Rose respondeu seca.
— Admita que vocês só querem poder.
— Eu já disse – mas a discussão entre as duas foi interrompida quando um outro membro da Team Plasma entrou no ambiente.
Ele trajava um uniforme preto, parecido com o de Rosie e estava sem a característica boina preta e o cabelo era todo arrepiado e acinzentado. Ele deveria ter a idade do Burgh e tinha um jeito bem desleixado.
— Como estamos? –perguntou nos encarando.
— Tudo certo aqui – Rose respondeu.
— Thiers não tinha dito que a garota era tão bonita – e deu uma longa olhada em Haila.
— Você precisa de algo? – Rose questionou ignorando o comentário do comparsa.
— Não realmente – e levou os braços atrás da cabeça – estava entediado de ficar lá embaixo. Está uma poeira que só e não há muito a se fazer até os Excadrill abrirem uma passagem. Então ouvi falar dos amiguinhos do Thiers e vim dar uma olhada.
— É bom você voltar ao seu posto, o mestre não vai gostar de te ver vagabundeando por ai.
— O velhote está preocupado demais com aquela profecia estúpida para se importar com qualquer coisa.
Rose mantinha uma linha séria e responsável enquanto o recém-chegado parecia estar ali apenas pela diversão. Como eu havia imaginado, havia realmente todos os tipos de pessoas dentro da Team Plasma.
— E os Pokémon deles? Alguma coisa útil?
— Thiers apenas me pediu para ficar de vigia...
— São essas Pokéball? – Ele ignorou o que ela dizia, enquanto pegava uma das Pokéball de dentro da caixa. Girou a bolinha na mão tentando analisá-la. – Espero que seja algo mais interessante que aqueles Ratatas inúteis do último cara.
— Nossa função é dar liberdade aos Pokémon e não...
— Eu conheço o discurso, Rose. – Os olhos pequenos presos a bolinha. Eu sabia que era uma das Pokéball da Haila, mas não sabia qual Pokémon era. – Então de qual de vocês é? Aposto que é sua – e deu uma piscadela para Haila.
— Eu não mexeria nisso se fosse você – ela disse sombriamente.
— Por quê? Que mal um Cherubi poderia fazer? Afinal uma garota bonita como você deve ter Pokémon bonitinhos. – E finalizou com a tentativa de um sorriso galanteador. – Vamos ver o que você tem aqui.
E atirou a Pokéball no minúsculo espaço da câmara. A esfera rolou pelo piso irregular, o raio brilhou e Serpio se materializou diante de nós. O corpo grande e esguio quase cobria nossa visão de Rose e o rapaz do outro lado. O Pokémon agitou a cauda, balançando o chocalho e fez um silvo estranho com a boca.
Eu nunca estivera tão próximo de Serpio e me sentia apavorado de tê-lo diante dos meus joelhos, quase acima de mim. Encarei Haila e ela parecia apreensiva, resmungou um merda quando o enorme Pokémon arqueou o corpo. Ela sabia muito bem o que viria a seguir.
Serpio se arqueou como se fosse se encolher, mas então deu o bote, abrindo a boca enorme e agarrando o cara pelo ombro. Pude ouvir o choque do corpo do homem sendo imprensado entre a parede de pedra e o corpo esguio.
Rose se encolheu em um canto enquanto o companheiro gritava de dor, tentando empurrar o bicho com os braços. Sangue escorria do ombro pelo braço gotejando no chão enquanto o som que saia de Serpio parecia uma mistura de um silvo e um gorgolejo.
De repente, Haila se atirou no chão e eu só tive tempo de ver a cauda esverdeada chicotear na minha direção, me mandando para a parede do fundo. Minha cabeça bateu contra a parede e tudo ficou escuro, mas eu ainda podia ouvir os gritos do membro da Team Plasma.
— Rose, atire nele.
Eu sentia dor do lado direito do abdômen, onde Serpio tinha me atingindo. Quando minha visão voltou ao normal, vi que meu moletom estava manchado de sangue e presumi que a ferida que eu recebera no Contest tinha aberto com o ataque do Pokémon de Haila.
Rose apontava o rifle para o Pokémon, mas eu via que suas mãos tremiam exageradamente. Serpio deu outra chicotada de rabo, que atingiu a caixa com Pokéball e fez as esferas voarem pelo ambiente e rolarem pelo chão se misturando umas as outras. Então começou a enrolar seu corpo, girando o homem consigo. Sangue escorria para todo lado, enquanto sua voz ficava mais abafada e os ossos estalavam.
— Rose, sua inútil, me ajuda.
Mas a menina continuava na mesma posição, enquanto o Team Plasma sumia em um rocambole verde.
— Liberte-me – ouvi a voz de Haila ecoar alta na pequena câmara. – Se não fizermos nada seu amigo vai morrer. Liberte-me.
Eu podia ver a dúvida estampada em seu rosto. Rose amava Pokémon e não teria coragem de atirar em Serpio, mas ela também não era uma assassina e não deixaria seu companheiro morrer, o que a colocava em um impasse.
— Qual é, só eu posso ajudá-la – Haila disse firme. Eu não tinha muita certeza disso, pois Serpio não a obedecia, mas ela era a única ali que talvez pudesse fazer algo.
— Rose, faça o que ela diz – confirmei as palavras de Haila. Eu não entendia porque a loira queria tanto ajudar um membro da Team Plasma, ainda mais que ela era desejosa de vingança, mas no final, era Serpio e ela deveria se sentir na obrigação de fazer alguma coisa.
Rose jogou o rifle no chão e se abaixou ao lado da Haila, tirando uma pequena faca da bota e cortando as amarras de plástico. A loira verificou os pulsos que estavam bem machucados e se arrastou até chegar a Pokéball de Serpio, jogada em um canto qualquer.
A loira direcionou o raio para o parceiro, mas ele deu uma guinada de corpo, escapando do facho vermelho e escorreu o corpo pela saída mais estreita, arrastando o membro da Team Plasma consigo. Pude ouvir um som de deslizar enquanto Haila corria para a saída e espiava pela abertura.
— Onde isso dá? – Ela questionou se voltando para Rose.
A menina ainda parecia aturdida com tudo o que tinha acontecido e demorou até processar a pergunta da loira.
— No local das escavações.
— Precisamos ir até lá, preciso recuperar o Serpio.
— Vocês não podem ir até lá, Thiers disse...
— Ninguém se importa, garota – Haila rugiu.
Rose se encolheu, mas ao perceber que Haila não ficaria ali apenas porque ela pediu tentou correr e pegar o rifle caído, mas Haila chegou a arma primeiro, puxando –a milímetros antes da garota tocá-lo.
— Haila! – Gritei. Eu tinha medo que ela fizesse algo estupido no calor do momento, como acontecera quando enfrentara Skyla.
— Eu não vou atirar nela, embora ela merecesse – girou o rifle na mão e usando o peso do objeto acertou a coronha na testa de Rose, que ainda permanecia agachada após tentar recuperar o equipamento.
O corpo da menina caiu molemente no chão e um grande talho sobre a sobrancelha começou a jorrar sangue.
— Você está sangrando – Haila comentou finalmente reparando no meu moletom empapado. Ela deixou o rifle encostado em uma das paredes e se abaixou, recuperando a faca de Rose e cortando as fitas plásticas que amarravam meu braço. – Você está bem?
— Sim – estava doendo um bocado, mas eu não poderia me abalar por aquilo. Precisávamos recuperar Serpio e sair dali. Olhei no Xtransceiver na esperança de contatar Roxie, mas estávamos sem sinal.
Gastamos um tempo tentando encontrar nossas Pokéball no meio daquela bagunça. Havia muitas e elas estavam espalhadas aleatoriamente no chão. Quando finalmente terminamos, Haila enfiou a cara na passagem íngreme.
Não me parecia um caminho facil e muito utilizável. O chão era liso e inclinado e quase não havia iluminação.
— Como vamos encontra-lo? – Pelo tempo que havíamos perdido, Serpio já deveria estar longe.
— Nosso “amigo” da Team Plasma nos mostrará o caminho – Haila sorriu, apontando um rastro de sangue pelo chão.
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