SAKURA HARUNO

Rota 91 | Colorado

POOOOOUUU!

O barulho ensurdecedor seguido pelo cheiro de fumaça atingiu nossos rostos com violência.

— Merda! — Não precisava de muito para saber que Sasuke começaria a praguejar após o motor praticamente fundir no meio do nada. Maldita hora que decidi entrar no carro ao lado do melhor amigo do meu irmão com destino a Aspen em um fim de semana qualquer — Tenta ligar para o seguro?

— Esse carro entra no seguro? — questionei realmente impressionada. O Uchiha dirigia um ford mustang GT 1969 em estado de “Restauração” após herdá-lo de seu irmão mais velho.

— Apenas ligue para alguém, chiclete — bufou antes de fechar o capô com força.

Sasuke era quase cinco anos mais velho do que eu. Ele sempre foi bonito, discreto e inteligente, sua constante presença era reconfortante e mesmo após anos eu não me sentia completamente “curada” daquele paixão irritante.

Arrumei o óculos de sol e comecei a procurar o contato de algum guincho. Já eram quase cinco horas da tarde e estávamos parados em uma estrada deserta no meio do Colorado. A essa altura eu nem me lembrava do porquê desejei esquiar com Naruto e nossos amigos no fim de semana, já que uma viagem que deveria durar em média quatro horas de Denver até as montanhas havia se transformado em um martírio.

— Droga, não tenho sinal — Levantei do banco tentando encontrar algum ponto de rede. Sorte que o “conversível” do Uchiha facilitava meu pequeno malabarismo em busca por sinal. Mas no meio do caminho acabei me desequilibrando ao prender o pé no cinto, fechei os olhos esperando a dor após o tombo, mas a única coisa que senti foram os braços de Sasuke e seu perfume delicioso.

— Presta atenção, seu irmão me mata se você chegar com um arranhão — me ajudou a entrar no carro novamente.

Respirei fundo fingindo estar plena.

— Ainda sem sinal, Uchiha — bufei — O que vamos fazer agora?

O moreno olhou para os lados constatando que não havia uma viva alma naquela estrada desértica.

— Vou empurrar o carro até o acostamento — disse colocando as mãos na cintura — Uma hora vamos conseguir falar com alguém.



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Quatro horas haviam se passado, o vento gelado que vinha do enorme descampado me fazia bater os dentes dentro do carro. Sasuke havia fechado a capota e erguido os vidros, mas isso não parecia ser o suficiente para impedir o frio.

— Vamos congelar desse jeito — Sasuke esfregou as mãos uma na outra. Há pouco tempo ele havia caminhado até encontrar sinal e pedido ajuda, mas o único carro de resgate viria apenas pela manhã.

— Podemos manter nossos corpos aquecidos de outra forma — provoquei. Após alguns anos sustentando uma paixão platônica eu simplesmente decidi atacar. Óbvio que Sasuke sempre se esquivava de minhas indiretas, mas isso não me fazia desistir. No fundo eu sabia que ele gostava.

O vi revirar os olhos e sorrir antes de sair do carro.

— Vou fazer uma fogueira. Procure algo para comermos.

Revirei o porta malas até encontrar a bolsa térmica com alguns suprimentos. A nossa sorte era que eu tinha muito medo de ficar com fome em algum lugar que não tivesse alimento e sempre andava previnida. Minutos depois lá estávamos nós, sentados no chão ao lado do carro comendo salgadinhos e refrigerante dividindo uma única coberta enquanto a chama da fogueira aquecia nossos pés.

— Seu irmão deve estar louco — comentou após terminar de comer.

— Nem me fale — Suspirei — Ele não vai perder a oportunidade de dizer que sabia que ia acontecer. Bendita hora que inventei de vir após a prova.

— Pelo menos eu não vim sozinho — Sasuke comentou. Nós dois tivemos que viajar um dia depois de todos os outros por causa de compromissos. Eu tinha uma prova da faculdade e ele uma reunião de trabalho — Nem lembro quando foi a última vez que viajamos juntos.

— É a correria do dia a dia — bufei — Eu vou acabar surtando na faculdade.

— Falta apenas um ano, chiclete — suspirou.

— Pode ser, mas enquanto isso eu só preciso de férias, um porre e um novo amor… Acho que nem sei mais beijar na boca.

Ouvi a risada de Sasuke e suspirei. Encostei a cabeça na lateral do carro observando o céu. Não havia nuvens e a lua brilhava juntamente com as estrelas. Eu nunca teria a chance de ver uma noite tão linda em Denver. Senti que estava sendo observada e sorri.

— O que foi?

— Você parou de fazer piadas sexuais e insinuações maliciosas.

Sorri ainda mais e o encarei.

— Está sentindo falta?

Ele deu de ombros.

— Talvez.

Senti um frio na barriga quando ele devolveu um olhar intenso.

— Não brinca comigo Sasuke — adverti com sinceridade.

— Eu não vou — foi a única coisa que eu ouvi antes de sentir seus lábios sobre os meus. Seu beijo era incrível, muito melhor do que em meus sonhos juvenis. Aos poucos, nossas mãos foram ficando mais ousadas, os beijos mais exigentes e o desejo evidente. Estava pronta para subir em seu colo quando o uivo de algum lobo faminto nos fez interromper o beijo.

— Entra no carro — Sasuke disse em alerta e eu assenti morta de medo.



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Na manhã seguinte o guincho apareceu e nos levou a Aspen. Sasuke e eu não falamos nada sobre o beijo e esperamos Naruto fazer seu sermão para depois irmos dormir. Estava quase entrando no quarto quando fui puxada na direção oposta e prendada na parede.

— O que está fazendo? — questionei surpresa.

— Terminando o que começamos ontem — disse com um sorriso malicioso segundos antes de me beijar com desejo.

Quem diria que uma viagem de última hora e um acidente no meio da estrada me rendesse o romance que eu tanto esperava? Eu certamente precisava viajar mais. Quem sabe a onde essas estradas podem nos levar…

FIM

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