Roses And Shadows
2 Willas
Notas iniciais
Peço desculpas pela demora (faculdade, trabalho, artigo científico, meus Sete)mas agora me sinto muito animada em continuar. Hoje conheceremos o meu personagem favorito nessa trama... O futuro Lorde Willas Tyrell. (s2 rs')
Então, damas e cavaleiros, let's go.
Willas
''That I was young and unafraid,
When dreams were made and used and wasted.''
Les Misérables — I Dreamed A Dream
É impossível haver um dia desagradável em Jardim de Cima, pensou Willas, quando inclinou a cabeça para trás e deixou que o morno sol da manhã beijasse suas faces, como fazia com os perfumadíssimos nenúfares brancos que cresciam luxuriosamente na superfície do lago do bosque de caça. Colocou uma das mãos enluvadas em aba sobre os olhos e observou um minúsculo ponto castanho no glorioso céu azul hortênsia com nuvens de algodão. Um sorriso se desenhou em seus lábios ao ver o ponto mergulhar e crescer até parecer uma folha outonal planando no ar, e daí, descer como uma flecha rumo ao chão.
— Ele é realmente uma preciosidade, se me permite dizer, meu senhor — disse uma voz suave, mas terrivelmente vaga e monótona.
— Sim, ele é — concordou Willas, olhando para Alyn Ambrose, um jovem escudeiro que tinha uma cara que denunciava algum pouco de sangue Tyrell em suas veias. Willas gostava da companhia dele durante a falcoaria, mas ultimamente o rapaz andava boiando nos assuntos mais do que as folhas outonais que a brisa fazia flutuar no espelho da lagoa.
É por causa dela, concluiu, sem saber se ria ou se sentia pena do garoto. Não tinha a menor experiência nessas coisas do coração, e estava suficientemente bem assim. Mas uma onda de curiosidade o assaltou enquanto encarava o escudeiro cabeça de vento, tão avoado que nem reparou seu olhar analítico.
— Alyn — disse, em tom baixo, sem obter reposta. Deu um sorriso — Alyn.
— Senhor? Chamou-me? — disse o jovem, piscando como se tivesse acabado de acordar.
— Está deavaneando.
— Me perdoe, eu não...
— Vai me pedir perdão por seus pensamentos e preocupações? Poupe-me, Alyn.
— Certo.
— Está preocupado, meu caro?
— Eu... Sim, senhor. Não consigo me concentrar direito em nada.
— Percebi isso por suas falas vagas. Não são do seu feitio. E isso já faz algum tempo, não? — Willas sabia exatamente quanto tempo, mas queria ouvir do próprio escudeiro.
— Faz sim.
Willas inclinou languidamente o rosto para trás mais uma vez e disse:
— O que o aflige, Alyn?
— É Elinor. Minha prometida. Prima do senhor.
Elinor era uma jovem Tyrell menor, bonita e viva e já uma donzela florescida. Agora estava em Porto Real com Margaery, fazendo-lhe companhia na corte do Rei Joffrey Baratheon, o noivo da irmã de Willas.
— Conheço Elinor — disse, um tanto zombeteiro. Falar dela deixava Alyn tímido, o que sem dúvida era interessante de se ver. — Não deseja se casar com ela?
— Oh, senhor, não há nada que eu deseje mais — respondeu o garoto com fervor — Mas isso só será possível quando me tornar cavaleiro.
Eu poderia tê-lo armado, caso tudo tivesse sido diferente. Sor Alyn Ambrose, armado por Sor Willas, o próximo Lorde Tyrell, devaneou por uns segundos. Mas Willas nunca tinha sido cavaleiro, e jamais seria, e naquelas condições era mais provável que seu irmão Garlan ou seu pai, o próprio Lorde Mace Tyrell transformasse Alyn em um cavaleiro.
— Então, deve estar com saudades de sua bela rosa — deduziu.
— E como, senhor. Mas não só isso — Alyn suspirou, enigmático — Sem falar que ela ficou numa corte cheia de tantas pessoas novas...
— Especialmente jovens nobres e galantes cavaleiros — alfinetou Willas, rindo internamente dos ciúmes do outro, que limitou-se a crispar os lábios, ainda mais avoado e preocupado.
Desde que Lorde Mace Tyrell tinha partido de Jardim de Cima para juntar-se a Renly Baratheon em favor de sua pretensão ao trono, Alyn estivera em suas fileiras. E mais tarde, quando Margaery partiu de casa para casar-se com o jovem Joffrey Baratheon, Elinor a acompanhou na viagem de encontro a Porto Real, e consequentemente, Alyn. Mas agora ele estava de volta a Jardim de Cima, chegado havia poucos dias, quase que sozinho... Willas tocou-se que não sabia o motivo do retorno do outro, e isso inquietou-o.
— Na Batalha da Baía da Água Negra, usei o favor dela, e seu nome como grito de guerra — comentou Alyn — Gostaria de saber quando irei revê-la.
— Porque retornou a Jardim de Cima, Alyn?
— Lorde Mace e a Senhora Tyrell ordenaram que eu retornasse.
A Senhora Tyrell. Willas crispou os lábios. Nunca citavam a mãe assim, pois geralmente ela delegava todas as ordens exclusivamente ao marido. Não era essa a Senhora Tyrell a que Alyn se referia. Era a outra senhora Tyrell, muito mais 'participativa' — e velha — que sua doce mãe de origem Hightower. Prosseguiu:
— Mais alguém retornou?
— Sim, principalmente os senhores de terras muito próximas de Dorne, como Lorde Leery. Vim na comitiva dele. Lorde Tyrell achou por bem reforçar as terras fronteiriças, pelo menos enquanto permanece em Porto Real.
Inteligente, pensou Willas. Demais. Olenna, sempre ela. Quase sentiu uma pontada ao notar a influência da velha avó Redwyne, a chamada Rainha dos Espinhos. Não era exatamente uma coisa agradável pensar nela. Um ruflar de asas o distraiu.
— Bravo, Ael. — sorriu, enquanto um enorme falcão-de-peito-laranja com belas penas negras e castanho-douradas abandonava uma lebre branca aos seus pés para empoleirar-se em seu braço direito. O peso e a força do falcão fez sua perna esquerda vacilar um pouco, mas a bengala o susteve bem, como sempre. As garras de Ael rasparam o grosso couro de suas luvas, sem contudo feri-lo. Ainda tinha uma ou duas leves cicatrizes, de certas vezes que algum deles o tinha pego desprevenido e se empoleirado em seu braço desprotegido.
Alyn pegou a lebre alva.
— Que belo troféu, esse falcão pegou. Essas lebres brancas são raras por aqui.
Willas tocou-a, e sentiu que ainda estava quente, seus pelos cor de neve curtos e cerrados como veludo. Disse:
— Bem, acho que seria bom voltarmos, Alyn. O sol já está a pino. A lebre dará um belo par de luvas ou sapatos para alguma de nossas jovens rosas.
— Como desejar.
Entraram num pequeno barco e começaram a remar rumo a margem oposta do lago, que dava diretamente para um átrio do castelo. Poderia ter deixado Alyn remar sozinho, mas gostava do exercício dos braços. Pelo menos isso.
Quando finalmente chegaram ao átrio e desembarcaram, Willas entregou o falcão e a lebre a um de seus serviçais, e já se preparava para entrar no castelo quando outro ruflar de asas o atraiu. Virou-se e surpreendeu Alyn quebrando o selo de alguma mensagem trazida por um corvo excepcionalmente treinado que ainda se afastava voando. O rapaz ficou pálido, e em seguida vermelho, e Willas notou que ele tinha feito uma ameaça sem sucesso de esconder o papel sem que ele visse. Começou a sorrir, imaginando que fosse alguma carta ou notícia de Elinor, quando seus olhos acusaram um outro indício.
Na carta, ainda havia restos da cera do selo do remetente. E não era verde, como qualquer um dos Tyrell usaria, incluindo Elinor. Era púrpura.
Olenna. Outra vez.
A avó nunca tinha deixado de usar essa cor dos Redwyne da Árvore em seu selo pessoal, mesmo depois de casada. Willas sentiu-se mal e enjoado, enquanto o outro ficava da cor do selo de Olenna ao encará-lo.
— Parece que temos uma amiga em comum, Ambrose — disse o mais velho, em tom cortante — a essa altura Alyn parecia uma maçã quase podre, vermelho com manchas amarelas e mole — O que anda conversando com minha amanda avó, Alyn? Acho que teremos mais um assunto para animar nossas manhãs — e enraivecido, arrebatou a carta das mãos de um Alyn aterrorizado.
Correu os olhos pela carta. Seus olhos arregalaram-se e encarou Alyn, surpreso. O outro fitou seus pés e murmurou:
- Foi por isso que retornei a Jardim de Cima, senhor.
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