Rose Winchester- A Filha De Sam
27 Rose está arrependida?
Notas iniciais
...Castiel tratou de ficar de vigia, para se certificar que mais nenhum anjo seria enviado para vigiar seu trabalho. Outra angústia que o anjo tinha era de que Deus estivesse tão furioso com ele, que o recolhesse antes que pudesse trazer seus amigos de volta à vida. A dor de perdê-los para, definitivamente, era muito grande. Com eles, teve experiências muito diferentes e aprendeu diversas coisas, algumas não tão recomendáveis para um anjo, diga-se de passagem. Ele pegou os corpos dos amigos, escondeu em um dos armários de vassoura e limpou os resquícios de sangue, que delatariam os suicídios.
Após um período de dor inenarrável, os irmãos abriram os olhos. Diferente do que esperavam, que seria estarem rodeados de demônio os torturando, tudo parecia calmo. A paisagem era acinzentada e lagos de fogo não eram avistados.
–Tá diferente do que eu lembrava. — resmungou Dean.
–Será que aqui não é o inferno?- contestou Sam.
Os irmãos foram caminhando lentamente pela paisagem morta, prestando atenção em todos os lados, com a expectativa de que, a qualquer momento, algumas dúzias de demônios viessem chicoteá-los. Continuaram caminhando, caminhavam, caminhavam e parecia que nada mudava. Era como se caminhassem em círculos, tudo era igual, como se estivessem sem saída.
–Temos que continuar andando, Dean.- falou Sam, ao se deparar com o irmão se sentando em uma pequena rocha.
–Tem razão. — concordou o irmão mais velho.
Depois de um certo tempo, atentamente, Samuel avistou algo que parecia com uma chave antiga. Der repente tudo mudou, o céu escureceu rapidamente e um caminho sinuoso se formou na frente deles, que se bifurcava. Os caminhos levavam à direções diferentes, mas não se sabiam os destinos. Elas eram longas, não se via o final delas, nem havia nenhuma placa que indicasse onde era o castelo do diabo.
–Vamos pelo esquerdo. — decidiu Dean.
–Por que o esquerdo?- perguntou Sam.
–É só a minha intuição. — respondeu. O irmão mais velho acabara de receber, o que parecia com uma transmissão de pensamento, como se alguém estivesse apenas colocando as ideias em sua cabeça para ajudá-los. Ele imaginava que fosse o anjo Miguel. Então, os irmãos seguiram pelo caminho esquerdo.
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No quarto do castelo em que estava, Rose parecia atordoada. Sentia uma dor terrível em sua cabeça. Os pensamentos vinham como flechas e espetavam o seu cérebro, os bons e os maus. Lembranças vinham como flashes em sua cabeça. A primeira vez que bebeu o sangue do gato, as festas com os amigos, quando derrubou uma inimiga do topo das pirâmides das cheerleaders, mas a que mais a marcava era de quando abraçava seus entes queridos, Dean, sua mãe adotiva, Castiel, Mikael e especialmente seu pai. Imersa em suas memórias, a adolescente nem escutou o ranger da porta de seu quarto sendo aberta.
– Achei que pudesse estar com fome.- falou um demônio com fisionomia humana e ar grosseiro, puxando uma criança pelo braço.
–Quem é você?- perguntou
–Sou Alastair.- respondeu a criatura das trevas que possuía olhos tão brancos quanto claras de ovos. Rose permaneceu em silêncio, encarando-o, ele a analisava dos pés a cabeça, com um olhar malicioso, imaginando quão prazeroso seria escutar os gritos de dor da garota sendo torturada. Porém, isso não seria possível, Lúcifer deu ordens explícitas para que nenhum fio de cabelo da cabeça dela fosse tocado.
Irritado com a falta de resposta da mais nova moradora do inferno, estendeu o braço da criança na direção dela, fazendo os ossos do pulso da pequena menina de cabelos encaracolados ficarem salientes. A garotinha olhava para Rose com os olhos marejados, afinal, ninguém gostaria de ser jantar de ninguém.
–Aproveite!- exclamou Alastair se retirando do aposento e deixando as duas sozinhas.
–Não se preocupe, não farei nada contra você.- falou Rose se abaixando para ficar na altura da criança que ainda se encontrava extremamente assustada.
–V-você é diferente do que eu pensava.- sussurrou a menina.
–É mesmo?
–Sim, disseram que você era pior do que ele.
–Do que quem?
–Do que o diabo.- Rose se sentiu bastante ruim com essa comparação.- Mas isso não é verdade.- completou a pequena.
–Fico feliz.- respondeu sorrindo.- Como você se chama?
–Isabel.
–Que lindo nome!- exclamou.- Como você veio parar aqui?- após escutar essa pergunta, Isabel começou a ficar com os olhos marejados.
– Eu joguei o meu irmão da escada e ele morreu. Depois eu me matei, porque não aguentava mais viver.- Rose ficou chocada com a declaração da pequenina, mas não deixou isso transparecer.
–Você se arrepende?
–Sim e, por isso, ainda tenho esperança de sair daqui!
–Tem uma maneira de sair daqui?
–Claro!- respondeu- Dizem que daqui a um tempo vai ter o juízo final e que aqueles com coração sincero vão ser levados pelo espírito bom para o paraíso. Mesmo os que estão aqui no inferno terão direito a uma segunda chance. Mas eu tenho algumas desconfianças desse prazo.
–Que desconfianças?
–Me contaram que o julgamento de todos vai ser junto, mas já teve um caso aqui de um homem que foi tirado do inferno e voltou pra vida dele.
–Como assim?- perguntou a adolescente incrédula.
–É isso mesmo, ele foi tirado daqui por um anjo.- Isabel estava se referindo a Dean.
–Espero que consiga sair daqui.- Rose abraçou a pequenina e quando seu vestido manchado e surrado foi levemente repuxado pelo abraço, avistou diversos arranhões e feridas. – Quem fez isso?
–Ah, foi Alastair.- respondeu cabisbaixa- Ele tortura todo mundo todo dia, só não está me torturando agora porque estou aqui com você.
–Isso é terrível!
–Bom, ele é um demônio, já era de se esperar. Ele já me fez uma proposta, mas se eu aceitasse não teria a mínina chance de ir para o paraíso.
–Vou falar com o chefe dele, te prometo que ele nunca mais vai te fazer isso.
–Obrigada.- agradeceu sorrindo – Preciso ir agora. Tchau, Rose!
–Tchau, Isabel!
Depois que a menina deixou o recinto, a adolescente foi em direção a sala de estar na qual o diabo repousava.
–Precisamos conversar.
–Pode dizer.- disse o mestre das trevas após bebericar algo em seu cálice de ouro.
–Eu exijo que as torturas parem!- respondeu arrancando risadas dele.
–Impossível.
–Olha, eu sei que estou aqui porque tenho alguma serventia pra você, então, para eu permanecer aqui você precisa me agradar.
–Para permanecer aqui? Você não tem escapatória, quando decidiu vir comigo todas as suas possibilidades de ser feliz foram pelo ralo. Não acredite no que uma criancinha diz, aliás, já cuidei dela.
–O que você fez com ela?- perguntou visivelmente alterada.
–Digamos que ela nunca mais vai contar mentiras, mesmo que essa fosse uma característica admirável. Agora, pode se retirar, vou ir até o jardim ver torturas, é emocionante quando as feridas abrem.
Rose precisava se conter, estava cercada por um exército do mal e não conseguiria vencê-los, não sozinha.
...
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