Rose Winchester- A Filha De Sam
24 Do que você tem sede?
Notas iniciais
No esconderijo dos Winchesters, Rose treinava incessantemente:
-Impressionante!- elogiou Mikael, admirado pelo resultado do treino, só estavam treinando a algumas horas e Rose conseguia fazer coisas levitarem, pegarem fogo ou explodirem, sem ao menos mexer um dedinho, só com o poder da mente.
-Acho que estou me saindo bem.- disse a adolescente modesta.
-Seu desempenho está sendo ótimo. Seus resultados positivos chegaram antes do que eu imagina. Conseguiu realizar as tarefas com tamanha rapidez e vigor... mais rápido que Gabriel. — disse empolgado
-Você acha mesmo?- falou Rose se aproximando, seu tom de voz tinha mudado, de doce passou para impetuosa e provocante, ela estava se aproximando,causando certo desconforto no arcanjo.-Sim, eu acho- respondeu
-Eu tenho outros dons, sabia? Quer que eu te mostre?- cada vez chegava mais perto dele
-Não, vamos continuar. Quero que tente materializar um vaso de cristal.- falou o arcanjo tentando se esquivar da tentativa de sedução, por parte de Rose, que acontecia naquele cômodo.
-Materializar vasos de cristal? Ah, qual é? Em que isso vai me ajudar na luta contra Lúcifer? Por acaso ele coleciona vasos? Quer que eu crie um pra coleção dele?- zombou a garota, não obtendo resposta de Mikael sobre a piadinha besta que acabara de fazer, continuou a falar- Sabe o que eu acho? Que você está tentando desconversar para evitar que algo aconteça, porque você não consegue resistir a mim. – seus lábios estavam agora a poucos centímetros, por que Rose fazia isso? Por que ela tinha essa necessidade de provocar o pobre arcanjo e dificultar a missão dele? Por que? Será que Rose estava deixando seu lado satânico aflorar propositalmente?. Antes que algo que comprometesse o cargo de arcanjo de Mikael acontecesse a porta se abriu e apareceram Sam, Dean e Castiel, a entrada inesperada fez Rose dar um pulo para trás, o que causou alívio ao arcanjo.
- Filha, o que está acontecendo?- disse Sam estranhando a aproximação entre Mika e Rose quando entraram no cômodo.
-Nada!- se apressou em responder- Eu aprendi muitas coisas enquanto estiveram fora, olhem. — falou materializando um vaso de cristal em cima da mesinha no canto da sala.
- Uau!- exclamou Sam surpreso.
-Ah, saquei, vai tacar isso na cara do diabão!- brincou Dean fazendo todos na sala rirem, menos Mikael.
-Eu preciso tomar um ar- disse o arcanjo se direcionando para a varanda
-Ele tá bem?- perguntou Castiel
- Cas!!- gritou Rose abraçando o anjo- Você voltou!!
-Sim- disse retribuindo o abraço.
-Estou tão feliz, achei que Deus ia continuar de pirracinha, deveria se ter o mínimo de maturidade pra ser o dono do mundo- debochou a garota.
-Não fale assim- repreendeu o anjo diante do que ela tinha falado.
-Que seja... Olhem o que mais eu sei fazer- disse Rose incendiando uma das cortinas da sala.
-Ficou doida? Para com isso Rose!- gritou Sam preocupado.
-Ai, fiquem calmos!- imediatamente as chamas desaparecem e se não fossem as cinzas e o pouco de tecido queimado que ainda existia no varão, ninguém acreditaria que haviam chamas naquele cômodo, muito menos cortina.
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Na varanda Mikael pensava no que quase acabara de acontecer. Cada vez que coisas daquele tipo corriam ele se sentia sujo, se sentia mal, como um traidor da palavra de Deus, um pecador sem escrúpulos.
-Está difícil meu pai- se lamentava- Castiel pecou e o senhor lhe deu uma segunda chance. Mas no meu caso o pecado seria muito pior, o pecado da luxúria é um dos mais repulsivos existentes. Eu não sei porque ela mexe tanto comigo, arcanjos não foram feitos para amar, só para adorá-lo meu mestre celestial- Mikael chorava, se encontrava numa situação nunca vivida antes.
-Eu nunca lhe daria um fardo que não pudesse suportar. Minhas provações são baseadas na fé e lealdade de cada ser que criei- disse uma voz, tão suave e acolhedora, era Deus.
-Meu pai, não seria melhor que tivesse dado essa missão a outro arcanjo? Algum mais experiente...
- Se eu escolhi você é porque é capaz, apenas confie...- a voz sumiu aos pouquinhos deixando o arcanjo sozinho, olhando para as estrelas.
-Eu confio...- a solidão do arcanjo foi rompida com a chegada de Sam.
-Mikael- chamou Sam
-Quer saber como foi o treinamento da sua filha?- perguntou
-Na verdade, sim...
-Ela foi fantástica, mas...- ele foi interrompido antes que pudesse continuar.
-Mas? Tem algo de errado com ela?
-Sim, ela não é mais a mesma. Está mudando e já faz um tempo que percebi isso.
-Você acha que ela está se transformando num ser maligno?
-Acredito que o mal que há dentro dela está aflorando Samuel. Temos que observá-la mais atentamente, se não podemos perdê-la- Mikael estava sendo muito franco em suas palavras, desde sempre soube que a situação da garota era delicada, em algum momento o lado demoníaco delacresceria e ela deveria saber controlá-lo ou então penderia para o mal e destruiria o mundo, tendo seu destino certo o inferno e o sofrimento eterno.
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Algumas horas depois todos dormiam na casa, menos Mikael, ele estava ajoelhado orando num pequeno escritório que ficava no porão da residência.
Com sede, Rose levantou de sua cama, já estava perto do amanhecer, desceu as escadas e foi até a cozinha, sua garganta estava seca. Bebeu um copo d'água, mas a sede não passou. Tomou mais um e sua garganta continuava seca. Tomou suco, refrigerante, leite, nada cessava sua sede. A agonia começava à lhe invadir, sua garganta coçava, ardia, não estava mais aguentando aquela sensação, era como se estivesse sem beber nada a dias. Uma ideia lhe surgia a cabeça, talvez a solução de seu problema, talvez um momento de loucura que quisesse reviver. Ela precisava dar uma volta, para se certificar que não seria seguida trancou todas as portas sem fazer nenhum ruído, se direcionou a varanda e por lá ficou observando o que estava acontecendo na rua. Logo viu que nenhuma pessoa passava por lá, todos deveriam estar dormindo, ela também deveria, mas não estava.
Com um pequeno esforço mental a adolescente levitou e desceu até a calçada, por lá caminhou e nada, não havia ninguém. Sua sensação de agonia não passava, estava aflita. Até que avistou um pequeno animal, um filhotinho de gato, amarelinho com branco,aparentava ter poucos meses de vida. Os olhos de Rose se encheram de desejo ao se deparar com o felino. A garota se abaixou e começou a chamar o gatinho:
-Vem aqui neném, não vou te fazer mal- o ingênuo animal foi ao seu encontro e na primeira oportunidade a garota abocanhou a barriga da criatura que deu um grito de dor, seu último grito.
Rose arrancava as tripas do animal com muita voracidade e procurava as artérias e veias para ingerir todo o sangue do animal. Quando a última gota de sangue desceu pela sua garganta a saciedade a envolveu, a agonia havia acabado. Jogou o cadáver para um lado, se levantou e retornou a sua casa como se nada tivesse acontecido.
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