Rose Kiss

9 Michael Ross


Notas iniciais
Olá queridos leitores! Depois de um ano voltei finalmente. (é, o fim do hiatus do mangá também teve efeito em mim) Peço desculpa se existirem erros, pois usei um software que não tem um bom corrector. Por isso se encontrarem algum, peço que digam >.< Para aqueles que já leram o capítulo 219, o que acharam?

Tentei chegar o mais depressa possível perto de Lavi, mas quando lá cheguei já estava o grupo todo reunido.... E no meio, o corpo de um homem deitado no meio das flores. Lavi verificou a pulsação. Pela expressão dele percebi que já estava morto.

–Vou ver se encontro algo que o identifique. — Disse

– Ok, nos vamos ver se encontramos mais qualquer coisa. -propoz Lenalee.

Agora que me deixaram a sós com o cadáver, comecei a analisá-lo.

Era um homem com os seus vinte e tal anos, loiro, e devia ter a mesma altura que o Krory-vampiro. Estava vestido formalmente e usava chapéu.

Vasculhei os bolsos do casaco que o homem usava. Encontrei vários cartões de contacto: “Michael Ross, Jornalista vinte e quatro horas por dia no Holand Times.”
“Que originalidade”, pensei.

– Oi! Minna! Já sei qual vai ser a nossa próxima paragem. — Chamei-os.

– Então, encontraste alguma coisa? — Perguntou Lavi.

– Yup. Este aqui, — fiz zinal com a cabeça para o cadáver — chama-se Michael Ross e é jornalista. Olhem. — Mostrei-lhes o cartão.

– É melhor irmos andando…

– Sim, já lá vou, vão vocês andando, não me demoro nada.

– Arranquei uma tulipa ensaguentada e embrulhei-a num lenço. Não sei porquê, acho que nos vai ser útil.

Ao levantar-me, o Sol encandeou-me. Coloquei o braço por cima da testa para fazer sombra. Estranho, as flores pareciam que faziam reflectir toda a luz. Até mesmo os moinhos…

Enfim, não podia estar muito tempo aqui, os outros estão à minha espera para partir.

Dirigi-me para a carroça pronta a partir em viagem, a pensar onde poderia estar a inocência.

Já sobre rodas, Lenalee não hesitou em perguntar o que é que fui fazer.

– Não sei se vocês notaram, mas reparei numa coisa estranha.

Tirei o lenço que continha a planta, agora manchado de vermelho. Coloquei-o nas mãos de Lenalee.

– I-Isto é o que eupenso que é? — Disse Lenalee um pouco chocada, ao desembrulhar o bocado de tecido.

– Sim, as túlipas na verdade são brancas…

Lavi tirou a flor das mãos de Lenalee, e analisou-a detalhadamente.

– Não há dúvidas que é sangue… Mas custa-me acreditar que foi derramado tanto assim para cubrir todas as plantas. — O Bookman lá sabe…

– O que é estranho é os moinhos não estarem com nem um salpico de sangue — interveio Krory que até agora estava a assistir silenciosamente à conversa. Eu por acaso não tinha reparado nesse pormenor, mas realmente o vampiro-chan tinha razão.

Parámos em frente da sede do tal jornal. Lavi bateu à porta e esta foi aberta por um homem gordinho e pequeno (pequeno para um homem, porque tinha quase a mesma altura que eu).

– Os senhores, o que desejam? — Perguntou um tanto irritado por estarmos a incomodá-lo.

– Queriamos falar com o director disto… — Disse Lavi, como nosso porta-voz. — Pertencemos à Ordem Negra. — A expressão do homem pareceu mudar quando soube da nossa identidade.

– C-claro, entrem. Venham até ao meu gabinete. — Deu-nos passagem. Várias mesas cheias de papelada e ocupadas por máquinas de escrever. A desorganização reinava no espaço, e dava um aspecto desleixado àquele lugar.

À medida que íamos passando, olhares curiosos dos jornalistas que teclavam nas máquinas pousavam em nós.

O director abriu a porta para uma sala isolada da confusão daqui, Este sentou-se na sua secretária, seguidamente de mim e de Lenalee, pois havia apenas mais dois lugares.

– O que pretendem? Antes de mais, não falei nada sobre vocês, muito menos publiquei nada, por isso estou inocente.

– Não, não é nada disso — Interrompi o homem. — Estamos no meio de uma missão… Não posso revelar muita coisa mas encontramos um dos seus homens morto, num campo de túlipas que pertence aqui à cidade…

– Não pode ser, esse campo foi abandonado há vinte anos… — pareceu nervoso.

– Bom, para um campo abandonado, estava bastante bem tratado. Demasiado, até. — Disse Krory.

– Foi o Ross não foi? Bem me pareceu um pouco estranho ele não aparecer aqui às cinco da manhã, à hora que ele entrava.

– Senhor director, posso saber onde arranjou esse olho negro? — Perguntou Lavi.

– Eu juro! Eu não o matei! Não fui eu!

– Só queremos saber como o fez, não estamos a insinuar nada. — A delicadeza de Lenalee pareceu descontrair um pouco o cobarde homem.

– E-Eu não me lembro… Acordei de manhã já com ele. Podia seer qualquer coisa.

– Estou a ver. E não acha estranho nesta cidade haver muita gente ferida?

– Não, nem por isso. Não me quero meter nos assuntos dos outros. Mas há vários motivos. Maridos a bater nas mulheres, homens a serem maltrataados no trabalho… O mundo é cruel, sabia?

Não sei porquê, o homem barrigudo não me inspirava confiança nenhuma. Sempre a responder a perguntas precipitadamente, como se tentasse esconder alguma coisa, sempre a fugir com o rabo entre as pernas, e ainda por cima responde como se tivesse o rei na barriga. “Não me quero meter nos assuntos dos outros”. Tsc, tretas. O homem é jornalista.

– Assim tão cruel para toda a população deste lugar sofrer mazelas? Não sei como funciona aqui, mas acho que todas as cidades têm os seus pontos negativos, e não se vê tanta gente ferida como aqui.

– Eu não sei mesmo o que se passa. A maioria diz que não se lembra, cá para mim é para não serem descobertos que são vítimas. Mas, como já disse, não me quero meter nisso.

Eu ia continuar a minha “discussãozinha” se Lenalee não tivesse falado mais cedo que eu.

– Claro, claro, acredito no senhor. Sabe se Michael Ross tinha familia… Alguém próximo…?

– Oh, sim. Ele morava com a esposa.

– Podia-nos dar a morada? Gostariamos de falar com a sua esposa. — Perguntou Lavi.

– Sim, esperem um pouco.

– O homem começou a vasculhar papel atrás de papel, pasta atrás de pasta, até que, depois de se passarem alguns minutos, escreveu a morada num papelinho e entregou-nos.

Batemos à porta de uma pequena casa. Podia dizer que não ganhavam lá muito no final do mês.

Atrás da porta, apareceu uma mulher morena, de cabelos castanho claro comprido e olhos azuis. Usava um vestido azul simples.

– Peço desculpa por estar a incomodar, somos da Ordem Negra e infelizmente viemos trazer-lhe uma notícia muito triste. — Introduziu Lenalee. A mulher ficou um pouco assustada. Pudera, não é todos os dias que é abordada por estranhos exorcistas.

– Claro. Entrem por favor.

A senhora guiou-nos até à sua sala de estar que só tinha dois sofás, no qual nos sentámos depois de ela pedir para tal.

– É sobre Michael, não é? Ele ontem não veio para casa à noite.

– Hm… Como é que eu ei de começar… Sim, é sobre o seu marido — “Tentei começar mas Lenalee tocou-me no braço como se avisasse que fosse ser ela a falar.

– Senhora Ross… Viemos aqui pois achei que devesse saber por nós ja que encontrámos o seu marido, mas entristece-me dizer que ele não se encontrava nas melhores condições… — Mesmo a subtileza das palavras de Lenalee atingiram violentamente aquela pobre mulher.

– N-Não me digam que ele… que ele… — A rapariga tentava não chorar, ao cobrir o seu rosto com as mãos. O corpo, que não aguentava com a tristeza, tremelicava por todos os lados.

– Lamento imenso… — Continuou Lenalee. Foi a última gota. A mulher começou seriamente a chorar e Lenalee abraçou-a numa tentativa de a acalmar.

– Eu espero lá fora… — Disse Lavi.

– Vão… Eu ainda fico um pouco. — Respondeu Lenalee.

Aproveitei a boleia dos rapazes para fugir ao constragimento daquela situação. Eu não era boa ao lidar com pessoas, muito menos quando estas sofriam.

E assim ficámos, à espera de Lenalee na rua, com o vento a baloiçar os meus cabelos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.