Rose Garden
6 Capítulo 5 - Quarto dia/Adeus Rose
Notas iniciais
Andei o caminho inteiro com aquela cena rodando na minha cabeça de novo e de novo sem parar. Aquele beijo mexeu muito comigo, de uma maneira que eu nunca pensaria que iria mexer. Eu cheguei no quarto, troquei de roupa, escovei os dentes e fui me deitar. Até joguei água na minha cara só para verificar se eu não estava apenas sonhando e para minha sorte, era tudo verdade. Desde o ônibus quebrado até o beijo. Não podia acreditar na sorte que tive, posso não ser a pessoa mais sortuda do mundo, mas desde ontem comecei a me sentir com tal. Fui dormir e advinha com o que eu sonhei, se você falou Rose, acertou em cheio. Como sempre, não me lembro do sonho, afinal, raramente isso acontece.
Acordei com meu pai me balançando de um lado para o outro gritando meu nome. Ele realmente parecia entusiasmado:
- NICK! NICK! Acorde! – Ele continuava me balançando- O que foi pai? – Me virei com a cabeça de cara para o travesseiro e me cobri com o edredom
- Acorda Nick! Temos que ir!
- O que? Como assim temos que ir? – Me virei para ele
- A peça do ônibus chegou. Vamos embora daqui à uma hora.
- O QUE!? – Me levantei – A peça só ia chegar amanhã.
- Eu sei, mas eu andei mexendo meus pauzinhos.
- Mas como? Por que você fez isso?
- Nick, nós precisamos ir fazer um show em Washington amanhã. Você não pode mais adiar. Já adiamos 2 dias.
- Eu sei, mas...mas...
- Sem “mas”! Arrume logo as suas malas e vamos.
Ele saiu do quarto e me deixou sozinho para arrumar minhas malas. Não consegui acreditar no que estava para acontecer, como eu ia deixar a Rose? Como eu ia ir embora deixando meu amor para trás? Tenho que falar com ela!
Coloquei uma roupa qualquer e sai correndo atrás dela, nem me preocupei com o café da manhã, quem precisa de comida em uma situação como essa? Quando estava no saguão meu pai me parou:
- Nick, aonde você está indo? – Ele me disse me parando
- Tenho que resolver alguma coisa. – Falei tentando ir mas ele me parou de novo
- Já arrumou sua mala?
- Não. Ainda não. – Ele me segurou pela última vez
- Então vá arrumar!
- Pai, tenho que fazer uma coisa realmente importante...
- Mas antes você precisa fazer sua mala. Seja o que for, pode esperar.
- AHH!
Subi para o quarto correndo de novo e joguei tudo o que tinha guardado no armário dentro da minha mala, estava demorando porque estava tudo desarrumado e não cabia dentro da mala direito. Sentei, chutei, soquei, joguei ela no chão, mas a mala não fechava de jeito nenhum. Com o tempo que estava levando resolvi arrumar a mala direito: Tirei as roupas, as dobrei e joguei dentro da mala. Assim consegui fechar
.Pulei minha mala em desespero para chegar até a porta. Abri ela e sai correndo, até esbarrei em uma pessoa. Gritando “Desculpa” fui embora falar com a Rose. E no saguão não tinha meu pai para me impedir dessa vez. Peguei o primeiro táxi que vi e fui direto para a Rose Garden, só que o estranho foi que quando eu cheguei, não tinha ninguém lá dentro, nem a Rose com aquele sorriso de sempre no rosto. O que aconteceu?
Vi uma pessoa se aproximar e cheguei perto dela:
- Me desculpe, mas por que a floricultura está fechada?
- Ah, a menina que trabalha ai está na escola!
- Obrigado. – a pessoa assentiu e foi embora.
Claro! Como não tinha pensado nisso antes? Hoje é segunda e ela tem aula. Respirei bem fundo e fui para algum lugar tomar café da manhã já que não estava aguentando mais a fome.
Depois de tomar café, voltei para o hotel e fiquei lá até dar umas...hum...sei lá, umas 11.45. Nem sei, não olhei para o relógio pensando no que poderia fazer com a Rose, mas acho que não conseguiria dizer adeus para ela, afinal, depois da turnê não vou poder voltar para cá, estarei em casa trabalhando com os Jonas. Nunca mais verei a Rose. Mas como disse, sou péssimo em despedidas, não consigo dizer “tchau” sem magoar a pessoa, e com ela, não agüentaria ver ela magoada. Não consigo ver ela chorando pela mãe, imagina por mim. Acho que eu prefiro morrer do que vê-la chorando por mim. Mas não quero ir embora sem dizer para ela pelo menos uma explicação.
Fiquei um tempo pensando se iria encontrá-la, ou iria ir sem pensar duas vezes. Depois de um tempão decidi, não vou encontrá-la. Vou ir embora com a última imagem da minha cabeça: ela embaraçada porque me deu um beijo.
Prefiro ir embora assim. Sem nenhuma lágrima caindo, não dela, mas minha. Acho que seria eu quem iria chorar por ter que ir embora e deixar ela para trás, meu amor, Rose.
Meu pai me chamou e eu comecei a pegar minhas malas e a flor que tinha comprado no primeiro dia. Fomos lá para baixo e pegamos um taxi pois o ônibus estava aonde ele começou. No lugar aonde ele quebrou. Era 12:00 e não tinha ninguém porque provavelmente estavam almoçando. Todos tinham entrado e só faltava eu. Dei uma última olhada na cidade e estava colocando o pé no degrau para subir quando:
- Nick? – Me virei
- Rose? – Desci e me virei totalmente para ela – O que você está fazendo aqui?
- A aula acabou mais cedo hoje, o professor faltou. Eu estou indo abrir a floricultura. Mas o que você está fazendo aqui? – Ela olhou o ônibus e me olhou de novo – Nick, o seu ônibus não tinha quebrado?
- Tinha, mas meu pai achou a peça e...bom...a gente está indo embora.
- E você ia ir embora sem falar comigo?
- Sim. É que...
- Então, você ia ir embora e me deixar te esperando na floricultura? – Ela riu se aproximando
- Mais ou menos. – Ela parou – Era pra eu ir embora e você não esperar por mim.
- Mas como eu não iria esperar por você?
- Eu não sei. Eu achei que...
- Você achou o que? Que eu não ia me apaixonar por você? Que eu não ia...
- Espera, você está apaixonada por mim?
- Por que você acha que eu te beijei?
- Eu não sei. Eu pensei em tudo o que poderia ser. Eu não entendo a mente das garotas.
- Não precisa entender a mente das garotas pra saber disso. Ta escrito no meio da minha cara!
- Desculpe.
- Por que? – Ela estava quase chorando – Por não perceber isso ou por estar indo embora e nunca mais voltar?
- Eu nunca disse que não ia voltar.
- Mas é a verdade. Você vai embora, faz seus shows e volta para Los Angeles sem sequer lembrar meu nome.
- Eu não vou esquecer você.
- Então me fala, você vai voltar? Me diz que você vai me ver de novo. – Eu olhei para baixo – Viu? Como eu disse, você não vai nem lembrar meu nome. – Ela secou as lágrimas e se virou para ir embora
- Rose eu...
- Quer saber? – Ela se virou de novo para mim – Foi bem assim que meu pai foi embora. Ele disse pra ela: “Eu nunca mais vou voltar. Espero que cuide bem dela.” Essas foram as últimas palavras que ele disse antes de ir embora e nos deixar. Só que dessa vez vai ter uma diferença: eu vou ser mais forte que a minha mãe e não vou chorar porque você se foi.
- Rose...
- O que? – Disse ela secando suas lágrimas
Me aproximei, ela fechou os olhos, peguei sua mão e coloquei a última rosa que tinha comprado, nela. Dei um beijo em sua bochecha e subi no ônibus. Quando fui para a janela, vi que ela ainda estava ali e só a vi abrindo os olhos de novo e respirando fundo.
Agora voltamos para aonde começamos. Estou no meu ônibus indo para Washington enrolado no meu edredom jogando videogame e comendo salgadinhos. Eu consigo disfarçar tão bem minha tristeza que parece mais um tédio por isso as pessoas nem estão ligando para o que está acontecendo comigo. Por que meu pai fez com que essa peça chegasse antes? Agora eu estou mais triste do que nunca.
Me lembro de um aniversário meu. Estávamos fazendo uma passagem de som, quando uma garota subiu no palco com flores. Eu pensei que as flores eram pra mim, mas a garotinha entregou as flores pro Joe! Então ele veio falar comigo:
- HAHA! Não ganhou flores! – Ele disse
- HAHA! Como se algumas flores fossem mudar a minha vida!
É, pelo visto eu estava errado.
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