Rose
9 Unsafe
Notas iniciais
Newt não estava surpreso, estava abismado.
Não entendia como estar apaixonado por Rose o deixou tão assustado. Ele havia acabado de conhecê-la –praticamente –e já estava apaixonado por ela assim de ímpeto? E se ele não fosse correspondido? O que os Clareanos não gostassem nada disto? E se ela gostar de outra pessoa? Quando se está apaixonado, há muitas perguntas que surgem do nada. Quando a raiva de Newt chegou ao pico, deu um soco na mesa, fazendo os pratos saltarem e os adolescentes também. Levantou-se dali e saiu pisando duro, tentando compreender melhor este tal sentimento peculiar que ardia em seu coração. Buscou memórias. Muitas delas eram apenas borrões, outras estavam enterrados em um baú no fundo de um riacho nebuloso de memórias obscuras. Nada sobre se apaixonar, nenhuma dica. Quando deu-se conta de onde estava se direcionando, parou abruptamente.
Newt estava indo para o Labirinto.
Não fazia a mínima ideia do por que de caminhar até lá, mas suas tentativas de compreender melhor suas ações foram interrompidas com algo sólido bater em seu pescoço e depois soltar um gemido. Ele virou-se para brigar com quem quer que fosse, então percebeu que se tratava de Rose, as palmas das mãos em volta do nariz e o rosto abaixado, enquanto o esfregava. Ela estava linda. O corpo limpo, exceto pela blusa suja de terra, a pele reluzindo sobre a luz, mesmo sendo um dia sem Sol –literalmente –, os cabelos loiros estavam penteados e esvoaçando-se ao vento, o corpo definido através de suas roupas coladas, um arco prendendo-se em diagonal em suas costas e uma aljava de flechas em seu ombro. Uma faca jazia dentro de suas botas, dando apenas para ver o seu cabo de madeira clara.
O coração de Newt disparou.
–Vai com calma aí, garotão! –ela disse, retirando as mãos do nariz e pousando-as na cintura.
–O que você quer? –ele soara frio, mas não fora sua intenção.
–Ah, mais que gentil você é, Newt. –o coração do loiro se partiu quando ouviu Rose chamá-lo de Newt. Por alguma razão, ele sabia que ela só o chamava assim quando estava com raiva.
–Desculpe. –novamente, as palavras soaram-lhe frias. Estava com vontade de se jogar em um buraco e nunca mais ver a luz do dia.
–Entendi … –Rose murmurou, um olhar diferente passando-lhe fugazmente no rosto delicado –Vou te deixar em paz.
A branca deu meia volta e começou a caminhar, mas Newt segurou-lhe a mão instantaneamente, quase como se fosse uma reação. Ela virou-se abruptamente, olhando dentro dos olhos do loiro, quase como se estivesse observando sua alma. Rose estava com um sentimento estranho em seu coração. Ele estava acelerado e …morno. Seu coração estava aliviado com a presença de um certo loiro. Então se deu conta. Se deu conta de que estava apaixonada por ele. Que sempre esteve. Desde antes de chegar naquele maldito Labirinto. O sentimento veio de tão ímpeto, que Rose cambaleou e caiu no chão, assustada. A respiração estava acelerada, fazendo seu peito subir e descer rapidamente. É engraçado …, pensou, Você só nota que está apaixonada quando pensa que perde a pessoa. Fora assim quando fora picada por um Verdugo e estava por um fio da morte. Pensava ter perdido Newt para sempre, que nunca mais ia poder vê-lo outra vez. Só de sentir isto, já lhe tornou diferente.
–O que foi? –o loiro perguntou, estendendo a mão para a branca caída no chão.
–N … –sua voz falhou. Fez sua típica costumeira, limpou a garganta e continuou: –Nada. Só ia dizer que me convidaram para ser uma Corredora. Eu sei, eu estou correndo perigo, mas desta vez estarei armada. Vou ficar bem, Isaac, não se preocupe.
Newt ficou um tanto que decepcionado. Não podia controlá-la e impedi-la de virar uma Corredora, Rose tem de tomar as próprias decisões. Sacudiu a cabeça, aproximando mais a mão da branca, que deu um sorriso e segurou-a com força, erguendo-se com a ajuda. Seus olhares se cruzaram e depois direcionaram-se para o céu. Já estava anoitecendo. As portas ainda não havia se fechado e Newt já estava ficando mais preocupado do que de costume. Observou os Clareanos correrem de um lado para o outro e depois se reunirem na Sede. Encarou Rose, que assentiu como se estivesse lendo seus pensamentos e correram para lá juntos. Abriram caminhando entre a multidão de adolescentes confusos. Haviam postos colchões no chão por todo lugar, para que dormissem juntos. Alby, Minho, Thomas e Teresa tentavam acalmar a multidão.
–O que está acontecendo? –Rose perguntou a Chuck, que esbouçava um sorriso no rosto, mas seus olhos entregavam-no ao medo.
–As portas não estão se fechando.
–Eu já notei isto, seu cabeça de mértila! –Newt exclamou, dando-lhe um soco no braço –Por que está tendo toda esta confusão?
Chuck se fez de magoado por um tempo, mas depois ficou extremamente sério.
–Estão dividindo os quartos. A noite já caiu, provavelmente os Verdugos já estão a caminho para nos matar.
Rose deu um sorriso fraco, ajoelhando-se e segurando os ombros de Chuck.
–Ei, garoto –sua voz saiu tão serena que fez as bochechas de Newt ficarem avermelhadas –Vai ficar tudo bem. Você vai ficar bem. Este trolho aqui –a branca apontou na direção do trolho sem desviar a atenção do garoto rechonchudo –vamos cuidar de você. Ok?
Chuck assentiu levemente com a cabeça e depois Rose lhe disse para ir para o quarto. Newt estava impressionado com a capacidade da branca de acalmar as pessoas. Mesmo por trás de toda a sua ironia, ela é a pessoa mais gentil que já conhecera em toda a sua vida –pelo menos que se lembra. Ela segurou-lhe a mão e o puxou dentre a multidão de Clareanos apressados em entrar no quarto, entrando em um deles, a expressão mais séria que o de costume.
“Rose? Newt?”, Thomas lhes chamaram mentalmente.
“Sim?”, os dois perguntaram em um uníssono.
“Venham para o quarto do meio. Estou esperando por vocês. Teresa está no Amassador, ela vai ficar bem.”.
O loiro entrou no quarto seguido da branca, que sentou-se na cama, relaxando seu corpo. Retirou o arco e a aljava de flechas das costas e pousou ao lado da cama. Newt sentou-se na mesma, arrancando-a do encosto e fazendo-a saltar no ar por um tempo. Ele abriu um sorriso.
–Ok, vamos passar a noite aqui, apertados, em um mini-quarto, torcendo que os Verdugos não cheguem. –Newt sorriu sínico –Mais que noite mais maravilhosa! Não podia ser melhor.
Quando virou-se para encarar Rose, a branca estava sem camisa. Ele pulou da cama, os olhos arregalados e o rosto mais avermelhado do que nunca. Um sutiã de renda preta segurava seus seios fartos, enquanto prescrutava em uma gaveta e retirava uma outra camisa igual anterior, só que verde.
–Ai Meu Deus! –Newt virou-se de costas, socando o criado-mudo e depois virando-se de volta para ela, apontando para a branca com o dedo indicador, as palavras querendo sair de sua boca, mas ficavam presas, apenas fazendo-o abri-la. Thomas riu de sua reação, os olhos tampados com as mãos.
–O quê? –ela deu de ombros e parou na frente de Newt, que fez o mesmo gesto que Thomas com as mãos –Vocês já me viram só com minhas roupas de baixo. Para que ter vergonha?
Alguns Clareanos que passavam tranquilamente paravam e a observavam com uma certa curiosidade, alguns assentindo, outros com os olhos arregalados e outros com sorrisos maliciosos estampados nos rostos. Newt esforçou-se para não bater em todos eles.
–Ponha a camisa, Elena. –o loiro disse, quase que pausadamente.
–Ok, você é que manda. –houve uma pausa e depois o loiro voltou a abrir os olhos. Ela estava com sua blusa verde no corpo, exceto que essa era maior.
–Sério? –Newt arqueou uma sobrancelha.
–Na verdade, não, criatura babante. –Rose deu de ombros.
–O quê?
–Ninguém nunca te disse que você baba enquanto dorme?
–E você me olha dormindo?
Rose corou e deu-lhe um chute na barriga, fazendo-o cambalear. Newt não sabia o que havia dado nele naquele momento, mas sacudiu a cabeça e deitou-se em um colchão, ao lado e embaixo de Rose. As luzes foram apagadas. Logo todos se acomodavam em seus respectivos sacos de dormir. A mão de Rose escorregou para o lado, atraindo a atenção do loiro. Uma vontade enorme de segurá-la subiu em seu âmago. Hesitou. Não sabia se segurava ou não. A tentação só ficava mais forte a medida que o tempo passava.
“Segure.”, a voz de Rose soou em sua mente. “Por favor. Estou precisando de você.”
Ele estendeu sua mão e segurou a dela, que a apertou com força. Era macia e quente. Uma sensação de bem-estar percorreu em seu corpo inteiro e seus olhos foram ficando cada vez mais pesados, até que adormeceu.
***
Um ruído acordou Newt.
Ele ergueu-se em um salto, observando alguém à janela. Era Rose. Ela virou-se para ele e pressionou o dedo indicador sobre os lábios, pedindo silêncio. O loiro caminhou nas pontas dos pés até o seu lado, notando que Thomas e os outros Clareanos estavam começando a acordar e encaminhassem para a janela.
O coração de Rose deu uma batida a menos ao ver o que estava produzindo aqueles barulhos. Eram os Verdugos. Eles havia chegado. E, julgando pelo estalar dentro da Sede, eles estavam vindo para cá. Todos os Clareanos reuniram-se perto da janela e Rose pegou seu arco e flecha, pronta para atirar. Os ruídos foram ficando cada vez mais altos. Newt levava nas mãos um facão comprido, quase como uma faca. À medida que o barulho foi ficando mais alto, mais nervosa Rose ficava. Então lembrou-se que Newt estava lá com ela. Seu coração acalmou um pouco, mas não o suficiente para que relaxasse.
A porta escancarou-se e uma pessoa entrou, novamente fazendo o coração de Rose saltar, o queixo cair. O corpo perdeu as forças e quase que a branca caiu no chão.
Era Gally.
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