Rose
11 Meta-Humans
Notas iniciais
O desespero em Rose subiu ao pico.
A Clareira estava deserta, não havia ninguém lá. Inclinou-se para frente e caminhou procurando por alguém. Nada. Procurou no Sangradouro, da Sede, em todos os outros lugares. Ainda nada. Então algo lhe segurou a mãos e a puxou para perto, sobressaltando-a. Estava prestes a gritar quando percebeu quem era. Era Newt. Ele usava uma caminha laranja sem mangas que definiam seus músculos, uma calça jeans e um facão comprido preso as costas. A branca se sentiu aliviada em vê-lo e soltou um longo suspiro notando as perguntas brotarem em sua cabeça.
–Onde está todo mundo? –Rose perguntou, pousando a mão no peito por conta do susto.
–Ele foram embora. Apenas alguns de nós ficamos. Eles estão escondidos na Caixa.
Um sembrante tomou conta do rosto confuso da garota. Eles havia a deixado para trás?
–Foram embora? Estão escondidos? O que quer dizer com isso?
Newt desviou o olhar para o horizonte, como se estivesse incomodado em falar a respeito do que a branca havia acabado de perguntar. Algo em seu olhar dizia a ela que não era uma coisa muito boa, então preparou-se para o pior.
–Isaac, o que quer dizer com isso? –Rose repetiu, desta vez mais séria.
–Às vezes,–fez uma longa pausa e depois continuou: –quando você começava a ter …ataques, acontecia coisas sobrenaturais. A água flutuava, o fogo ficava forte, a terra tremia e as luzes se apagavam.
–Tendo um ataque? Coisas sobrenaturais? Como assim?
Novamente Newt fez a expressão de que está desconfortável em responder as perguntas da branca, mas, mesmo assim, ela o forçou:
–Isaac!
–Você ficou desacordada por quatro dias! –ele soltou em um grito e depois respirou fundo, recompondo-se.
Rose sentiu as pernas ficarem bambas e começou a perder a noção do peso. Encostou-se à parede, atordoada pela notícia chocante. Ficou aliviada que Newt não falasse “Por isso que não queria te dizer”. Não estava nada bem. Aliás, não fazia a menos ideia do que ocorria. Como alguém poderia ficar desacordado por quatro dias apenas por conta de ataques furiosos de insetos metálicos? Por que haviam ido embora? Por que coisas sobrenaturais estavam acontecendo quando tinha ataques? Por que teve estes ataques?
–Ei … –ele a chamou, segurando-lhe o rosto e levantando-o até a altura de seus olhos –vai ficar tudo bem. Você está bem agora.
Novamente a vontade de beijá-lo atingiu Rose em cheio. Uma sensação subiu-lhe o coração, tal sensação que jamais havia sentido ante em sua vida. Seus rostos estavam mais próximos que nunca e suas respirações estavam quase em uma só. A branca levou uma das mãos para a cintura do loiro, enquanto este as pousava no rosto da branca, uma de cada lado da bochecha da garota, os lábios roçando um no outro. Estavam prestas a se beijarem quando …
Então foram interrompidos.
–Newt! A garota–o Clareano parou ao ver a cena – …acordou.
Eles se afastaram em um salto e viraram o rosto para posições contrárias, evitando um ao outro. O loiro assentiu levemente com a cabeça e depois a inclinou em direção à Rose. A mesma nem pensou duas vezes, correu para o mais longe que podia, ignorando os gritos de um certo loiro para que esperasse. Permitiu-se pensar em como teria confiado em Minho, Thomas, Teresa e Chuck e agora havia a traído e partido sem ela. Aquilo realmente a afetou mais que o esperado. Subiu as escadas da Sede e jogou-se na cama, relaxando os músculos cobertos de fadigas. Fechou os olhos, mas o sono não lhe veio à mente.
Seus olhos fixaram-se no arco e flecha ao seu lado e depois no criado-mudo. Nele jazia um pedaço de papel branco com algumas letras pretas desajeitadas e tremidas, como se estivesse sendo escritas durante um terremoto. Rose esticou-se sobre a cama e agarrou o papel, abrindo-o cuidadosamente e lendo-o. “Rose, Newt vai lhe mostrar o caminho de onde estamos. Fugimos porque não era seguro ficar com você, mas Newt optou para ficar, nem que lhe arrancassem a cabeça fora. Instruímos a ele o local e nos vemos depois. Teresa.”. Rose amassou o papel e jogou para algum canto da sala vazia. Newt escorou-se junto à porta e deu um sorriso torto, as bochechas um pouco avermelhadas.
–Bem … –seu olhar perdeu-se no chão –Devemos?
Rose levantou-se e fitou a aljava de flechas, pegando-a e prendendo-a no ombro. Ao pegar o arco, notou as figuras estranhas que havia talhado no metal. Pareciam símbolos –de todas as formas, tamanhos e jeitos. Então lembrou-se do sonho que havia tido. Sobre o código que Newt criara para o Labirinto. Seus olhos arregalaram-se e um sorriso esbouçou-se no rosto delicado da branca, os olhos brilhando de alegria. Caminhou até Newt, que endireitou-se na parede, trocando de perna, pois a outra já cansara de sustentar o peso de seu corpo.
–Você reconhece isto? –ela lhe estendeu o arco.
–Acho que me lembro muito bem o que é um arc … –então seus olhos fixaram-se nos símbolos estranhos e arregalaram-se. O loiro piscou algumas vezes, como se estivesse absorvendo uma memória –Os símbolos! Os símbolos que criei para o Labirinto! Aqueles que você adorava dizer que eram inúteis! Mas vem cá …Como se lembra deles?
–Sei lá, seu trolho, não me lembro de ter pensado em um significado quando fiz isto. Só apenas traduza!
O loiro franziu o cenho, acompanhando com o olhar toda a extensão do arco. Olhou para o horizonte. Rose sabia o que estava fazendo. Igual a ela, ele também tinha a habilidade de quando usar a inteligência, algumas letras, números e estatísticas flutuavam-lhe aos olhos. Talvez por conta de sua capacidade cerebral mais desenvolvida. O CRUEL lhes chamavam de meta-humans. As pessoas lhes chamavam de aberrações e uma porção de coisas horríveis. Rose não sabe por que este pensamento veio-lhe à mente justo agora, mas o ignorou, balançando a cabeça.
–Estranho …
A garota interrompeu-lhe antes que pudesse olhar para o horizonte e parecer desconfortável outra vez.
–O quê?
–Aqui diz: “FLUTUA, PEGA, SANGRA, MORTE, RÍGIDO, APERTA”. Por que você escreveu isto?
Rose fixou os olhos no chão tentando entender os próprios pensamentos. Buscou uma memória, mas nenhuma veio-lhe com clareza à mente. Talvez por conta da fadiga e cansaço que sentira de repente.
Antes que a branca pudesse abrir a boca, um som estridente –como um rangido –rasgou o ar com ferocidade. Os dois desceram as escadas da Sede e encaminharam-se aonde o som havia sido solto. Era o Labirinto. Newt parara em frente a ele, olhando-o não de terror, mas sim um certo rancor que Rose decidiu descobrir o que era mais tarde. Precisava avisar aos outros que haviam descoberto um código e, de algum fato, sabia que ele viria a ser necessário para sua fuga do Labirinto. Virou-se a Newt, que assentiu, como se lesse seus pensamentos.
“Precisamos …”, Rose começou.
“Eu sei. Se você estiver por perto, não terei medo algum.”. As bochechas da branca ficaram vermelhas por um segundo, mas balançou a cabeça, deixando as emoções esvaziassem por enquanto.
Suas mãos se entrelaçaram e eles adentraram na escuridão da construção sem fim.
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