O último dia de revisão passou num ritmo parecido, os três a maior parte do tempo enfurnados dentro do quarto de Bervely repassando o assunto, e a certo ponto a Black desistiu de reclamar com eles sobre não precisarem ficar ali com ela o tempo inteiro. Na verdade, ela começou a desconfiar que aquelas duas pessoas completamente opostas estavam apreciando a operação conjunta de “salve–Bervely–da–morte–iminente”.

Quando a sexta-feira chegou, primeiro dos três dias de exame que tinham pela frente, ela se sentia quase viva. Conseguiu acordar cedo e tomar um banho, acometida pela vaga sensação de que não só Tara, mas também Oliver tinha dormido com ela em sua cama... mas tinha de ser algum delírio da febre, certo?

Quando levantou, ele não estava mais à vista, de qualquer maneira. Só Tara, ressonando tranquila e de costas para ela, um mundo de cabelo vermelho engolindo o travesseiro.

Após sair do banho, Bervely se enrolou na toalha e olhou com criticismo para a sua cara no espelho, tentando e conseguindo, em parte, cobrir as olheiras e palidez com um pouco de metamorfomagia. Isso até a porta se abrir abruptamente.

— Bom dia, flor da meia noite. – Tara anunciou, com um nível de energia e bom humor que não era natural para tão cedo de manhã, especialmente no primeiro dia dos exames que iam definir o resto de suas vidas.

— Pela varinha de Merlin, qual o seu problema em bater? – ela resmungou, olhando feio para a colega – Eu podia estar fazendo algo impróprio aqui dentro!

— Você teria trancado a porta. Dividimos um quarto por três anos, B., eu sei que você sabe usar um feitiço de tranca quando precisa. – ela lhe deu uma piscadela, e depois lhe observou com mais atenção, parada ali na frente do espelho segurando a toalha ao redor do corpo. – O que você estava fazendo, de qualquer maneira?

— Nada. – soprou com irritação.

— Uau, o mau humor voltou com força total. Devo supor que se sente melhor?

Bem melhor.

Ela deixou o banheiro para Tara, o cabelo pingando no caminho para o guarda-roupas. Só então reparou um bilhete de Oliver fixado ao espelho.

“Bom primeiro dia pra a gente,

Vejo vocês de noite.

Oliver.”

Vejo “vocês” de noite? Bervely colocou a mão na própria testa, mas não havia sinal nenhum de febre. Talvez não estivesse delirando, afinal.

— BD –

Os três dias de NIEMs vieram e se foram, menos aterrorizantes e mais cansativos do que Bervely imaginou a princípio. Herbologia, e com muita surpresa Transfiguração foram boas provas. Ela saiu literalmente sorrindo de Poções, a única que não parecia ter sido atropelada por uma manada de hipogrifos no final da prova. A maior surpresa foi Astronomia; os examinadores exigiram um nível de detalhes absurdos nos três mapas estelares solicitados (do dia do seu nascimento, do dia da prova e uma previsão da conjuntura astral em exatos dez anos); ela achou que seus dedos fossem cair enquanto escrevia as análises, que somaram quase um metro de pergaminho depois de terminadas.

História da Magia foi sua última prova no domingo. Pode ver do seu lugar tanto Oliver, com aparência de sono, quanto Tara, que entrou desfilando na sala, fresca como uma flor de primavera, e lhe deu uma piscadela antes de ocupar a própria cadeira.

Bervely saiu dessa prova se sentindo cansada, mas era um cansaço saudável sem traço da febre e da moleza dos últimos dias. Almoçou no salão principal o mais rápido que pode, sentindo o olhar avarento de Percy Weasley sobre si, lhe acusando silenciosamente de jogar sobre seus ombros as responsabilidades da monitoria–chefe. Ao sair do Salão ela o alcançou, avisando-lhe que ficaria com o relatório da monitoria daquela semana.

— Eu já fiz e entreguei o relatório de monitoria dessa semana. – ele disse com azedume, os olhos meio saltados em contrastes com olheiras profundas. – Não sou nenhum irresponsável!

— Sua eficiência será ovacionada através dos séculos, Weasley. Mas ok, então, eu fico com os das próximas duas semanas.

— Evidente que você vai, Black. – retrucou, dando as costas pra ela em seguida, seguindo seu caminho com afetação.

— Quem sabe assim você tenha tempo de retirar esse cabide da bunda, Weasley! – gritou ela, perdendo a compostura porque honestamente, o quão insuportável um ser humano podia ser?

Alguns alunos riram, Weasley fingiu não ouvir e a vida seguiu seu curso. As últimas provas dos NIEMs naquele dia eram Estudo dos Trouxas e Defesa Contra as Artes das Trevas, mas Bervely, que não pegava nenhuma delas, voltou ao quarto nas masmorras e matou o tempo com uma arrumação, coisa que ela não fazia desde que começara a se revezar com a finalização de Neverland e a revisão das matérias.

Quando o quarto ficou a contento, parecendo de novo a habitação de uma jovem bruxa sangue–puro, monitora chefe e futura alquimista, e não um ninho de leões e cobras, ela se permitiu um banho demorado, se colocar uma roupa confortável e deitar um minuto em companhia da edição de Alquimia Hoje de junho.

Acordou com uma mão suave mexendo em seu cabelo. Não precisava abrir os olhos para saber a quem pertencia.

— Sua febre voltou, mocinha? – a voz com sotaque romeno perguntou, perto de seu ouvido.

— Não, só estava descansando. – bocejou, com preguiça de abrir os olhos. – Ja é hora do jantar?

— Você perdeu o jantar. É melhor pedir aos elfos para trazerem alguma coisa mais tarde.

— Certo. – concordou, muito confortável para qualquer outra coisa. Sentiu seu cabelo ser afastado da área do pescoço, e lábios roçarem suavemente a pele de sua nuca, causando um arrepio involuntário que a fez se contrair. – Tara, o que pensa que está fazendo aí?

— Nada. – soprou, manhosa. – Quero te fazer uma massagem.

— Melhor não – Bervely ponderou, sendo racional só Merlin sabia porque. Ela faria bom uso de uma massagem, seus ombros ainda doíam da tensão dos últimos dias, e ela sabia que a colega tinha as mãos mágicas...

— Anda, larga de ser estraga prazeres, não é nada demais. – e depois acrescentou, num tom mais baixo, enquanto se ajeitava na cama numa posição melhor para executar seu plano – Eu sinto falta de tocar você.

— Esse é o problema. – Bervely suspirou, sem vontade de resistir. Ela conseguia se convencer de que não sentia falta de uma intimidade física com a ruiva, desde que ficassem longe uma da outra, mas aquela última semana, dormindo na mesma cama quase todas as noites, tinha sido meio que um teste para seu autocontrole.

É claro que estar doente atrapalhara qualquer avanço, mas agora ela se sentia bem. Mais do que isso, se sentia com vontade. Apenas estar na cama com ela atiçava seus sentidos, isso sem contar com o fato de que a ruiva acabara de passar uma perna por cima de seu quadril e se sentara sobre a sua bunda.

— Tara! – exclamou, tentando tirá-la dali, mas a posição não favorecia muito a sua resistência. A ruiva riu em cima dela, segurando–a no lugar pela cintura e contrapondo a pouca resistência que Bervely oferecia.

— Fica quieta, não vou abusar de você, é só uma massagem! Se achar ruim eu paro.

Não vai ser ruim e você não vai parar..., pensou Bervely com resignação.

Ela parou de pensar quando as mãos frias da garota levantaram sua blusa até a parte de baixo dos seus ombros, deixando as costas livres, afagando a pele exposta com vigor e vagarosidade.

— Ei, esse é o meu sutiã? Pensei que você não gostasse de meia taça.

Bervely não respondeu, sentindo o elástico se abrir quando Tara separou os colchetes.

— Qual a necessidade de...

Shiiii. – ralhou ela, agora arrastando as mãos nas costas completamente livres de Bervely. Tara se concentrou em sentir as vértebras de sua coluna uma por uma, depois apertar os nós dos ombros gentilmente, num toque suave, porém firme. – Dá pra acreditar que terminamos oficialmente a escola agora? Só falta a formatura, e depois... mundo real.

— Essa conversa não é relaxante. – a Black reclamou, a voz meio abafada. A verdade é que ela estava sim se sentindo relaxada da cintura para cima, mas havia uma tensão que começava a se construir entre as suas pernas, cada vez mais premente.

— Eu sei, mas quero dizer... era isso. NIEMs e tudo que achávamos assustador. Acabou. Somos adultas agora.

— Eu nunca achei os NIEMs assustadores. – discordou, concentrada eu não deixar escapar nenhum suspiro que entregasse o quanto estava apreciando as mãos dela, agora esfregando a base de suas costas, perto de onde a barra da saia começava. – São só mais provas, fazemos provas desde que a escola começou.

— Isso é porque você sempre teve esses problemas loucos, maiores que a escola. Primos morrendo, coma em hospital, pais fugindo de prisões...

— Minha nossa, você sabe mesmo relaxar uma pessoa, não sabe? – debochou, provocando uma risada na outra. Sentiu que ela se inclinava, a virilha roçando em seu traseiro ao fazê-lo, os seios colando em suas costas, enquanto as mãos corriam pelos braços de Bervely, terminando por segurar suas mãos no alto, acima de sua cabeça.

— Eu nunca disse que pretendia te relaxar – sussurrou em seu ouvido, esfregando o nariz em seu cabelo, fazendo literalmente cada pêlo do corpo de Bervely se arrepiar. – Muito pelo contrário.

Batidas na porta interromperam o movimento da ruiva, que no entanto não se moveu imediatamente.

— É o Capitão Delícia. — avisou, ronronando — Ele disse que ia passar aqui pra te ver. Devo dizer que estamos ocupadas?

Bervely forçou a liberação de suas mãos, em seguida desalojando a ruiva, que caiu na cama gargalhando. Sentou-se, ignorando-a e fechando o sutiã, o rosto afogueado, a respiração meio descompassada.

— Entra! — exclamou, antes que a demora insinuasse que estavam fazendo algo demais lá dentro. Oliver entrou, trazendo frescor de banho e cheiro de sabonete, o cabelo ainda úmido todo espetado para cima. Ele olhou do rosto corado de Bervely até Tara, que ainda sorria indolente, deitada na cama, o cabelo cobrindo metade do rosto.

— Interrompo alguma coisa?

— Nada que não possamos recomeçar mais tarde. — a ruiva lhe deu uma piscadela marota, afastando o cabelo dos olhos preguiçosamente. — O que você tem de bom pra a gente aí, Woods?

Ele sondou Bervely com o olhar antes de responder, num questionamento mudo. Ela o sustentou, se recusando a parecer culpada por qualquer coisa que nem tinha chegado a fazer.

— Torta de carne, foi a única coisa que consegui roubar da mesa hoje... Me sentei perto de Rony Weasley, ele não deixa nada escapar. Ah, e chocolate. – Bervely reconheceu a barra de Twix tamanho gigante, que lhe trazia lembranças interessantes de seu primeiro encontro.

— Humm, vão combinar muito bem com a garrafa de Delirio Fumegante que eu trouxe para comemorarmos o fim dos exames! — Tara saltou da cama, indo buscar a bebida em questão na mochila. Bervely girou os olhos, ao mesmo tempo em que Oliver se aproximava da cama.

Ele não lhe deu o habitual beijo casto de "chegada". Ao invés disso, colou seus lábios e passou uma mão por detrás do pescoço dela, dando suporte a um beijo profundo e atrevido, cheio de língua, que a teria deixado bamba se estivesse de pé.

— Uau, o que foi tudo isso? – perguntou quando ele se afastou, a deixando respirar.

— Senti sua falta. – ele lhe olhava com intensidade por detrás dos cílios castanho escuros.

Tara retornava com três copos cheios de bebida azul, da qual se desprendia uma espiral de fumaça branco–azulada

— Aceita, capitão? – Estendeu a ele um dos copos, um sorriso prestativo nos lábios carmim. Sem entrever o perigo iminente, Oliver deliberou e assentiu.

— Claro, por que não?

Bervely lhe lançou um olhar de advertência que foi prontamente ignorado. O outro copo veio parar em suas mãos, e quando ela captou o olhar que Tara lhe lançava, soube que era parte de algum jogo se desenrolando na cabeça da ruiva.

Tomou um gole de Delírio Fumegante, doce e cítrico através de sua garganta, decidindo que pouco se importava.

— BD –

— Apenas ouçam isso. Eles acabaram de lançar álbum novo, é música de qualidade. — Oliver sacou de dentro de sua mochila um CD trouxa e, com um feitiço experimental aprendido na aula de Estudo dos Trouxas, fez com que ele girasse suspenso no ar, a música começando a soar pelo quarto.

— Wood, nada de música trouxa nos meus aposentos. — Bervely tentou impedi-lo, mas ao mesmo tempo em que ele passava os braços firmemente em torno dela, Tara se esticava e afastava o CD flutuante de seu alcance.

— Não seja chata, B, até que ele tem um gosto musical aceitável. Como é mesmo o nome dessa banda?

— Oásis.

—Hum. — Tara deu um gole longo em seu copo, sacudindo a cabeça ao som da batida da música. — Eu poderia dançar isso.

— Não dance isso. — Bervely pediu, sabendo que ela podia muito bem decidir que ia.

— Acho que ela quis dizer numa festa. — Oliver disse, também esvaziando seu copo. Ele já estava mais sorridente que o habitual, apesar de ser só o seu primeiro copo, o que lembrava a Bervely de que o grifinório era, dos três, o mais fraco para bebida.

— Não! Eu quis dizer que poderia dançar agora! — A ruiva se animou, ficando de pé. — Vem Rose, vamos dançar!

— Não, eu não danço.

— Ela não dança. – Oliver assentiu sabiamente. Tara fez um ruído de frustração por entre os lábios e estendeu a mão pra ele.

— Então vem você, Capitão, dança comigo.

Ele franziu, negando. — Não posso, Rose vai ficar com ciúmes.

— Claro que não vai. Ela não tem um pingo de ciúme, não é mesmo, Rose?

Bervely estreitou os olhos, porque sabia muito bem o que a outra estava fazendo. Ela negou vagarosamente por trás do seu copo.

— Não, nem um pingo.

Tara fez Oliver se levantar, ainda que ele olhasse incerto para Bervely por cima do ombro. Ela lhe deu um pequeno aceno com a cabeça, uma sobrancelha erguida em um arco, dasafiando-o a se atrever. Sabia que tinha cutucado o leão com vara curta quando viu os ombros dele se aprumarem e o assistiu tomar uma mão de Tara, começando a dançar rock com ela, meio desajeitado.

Merlin, aquela bebida batia rápido. Bervely estava tentando pensar lucidamente como eles tinham chegado aquilo, que era absurdo, veja bem. Quer dizer, de um ponto de vista estético era interessante vê-los interagindo, as duas pessoas pelas quais ela nutria desejo carnal pungente. Enquanto Oliver apenas "cumpria o desafio" e era um cavaleiro, Tara ondulava o corpo e lançava os olhares mais maliciosos para ele, e os mais provocantes para Bervely que, da cama, se resumiu a encher tranquilamente seu segundo copo.

A música acabou. Tara o cumprimentou com uma mesura exagerada e Oliver, em retorno, beijou o torso de sua mão. Os olhos verdes predadores dela se acenderam quando os lábios de Oliver tocaram sua mão. Bervely sentiu um aperto em seu baixo ventre ao presenciar a cena.

— Você dança bem, Oliver. — elogiou a garota, indo buscar um cigarro na mochila. O grifinório voltou para a cama, sondando o rosto de Bervely para ver se ela estava chateada, mas só recebeu um olhar enigmático em resposta.

— Obrigado. – ele respondeu por cima do ombro, para Tara, completando o próprio copo.

— Você sabe o que eles dizem sobre os bons dançarinos... — a ruiva insinuou, voltando e sentando ao lado de Bervely, colando uma coxa na dela, soprando fumaça acre e adocicada entre eles.

— O que dizem? – Oliver perguntou com fingida inocência, olhando de uma para outra. A ruiva deu uma risada maldosa.

— Termine esse segundo copo, então quem sabe eu não te conto?

Ele olhou para Bervely com preocupação.

— Sua amiga está tentando me embriagar, Rose.

— Sim, ela está. — assentiu, assistindo com interesse o capitão folgar a gravata do uniforme. — Ela está conseguindo.

Tara foi buscar o Strip Snap no dormitório, alegando que o papo estava "muito devagar" e precisavam animar as coisas. No minuto que ela saiu do quarto, Oliver puxou Bervely para seu colo, lhe dando outro beijo de tirar o fôlego, esse com mais gosto de álcool e muito menos decência. Ela sentia o coração do capitão palpitando contra seu próprio peito, como se ele estivesse correndo uma maratona ali embaixo. Oliver procurou seu olhar, meio tonto, as mãos aferroadas em seus quadris, a respiração descompassada.

— Rose?

— Oliver? – respondeu, achando graça da agitação dele.

— O que estamos fazendo aqui?

Ela se inclinou para beijar o maxilar dele, depois a curva do seu pescoço. Sabia exatamente o que estavam fazendo, e a adrenalina também estava correndo em seu sangue naquele momento.

— Eu não sei você — disse eu seu ouvido — Mas eu estou me divertindo.

Tara voltou com o jogo minutos mais tarde, o canto de sua boca subindo ao notar o movimento de Bervely para deixar o colo de Oliver e voltar para seu lugar na cama.

— As regras são simples... Quem colocar a carta errada e explodir a torre tira uma peça de roupa. Ganha quem ficar pelado no final.

— Eu acho que você quis dizer que ganha quem ficar com mais peças de roupa no final. — Oliver corrigiu, prestativo, já entrando no modo competitivo.

— Bem, e que lógica teria isso? Quanto menos roupa melhor, certo?

Bervely tomou as cartas da mão da ruiva, achando que era hora de intervir.

— Não vamos jogar assim. — declarou, recebendo uma careta de Tara em retorno.

— Lá vem a estraga prazeres. B., o que eu te disse sobre não ser a monitora-chefe certinha na cama? Se você não reparou, é exatamente onde estamos.

— Me deixe terminar. – Moveu as peças do baralho em suas mãos, embaralhando–as. — Tenho uma ideia melhor. Faremos um melhor de três e quem tirar a carta mais alta da rodada escolhe uma peça de roupa de um dos outros dois para ser retirada.

Oliver lhe lançou um olhar surpreso. Para Tara, parecia que o Natal tinha chegado mais cedo, se o Natal fosse um drink de destilado com rodelas de limão e um guarda-chuva colorido.

— Finalmente você falou algo que faz sentido! Estou dentro, desde que os dois perdedores de cada rodada também precisem esvaziar seus copos.

Bervely deu de ombros, por ela tudo bem.

— Oliver?

— Dentro. – o Natal também se anunciara para ele, com a diferença de que ainda estava sem acreditar que ia mesmo ganhar esse presente.

Ela distribuiu as cartas entre os três e cada um fez sua jogada. Dama de Bervely, Valete de Oliver e Rei de Tara.

— Isso! – a ruiva vibrou, olhando pensativa para um e depois para o outro. – Hum, Bervely... Tire sua blusa.

Ela assentiu, arrancando a peça de roupa antes que repensasse. Tara deu um sorriso amplo, ao ponto que os olhos de Oliver queimaram sobre o sutiã que ela usava. Eles projetavam seus seios para cima e bem juntos, fazendo-os parecer maiores do que eram.

— Mas que belo sutiã, B. – Tara zombou, divertida. – Você tem bom gosto.

— Obrigada. – disse, embora olhasse para Oliver, que parecia relembrar a última vez deles, em que a peça em questão estivera envolvida. Ele devia achar que ela tinha colocado o sutiã de propósito para provocá-lo.

— Não se esqueçam suas doses... — lembrou a ruiva bondosamente, pegando o monte de cartas. — Eu ganhei, eu dou as cartas...

Oito, Dez e Ás; vitória de Oliver. Ele considerou por um momento, olhando para as duas garotas a sua frente, e tomou sua decisão.

— Holmes, blusa.

— Seu desejo é uma ordem, capitão. — adejou, arrancando o suéter do corpo graciosamente. Usava o top de malha por baixo, muito para a decepção do grifinório, ou assim Bervely achou. A ruiva levantou o copo, fazendo um brindo no ar, antes de esvazia-lo. Bervely tomou um gole do seu, afinal regras eram regras.

Nas duas rodadas seguintes, Tara voltou a ganhar e Oliver perdeu sua camisa, depois foi a vez de Bervely pontuar, então ele perdeu as calças. Ela quase se arrependeu do seu pedido, achando que tinha ido longe demais, mas Oliver se livrou da peça de roupa com bastante desprendimento, a chutando de lado.

Ele usava uma cueca boxer cinza clara, e não houve jeito de culpar Tara pelo olhar faminto e interessado que se cravou em seu rosto ao ter um vislumbre dele, de corpo inteiro. Bervely achou que teria ciúmes daquele momento, mas na verdade o que sentiu foi uma pontada de orgulho; ele era uma visão, um deleite para os olhos, e era seu. O volume na frente da cueca deixava bastante claro o quanto ele não estava tímido com as circunstâncias. Certamente os três copos e meio de Delírio Fumegante estavam fazendo sua parte.

Oliver ganhou a quinta rodada. Ficou claro que ele já tinha pensando em seu prêmio, porque virou para Bervely e estendeu a mão.

— Calcinha, Rose.

Tara deu um gritinho empolgado. A intensidade nos olhos marrom escuros mostrava que ele não estava para brincadeira, ou ainda, que sabia jogar o jogo no qual as duas estavam lhe enredando. Ótimo, pensou com rebeldia. Ficou de joelhos na cama e passou as duas mãos por debaixo da saia, encaixando os polegares de cada lado da peça íntima. Os dois lhe assistiram atentamente enquanto deslizava a calcinha pelas coxas, levantando um joelho, depois o outro, passando-a para baixo, e por fim a retirando pelos pés.

Entregou o pano encharcado nas mãos dele, achando bem feito que ele soubesse como a deixava, lhe olhando daquele jeito, lhe dando aqueles beijos faminto, entrando no jogo. Oliver apertou a calcinha contra o rosto, aspirou o cheiro de sua excitação e sorriu, aprovando e a guardando no bolso.

— Minha nossa – disse Tara, sem fôlego. – Preciso de outro cigarro.

Oliver aproveitou a pausa para trocar o CD, trocando Oásis por Jace Everett, não que qualquer uma das duas pudesse saber disso. Andando pelo quarto, ele lhes propiciou uma boa visão de sua bunda pequena e musculosa, desenhada pelo pano elástico da cueca.

— Bervely... – Tara disse, contemplativa, baixo o suficiente para não ser ouvida por ele – Você me odiaria se eu dissesse que quero lamber, chupar e morder cada parte do seu capitão?

Ela considerou, assistindo ele voltar, a visão de frente ainda mais interessante que a das costas.

— Acho que eu estranharia se você não quisesse.

— Qual é a graça? — Oliver perguntou, de volta à cama, pegando seu copo de novo, o pomo de Adão subindo e descendo ao sorver outra poção da bebida.

— Eu acho que eu venci o jogo, pelos seus parâmetros, Wood. – Tara disse, indicando a si mesma, a única que ainda tinha mais de três peças de roupa no corpo. – Mas eu tenho uma ideia para resolver esse problema. Sabe, sua Rose aqui me falou um dia desses que achava que eu ia ser dançarina em eventos para adultos, e jé que esse é um evento e parece que agora somos adultos...

Tara se levantou, achando sua varinha no bolso da mochila. Ela começou a mudar a iluminação do quarto, deixando–a azulada e intimista, depois transfigurou a mesa de Bervely em um pequeno palco com um poste no centro.

— O que ela vai fazer? – Oliver perguntou, curioso, naquele espírito de importância das pequenas coisas que só certo estado de embriaguez podia proporcionar.

— Acho que ela vai dançar.