Rose à Trois
1 Elle
Notas iniciais
— Quero transar. – Tara anunciou para quem quisesse ouvir, de forma muito aleatória na noite de quarta-feira, largando o livro sobre a mesa. As duas outras pessoas mais próximas, que no caso eram Bervely e Pacey Oltman, ambas estudando astronomia sobre a mesa no salão comunal, olharam para a ruiva com níveis diferentes de indignação. Nenhuma delas realmente chocada, afinal era Tara a declarante em questão.
— Se você esgotou com as possibilidades que o colégio oferece, Holmes, talvez seja a hora de começar uma repescagem. – disse a garota loira acidamente, logo voltando ao seu diagrama caprichado das luas de saturno. Tara, no entanto, encarava Bervely de forma insistente, quase como a desafiando a desvendar as entrelinhas do seu anúncio.
— Existem alguns peixes que eu pescaria novamente, mas não sei se morderiam a isca. – Voltou a comentar num tom casual, os olhos ainda presos à monitora-chefe.
— Bem, pergunte a eles. Não é como se a timidez ou qualquer resquício de decoro estivessem lhe segurando. – Pacey retrucou, com tédio. – Só não fique amolando a gente, não é como se pudéssemos fazer qualquer coisa, isso se qualquer uma de nós estivesse minimamente interessada em sua vida sexual.
— Frígida. – Tara desdenhou baixo, pousando seus olhos em Bervely de novo – Black?
— Também não estou interessada. Em sua vida sexual. – completou, ao perceber que sua resposta tinha sentido duplo. Um sorriso travesso brincou no rosto da colega.
— Tem certeza? Você não tem ninguém interessante para me apresentar? Ninguém que tenha, vejamos, testado e aprovado?
Bervely estreitou os olhos para ela.
— Não, eu não tenho.
— Que pena. – suspirou teatralmente, se levantando da mesa. – Parece que vou ter que achar alguém sozinha. Com licença, Oltman. Black. – para a segunda, ela deu um sorriso maldoso e uma piscadela.
Bervely acompanhou Tara passar pelo buraco na parede, deixando o salão comunal como um predador em temporada de caça. Apesar de tudo, havia um queimor irritado em seu peito, e ainda trabalhava para diagnosticá-lo quando Pacey disse alguma coisa por entre os dentes cerrados.
— O quê?
— Vadia. – a loira repetiu, julgamento queimando nos olhos violeta. – Eu disse que Holmes é uma vadia. Ela sempre foi dada à devassidão, mas esse ano está completamente fora de controle. Sabe o que eu ouvi? Não que eu aprecie fofoca, mas... – ela se inclinou mais na direção de Bervely, especulativa. – Ouvi dizer que ela começou a sair com garotas.
— Mesmo? – Esperava que a expressão surpresa em seu rosto estivesse funcionando.
— Sim. Sia a viu saindo de dentro de um armário de vassouras em companhia de Claire Clarck, aquela sextanista da lufa-lufa, numa noite dessas. E você sabe o que acontece dentro desses armários de vassoura... Dá pra acreditar?
— Dá. Quer dizer – ela pigarreou. – É a Tara, afinal de contas.
— Eu suponho. – Pacey fez uma careta de desaprovação. – Acho que a meta dela é pegar Hogwarts inteira antes da formatura, homens e mulheres! A mim que não vai, Merlin que me guarde, minha virtude essa devoradora não leva!
Não que Bervely acreditasse que alguém fosse querer a virtude de Pacey (a não ser Percy Weasley, ela ainda achava que eles fariam um casal promissor, de um jeito insuportável para o resto da humanidade, mas enfim), então resolveu dar a noite de estudos por terminada e se despediu da colega, rumando para seu quarto.
Não tinha nada a ver com cansaço. Ela não conseguia parar de pensar em por onde Tara estaria, se tinha conseguido seu intento, e com quem. Não era bem ciúmes – apesar de que alguma coisa ainda queimava dentro dela ao imaginar a amiga com outro ou outra – era mais uma vontade inconfessável de que pudesse dizer sim à proposta velada daquela noite. Ela se sentia eletrizada só de pensar em como sua noite poderia ter terminado. O cheiro de cereja já fora há muito substituído pelo de Oliver em sua roupa de cama, mas Bervely não se furtava em recordar...
Bem, sua memória era uma traíra. Naquela noite, quando deitou em sua cama sozinha, não era em Oliver que estava pensando. A impressão dos lábios macios de Tara estava gravada em sua mente, e ela podia facilmente evoca-la, bem como podia recordar o toque de suas mãos ágeis sobre seu corpo. Os dedos finos e compridos apertando seus seios, as coxas macias roçando entre as suas, o cabelo vermelho e vasto entranhado em seus dedos, repuxados para dar acesso à garganta branca...
E lá estava ela, cheia de lembranças frescas de sua melhor amiga a lhe tomar a mente e encharcar a calcinha.
— Maldita Romansek. – murmurou para o escuro, revoltada. Teve um impulso quase irresistível de inventar uma ronda só para descobrir onde (e com quem) a ruiva estava, mas se deteve. Aquela noite de ronda era de Weasley, e é claro que o idiota não teria encontrado Tara, que se esgueirava nos corredores escuros de Hogwarts feito uma gata. Do mesmo jeito que ela ondulava debaixo de Bervely, feito uma gata, miando baixinho quando Bervely explorava seus pequenos e inchados lábios por debaixo da roupa íntima.
Ok, agora ela estava mais que excitada, estava queimando. Se sentindo só um pouco culpada, acariciou a própria barriga, descendo até a borda da calcinha. Sua pele se arrepiou sob o toque da sua mão, suscetível, desejosa de outro toque, dos dedos femininos da outra garota. Fechou os olhos por um momento, numa luta interna para decidir se realmente ia engolir seu orgulhoso e se tocar pensando em Tara. Mas que escolha ela tinha, a essa altura? E não é como se alguém fosse saber...
Alcançando a varinha no criado mudo, conjurou de sua gaveta uma peça de lingerie que Tara tinha esquecido ali, em uma de suas visitas. Era um de seus muito sutiãs meia taças, de renda e cetim bordado, esse de um tom claro de rosa-champanhe. A textura era muito suave, enquanto que o cheiro impregnado nele era todo Tara; cereja e nicotina dos seus malditos cigarros, a combinação pinicando em seus nervos e acendendo o desejo ainda mais forte. Ela colocou o sutiã sobre os próprios seios, esfregando os dedos sobre o bordado acetinado, a outra mão escorregando para dentro da calcinha até a sua carne molhada e inchada.
O cenário era o armário de vassouras, sujo e abafado armário, por pura conveniência. Já estivera dentro dele uma vez com Tara, fazia tempo: logo após retornarem de Snowfall, no ano letivo anterior. Na noite seguinte a terem dormido na estalagem da garota lobisomem, embora naquela época nada disso viera à tona. Tara passara uma mão fria por suas costas, debaixo de sua blusa, provocando-lhe um arrepio que deixara seus mamilos duros. Na sua imaginação, aqueles dedos gelados esfregavam seus seios, beliscavam sem piedade, então ela abria a sua blusa e os colocava na boca, os lábios tingidos de batom escuro sugando sua pele vorazmente e arrancando um gemido de tesão inevitável de Bervely (gemido esse que ela deixou escapar naquele momento, esfregando ao redor de seu clitóris sem tocá-lo diretamente, se contorcendo com o prazer agoniante que a carícia proporcionava).
Tara adorava provoca-la daquela maneira, então ela podia fazer de conta que eram os dedos dela, não os seus. Com o cheiro adocicado da garota tão perto de seu rosto, era como se ela estivesse ali, sussurrando coisas maldosas em seu ouvido com o provocante sotaque romeno.
A Tara do armário de vassouras se ajoelharia em frente a ela, arrancaria sua calcinha e pediria que ela abrisse as pernas. Então lhe lamberia, com indolência e provocação, como uma gatinha lambendo todo o leite de um pires até a última gota. Então ela colocaria dois dedos compridos dentro de Bervely, deixaria sua mão parada, obrigando-a a mover o seu quadril para frente e para trás para senti-los deslizar dentro dela. Com a pontinha da língua ela faria aquele truque de lamber só seu clitóris, bem de leve, o que era enlouquecedor e maravilhoso e invariavelmente a fazia gozar gritando.
Bervely imitou o movimento com a ponta do seu dedo, o que não era nem de longe tão bom quanto a ponta macia daquela língua, mas em seu estado de excitação, serviu a contento. Logo seu corpo estava convulsionando, sua vagina se apertando em contrações deliciosas, e com os olhos fechados ela via os olhos verdes vitoriosos lhe olhando gozar. Só para ela, por causa dela, a romena maldita que a provocava mesmo quando a deixava perfeitamente em paz.
Rolou na cama, com raiva, irritada, ainda tremendo e ofegando. Não era o tempo todo, mas só às vezes, precisava admitir que aquela ruiva a deixava louca, com ou sem o capitão ao seu alcance para saciá-la. Era como se uma coisa simplesmente não substituísse a outra, então porque precisava escolher, para começo de conversa?
Foi difícil dormir, aquela noite. Bervely caiu no sono com uma meia taça do sutiã perto de seu rosto, aspirando o aroma de fruta e de mulher impregnado no pano e amaldiçoando sua dona, mas quando acordou, a peça não estava mais a vista.
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