Rosas são vermelhas, igual a você...
1 As rosas manchadas
O sangue esgueirava por entre meus dedos... Sua bela tonalidade, em tons escarlate que variavam entre o claro e escuro; não sei o motivo... Mas afirmo, era belo...
Num único ato, rápido e certeiro, eu o senti, ainda quente escorrendo sobre mim. Admito que esbocei um pequeno sorriso, com tamanha beleza que agora pousava sobre meu corpo.
Desde muito nova admirava aquela cor: Tudo de mais belo estava revestido pelo vermelho. Ou, será que podes afirmar que nunca paraste para admirar a bela rosa que crescerá no jardim? Ou as belas roupas que os nobres usavam? Tudo... Tudo de belo possuía vermelho em si.
Lembro-me muito bem, das flores que em mim cresceram quando ele me rejeitou, oras... Não poderia o culpar, afinal, quem pode obrigar alguém a amar outra pessoa? Hahaha...
[...]
As primeiras rosas eram brancas, lembro do desespero de meus pais, se perguntando o que havia de errado comigo, vomitando sangue sem parar... Eles não as viam... Na verdade, ninguém as viam... Apenas eu! Que bizarro, não concordas?
Logo depois, começaram a possuir um tom rosado... Ah, elas me lembravam suas bochechas coradas quando ele a beijou pela primeira vez... Era algo tão... Adorável! Mas dolorido... Igual a esta praga que me consumia mais e mais... Era belo as ver e as segurar, mas a dor delas me rasgando por dentro era terrível!
Em seguida, ficaram vermelhas... Aquele tom... Me dava tanto prazer as ver! Sua cor, misturada em meu sangue escarlate... Era perfeito, aquilo era a única coisa que me fazia continuar firme, buscando uma cura inexistente, que na época eu acreditava com toda minha fé...
Cada dia que passava, eu gritava, me afogando em lágrimas de desespero;
"Deus, por quê? O que eu fiz para merecer tal humilhação e sofrimento? O que eu fiz para não ser compreendida e ter que viver com uma doença sem cura onde ninguém a enxerga, apenas eu?" Eu gritava aos prantos a meus pais, mas eles não entendiam... Eles não entendiam a "Doença das Flores", assim como eu a chamava...
[...]
Ao relento do vento me posicionei sobre a janela do prédio, portas trancadas... E a única janela, ocupado por mim. Eu sentia o vento me balançando, e algo próximo de mim, me dizendo para pular. Eu dizia para mim mesma, que isso não era o correto... Eu era jovem demais, e desistir por conta de um evento passado, ocorrido há tanto tempo era bobagem... Mas não importava o quanto eu repetia, ele gritava em meus ouvidos. Nunca achei que ele poderia dizer coisas tão banais, principalmente quando alguém está pensando em tirar sua própria vida... Tsc, tsc... Existem pessoas que nem mesmo depois da morte aprendem.
Ah, uma outra bela ocasião em que o vermelho é admirável: No assassinato de alguém que te feriu profundamente!
Aaahh... A sensação, de sentir o sangue escorrendo por suas mãos, enquanto o rosto dele demonstra uma expressão de agonia e dor. Não me importo de ver as flores arrancadas à força por ele, em seus últimos instantes de vida, agonizando sem respirar direito... Logo, em um último golpe, acerto seu rosto, retirando seu globo ocular... Hunf, tudo o que ele passou não foi nada ao inferno que ele me fez passar, me trocando por aquela vadia... Sinceramente, o sangue esgueirando entre minhas mãos... É a coisa mais bela que verei em toda minha vida, enquanto apodreço na cadeia... Sabe, não acho que me arrependeria disto. Afinal, as flores nunca deixaram de me acompanhar...
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