Rosas e Correntes.
12 Quebrado.
Algum local de Cardington- 6:00 pm, Meio dia. Praticamente era noticia em todos os condados perto do lugar. Era a primeira página em todos os periódicos de Cardington e inclusive em lugares mais longes como Manchester.
Não se falava de notícias comuns, nem assassinatos, nem de música, nem tampouco obras de teatro.
Filas e filas de pessoas subindo e descendo dessa colina sem nome, que se localizava perto da velha parada de ônibus, que agora estava repleta de carros e pessoas vestidas de negro, com flores e vários presentes, como bonecos de pelúcia, balões e outros brinquedos de todo tipo.
Enquanto isso, eu me perguntava: "Por que agora e não antes? Por que trazer presentes a esses pequenos abandonados pela graça de deus e do calor de seus lares desse modo tão... hipócrita?"
Nunca se deram conta de que estavam ali, ou nunca quiseram se preocupar com eles! Ao menos esse eram os meus sentimentos sobre eles.
Todos eles estavam muito ocupados nos bares, e em seus trabalhos. Eles com mulheres e elas com homens. Demasiado submergidos em seus infernos pessoais para prestar atenção a esses inocentes... E eu estava entre eles!
Por essa razão dediquei a minha vida a lutar por estabelecer a lei e a ordem como um simples patrulheiro do povoado, tratando de ser honesto comigo mesmo e com os demais. Ainda que seja muito difícil as vezes com tantos roubos e assassinatos.
Fiquei ali, nesse local pequeno, já que eu havia sido requerido pelas autoridades de esse condado, em especial a causa dos contínuos rumores de fantasmas e de coisas estranhas que aconteciam na velha mansão. (Obviamente, eu não era a pessoa mais indicada para esse tipo de trabalho, mesmo assim, aceitei!).
Ouve um caso realmente alarmante e a razão do meu chamado, foi sobre uma família de classe média alta que queria converter o Orfanato Jardim das Rosas em uma casa de férias, porém se foram na manhã seguinte correndo e sem dizer nada do que haviam visto ou escutado no casarão.
A única coisa que eu cheguei a saber foi que a filha da família sofreu uma forte crise de nervos, pois não deixava de mencionar algo relacionado com um rato atado a um pedaço de madeira, de peixes sem pele voando ao redor do local, e de um coelho branco e uma boneca de porcelana a que ela dizia ser uma "princesa".
Em fim. Se eu quisesse saber mais, teria que ir ao lugar onde vivia a dita família para saber de mais coisas a respeito da casa. Porem havia um pequeno problema... A família havia sido assassinada pelo próprio pai, por causa de um ataque de loucura derivado do que lhe havia ocorrido na mansão.
Ao que parece ele mesclou cianeto com suco e deu para família beber, e depois o pai se suicidou com um tiro na cabeça derivada de uma escopeta.
Foi uma tragédia terrível, e lamentavelmente para mim; pois com eles morria o segredo do que havia acontecido ali. As razões do porquê foram literalmente expulsos da casa por alguma força desconhecida. No final, eu teria que averiguar por conta própria.
Os moradores sabiam perfeitamente que eu não era a pessoa indicada para tal tarefa. Deveriam contratar algum espiritista especializado em este tipo de fenômenos. Porém, os moradores eram gente terrivelmente desconfiada com os forasteiros, e também muito supersticiosos, assim que se decidiram consultar a alguém familiarizado com a região. O qual era eu. Eu, Anthony Dolittle! Um humilde patrulheiro do povoado, e uma das poucas pessoas que viu em primeira mão, como havia ficado o lugar no dia seguinte, quando o rumor se espalhou como pólvora por causa dos curiosos que se amontoavam, atraídos tanto pela preocupação tardia por aquelas crianças como pelo remorso e a curiosidade.
O odor de sangue seco era insuportável, as roupas estavam por todas as partes, e estavam cheias de sujeira por causa do barro já endurecido.
Os corpos estavam desnudos e alguns com pedaços de roupa, e nenhum estava inteiro! Foram mutilados de tal maneira que, unindo desacertadamente troncos com pernas, braços e mão de aqui e ali, demoraria horas para saber qual parte pertencia a quem.
A sagrada memória daqueles pequenos mártires se transformou em um quebra-cabeças de carne que ficou mal feito.
Mike, um companheiro, estava tão pálido que parecia um cadáver vivente, quando admirou a cena este se curvou torpemente sobre um dos muros da lateral do orfanato como se estivesse bêbado.
— Oh deus! — Disse Mike contendo o vomito com a mão, não lhe repreendi nada quando segundos depois um enorme jato de vomito saiu rapidamente de sua boca por causa do choque.
As lágrimas saíram dos meus olhos, porém sem choro algum. Não sabia como devia reagir nesse instante. Outros de meus companheiros, 6 no total, contando com nosso tenente, ficamos paralisados como pedra diante dessa visão impactante.
Mike se sentou no solo levemente úmido do pátio principal, enquanto Robert virou-se lentamente para a esquerda contendo um segundo rio de vômito interno. Santos, de igual forma, tirou sua gorra de patrulheiro para se pôr de joelhos e choramingar de tal modo que o tenente Jones teve que esbofeteá-lo para que ele reagisse.
Era um horror indescritível! Fazendo um esforço, consegui pegar o comunicador que eu tinha na cintura junto com minha lanterna fiel, e informei a uma ambulância que viesse a mansão Jardim das Rosas de imediato e que ocorresse o que ocorresse, não lhes diriam nada ao povoado sobre o que havia acontecido aqui, para não causar histeria coletiva.
O tenente Jones nos deu a seguinte ordem á gritos: — "Quero que vasculhem o terreno, busquem por todo o orfanato e ao redor da casa! Quero achar a imunda besta que possa ter sido responsável por esta atrocidade".
Nos deu a tarefa de buscar por todos lados, e várias vezes sem êxito algum. Não achamos nada por vários quilômetros ao redor da mansão. Nenhum vizinho nos informou de algum forasteiro ou pessoa suspeita que poderia ter feito isto.
A ambulância forense chegou ao lugar, repetindo a mesma história: caras assustadas, lágrimas e vomito por todo lado, mas como autênticos profissionais se despuseram a cumprir com seu dever.
Apenas os de estômago más forte foram capazes de recuperar os membros destroçados sem vomitar ou romper-se em pranto.
Nós estávamos dentro da mansão sentados nas escadas de carvalho escuro adornado com uma alfombra turca verde que estava suja de pequenas pisadas por causa do barro. O que queria dizer que as crianças correram para esconder-se em algum lugar...
...
De volta a minha perseguição ao estranho vulto que poderia ser ou não um autêntico fantasma; Me veio a mente a voz de Jennifer, sozinha, assustada e pedindo por ajuda.
Um frio estranho tomou o meu corpo, e quando eu me virei para olhar para trás avistei a figura fantasmagórica de Wendy, que apesar de não possuir uma imagem visual nítida, possuía uma voz bastante bela e audível.
— Volte para o príncipe. Ele não deve ficar sozinho... — Sussurrou a morta princesa antes de desaparecer aos poucos deixando para trás apenas uma figura de uma pequena mariposa que voou até a janela mais próxima e saiu daquele lugar amaldiçoado.
Naquele momento não tive mais duvidas de que os relatos eram reais, e seguindo o conselho da pequena fantasma agora transformada em minuscula mariposa espectral, corri o mais rápido que pude e abandonei aquele maldito lugar de dor, perversão e sofrimento.
E corri o mais rápido possível para retornar ao lado do meu bem mais precioso naquele mundo cruel e maldoso.
Jennifer.
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