Rosas do Fogo
9 Rhaegar
Notas iniciais
Forasteira de Sangue Cinza
Encerravam- se naquelas últimas cavalgadas, os quase dois dias que se passaram na estrada do rei em direção a Harrenhal, cada momento que Rhaegar passava ao lado de seus filhos eram bons, ele ensinou a Rhaenys a empunhar e perfurar qualquer um com uma espada que ela chamou de faca de açougueiro (já que era fina como uma faca e cumprida como as que os açougueiros portavam) a Aegon ele não pôde ensinar muita coisa, a criança abria e fechava os olhos a cada três minutos, mas ele conseguiu fazer Aegon segurar seu dedo mindinho, foi um avanço pensou ele, Aegon terá muito que aprender dali pra frente tanto quanto seu pai tivera e o pai dele também.
— Estão sentindo esse cheiro? – perguntou o soldado que portava o escudo Targaryen.
Rhaegar não se preocupou em responder, mas sentiu sim, era como se em um caldeirão jogasse coco de cavalo, corvos mortos e acrescentasse vômito de criança.
— Parece cavalo morto. — sugeriu o outro.
Não, cavalo morto seria aroma comparado aquele cheiro.
— Contenha- se soldados... – Sor Dayne o reprimiu. – Chegamos a Harrenhal. – disse empinando seu cavalo.
Aquele era o odor da morte, e na verdade, sempre esteve ali, presente nas narinas de qualquer um que passasse por aquele caminho, apesar de forte, muitas vezes não era notado.
— O REI EXIGE A PRESENÇA DE RHAEGAR TARGARYEN NA CARRUAGEM REAL. – gritou um servo, procurando com os olhares pelo príncipe.
O príncipe desmontou de seu cavalo e seguiu até a carruagem real. Seu pai esforçava suas costelas para pegar a taça que havia caído, Rhaegar entrou e sentou- se na poltrona a frente da mesa de centro.
— Sabe você quantas pessoas disseram que ninguém derrubaria Harrenhal? – ele passou a encher duas taças de vinho.
— Quem dera poder ter vivido nesses tempos meu caro pai, não sei quantas?
— Muitas. – respondeu com um meio sorriso no rosto. – Diziam que qualquer um que ali morasse Westeros dominaria.
— Quem disse tamanha burrice, deveria viver ainda hoje para ver sua ascensão. – Rhaegar sorriu, dando um gole na taça.
Seu pai retribuiu o sorriso sentando- se.
— Sinto pena dos pobres que se esforçaram a pegar suas espadas e guerrilhar, a melhor parte de uma guerra, é quando você pode atacar sem medo de ser derrotado. – confessou O Rei.
— Creio que seja sim, o fogo derretendo as rochas, um ataque aéreo, poucos tinham esse luxo. – Rhaegar deu outro gole no vinho.
Aerys deu uma alta gargalhada, fazia tempo em que Rhaegar não sentava- se com seu pai para beber, falar de fatos históricos na cultura Targaryen.
— Senhor, foi avistado o castelo, devemos estender as bandeiras? – perguntou o servidor.
— Sim... O desfile irá começar. – anunciou.
Desde o ataque a Harrenhal a Casa Targaryen passou a ser chamada de lar dos dragões, algo que emocionava a Aerys ouvir, não existiria em Westeros outro homem com mais orgulho de ter nascido com o sangue do fogo.
Rhaegar deixou a carruagem e montou seu cavalo, um lindo e enorme garanhão branco tão bem escovado quanto os próprios fios dourados do príncipe, as bandeiras foram estendidas, e rufaram os tambores.
Algo lindo visto de Harrenhal, o dragão de três cabeças estampado no colete de prata de Rhaegar, nas bandeiras com o fundo negro e na carruagem bordado com linhas vermelhas. À frente os enormes e assustadores portões com mais de trinta centímetros de ferro e rocha, e embaixo de sua ponte o lago de Harrenhal, músicos cantarolavam que as águas eram curadoras para a visão e Voz.
Os cavalos se aproximaram do castelo e à medida que se aproximavam Rhaegar se destacava a frente de todos, o príncipe iria ditar a ordem de abertura dos portões, assim que chegassem à distância mínima, o que aconteceu segundos depois.
— Abram os portões para a casa Targaryen. – gritou.
Os portões se abriram.
— Bem vindos a Harrenhal. – recepcionou o servo de algum lorde.
Sim, o odor de morte vinha do castelo que agora fede a rochas queimadas e armaduras derretidas. Continuaram o desfile, um caminho se abriu perante aquelas centenas de pessoas, escravos, Sors, princesas e lordes, todos aplaudiam a entrada da família e assim que o rei colocou os pés no chão de pedras de calcário, as pessoas caíram de joelhos e de cabeça baixa.
Aerys seguiu até Lorde Whent que ajoelhou- se a frente de todos, e gesticulou que se levantassem, e assim o fizeram. Rhaegar desmontou de seu cavalo e olhou a seu redor, pôde notar que sentiu olhares pesados sobre seu ser, mas ignorou- os, coisa que seu pai jamais faria. Foi até a carruagem real e lá ajudou que sua mãe descesse, Rhaella estava deslumbrante seu vestido branco tinha ombreiras de ouro, era tão longo que tampava seus pés deixando uma cauda enorme, seu penteado era magnífico, sem dúvida era a mulher mais bem arrumada dali. Até Elia descer, a serva trouxe Aegon e Rhaenys com ela, Elia fez com que dezenas de olhares caíssem sobre si, vestia- se tão bem quanto Rhaella e ainda mais simples, um vestido lilás um colar de esmeraldas, o penteado levantado e uma pequena trança nas mechas de sua franja, o vestido não passava seus pés, mas ainda sim era belo, seu decote provocado era coberto por ombreiras que cobriam seu pescoço sem toca- lo, de prata.
— Rei Aerys, é um prazer recebê- los em nossa Harrenhal. – disse sorrindo o lorde de Harrenhal.
Aerys não sorriu.
— O prazer é por completamente nosso Lorde Whent. – afirmou.
Rhaella Targaryen caminhou até Lorde Whent e a ele estendeu sua mão, o mesmo a beijou e soltou um elogio qualquer. Rhaegar e Elia acompanhados de seus dois filhos seguiram até o lorde e sua família, cumprimentando- os, quando Elia pegou Aegon em seus braços.
— Bem vindos. – diziam todos ali.
Sor Dayne dispensou apresentações e recepções nem mesmo desceu de seu cavalo, continuou cavalgando ao redor de Harrenhal.
Enquanto Rhaegar e Elia caminhavam até seus novos e temporários aposentos.
— Minha princesa, como? Você estava muito mal, como melhorou tão rapidamente? – indagou.
— Antes de sairmos de Porto Real, Meistre Pycelle ofereceu- me um novo tratamento, disse que havia chegado há três dias, mas ocupou se testando para depois me recomendar, eu aceitei, e o fiz, em dois dias pude sentir meus músculos voltando como eram e assim recuperei minhas forças... – contou a princesa de Dorne e de Rhaegar.
— Festejaremos sua melhora... – alegrou- se.
— Mas, meu querido, não estou completamente curada, meu problema não foi resolvido, foi acobertado, e como tudo o que é acobertado, uma hora ele voltará.
— Não precisaria que fosse desta forma, basta falarmos com Pycelle e pedir ainda mais do que lhe deu.
Elia concordou com a cabeça e Rhaenys segurou a mão do pai. Chegaram aos seus aposentos, um enorme quarto com duas janelas.
— Terei de ir, preciso encontrar- me com Sor Dayne, antes do anoitecer volto para irmos jantar. – sorriu, e bem atrás de si, a serva de sua família chegava.
— Sim, o esperarei. – ela sorriu beijando seus lábios rachados e secos.
Rhaegar seguiu caminho até o pátio central onde algumas pessoas treinavam com suas espadas, procurou Sor Dayne e o encontrou parado dando de beber ao seu cavalo.
— Rhaegar da Casa Targaryen, a que devo essa honra? — perguntou, sorrindo.
Rhaegar sorriu olhando em várias direções.
— Vamos caminhar.
— Claro, meu príncipe, imediatamente. – continuou sorrindo.
— Creio que queira perde a cabeça Sor! – sugeriu o príncipe sorrindo.
— Não, não Rhaegar, vamos lá. – interrompeu o sorriso e apressou—se Sor Dayne.
Passos à frente Rhaegar se deparou com o escudo jogado no chão pisoteado e sujo, pegou- o,
— Casa Stark. – leu o estandarte, um Lobo gigante cinza.
Sor Dayne pegou o escudo com cuidado das mãos de Rhaegar e o encostou em um canto qualquer, continuaram caminhando, passaram por dois cavaleiros, em seguida três arrumadeiras que cochichavam algo sobre o príncipe, Rhaegar ainda não havia se despido de usa armadura, se despiria mais tarde no grande jantar, e precisaria treinar também, o torneio começaria no dia seguinte.
Ao concluir aquele pátio Rhaegar e Sor Dayne passou a pequena torre.
O príncipe ouviu...
— Soltem- o. – disse uma voz distante, feminina.
Procurou a origem e não encontrou.
— Irei cortar sua garganta como presunto. – continuou a voz.
— Ouviu isso? – perguntou Rhaegar focando em Sor Dayne.
— Ouvi o que? – perguntou, procurando agora ao que o príncipe falava.
— Está vindo dali... – afirmou Rhaegar, seguindo em direção ao pequeno beco sem saída.
A voz ficava mais forte e alta, Rhaegar fez um sinal para Dayne parar, continuou ouvindo o que acontecia, e agora se espreitava atrás de uma parede de rochas para ver o que acontecia.
— Volte para sua mãe, criança... – a voz soava diferente e era masculina e grossa, como a de um bêbado.
Dois homens seguravam outro um com a espada virada para outro alguém ali que não conseguiu ver e o outro com a espada no chão, o homem estava de quatro sangrando pela boca e nariz.
— Não vá... – interveio Dayne.
— Por quê? – perguntou Rhaegar se recompondo nas rochas.
— Eu vou. – afirmou. – Por segurança.
Rhaegar concordou com a cabeça. Sor Dayne deu três passos e parou, retomou onde estava, ouviram dois barulhos o de passos largos e rápidos e o de um corpo despencando na brita, o príncipe olhou entre as rochas, era... uma... mulher... ela segurava uma espada não tão grande, mas suficiente, ela puxou o coitado que sangrava enquanto outros foram para cima da pobre moça, não, pobre não, ela era valente, apenas de enfrenta- los.
O cavaleiro foi para cima dela que deu um golpe que o derrubou e em seguida quebrou um de seus braços, o direito, para que não pudesse empunhar novamente uma espada tão cedo. Em seguida o outro ficou a encarando, com os olhos fixos, ele pegou a espada do chão e em questão de segundos iniciou um duelo, ela conseguiu deixar o jogo empatado, com sua espada parou a lâmina do outro cavaleiro, parou- a no ar, deu um chute entre suas pernas, mas não obteve resultado, a armadura o protegia ali, puxou o braço do cavaleiro e o mesmo deu uma cotovelada em seu rosto, ela o puxou e derrubou seu corpo no chão, rançou sua espada e posicionou em seu pescoço.
— Da próxima vez que ousar colocar a mão nele, darei seus braços e pernas aos lobos. – afirmou soltando o pobre homem, e segurando seu amigo.
Rhaegar e Sor Dayne retrocederam, do beco e se esconderam atrás de alguns barris de cerveja, conseguiram ver a moça sair do beco.
— Quem ser aquela bela moça? – perguntou Rhaegar olhando a forasteira que rapidamente cobriu seu rosto, prendendo seu cabelo.
— Lyanna Stark. – respondeu Sor Dayne, se levantando assim que Lyanna desaparecia no sul do castelo.
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