Rosas do Fogo
7 Jaime
Notas iniciais
Ajeitou pela última vez os seus cabelos dourados que estavam emaranhados depois de uma noite bastante produtiva. Ainda não tinha clareado totalmente no lado de fora do aposento, mas não poderia ficar por muito tempo, tinha que sair antes que as criadas chegassem.
– Prometa-me que se juntara a Guarda Real? – repetiu mais uma vez a jovem donzela sentada na cama apertando o lençol contra seu corpo nu. Seus cabelos dourados caiam em cascatas por suas costas lisas e macias. Seus olhos eram verdes e frios, mas que ficavam doces e quentes quando ficava perto de seu amado. Olhos tão verdes tanto quanto de seu irmão que terminava de colocar sua roupa.
– Eu prometo – respondeu Jaime convicto a sua irmã – Irei pedir a Sor Dayne pra que me convoque a Guarda Real. Sou o melhor cavalheiro que ele tem como opção.
– Assim espero. Você não aguentaria ficar casado com aquela esquisita da Lysa Tully – resmungou Cersei com desgosto se aproximando de seu irmão gêmeo, muito parecido com ela.
– Irei me juntar à guarda, basta você fazer a cabeça deles. E logo estarei ao seu lado – ele disse com seu belo sorriso, capaz de fazer várias donzelas suspirarem por seu encanto.
– Eu irei – ela disse o beijando novamente, por uma última vez.
Despertou de mais um de seus sonhos em outro dia em Rochedo Casterly. O sol era fraco, escondido entre as nuvens acinzentadas do rochedo, a região era sempre fria, não era muito fácil ter raios de sol em Rochedo. O som do mar batendo nas rochas do monte de pedra de Rochedo Casterly podia ser ouvido em qualquer lugar do grandioso castelo de pedra, um dos maiores castelos de Westeros.
Sonhará novamente com Cersei. Sentia falta de suas mãos macias, seus lábios afiados e delicados, seu corpo junto ao seu, sem se desgrudar em nenhum momento, os movimentos incessantes que faziam quando estavam juntos, sem ninguém por perto, sem ninguém para atrapalhar. O dia de seu nome veio e se foi e a saudade pela jovem não tinha diminuído. Já fazia alguns meses que não havia, nem a ela e nem a seu pai, o Lorde Tywin Lannister, a Mão do Rei. Tinha que se contentar apenas com cavalheiros, vassalos, escudeiros e o Meistre Creylen. Além de seu irmão mais novo, horrivelmente feio, Tyrion.
Desde sua última visita a Cersei em Porto Real, Jaime a prometeu que entraria para a Guarda Real. Ele lembra que assim que teve um tempo a sós com sua irmã em seu quarto na Fortaleza Vermelha ele soube, por ela, que seu pai, pretendia casa-lo com a jovem Lysa Tully filha do Lorde Hoster Tully, de Correio. O que a jovem Cersei Lannister não aceitou muito bem a ideia de seu pai. Assim que teve uma oportunidade de rever o irmão, ela o persuadiu até que ele aceitasse a entrar para Guarda Real, para se livrar desse deplorável casamento com a estranha jovem Tully. E Jaime, sem pestanejar, consentiu aceitando a ideia da irmã.
Já fazia alguns meses em que Jaime esperava uma convocatória para fazer parte da Guarda Real, prestar seu juramento, servir ao rei e se mudar-se definitivamente para Porto Real, ficando ao lado de Cersei e de seu pai. Mas entrando para a Guarda Real ele perderia certas coisas, privando ele de se casar e ter filhos, ter os seus herdeiros que seu pai almejava.
Antes que pusesse seu pé para fora do quarto, uma criatura muito pequena entrou correndo pelo quarto e pulando em cima de sua cama.
– Quantas vezes que lhe disse para bater na porta antes de entrar Tyrion? – ele perguntou ralhando com o pequeno menino que se aquietava na cama do irmão mais velho.
– Já me disse várias vezes, mas isso não significa que eu irei obedecer – o menino disse em zombeteiro a Jaime que bufou de raiva. Para um menino de sete anos Tyrion era muito inteligente. Provavelmente por causa dos vários livros que o garoto tinha, a qual era obrigado a ler, já que não tinha muito que o menino a fazer no castelo, ele poderia até aprender técnicas de combate com os outros meninos de sua idade, se Tyrion tivesse tamanho para o ato.
Às vezes Jaime ficava pensando em como seu irmão poderia ser tão feio, enquanto ele e sua irmã eram belos. Tyrion é muito pequeno para uma criança de sete anos. Sua cabeça era grande demais para seu corpo. Seus olhos eram estranhos e assustadores, um olho era verde e o outro negro. Os cabelos, diferente de Cersei e Jaime, não eram dourados, mas sim tão louros que pareciam brancos. Tyrion era definitivamente uma criança muito feia. Sempre foi desde seu nascimento.
Jaime via nos olhos de seu pai e de sua irmã o ódio que eles sentiam pelo garoto. Joanna era uma jovem linda e meiga, morreu no parto do Tyrion, o que causou o ódio de Tywin que amava e de Cersei que era a filha querida. Jaime não odiava, muito menos o culpava pela morte de sua mãe, mas também não tinha muita simpatia pelo garoto.
– Só por que você disse que não posso entrar, não quer dizer que eu vá obedecer – disse o menino pequeno e feio se sentando na cama.
– Ok seu engraçadinho. Agora sai do meu quarto, tenho coisas a fazer – falou Jaime indo até a entrada do quarto e gesticulando para o irmão sair.
– Sonhando outra vez com ela? – perguntou o pequeno já na porta do quarto.
– Sonhando com quem? – perguntou Jaime com descrença.
– Você sabe de quem eu estou falando – disse o menino se retirando do quarto logo em seguida.
Assim que Tyrion se retirou dos aposentos, Jaime serviu-se de vinho, sentado na poltrona em frente à lareira apagada. Não ligava para o que seu irmão achava, ninguém acreditaria, há não ser a velha criada Marys, que já o flagrou fazendo coisas proibidas com Cersei. Bebericava do vinho e pensava quando ouviu batida na porta.
– Entre! – disse se levantando.
Um homem pequeno e calvo entrou em seus aposentos trazendo um pergaminho em sua mão.
– Com licença senhor Jaime, mas chegou uma carta enviada por um corvo branco para o senhor – disse o miúdo estendendo a carta a Jaime.
Corvos brancos são extremamente raros e são corvos mais inteligentes que se tem em Westeros, usados por pessoas importantes, para assuntos importantes. O selo real dos Targaryen estava estampado na frente da carta, um dragão de três cabeças, vermelho e imponente.
– Saia! – mandou o jovem Lannister ao miúdo que saiu imediatamente.
Abriu a carta e reconheceu a letra de Sor Arthur Dayne, cada vez que lia a carta seu semblante alimentava, estava feliz pelo conteúdo que estava escrito no pergaminho. Era a sua grande chance.
Seguiu para o pátio antes mesmo de tomar comer. Vestindo sua armadura e segurando sua espada ele andou rapidamente até o pátio. Vilarr gritava com os aprendizes escudeiros e cavaleiros. Fracos. Homens e quase homens fracos de mais. Jaime ria por dentro, daria de cem em todos aqueles homens apenas com uma mão.
– Não se fazem bons homens como antes – disse Jaime chegando perto do capitão das guardas.
– Infelizmente, nem mesmo uns chutes na bunda desses fracos não adiantam mais. Últimos homens bons estão em Porto Real, em outros lugares são poucos – diz o homem sem se dar ao trabalho de olhar para Jaime.
– Recebi uma carta de Porto Real – disse Jaime começando a se sentir feliz novamente.
– E então? – perguntou o homem.
– A Guarda Real quer que eu os acompanhe para o torneio de Harrenhal para uma cerimônia que acontecera lá, querem que eu fique com ele e perto do rei.
– Muita boa sorte para você – disse o homem com sarcasmo – Dizem que aturar o rei Aerys não é tão simples, ele tem um gênio difícil, qualquer coisa fora do que ele acha certo, ele ira punir.
– Não irei deixar escapar essa chance.
– Está será sua grande chance – disse Vilarr – Só não acho que seu pai gostara muito dessa ideia.
– Por que não? – perguntou Jaime.
– Olhe Jaime! – disse o homem agora olhando para o rapaz – Cersei é uma garota, não ira conseguir comandar Rochedo Carterly, o máximo que irá acontecer com ela é se casar com um homem poderoso, seu pai aposta que se casara com príncipe Viserys depois da tentativa fracassada do casamento com o príncipe Rhaegar. Tyrion, seu pai nunca deixaria a casa dos Lannister para um garoto que não tem futuro, Tyrion não sabe lutar, não sabe cavalgar, ele não presta pra nada, é um inútil. O único que sobrou é você, a única coisa que realmente importa para a Mão do Rei, para o seu pai, é apenas você.
– Não é uma coisa definida, não sei se realmente irão me chamar para ser um Guarda Real, ainda sou jovem demais para isso. Mas não posso colocar os desejos de meu pai acima dos meus, um dia Cersei irá ter muitos filhos, um deles pode comandar Rochedo Casterly e tenho certeza que nem tão cedo Tywin Lannister nos deixara.
– Seu pai é forte e inteligente Jaime, mas nos tempos que vivemos, podemos esperar tudo – diz Vilarr.
– Faria qualquer coisa pelo meu pai – disse Jaime – Mas a certas coisas que devo pensar em mim, antes de pensar nele.
– As decisões são suas a partir de agora, basta você ver o que é certo, nem que para isso tenha que colocar a sua família em ultimo lugar – disse Vilarr se afastando para perto dos aprendizes.
Fale com o autor