Rosas Vermelho Sangue

3 Capítulo 3 - a lenda


- Eu sabia.

Hiei chegou silencioso. Logo que viu Kurama, percebeu que ele já sabia.

-E você sabe o que ela veio fazer aqui?

- Soube que ela fez um pacto de alto risco. Com quem, e de que jeito, ninguém sabe – e olhou de canto de olho para Kurama – mas sem dúvida o poder dela está muito elevado.

- Eu senti, embora não me pareceu Maligno. Na outra vez que a vimos, estava bem diferente.

-Mudou muito. Mas se camuflou para ocultar de nós, poderemos esperar que ela tenha se tornado uma grande oponente.

- Ela disse que veio me avisar.

- Hai. Sobre sua mãe.

Ele sabia? Poderia ter lhe prevenido.

Vendo a irritação do outro, Hiei sorriu. Sarcástico.

- Ela ainda mexe com você? Esperava que tivesse se dominado.

-Você está enganado.

- Veremos — E Hiei se afastou.

Sabia que ela ia dar problemas.

*****************************************************************************- Kurama!

- Urameshi...

Yusuke não entendeu essa. Que maneira de falar... O rapaz estava estranho...

- Koenma disse que temos que investigar uma youkai. Parece que ela está atraindo a atenção de muita gente do submundo, aqueles velhos nojentos do Black Black Club.

- Hai.

- E eu vou também? Não agüento mais! Por que o Koenma me chamou? – Kuwabara falou, com aquela voz esganiçada.

Kurama não pode deixar de sorrir.

- Duvido que ela venha a ser uma ameaça, Kuwabara – se afastando, falou sério – Ela não é o que parece.

Mas o que afinal ela andava resolvida a fazer? Para chamar a atenção do Reikai, não devia ser pouca coisa.

- Ela está hospedada num hotel 5 estrelas no centro. Devemos ir lá falar com ela, foram as ordens.

- Botan-chan falou que ela aceitou em nos receber, desde que fosse todos nós.

Kurama assustou-se. Ela NUNCA se deixava ver desta forma tão aberta. Nunca. Só quando... ”Tolice”, pensou. “Não é o mesmo”.

- Vamos, estou com fome. Vamos comer algo no caminho.

- Urameshi, você nunca leva a sério!!! Pensa só em comer!!!

- Kuwabara, você só me enche o saco!!!!

Enquanto ia atrás dos amigos, pensava nela. Afinal, por que?

*****************************************************************************

- Bem vindos! Ela os aguarda na ante-sala.

Enquanto iam se dirigindo ao local indicado pelo mordomo, observavam a ostentação e o luxo do aposento.

- Urameshi, a gata deve ser montada na grana!!!! Olha isso – E pegando uma taça de cristal, olhou através dela, fazendo sua cara ficar toda contorcida.

- Não vá quebrar nada!!! Não quero problemas!!! – Botan disse, zangada.

- Botan-chaaaan, não diga isso, eu não quebr... – e bastou isso para a taça espatifar no chão.

A partir daí, a confusão se instalou. Botan começou a gritar com Kuwabara, Urameshi o provocava, e Kurama olhava para os muitos buques de rosas nos vasos.

Vermelhas. Só podia ser provocação.

- Não briguem com ele – uma voz feminina e suave surgiu de um aposento na penumbra.

Kurama se voltou ao ouvir a voz. Ela se aproximou. Vestido de seda rosa. Não conseguiam ver o rosto com clareza. Mas que ela era bela, disso ninguém duvidaria. Com aquele tom diáfano de luz, não daria pra distingui-la de dia. Proposital, com certeza.

Os rapazes logo se calaram, vermelhos. Botan quebrou o silencio:

- Sophei-san, estes são Urameshi Yusuke e Kazuma Kuwabara. Ah Kurama você já conhece? — E se curvou, sendo respondida da mesma forma.

- Fico feliz em recebê-los. Entrem — Chamou o mordomo, e em inglês deu as ordens para servir o chá – Posso ajudar em alguma coisa, suponho.

- Você tá armando algum esquema? Com que tipo de coisa, hein? – Yusuke, sempre pouco educado. Kuwabara nem piscava, parecia estar babando, se é que realmente não estava.

- Não. Estou tentando resolver um problema.

- E qual é esse problema? Fala logo que o meu dia é curto...

- Alguns homens de más intenções estão tentando ter servos meio Youkais meio humanos. Para que, não sei. E para isso estão seqüestrando mulheres que já tiveram filhos Youkais e sobreviveram – e olhou penetrante para Kurama – acredito que seja para funções realmente diabólicas, ou experiências demoníacas.

Kurama então entendeu. Sua mãe...

- E o pacto que você fez? Fez com quem?

- Pacto? De que você ta falando Kurama? – Yusuke e os outros olharam intrigados.

- Com uma sociedade de monges. Todos treinados a matar Youkais, donos de grande poder espiritual. Se eu ajudasse na captura dos maus elementos, eles eliminariam a minha existência atual.

Todos ficaram boquiabertos.

- Como assim? Eles vão te matar?

Botan não conseguiu se segurar:

- Isso é... não há como... isso...

- Isso é uma lenda, Sophei – Kurama olhava sério.

A lenda da purificação. Ele compreendeu. Se ela ajudasse a eles, e a tal sociedade, os monges prometiam libertá-la de suas obrigações como súcubo. Libertariam seu poder de sua origem demoníaca. Em suma, seu espírito se purificaria, e ela passaria a ter Seikoki, um tipo especial de ki. Pouquíssimos Youkais tentaram – o processo era demais doloroso — e nenhum sobreviveu.

E agora essa. Ela ia tentar.

- Por quê? Por que isso?

- Porque eu prometi. A alguém. E não posso continuar desse jeito. Nunca deixo promessas para trás.

Levantou-se e saiu.

Kurama suava frio. A promessa que ela fez...

Desgraçada. Era tudo que pensava.

CONTINUA...