Rosas Negras
4 Philipe
Acordei com o cheiro de café e fui até a cozinha:
— Que isso?
— Café.
— Isso eu sei, mas o que você ta fazendo acordado?
Ele suspirou e me olhou:
— Sei que já te dei muito prejuízo, mas você pode ir na loja comigo hoje me ajudar com as mercadorias novas?
Eu olhei pra ele espantado.
“Finalmente”
— Você não me deu prejuízo nenhum e sabe disso. Claro que eu vou.
— Valeu mano. Quer café?
— Opa.
Aceitei a xicara e sentamos no sofá.
— Mas... eae?
— Eae o que?
— Você e a Lina no banheiro.
Eu cuspi o café e me lembrei do meu sonho nojento e pervertido. Onde Lina estava linda na banheira!
— An, nada. Eu virei de costas e quando olhei de novo ela estava enrolada no papel higiênico.
Nós dois rimos.
— Mas, e você?
Ele me olhou sem entender.
— Lucy.
— Eu definitivamente odeio aquela mulher!
— Xiii. O que a coitada fez?
— A coitada me chamou de gay!
Passei meia hora rindo da cara dele
Abrimos a loja ao meio-dia já que tinha muita coisa pra embalar. Quando pensamos em fechar e ir almoçar a porta abriu soando um sino velho.
Era Lina e Lucy.
Lina ficou parada com um saco marrom na mão e Lucy atrás dela, deu um empurrão:
— Vai menina! Isso aqui ta gelando minha mão!
Lucy veio até o balcão e colocou quarto latinhas de Coca-Cola.
— Selina Monteiro! Fale!
Nós três ficamos ali olhando pra Lina, ate que ela limpou a garganta e nos olhou:
— Sinto muito por ontem, como já devem saber sou fraca par bebida.
Ela estava linda: vestido branco com flores azuis clarinhas e o cabelo preso.
Lucy foi a primeira a rir:
— De todos os discursos que você ensaiou, resolveu usar logo esse?
Ela fulminou a prima com o olhar:
— Nem todo mundo é boa com as palavras aqui sabia?
Lucy mandou um beijo pra ela e foi mexer nas prateleiras.
Olhei para Nick e vi que ele seguia ela com o olhar.
Ela estava com o mesmo coturno, shorts jeans curto e folgado, uma blusa curtinha do Batman e o cabelo preso pra cima.
Tenho que admitir que esse short mesmo largo deixou a bunda dela mais bonita.
Segui o olhar do Nick enquanto Lina colocava o saco de lanche no balcão, e percebi que ele alternava o olhar entre a bunda dela e as coxas: cada uma tinha um laço cor de rosa com uma caveirinha no meio tatuado. Ele estava tão entretido na abunda dela que nem percebeu que Lina estava olhando de cara feia pra ele.
Dei um tapa na sua cabeça que fez ele me olhar de cara feia:
— O que foi?
Apontei pra Lina e abaixei a cabeça segurando o riso:
— Se ela pegar você olhando pra bunda dela, ela vai de partir em dois!
— O-oque? Eu não tava olhando pra bunda de ninguém!
Lina olhou seria pra ele:
— Se você ta afim de ficar com ela, peça.
— Eu odeio a sua prima!
— Você odeia quem?
Nós três pulamos de susto.
Eu e Lina pegamos nossos lanches e cocas e fomos pro fundo da loja onde tinha uma mini cozinha e trancamos a porta.
— Eles que se matem agora.
— Lucy vai acabar com ele!
— A qual é! Nick também sabe brigar...
— Lucy vai acabar com ele só com palavras. Aquela menina não tem filtro. Não sabe respeitar os sentimentos de ninguém, ela se diverte assim.
— Ela parece ser boa pessoa...
— Ela é, mas já sofreu muito. Como diz o Oriente: “Já foi muito magoada por isso hoje magoa sem dó. ”
— Entendo.
Ficamos em silencio, ambos querendo ouvir alguma coisa. Mas estavam falando muito baixo.
— Lina, e se os dois...
Ela me olhou com um sorriso:
— Pensei a mesma coisa. Mas Nick não parece estar a fim.
— Ele vai ficar. Ele precisa de outra garota pra tirar da cabeça a Alice!
— Você quer usar minha prima pra fazer ele esquecer o primeiro amor dele?
— Quais são as chances dela se apaixonar por ele?
Ela pensou uns minutos...
— Nenhuma.
Comemos e decidimos sair da cozinha, e para nossa surpresa, nenhum dos dois estavam ali.
— Onde eles foram?
— Eu sabia! Minha prima matou ele e foi desovar o corpo!
Eu olhei pra ela e comecei a rir:
— Lina você ainda ta bêbada?
— Idiota.
Fui ate o balcão e tinha um bilhete preso por dois celulares, um era do Nick e o outro Lina disse que era da Lucy:
“Fomos dar uma volta, se quiser feche a loja e vá pra casa. Não temos hora pra voltar.”
Olhei pra Lina:
— Nos preocupamos?
Ela leu de novo o bilhete:
— Eu prefiro comer pipoca e assistir um filme.
Sorri.
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