Rosas Negras
1 Nick
— Agora é oficial!
Philipe pausou o jogo e me olhou:
— Agora?
— Sim.
Mostrei a caixinha preta.
— Parabéns cara. Boa sorte e felicidades.
Ele voltou a jogar.
— Só isso?
— O que quer que eu diga? Vocês já estão juntos mesmo, você só vai colocar as algemas.
— Valeu amigão!
Ele pausou e o jogo e me olhou sério:
— Você sabe que a família dela não gosta de você e sabe que ela pode ser muito facilmente influenciada. Isso pode acabar mal cara. Pra você!
— Eu sei. Mas eu amo ela!
— E essa é a prova que pode acabar mal.
— Vai pro inferno Ph!
— Vou matar vermes viado.
— Você é péssimo em Gears of War.
— Você também é.
Jogamos a tarde toda.
Na verdade, perdemos a tarde toda:
— Como a gente pode ser tão ruim em um jogo Nick?
— Não sei...
— Então...de que horas você vai?
— Daqui a uma hora.
— Então eu vou indo. Não use um terno, por favor!
— Saia daqui.
Antes de ir ele voltou e me olhou sério novamente:
— Eu sou contra. Mas se você está feliz com isso, eu vou te apoiar. Boa sorte cara. Tomara que ela realmente te faça feliz!
— Obrigado cara.
Ele foi embora e eu fui pro banho.
Ph e eu nos conhecíamos desde quando tínhamos 8 anos, somos irmãos de outra mãe praticamente.
Terminei o banho e me olhei no espelho.
“ O que ela viu em mim? “
Eu não tinha nada de especial: pele morena, olhos cor de mel e cabelos pretos, magro de corpo “definidinho” e uma loja de vídeo games. Fiz 22 anos, mas ainda tinha o espirito de 13, admito.
Terminei de me arrumar e fui caminhando pra casa da Alice.
Toquei a campainha e ela veio me atender.
Perdi o folego, como acontecia toda vez que a via.
— Uau!
Ela sorriu:
— O que foi?
— Você tá linda!
Ela vestia um short jeans curto e soltinho, uma camisa rosa de coraçõezinhos que realçava seus lindos peitos, o cabelo solto liso até o ombro e preto como os olhos: a perfeição de 1,60 de altura!
— Tá pronto?
— Logico!
Entramos.
O pai dela estava assistindo o jornal e a mãe lendo um livro.
— Mãe, pai... Nicollas quer falar com vocês.
Eles me olharam e eu recolhi toda a coragem do mundo:
— Boa noite Sr Andre, Sra Amanda. Eu vim até aqui para pedir a mão da filha de vocês em namoro.
O silencio fez meus ouvidos doerem.
O pai dela foi o primeiro a falar:
— Depois de estar agarrando minha filha de 17 anos pela cidade por quase um ano você vem até aqui pedir ela em namoro? É isso mesmo?
— S-senhor...
— Não gagueje Nicollas. Não fiz nada por que considero seus pais! Não aprovo você estar com minha filha. Ela merece alguém muito melhor do que um viciado em vídeo games! Mas de nada adianta proibir, pois só iria piorar o falatório na cidade. Coloquem logo essa aliança e vá pra casa. Hoje é segunda e dia de namorar é só final de semana e de preferência na minha calçada. Ouviu bem?
— S-sim senhor. Boa noite.
Nos encaminhamos para a porta e ele falou olhando pra tv:
— Dez minutos Alice!
— Tá papai...
Fomos até o portão e ela começou a rir:
— Do que você ta rindo?
— De você! Todo medroso e gaguejando...
Puxei ela e a beijei:
— Fique quieta!
Ela se afastou e esticou a mão balançando os dedos:
— Então?
Ajoelhei, sim sou um romântico a moda antiga, e abri a caixinha:
— Amanda, você aceita namorar comigo?
— Hm... Deixa eu pensar um pouco?
— Você tá de brincadeira comigo né?
Ela riu.
— É claro que aceito!
Suspirei aliviado e coloquei a aliança no dedo dela. Assim que ela colocou a minha no meu dedo e eu me abaixei para beija-la o pai dela apareceu na porta:
— Alice, já passou os dez minutos!
— O que? Como assim? Acabei de sair dai!
— Alice, entra. A gente se vê.
— Mas...
— Sem problemas, vai. Eu te amo.
— Eu também.
— E ai cara? Como foi?
Era 10h da manhã e meu primeiro cliente tinha acabado de sair.
— Ah... Foi normal cara.
Ele me olhou e ergueu aquela sobrancelha loira com um piercing preto:
— “Normal”?
— Sim...
— Nick, qual é. O que ele falou?
Suspirei.
— O que eu já sabia: que ele é contra.
Ele suspirou.
— Nick olha...
A porta da loja abriu e ele parou de falar.
Era Alice e uma amiga ruiva com uma roupa ousada demais para ir pra escola.
— Oi meu amor, o que ta fazendo aqui? Não tem aula?
— Nossa Nick! Não quer me ver é isso?
— Para de drama, só não quero que seu pai me odeie mais do que ele já odeia.
Ela me olhou e se virou para Ph:
— Eae loirinho, essa é Jessica. Jé esse é Philipe, amigo do Nick.
A ruiva se aproximou de Ph e deu um selinho nele:
— Prazer Philipe.
— P-prazer, eu acho.
As duas riram e eu fiquei sem jeito por Ph.
— Vou indo, só passei pra apresentar Jé e Phillipe. Tchau vocês dois.
Ela me deu um selinho.
— Tchau, te amo.
— Também.
Assim que ela saiu Ph me olhou indignado:
— Que porra foi essa?
Eu ri.
— Relaxa, Jessica é assim mesmo.
Ele limpou a boca e ficou separando os jogos novos comigo. Depois de terminarmos ele disse:
— Já vou indo, tenho um cliente pra hoje.
— Ta bom cara, até mais tarde.
— Até.
Ele saiu mas voltou logo em seguida:
— Nick me responde uma coisa.
— Fala.
— Por que Alice não diz “eu também te amo” quando você diz que ama ela?
Eu olhei pra ele, que porra de pergunta era aquela?
— Logico que diz.
— Não cara. Ela diz “eu também”.
— Isso é a mesma coisa!
— Você que tá dizendo. Até.
Ele se foi e eu fiquei ali sem entender porra nenhuma. Mas realmente... ela nunca disse que me amava.
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