Rosas Negras
7 Lucy
— Lucy eu to... Que isso?
— Tinta.
— Você está pintando o cabelo ou a pele?
— Os dois, eu acho.
Rimos.
— Olha eu to saindo, volto a noite ok?
— Ok.
— Lave esse banheiro depois de terminar isso ai, seja lá o que for.
— É verde. Vou deixar as pontas verde limão.
— Ahh... tudo bem então. Quem vai ficar careca não sou eu mesmo. Beijos.
Ela saiu e eu liguei o som.
Fiquei ali terminando minha obra de arte capilar.
Fui pra cozinha cantando tão alto quanto o som:
'Cause I'm T.N.T., I'm dynamite
T.N.T., and I'll win the fight
T.N.T., I'm a power load
T.N.T., just watch me explode
I'm dirty, mean and mighty unclean
I'm a wanted man
Public enemy number one
Understand?
Abaixei para procurar a garrafa de whisky e quando levantei quase morri do coração:
— Mas que porra é essa? Você não sabe bater não garoto?
— Eu bati e chamei, mas você não ouviu então...
— Então você foi entrando?
— Eu sou de casa sabia?
Eu ri.
— Saiba que você não é de casa já faz um tempinho, Nicollas!
Eu vi a tristeza dele no olhar, patético.
Ele fechou a porta e desligou o som.
— Ei!
— Pra que o som se você canta mais alto ainda? Que música é essa?
— TNT, Ac/Dc. Tira a mão dai!
Sai de trás do balcão e vi ele me olhando.
— Você poderia olhar menos ou pelo menos disfarçar?
— Eu só estou te olhando por que você está parecendo um ET nudista. Você não tem roupa?
— Eu estou em casa, fico pelada se quiser!
— Ok. Que isso na sua cabeça?
— Cabelo.
Peguei a garrafa e dei um gole.
— Existe uma coisa chamada copo sabia?
Que moleque irritante!
— O que você quer aqui exatamente? Levou outro pé? Ah já sei, descobriu o que ela andou fazendo nessa semana?
Ele ficou ali parado me olhando de cara feia.
— Ph...
— Ele e minha prima foram num parque aquático. Só voltam a noite.
— Tudo bem eu volto...
Mas não se mexeu.
Ficou ali parado olhando pro chão.
“ Será que eu fiquei assim naquela época? Por que ninguém me deu uns tapas? É o que ele tá merecendo... “
— Pode ficar se quiser. Tenho tequila também.
Ele me olhou:
— Você só sabe beber?
— Pelo menos eu não fico chorado pelos cantos feito idiota!
Eu vi a vontade dele de me dar um murro.
Sorri.
— Ou se quiser pode ir pra casa chorar por seu amor: “ Alice, Alice...”
— Você se acha muito durona, não é? Mas se tirar o seu álcool e seu cigarro você é o que?
— Escritora, gostosa, boa de foda, sou ótima em Gears of War, tenho ótimo gosto musical, pra filmes, series e ah beijo bem pra caralho como você mesmo já sabe.
Ele ficou sem graça com essa última.
— Você sabe o sentido da palavra humildade?
— Sim, é o oposto de Lucy. Vai ficar ou não?
Ele sentou no sofá e abaixou a cabeça.
Fui até a cozinha, peguei um copo e entreguei pra ele.
— Você pretende me embebedar?
— Sim. Depois te amarrar na minha cama e quicar em cima de você até não sentir mais as minhas pernas.
— O-oque...
— O nome disso é sexo. Vamos tome.
Ele virou o whisky e sorriu:
— Você é estranha.
— E você é de dar pena!
Bebemos duas garrafas de whisky e antes de abrir a de tequila levantei e fui pro banheiro.
Ele foi atrás:
— Você já tá passand...
— Você é tarado mesmo né?
— D-desculpa. Eu achei que você ia vomitar ou tava se sentindo mal.
Ignorei ele e liguei o chuveiro.
— Você vai ficar ai?
—Eu...te espero na sala.
Ele saiu e comecei a rir.
Terminei meu banho, sequei o cabelo e coloquei um short jeans e uma camisa folgada.
Voltei pra sala.
— Então...o que você vai fazer da sua vida?
— Não faço ideia.
— Boa resposta, Nicollas.
— Cale a boca, vira ae, deixa eu ver que cor ficou.
Virei.
— Você não conhece nenhuma cor normal?
— Normalidade é cafona!
Rimos e bebemos o resto da tarde.
Me levantei pra pegar outra garrafa mas cambaleei e quase cai.
Ele me segurou.
— Acho que chega de bebida por hoje, não é?
— Por que? Já tá fraco Nicollas?
Ele riu e eu beijei ele.
Ele retribuiu e me deitou no chão.
Tiramos a roupa rapidamente, parecia que estávamos pegando fogo!
Ele me penetrou e eu gemi.
— Não me arranhe!
Eu ri:
— Cale a boca e continua!
Ele me colocou de quatro e meteu com mais força.
Gozamos.
Várias e várias vezes...
Deitamos um do lado do outro no chão.
Suados, ele arranhado e eu com chupões pelo peito.
— Você não me disse sobre os piercing no peito.
— Você não perguntou.
A porta se abriu e nós quatro gritamos.
— Lucy! Nick?
— An... Oi Lina.
— Eae priminha.
Ph ria.
— Fechem a porta por favor. Tá frio!
— Vista uma roupa Lucinda!
Nick me olhou:
— Lucinda?
— É meu nome ué.
Nos vestimos e me preparei para a bronca de Lina, mas ela só dava risada.
Quando se acalmou, Nick olhou pra Ph:
— A gente pode conversar?
— Claro, vamo lá fora mano.
Eu estava no quarto e Nick foi até lá.
— Lucy, a gente não usou camisinha...
Eu olhei pra ele e rezei pra que ele não percebesse a dor no meu olhar:
— Não se preocupe. Eu não posso engravidar. Vá desabafar com seu amigo.
Ele me olhou e saiu no momento em que Lina entrou.
— Pois bem...
— Eu lavo o tapete.
— Só o tapete?
Fiquei vermelha:
— E-eu limpo tudo amanhã. Juro!
— Pois bem, vamos pedir uma pizza?
— Claro, to morta de fome!
— Eu imagino mesmo, você precisa recuperar as energias, não é?
Rimos e fomos pra sala.
Depois de meia hora os meninos voltaram.
— Ah finalmente! Lucy e eu queremos pizza, que tal?
— Eu quero uma de quatro queijos.
— Ok e você Nick?
— Bacon.
—Lucy, que tal uma meia bacon e meia calabresa pra nós?
Eu olhei assustada:
— Perai, cada um deles vai comer uma pizza inteira?
Nick riu e veio perto de mim, me deu um beijo na bochecha e disse:
— Bem-vinda ao grupo!
A pizza chegou e enquanto eu me esforçava pra comer segundo pedaço, Nick e Ph já estavam acabando a deles, quando reparei em algo:
— Lina, por que você não está bronzeada?
Ela me olhou apavorada:
— P-protetor solar.
— Fator 500 né?
Ph se engasgou e eu entendi tudo.
Olhei pra Nick e ele estava rindo feito uma hiena.
—Lucy...eu mato você!
— Ohh priminha, você perdeu o lacre!
— Idiota!
AS 22:00 horas o tedio me consumia.
Não tem nada descente pra se fazer nessa cidade?
Os três responderam ao mesmo tempo:
— Não.
Bufei.
Levantei e fui sentar no colo do Nick.
— Vocês dois ficam bem juntos.
— Cala boca Ph.
— Qual é cara. É sério!
— Já sei!
— Grita mais alto prima, a gente não te ouviu.
Ela riu:
— Tem uma festa na Prot’s hoje. A gente podia ir...
— Onde?
— É uma balada na outra cidade. Meia hora de carro!
Ela fez cara de dó pra Ph e ele olhou pra Nick:
— O que você acha?
Nick me olhou e eu sorri:
— Vocês ficam prontas rápido né?
Antes deles terminarem nós duas já estávamos a caminho do quarto.
Vinte minutos depois eles voltaram e buzinaram cinco vezes.
Selina saiu e Nick entrou no quarto:
— Vamos lo...
— O que foi?
Ele me mediu.
— Nada, vamos?
Eu estava de salto alto, um vestido tubinho preto que Selina me obrigou a colocar e o cabelo preso num rabo de cavalo.
— Vamos.
Depois de meia hora chegamos na boate, quando entramos Nick estava olhando uma loira de olhos azuis.
Segui o olhar dele e ele reparou:
— Eu estava olhando os olhos dela, são lindos, não é?
— Prefiro os meus.
Ele sorriu e cochichou em meu ouvido:
— Você inteira é linda.
Sorri.
Amanhecemos o dia na balada e enquanto eu e Nick estávamos cansados de tanto dançar, Ph e Selina estavam com os lábios inchados de tanto beijar:
— Meu Deus! Daqui a pouco você engole minha prima sabia?
Eles ficaram vermelhos.
— Vamos tomar café antes de ir pra casa? Tem aquela lanchonete Nick.
— Bora.
Chegamos na lanchonete e Nick me puxou para o outro lado.
— P-por que?
Ele abaixou a voz:
— Ele vai pedir ela em namoro.
Sentamos o mais longe possível deles, mas pude ouvir o gritinho de surpresa de Lina.
— Aff...
— Por que você é contra o amor?
— Não sou contra o amor.
Ele me olhou, mas não disse nada.
— Vamos a um estúdio comigo?
— Estúdio?
— Sim, eu vi um aqui na esquina.
— O que você quer lá?
Eu olhei pra ele e ergui uma sobrancelha:
— Uma banheira. O que diabos eu ia querer de um estúdio de tatuagem?
— Pra que mais uma?
— Porque eu quero, porque eu tenho dinheiro e porque eu não sou medrosa igual você.
— Eu não sou medroso!
— É sim!
— Se eu quiser faço uma tatuagem hoje mesmo!
— Você não tem coragem...
Ele se levantou, deixou o dinheiro em cima da mesa com uma gorjeta pra garçonete e começou a andar.
Me levantei e segui ele.
Ao chegarmos no estúdio o cara me olhou dos pés à cabeça e sorriu:
— O que eu posso fazer por vocês?
Nick se colocou na minha frente:
— Você tem horário pra dois?
— Claro, entrem. Já sabem o que querem?
Ele me olhou e eu ri.
— Já que você quer mesmo fazer isso, deixe eu escolher a sua.
— Eu não vou tatuar uma borboleta.
Eu ri, essa ideia não era ruim....
— Que tal o selo amaldiçoado do Jin Kazama do Tekken? No braço esquerdo.
O tatuador me olhou:
— Boa escolha. E em você?
— Já que você escolheu a minha, eu vou escolher a sua.
— Tudo bem.
Ele me olhou e pegou minha mão esquerda:
— Uma rosa negra, na parte superior.
— Feito.
— Por que uma rosa negra?
— Por que é rara, mas extremamente linda e incomum.
Quando voltamos pra lanchonete Lina e Ph pararam de se beijar e ficara olhando pra gente de boca aberta:
— Eu esperava isso da Lucy, mas você mano?
— Ele não é tão medroso assim...só chorou um pouco.
— Eu não chorei.
— Claro, foi um cílio que caiu no seu olho não é mesmo?
Voltamos pra casa e assim que cai na cama, apaguei.
Sonhei com dois olhos cor de mel me observando.
Fale com o autor