Rosas E Lírios
6 Desastre
Notas iniciais
Ah, e uma musiquinha recomendada para ler o capítulo:
Bring Me To Life -Evanescense.
Por favor, se gostou do capítulo me mande uma review, ok? Eu tenho tanto direito de ser feliz quanto você. Há-há.
Enjoy!
Eu só podia estar sonhando. Não podia estar realmente diante dos meus olhos, uma mansão em chamas, e o detalhe mais importante: minha irmã estava dentro dela.
Ciel: Sebastian! Corra para lá e tire as pessoas!
Sebastian: Jovem mestre, Lady Elisabeth estava...-
Ciel: Ela está lá! Vá!
Sebastian: Yes my lord.
Por um instante me perguntei quem era Lady Elisabeth, mas ao mirar as chamas destruidoras em toda a mansão, lembrei-me do que realmente acontecia. Minha irmã podia estar morta! Quando me levantei, Sebastian já havia se retirado, tão rápido que não pude ver.
Corri furiosamente até uma das janelas da mansão, sendo seguida por um Ciel que gritava comigo. As janelas eram grandes e era fácil pular por elas, uma vez que o vidro já estava quebrado.
Ciel: O que pensa que está fazendo?! Ficou louca?!
Preferi ignorar o jovem conde. Prendi num nó mal feito a barra do vestido, e por um instante virei-me para o garoto, que me encarava de olhos arregalados.
Rose: Desculpe, não queria ter dito aquelas coisas sobre você.
Talvez eu não fosse voltar viva, então pelo menos eu tinha me desculpado com o garoto. Apesar de ainda não respeitar a nobreza como todos, eu não odeio o Phantomhive como o odeio o resto deles.
E num impulso, pulei como um felino na janela e atirei-me para dentro da mansão. O ar estava horrivelmente abafado, mas no cômodo que eu estava, as chamas ainda não tinha feito um grande estrago.
Peguei um lenço que encontrei no chão e o amarrei em meu rosto, para não inalar tanta fumaça, apesar de não saber se adiantaria de algo, afinal, eu não sei como lidar com incêndios. Mas minha vida era o de menos: precisava achar minha irmã.
Ainda ouvia Ciel me chamando de louca do lado de fora e me mandando sair, mas eu acho que ele já percebeu que não será tão simples assim.
Corri e abri a porta. O cenário era assustador: o salão de festas estava em chamas, as cortinas pesadas e prateadas pegavam fogo, assim como partes do teto, armários e tudo que fosse de madeira, e havia vidro estilhaçado em todo o chão. Como raios eu encontraria Lily?
Passei pelos cantos, evitando qualquer proximidade com o salão, e abrindo as portas de cada cômodo que achava. O calor era agonizante e o cheiro de fumaça começava a irritar minha garganta, mas eu não podia ir embora.
Quando abri a porta de um lugar que supunha ser uma cozinha, deparei-me com cadáveres queimados, os rostos irreconhecíveis, mal pareciam humanos. Nenhum sinal de Lily.
Fechei a porta atrás de mim e comecei a tossir. A fumaça estava ficando mais espessa e o calor mais atordoante, minha cabeça doía. Eu não sabia se aguentaria mais alguns instantes.
Corri até outro cômodo e deparei-me com uma mulher de mais ou menos vinte anos, e ela estava no chão, ainda respirando, mas com as pernas horrivelmente queimadas.
Meus olhos se encheram de lágrimas. Ela era nova, e estava ali, desgraçadamente caída no chão, sentindo uma dor horrível e provavelmente morreria ali, daquele jeito lamentável. O rosto da jovem mostrava completo horror e desespero, os cabelos castanhos molhados de suor grudados no rosto.
Num impulso, corri até ela e tentei carrega-la. Que porcaria, ela era pesada! As chamas já iam alcança-las, passando da cama de madeira que estava queimando, assim como as cortinas. A fumaça estava insuportável!
Livrei-me rapidamente das roupas dela, pouco me importando se aquilo parecia estranho ou qualquer outra coisa. Coloquei ela sobre minhas costas e levantei-me, com as pernas trêmulas. Eu sabia que era impossível achar Lily, salvar esta mulher, e sair viva ao mesmo tempo, mas eu tinha que tentar!
Consegui com muito esforço abrir a porta do quarto carregando-a, e quando abri a porta do quarto ao lado...
Rose: LILY!
Coloquei a moça no chão, sem a menor delicadeza por causa da emoção, e corri até ela, minha irmã, que estava naquele quarto com um livro nas mãos.
Lily estava desacordada, usando um daqueles enormes vestidos cheios de babados como imaginei, os cabelos agora estavam bagunçados e cobriam metade de seu rosto.
Quando coloquei o cabelo dela para trás, quase tive um ataque do coração. O rosto de Lily estava com uma queimadura horrenda em todo o lado direito. Seus cílios estavam chamuscados e parte da boca estava meio queimada, também.
Tudo bem, mesmo a situação sendo crítica, pelo menos eu havia encontrado ela. Carreguei-a, e quando olhei para o chão, a moça já não estava mais lá.
Como ela havia sumido se não podia usar as pernas?
Carregando Lily, andei até o lado de fora do quarto. Foi quando vi a mulher usando os braços para andar, e ela estava á alguns metros de nós, deixando um rastro de sangue por onde tinha passado.
Rose: Espere!
Ela se virou pra mim. Seu rosto estava horrendo, contorcido de pânico. Eu percebi, apenas olhando para ela, que estava quase como que fora de si.
Ignorou meu pedido de espera e continuou a mover-se pelo chão com as mãos, e eu tenho que admitir: a cena não me deixaria dormir por um tempo. Isso se eu sobrevivesse, é claro.
Quando eu ia me aproximar, uma estante em chamas caiu bem em cima da mulher, que gritou de dor. O grito dela encheu meus ouvidos como algum tipo de veneno, aquilo era a coisa mais horrível que eu já tinha visto na vida!
O sangue dela escorreu pela estante, e o grito foi substituído por um silêncio mortal.
Só durou alguns segundos, pois minha tosse começara a ficar mais alta que meus próprios pensamentos, e então senti algo sair pela minha boca como se a rasgasse. Acho que estava tossindo meu próprio sangue. Minha visão escureceu, e eu me preparei para cair no chão, quando...
Ciel: ROSELY!
Virei-me completamente incrédula. Aquele garoto frágil e pequeno NÃO PODIA realmente ter entrando nessa mansão em chamas.
Rose: O que RAIOS você faz aqui?!
Ciel: Ei, cale a boca, você está acabada! Ande, vamos logo sair daqui!
Rose: ...Cubra pelo menos o rosto com alguma coisa, vai acabar passando mal!
Ele me ignorou e me ajudou a carregar Lily, pegando-a pelo outro braço. Olhei bem no rosto dele. Estava assustado. Aquele garoto, o meio irônico, sério e misterioso, estava olhando para o fogo de olhos arregalados.
Parecia que tinha algo mais profundo escondido naquele olhar, mas eu definitivamente não podia pensar naquilo agora.
Carregamos Lily até o corredor pelo qual eu havia entrado, e lá eu já não aguentava mais. As janelas ainda estavam um pouco distantes, e eu estava no chão, fraca sem poder me mover. Ciel também estava tossindo, mas ele ainda podia conseguir sair.
Rose: Por favor... Tire a Lily daqui. Não tem como...eu conseguir me levantar.
Ele me encarou com uma expressão estranha no rosto. Ele estava me olhando, direto nos meus olhos, e mesmo que eu não conseguisse entender bem no que estava pensando, vi que ele não concordava muito com minha ideia.
A pergunta era por quê.
Então ele fez algo que eu não esperava. Levou uma das mãos ao tapa-olho e o tirou rapidamente. O que era aquilo? O outro olho tinha cor lilás, e nele ao invés de uma pupila, tinha uma estrela de cinco pontas circunscrita. Caso fosse como eu me lembrava, aquilo se chamava pentagrama.
Ciel: Sebastian, venha.
Encarei-o sem entender bem o que pretendia chamando o mordomo daquele lugar, ainda por cima naquele tom de voz, alto porém com certeza não alto o suficiente para ser ouvido de fora.
Mas para minha surpresa, da mesma forma como eu o havia visto pela primeira vez, o mordomo surgiu de repente, com o rosto sombrio e os olhos vermelhos brilhando ainda mais por causa do fogo.
Ciel: Tire-nos daqui imediatamente.
Sebastian: Yes my lord.
Eu estava confusa, mas se de repente Ciel começasse a voar ou virar algum tipo de animal do nada, eu aposto como não ficaria surpresa.
Sebastian nos colocou Ciel em suas costas e carregou a mim e Lily, uma em cada braço. Quando preparou-se para partir, ouvimos um som e viramos o rosto para o salão. O lustre imenso e cheio de cristais acabara de cair no chão fazendo um barulho desagradavelmente alto. Mesmo que não conseguíssemos ver quase nada, ainda enxerguei alguns cristais voando pelo salão.
Num instante, nós três fomos carregados para fora daquele lugar. Não sei se havia sido alguma alucinação, mas acho que saímos voando pela janela e pousando com exatidão no chão gramado do jardim que ainda não estava em chamas.
O ar puro encheu meus pulmões, e senti como se eu estivesse bebendo aquele ar. Nunca havia sentido aquela sensação maravilhosa apenas por estar respirando!
Sebastian nos colocou no chão e fez uma cara de susto que seria até engraçada –se não fosse pela situação, claro –quando viu o rosto queimado de Lily. O rosto de Ciel ficou da mesma forma, e percebi que ele não tinha ainda visto o rosto de minha irmã, a julgar pela surpresa.
Sebastian: Isto precisa ser tratado mais do que imediatamente!
Eu ainda estava muito fraca para concordar ou dizer qualquer outra coisa. Minha visão escureceu e então apaguei de vez.
Quando abri os olhos, eu estava deitada em um cobertor meio sujo no chão, e tinha um médico colocando ataduras em minha perna direita. Olhei em volta movendo apenas um pouco a cabeça, e vi várias pessoas deitadas em cobertores, a maioria desacordada, sendo tratadas por médicos.
Estávamos todos na rua, do lado de fora da mansão, ocupando as calçadas.
De repente Michael apareceu, colocando o rosto bem em cima do meu.
Michael: ESTÁ VIVA!
Rose: ...Não grite em cima de mim, por favor...
Michael: Oh, sinto muito! Estou tão feliz que esteja bem, mal posso acreditar nisto!
Fechei os olhos com força e depois os abri novamente.
Rose: Onde está Lily?
Michael: Ela está sendo tratada, está muito ferida e numa situação crítica, mas acredito que ficará bem. Por favor, não saia daí de deixe o médico tratar de você.
Mesmo que eu quisesse sair daqui, não conseguiria. Sentia como se estivesse amarrada á cama, completamente fraca e sem nenhuma chance de conseguir mover um músculo.
Rose: Está tudo bem... E o Cie-... Conde Phantomhive?
Michael: Ah, ele está bem, só está um pouco enjoado por causa da fumaça. Na verdade muito enjoado, já vomitou umas três vezes, mas o estado dele é um dos melhores, comparado á outras coisas que vi por aqui...
Michael parecia atordoado, provavelmente por ter visto muito gente ferida, mas eu acho que tinha visto coisa pior de dentro daquele lugar.
De longe, eu ouvi Ciel gritar:
Ciel: Como assim você não achou Elisabeth?!
Notas finais
Pois é, sejam felizes, e vejo vocês no próximo capítulo!
Ah, e não coloquem um mendigo em casa.
(Conselhos do meu amigo Felipe, ele é maluco, tá?)
Sayonara, friends! o.
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