Rosa e amarelo

8 Vou proteger você


Notas iniciais
Capitulo novo o/

Caminhamos pela cidade, voltamos para escola e paramos em frente ao portão, que estava fechado.

— Você sabe voltar para casa daqui?

Olhei para trás. Vejo as ruas iluminadas pelos postes e tento me lembrar em que rua eu deveria ir para chegar a estação.

— Sei... — Digo pouco confiante.

— Então até amanha. — Ele diz sorrindo.

— Até. — Respondo.

Seguro a alça da minha bolsa com força e decido entrar em uma rua mais próxima de onde eu estava. Ando calmamente, mas sem reconhecer nada. O silêncio se torna assustador e começo a me preocupar com o fato de que estou perdida, a rua termina e viro a esquerda. Nada da estação.

Escuto um barulho e me volto para trás, vejo um gato saindo de uma lata de lixo e em seguida pulando no chão, ele olha para mim e penso: "calma, é só um gatinho". Porém pensar dessa forma não me ajuda em nada, continuo nervosa e com medo. "Por que eu fui dizer que sabia?".

Então escuto outro som, parecido com o primeiro, e me mantenho no percurso, já que deve ser aquele gato de novo. E como já esperava o som parou, mas um frio percorreu minha espinha quando alguém pôs a mão no meu ombro. Não consegui dar mais nenhum passo, fiquei paralisada de medo, essa pessoa fez com que eu me virasse em sua direção.

— O que uma jovem faz na rua até tão tarde? — O homem me pergunta e em seguida seus lábios formam sorriso frio e irônico.

Tento sair de perto dele, mas ele segura meu pulso, assim como Len faz, só que eu preferia quinhentas vezes que fosse ele.

— O que foi, Luka. Está com medo? — Ele pergunta.

Não respondo. Puxo meu braço, mas ele segura firmemente, começo a me desesperar.

— Calma Luka. — Ele diz.

— Seu desgraçado! Me solta. — Falo elevando o tom de voz.

— Você não devia falar assim. — Ele diz, me puxa pelo braço para mais perto dele e levanta a mão para tocar no meu rosto.

Fecho os olhos e sinto ele soltando meu pulso bruscamente, como impulso abro os olhos, vejo ele jogado no chão e ao seu lado, em pé, Len, com os cabelos no rosto. O cara tenta se levantar e o puxa para o chão, Len cai ao seu lado. O homem fica por cima dele e começa a esmurar seu rosto, minha raiva supera o limite, jogo a bolsa no chão e corro para cima deles.

Derrubo o cara de cima do Len e seguro firmemente sua cabeça pelos cabelos, bato a cabeça dele no chão uma vez e ele me empurra para as latas de lixo. Elas caem, tampadas, por cima de mim, com exceção de uma, que era aonde o gato havia estado. Me apoio com o antebraço e arrisco levantar, mas sem efeito, o cara chega perto de mim com uma faca a mostra, Len pula em cima dele. Só penso em como meti o Len nisso e que a culpa é minha. Absolutamente minha.

Eles começam a se esmurrar, o homem segura a faca na mão direita e tenta com todas as forçar golpear a bariga ou o rosto do seu oponente. Por sorte ele consegue desviar. Me levanto, mas nessa hora ele consegue acertar o braço de Len, mesmo com o braço machucado ele continua e não parece querer desistir.

Len pega a faca da mão dele e joga para o lado, me apresso e a recolho, ele continua batendo no rosto dele e em seguida se levanta. O cara parece estar inconsciente ou talvez morto, não sei dizer. Pego minha bolsa e saímos de lá correndo. Jogo a faca em uma lixeira longe de onde estávamos e juntos nos dirigimos a estação.

Sentamos num banco de madeira e esperamos pelo trem. Só então, com a boa iluminação da estação é que pude ver os ferimentos dele, eram muitos, principalmente no rosto e quando mais eu reparava neles mais me sentia culpada.

— Me desculpe. — Digo.

— Pelo que? — Ele pergunta.

— Como pelo que!? A culpa é minha por você ter se envolvido e estar assim. — Digo e no fim olho para o seu braço e vejo o sangue escorrendo. — Desculpa. — Sussurro.

— Luka. — Ele começa. — Nunca mais minta para mim.

— Mentir para.... ah. — Digo e então me lembro do "Você sabe voltar para casa daqui?". — Desculpa.

— Prometa. — Ele continua como se eu não o tivesse interrompido.

— Por que? — Questiono.

— Se eu não tivesse desconfiado e seguido você, provavelmente teria te perdido. — Ele diz de uma forma que me doí e acho que a ele também.

— Me perder? Isso não vai acontecer, eu não vou a lugar nenhum. — Digo e sorrio.

Ele não corresponde ao meu sorriso, pelo contrario, parece mais sério que antes e até seu olhar mudou, não é mais aquele receptivo, é um olhar assustado e triste. Ele me envolve em seus braços e percebo que está tremendo, talvez de medo. E então sussurra em meu ouvido suavemente:

— Quase perdi você... — E em seguida me abraça mais forte, faço o mesmo.

— Len, vou ficar do seu lado, não se preocupe, você não vai me perder, nunca. — Digo tentando acalma-lo e dando enfase no "nunca".

— Acho bom. — Ele lentamente me solta do abraço, segura meu rosto entre suas mãos, me olha um pouco, se inclina e me beija. Seus lábios estão frios, mas o beijo é aquecedor e aconchegante. Fico totalmente sem reação, por fim fecho os olhos e é o máximo que faço. Depois de uns segundos ele fasta e diz: — Luka, eu sempre vou proteger você.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Deixem seus comentários. :3 E obrigada por acompanharem.