Rosa e amarelo
9 Será que te amo?
Notas iniciais
— Len... — Digo ainda perplexa, quando ele se afastou completamente. — Você me..
E sou interrompida pelo barulho do trem, entramos, a primeira coisa que reparei era que não havia muita gente, acho que já deve ser bem tarde. Nós dois sentamos em um banco um pouco mais no fim do vagão, eu, claro, do lado da janela.
— O que você ia dizer? — Ele pergunta quando nos acomodamos.
— Nada. — Respondo olhando para o chão.
— Quer saber por que eu te beijei? — Ele lança a pergunta diretamente.
— Por que? — Pergunto.
— É estranho dizer que me apaixonei por você tendo te conhecido hoje?
Não respondo de imediato, apenas olho para ele e depois para o chão, junto minhas mãos, tentando disfarçar meu nervosismo:
— Um pouco. — Faço um pausa curta. — Então você esta apai...
— Sim.
— Desculpe. — Digo apressadamente.
— Por que você esta se desculpando? — Ele me questiona.
— Como isso nunca aconteceu comigo antes não sei como reagir. — Continuo.
— Normal. Se fosse comigo talvez ficasse da mesma forma, isso se eu não gostasse da pessoa.
— Você esta insinuando que eu não gosto de você!?
— Nunca disse isso.
— Mas quis dizer. — Devolvo.
— Desculpa, Luka. — Ele diz e em sequencia direciona seu campo de visão para o chão, em forma de evasiva, para não me olhar. — Não quero ser chato nem nada, mas sabe, desde que te vi no trem de manha não consigo ficar tranquilo quando olho pra você. E me intriga não saber o que você sente. Eu também nunca senti isso antes, por ninguém, e por ser a primeira vez ainda não sei lidar com o que sinto. Sim, eu sei que é ridículo e você deve estar achando que estou precipitado, porque nem mesmo eu sei definir isso.
— Não achei que estivesse precipitado. — Digo. — Len. — Ele olha para mim. — Não sei dizer o que sinto por você.
Ele fixa seus tempestuosos olhos azuis em mim e me puxa mais para perto dele. Envolve seus braços ao meu redor e encosta cuidadosamente minha cabeça em seu peito. Posso ouvir o coração dele batendo, são batidas rápidas e por incrível que possa parecer é um som que consegue me acalmar. Então começo a me lembrar dos motivos que me trouxeram a essa cidade, da minha mãe e do meu pai. Principalmente do meu pai. E inevitavelmente lagrimas encharcam meus olhos e começam a escorrer pelo meu rosto. Len se afasta e com suavidade enxuga minhas lagrimas.
— Dói? — Ele pergunta tocando nos cortes em meus braços.
— Um pouco. — Respondo, meio que é verdade, mas não era o real motivo que me fez chorar. — Sabe de uma coisa!?
— Diz.
— Eu não quero ser protegida, não sou tão indefesa a esse ponto. — Falo olhando diretamente para ele.
Ele sorri e diz:
— Eu sei, você não é fraca, eu vi. Mas preciso ter uma garantia.
— Então também posso te proteger? — Pergunto.
— Nos podemos proteger um ao outro. — Ele responde. — E sobre o fato de eu gostar de você...
Olho para ele esperando a continuação:
— Vou esperar mais um pouco para ter certeza. — Finaliza.
Sorrio.
— Digamos que seu coração bate muito rápido para não ser nada.
Len me olha com as bochechas coradas e começo a rir, ele cruza os braços e faz uma careta pra mim. O trem para, descemos depois de todos terem se retirado, saímos da estação e então ele me pergunta:
— Você sabe voltar para casa daqui?
— Sei. — Digo confiante.
Ele mantem seu olhar em mim e prossegue:
— Vou te levar para casa.
— Não precisa, eu sei onde fica.
— Não vou deixar você andando sozinha de novo.
— Está tentando me proteger de novo?
— Você sabe a resposta. — Ele diz.
Sorrio rapidamente, começamos a caminhar, a estação não fica longe da minha casa, na verdade é apenas duas ruas de distancia, eu poderia ter ido sozinha, mas... As janelas das casas já estavam fechadas e o que ilumina a rua é uma luz forte do poste, e eu tenho que admitir que andar por uma rua escura tarde da noite estando com outra pessoa não é tao horrível assim.
Apos alguns minutos chegamos na frente da minha casa. Procuro a chave na bolsa, que ,alias, estava uma bagunça completa e destranco a porta.
— Está entregue. — Ele diz e sorri. Não sei por que, mas todas as vezes que ele sorri eu me sinto estranha, como se quisesse vê-lo feliz sempre e isso me faz pensar "o que eu realmente sinto por ele?". Não posso ama-lo, seria loucura, o conheci hoje, e mesmo sentindo isso por ele e sabendo que ele está, possivelmente, apaixonado por mim não consigo deixar de pensar que não posso ama-lo.
Mas é uma sensação estranha como se eu não pudesse me controlar e tenho constantemente vontade de abraça-lo. "Meu deus, o que vou fazer?". Alguém por favor me explica o que sinto, já que eu não sei. Len fica parado em frente a porta, ele abre a boca como se fosse dizer alguma coisa, mas desiste e ficamos assim sem saber o que fazer, então eu quebro o silencio:
— Entre.
— Não, tudo bem. Eu vou pra casa.
— Len... por favor. — Digo em tom de suplica e só depois percebo o erro que cometi.
Ele me abraçou de forma carinhosa em frente a porta e eu o abracei de volta. Senti ele acariciando meu cabelo da nuca, e então colocou sua testa no meu ombro, como ele já havia feito outras vezes.
— Luka, eu não consigo evitar, eu realmente amo você. — É.. dessa vez ele me pegou de surpresa.
— Len... — Então sem quer toco no machucado do braço dele, como impulso ele encolhe os ombros para frente. — Desculpa, vamos entrar.
Fale com o autor