1990

— Idiota!

Ao ouvir minha voz, o corpo dele se aproximou ainda mais do meu. Estava de costas, ele me pressionava na parede com força, suas mãos imobilizando as minhas. Uma de suas pernas se colocou no meio das minhas, separando-as. A boca dele chegou ao meu pescoço, a respiração quente sobre minha pele, então ele disse:

– Diga...

Fechei os olhos, o ar me faltou.

– Diga pra mim, Elie – repetiu.

Continuei calada por mais alguns minutos até ser virada de repente, como uma verdadeira marionete. De frente para ele, senti os beijos dele percorrerem o meu pescoço, o ombro esquerdo, a clavícula... A boca dele chegou ao meu decote. Havia um sorriso provocador em seu rosto e uma de suas sobrancelhas estava arqueada. Suas mãos passaram pelas minhas coxas, levantando o meu vestido enquanto aquelas palmas geladas percorriam um caminho até minha cintura. Ele tirou o vestido rapidamente, jogou-o longe.

– Você não vai mesmo dizer?

Balancei a cabeça lentamente de um lado para o outro, e foi quando ele me puxou pelas coxas, ergueu o meu corpo e me levou até à cômoda. Meus joelhos se distanciaram um do outro para que ele se colocasse no meio. Seus dedos chegaram as bordas da minha calcinha, seus beijos encontraram minha barriga, desceram para o umbigo...

Seus olhos estavam fechados e algumas mechas do cabelo loiro caíam sobre seu rosto branco, sobre sua testa molhada por algumas gotas de suor. Pelo espelho do outro lado da parede eu pude observar suas costas largas, os ossinhos da coluna aparentes enquanto ele se inclinava para mim. Agarrei seus cabelos, aqueles tufos macios e incrivelmente cheirosos. O toque dele, a maneira como seus lábios chegavam à minha pele, tudo era tão devastador... Não me importava se os meus sentidos se perdessem, se eu ficasse completamente sobre seu domínio, porque, de alguma forma, nós pertencíamos um ao outro.

E eu não consegui guardar aquelas palavras que ele tanto queria escutar. Rangi os dentes pelo prazer, sentindo os beijos descendo pelo meu corpo, e minha voz falhou por um momento. Foi só depois que finalmente consegui dizer:

— Eu te amo, Willian.

Fechei os olhos. Abri os olhos. Era o mesmo quarto, as mesmas paredes de tom azul-escuro e os mesmos móveis de madeira, mas Willian desapareceu. Eu estava sobre a cama, o vestido branco de alças intacto no meu corpo. Havia um cheiro tão forte de rosas que chegava a ser quase insuportável. De fato, quando me dei conta, percebi que havia umas milhões de rosas sobre a cama, o chão. Rosas de todas as cores, mas principalmente vermelhas e brancas.

Meus pés tocaram o chão e não notei o peso do meu próprio corpo. Também não senti o carpete ou os espinhos das rosas perfurando minhas solas. Não havia frio ou calor, ou nenhuma outra sensação.

Quando minha imagem apareceu do outro lado do espelho, tentei me lembrar desesperadamente de fatos importantes sobre a minha própria vida, como se eu pudesse desaparecer a qualquer momento.

— Eleonora Vasconcelos – disse para mim mesma –, vinte e um anos, filha de...

Antes que pudesse continuar, a cor foi deixando o meu corpo. Logo depois, minha pele começou a se tornar cada vez mais clara, transparente. Em um segundo tudo se tornou escuridão.