Rosa e Sangue - Cartas de Eleonora
2 1ª Carta
Dei um salto da cama. Meus pulmões puxaram o ar com força, como se nem todo o oxigênio da Terra fosse suficiente. Quando me acalmei um pouco, reparei que não estava em casa. O quarto do sonho, e até mesmo aquele vestido branco sobre o meu corpo. Mas não apenas no mundo dos sonhos aquele lugar parecia familiar, e com a sensação de que já havia estado ali algumas vezes, desci da cama completamente calma.
Havia uma enorme rachadura no espelho, que dava origem a outras, mostrando minha imagem dividida em vários pedaços pelo reflexo. As luzes estavam apagadas e mesmo assim consegui ver uma grande rachadura no espelho perto da porta. O corredor parecia um pouco sombrio, mas não fiquei com medo. Havia uma aura boa ali, uma atmosfera de segurança que me permitiu continuar caminhando.
Os cotovelos sobre a mesa, as mãos cobrindo o rosto. Quando notou minha presença, Willian levantou o rosto e sorriu. Um sorriso tão sincero e gentil, meu coração acelerou.
– Você finalmente está aqui.
Fazia tanto tempo.
Aquela voz... Um milhão de sentimentos chegaram até mim e senti uma vontade louca de correr até ele. Não corri, não queria agir por impulso, mas de uma forma ou outra, meus pés inconscientemente me levaram até ele. Fui caminhando lentamente, enquanto uma vozinha na minha cabeça dizia que aquilo era o certo.
Você precisa estar com ele.
Willian ficou sério de repente. Havia um copo sobre a mesa, que ele puxou para si. Não prestei atenção no que Willian fazia com o copo, porque não consegui tirar os olhos da face dele. Como se tivesse luz própria, a pele branca, os olhos verdes e o cabelo loiro. Tão lindo que nem parecia real.
– Você sabe quem eu sou? – perguntou seriamente.
– Willian – disse sem pensar muito.
Willian moveu a cabeça em afirmação.
– E você sabe o que eu sou?
Vampiro.
Arregalei os olhos, confusa com meus próprios pensamentos. Parecia absurdo e tão... possível. Dentro de mim era real, eu podia sentir em cada veia do meu corpo, no meu coração. Se aquilo tudo fosse uma ilusão da minha cabeça ou não, havia apenas uma certeza dentro de mim: Willian não era humano.
O barulho de algo raspando a mesa de madeira chamou minha atenção. O copo estava bem à minha frente, cheio. Willian cruzou os braços. Sua expressão parecia mudar com muita facilidade, as emoções se transformando em uma fração de segundos. As sobrancelhas caíram para os lados externos, a boca ficou em linha reta, e seus olhos me disseram o que eu precisava fazer.
Segurei o copo com as duas mãos e ingeri seu conteúdo de uma só vez. Era um sabor diferente de tudo o que já havia provado. Um gosto doce delicioso, viciante.
Meus olhos falharam. Com a última gota daquele líquido, as imagens ao redor tornaram-se embaçadas, até mesmo o rosto de Willian. As coisas começaram a girar, minha cabeça pesou.
– Está tudo bem – Willian disse, erguendo o braço e tocando minha cabeça. Seu pulso parecia machucado, e eu levei alguns minutos para entender que o líquido que acabara de beber se tratava do sangue dele. – Não se esqueça de mim, Elie. Não se esqueça de quem eu sou.
Fale com o autor