Rosa e Rose

2 Um cavalo, um monóculo e um gatinho nos salvam da morte


Minutos depois, o diretor chamou a polícia, que conseguu tirar Rose de cima da sra. Filplace. O tenente Bill disse que ia nos levar à delegacia e ligar para Jenny.

Expulsas e detidas no mesmo dia, que beleza.No ano seguinte, com certeza iriamos para um reformatório.

No caminho para a viatura, três pessoas abordaram Bill e o levaram para um lugar mais afastado. Dois garotos — eu achava que um deles tinha apenas um olho — e um senhor em uma cadeira de rodas.

Rose e eu estávamos muito confusas. Quem eram eles e o que estavam fazendo ali? Algum tempo depois, eles voltaram, e Bill disse:

–O avô de vocês vai levá-las para casa.

Abri a boca para protestar. O pai de minha mãe morreu antes que ela terminasse a faculdade e não conheciamos o pai de nosso pai. Um dos garotos — o que tinha dois olhos — piscou para nós, como sefosse contar uma mentira que podíamos desmascarar com facilidade.

–Olá meninas — comprimentou o senhor, embora falasse mais com os policiais do que conosco.

Fossem lá quem fossem, eles estavam lá para nos ajudar, e tudo o que precisávamos fazer era continuar a atuação.

–Olá vovô — disse Rose. — Olá Percy, Tyson — ela comprimentou os meninos. Eles escreveram seus nomes no ar discretamente.

Os policiais assentiram e Tyson fez sinal para que os seguissemos. Percy desceu a rua empurrando a cadeira e parou ao lado de uma van. Com a ajuda de Tyson,ele a colocou na traseira da van e abriu uma porta para nós.

–Certo Argos — disse Percy. — Para o acampamento!

O veiculo começou a andar.

–Pergunta número um — anunciei -, quem são vocês e porque fizeram aquilo?

–Nós somos... Diferentes, assim como vocês — explicou Tyson. — Filhos e filhas dos deuses gregos.

–Como é? — Rose esganiçou. — Demeter, Afrodite e esses caras? Mas eles são apenas mitos!

–Olha Rose — disse Percy -, eu sei que é difícil aceitar, então porque não jantam conosco e explicamos no caminho?

Aceitamos. Era isso ou deixar que Jenny acabasse com a nossa raça.

–Onde vamos comer? -perguntei.

–Long Island, Colina Meio Sangue.

Eu sabia que uma viagem de carro até Long Island partindo de Chicago devia durar por volta de quatorze horas e aquela manhã havia simplesmente acabado comigo, então me aninhei em meu casaco para dormir.

–Quer um travesseiro Rosa? — ofecereu uma voz.

Não era a voz doce de Tyson nem a agúda de Percy. Era o senhor da cadeira de rodas, mas agora ele estava de pé, sobre quatro patas de cavalo. Um centauro.

–Obrigada senhor.

–Quíron — ele me entregou uma almofada branca bordada. — Mas sem essa de senhor. Quíron já está bom.

Acomodei-me e dormi. Devia ter lutado um pouco, mas não consegui.

ROSE

Rosa dormiu, mas eu pude resistir um pouco, embora o sono me fizesse confundir as coisas.Quando não estava cansada, tinha certeza que Tyson tinha os dois olhos, mas agora, bêbada de sono, via apenas um.

–Névoa — ele explicou sem que eu perguntasse. -Daqui a um tempo,você verá tudo como realmente é. O meu olho e algumas coisas mais — ele olhou para Percy.

Rosa estava dormindo em um canto e Percy ao seu lado, velando-a. Só de olhar para ele, pude vê-lo como ele realmente era. Atencioso,cuidadoso, fofo... Um gatinho, o tipo exato de Rosa.