Rosa dos Ventos

17 XVII • Toques e Despedidas


Notas iniciais
OLÁÁÁ PESSOAAS. Hoje passando aqui rapidinho pra dizer que 1- eu não morri (embora meu estado de letargia seja muito semelhante ao de um morto) e 2- vou responder aos reviews dos lindos e maravilhosos que comentaram no capítulo anterior o quanto antes. Juro que não abandonei vocês. Acho que vocês vão gostar desse capítulo hauahauhau. Ele é muito importante como transição para praticamente tudo que vai acontecer posteriormente, então prestem bem atenção em certas partes. Ah, a lindíssima nyuuharuno me pediu meio que um "dreamcast" para os personagens de Rosa dos Ventos. Eu estava evitando fazer isso por n motivos, mas eu procurei fotos de pessoas que representassem como eu imagino alguns personagens e achei de alguns.... okey, só de três (ou quatro), mas está aqui pra quem quiser: http://zip.net/bpqpH2 . (Eu publiquei em modo privado no tumblr, então se não conseguiram entrar no link me avisem que eu edito para modo público). E se eu achar outras fotos de pessoas que pareçam com minha concepção dos outros personagens eu vou postar nesse link tbm. Bom, é isso. Espero que gostem e deixem a opinião de vocês nos comentários, ela é importantíssima pra mim! Beijos

ACHO QUE EU TERIA ENLOUQUECIDO nos vinte dias que se seguiram se não fossem por duas coisas: meus amigos e os treinos árduos e intermináveis do time que aconteceram naquele tempo. Por algum motivo, correr atrás de uma bola junto de outros vinte e um marmanjos para enfiá-la sem qualquer motivo no meio de uma trave servia muito bem para distrair a mente de preocupações e mistérios não esclarecidos.

Bem... hun, na verdade, tiveram coisas que fizeram o trabalho contrário e arrombaram com meu psicológico. Não gosto muito de lembrar de qualquer uma das duas.

Na última quarta-feira de maio, quando faltava apenas uma semana para finalmente deixarmos de respirar o ar com cheiro de madeira, cera de polimento e carpete do Rosa dos Ventos e nos dirigirmos para alguma cidade do interior, tive o vislumbre das duas pessoas mais improváveis do mundo conversando uma com a outra. Pior ainda, discutindo, e às nove horas da noite.

Eu já devia estar vacinado contra o fato de que sempre vou acabar descobrindo alguma coisa ou algo vai acabar acontecendo quando eu ando pelos corredores por essas horas. Não sei dizer qual é a graça que o destino vê de sempre me fazer estar no lugar errado na hora errada, mas aconteceu mais uma vez naquele dia.

É melhor trocar essa camisa antes que alguém apareça!

Apurei meus ouvidos assim que ouvi essas palavras deslizarem pelos degraus de Titã. Esses poucos meses bancando o estagiário do Batman serviram para eu aprender a detectar quando uma conversa era suspeita ou não, e aquele conselho — quase uma ordem — sussurrado furtivamente era, definitivamente, muito suspeito.

Vagarosamente, fui deixando meu olhar varrer a escada e procurar de quem vinha a voz. Meu corpo ainda estava coberto por uma das colunas do segundo nível de Titã, por isso pude vasculhar sem medo.

As duas pessoas estavam mais ou menos na metade do caminho entre o primeiro e o último degrau. A mais alta delas se mantinha ereta e, apesar de parecer querer chegar mais perto, uma altivez gélida a mantinha um pouco afastada. Mesmo essa sendo uma de suas características mais óbvias, me surpreendi ao ver que era o Professor Leal.

— Eu quase... quase não consegui salvar. Vou ter que guardar no quarto de nov... — disse a outra pessoa. Essa estava à sua esquerda, sentada nos degraus de costas para mim, por isso não a reconheci imediatamente. Era mais baixa que o Leal e segurava uma grande caixa de papelão esfarrapada no colo. Seu uniforme estava sujo de... alguma coisa que eu não conseguia definir. Parecia que molho de macarrão ou qualquer outra coisa vermelha tinha sido respingado por todo o tecido por uma pessoa bêbada.

— Não! — a voz de Leal soou mais alta e mais rude, e ele, ao perceber que assustara o outro garoto com isso, pareceu arrependido. O que ele disse em seguida me deixou mais boquiaberto do que com qualquer outra coisa. — Desculpe. Digo... é perigoso, tanto pra mim como para você. Você vai ter que deixar lá mesmo.

— Mas eu... você prometeu! Seu eu deixar lá eles vão...

— Eu sei o que vai acontecer. E você também sabe o que aconteceu quando eu resolvi guardar isso na minha sala. Se acontecer de novo não vou poder estar aqui para te ajudar novamente.

O garoto suspirou profundamente e pareceu aquiescer.

— Leve lá de volta. E rápido. — Leal continuou — Só uma noite não vai piorar tanto o estado delas.

Então ele se inclinou para o menino e o abraçou. Nesse momento pude ver o rosto dele, e isso fez meu coração congelar. Era o colega de quarto de Samuel, Edgar. O menino que tinha me avisado da surra que os hardcore estavam dando em Samuel, e... sim, eu me lembrava muito bem, eu tinha visto ele se assustar quando eu entrara no seu dormitório de repente. Ele havia escondido algo debaixo da cama, se eu bem me lembrava.

Apesar do choque, não pude digerir aquilo por muito tempo, pois imediatamente Leal se despediu dele e veio andando Titã acima, em minha direção.

Escondi-me o máximo que pude atrás da coluna, mesmo sabendo que, se ele virasse para o corredor Oeste, ia me ver de qualquer jeito. Seus passos ecoaram no mármore da escada, aproximando-se cada vez mais. Quando achei que ia ser pego com a boca na botija, vi a sombra dele entrar para o outro corredor e se afastar de mim.

Aquela tinha sido por pouco. Por muito pouco.

Virei-me para olhar de novo para Edgar. Foi então que, como se a situação não estivesse suficientemente bizarra, não o vi em lugar nenhum da escada. Pisquei os olhos com força para ter certeza do que eu estava vendo... ou melhor, do que eu não estava vendo. Era simplesmente impossível ele ter descido os degraus restantes de Titã em tão pouco tempo, a menos que se jogasse de lá de cima. Eu nem sequer ouvira seus passos.

Ok, meu cérebro afetado devia estar me pregando peças. Tinha sido demais pra uma noite. Dei mais uma olhada para onde os dois estavam conversando, só para ter certeza de que não estava ficando louco. Nada. Nem sinal de que um ser humano havia pisado ali.

Senti minha mente se retorcer e decidi ir pro meu quarto. Deitei-me na cama sem sequer trocar de roupa ou escovar os dentes ou... sei lá. Meu corpo estava todo dolorido por causa dos treinos da tarde, e agora essa história. Se bem que eu sempre desconfiara desse Edgar, ele sempre me parecera terrivelmente suspeito, como se escondesse algo de todos. E escondia mesmo, quer dizer, de todos menos o Professor Leal, pelo visto. E ainda tinha isso de eu achar que já o conhecia de algum lugar.

Bocejei e apertei os olhos com os nós dos dedos. O sono estava chegando. Antes de cair nos braços de Morfeu, pensei de novo no tal Edgar e em como a visão dele me causava uma sensação ao mesmo tento agradável e ruim. Era como esquentar os pés no fogo da lareira: se você se aproximasse mais alguns centímetros, o prazer se transformaria em dor profunda.

Caí em um sono sem sonhos e dormi até o dia seguinte.

...

A quinta-feira era um dos poucos dias da semana em que eu tinha aulas à tarde, por isso sempre chegava mais ou menos uma hora e meia atrasado para os treinos do time. Naquela especialmente eu demorei ainda mais, pois meu corpo e minha cabeça estavam doendo horrivelmente. Era como se alguém empurrasse as paredes do meu crânio de dentro pra fora e uma corrente elétrica incômoda transpassasse meus músculos a cada passo.

— Aí está você! O que acont... — o Professor Hudson se aproximou de mim ainda mais rápido assim que notou que eu não estava com uma cara muito boa. — Ulisses, você está se sentindo bem?

— Eu, ahn... estou ótimo. — tentei disfarçar a dor, mas comprimi os lábios em agonia ao erguer os braços e sentir que levantava o próprio Rondarolli.

— Não, não está. Estive cobrando demais de você nessas últimas semanas, não me atentei que fosse exigir tão além de sua capacidade física. Vá para o seu quarto, tome um banho quente e descanse até a noite. Deve ajudar.

— Mas o treino...

— Hoje só estamos repassando fundamentos. Você já sabe tudo isso muito bem. Ande, vá descansar.

Acabei concordando e agradeci silenciosamente a ele, saindo da quadra logo em seguida, andando com dificuldade.

Acho que levei um milhão de anos para subir Titã. Passar por aquela escada depois do que ocorrera na noite anterior era uma tortura.

Entrei no meu dormitório e fui direto para o banheiro. Se eu me sentasse na cama nunca mais ia reunir forças e coragem suficientes para me levantar depois, por isso apenas catei uma toalha limpa na cômoda e fui tomar banho.

Sentei-me sobre o vaso sanitário com a tampa fechada para organizar as ideias e poder tirar a roupa sem me cansar tanto. Surpreendi-me clamando aos céus para que eu melhorasse logo, pois se essas dores se prolongassem por mais uma semana o Professor Hudson jamais permitiria que eu viajasse para as Intercolegiais.

Arranquei as chuteiras e as meias de qualquer jeito e as coloquei num canto. Temendo sentir ainda mais dor, evitei me levantar e tirei a camisa, os shorts e a cueca ainda sentado, mesmo com as costas reclamando devido ao esforço.

A cabeça deu outra pontada de dor e eu afundei o rosto nas mãos para ver se aliviava. Eu definitivamente não estava me sentindo bem, e tinha absoluta certeza de que isso tinha a ver muito mais com a pressão psicológica do que estava acontecendo do que com os treinos em si. O estresse estava me corroendo.

O estresse... se eu só conseguisse aliviar um pouco a tensão...

Assim que esse pensamento me ocorreu, levei instintivamente a mão para entre as minhas pernas, para o volume ainda mole que estava ali. Se eu bem me lembrava, eu não fazia aquilo há quase quinze dias. Quinze dias! Minha cabeça devia estar realmente virada ao avesso para eu passar tanto tempo assim sem fazer aquilo.

Fechei os olhos e tentei me concentrar em alguma imagem excitante que viesse à minha cabeça. Na maioria das vezes que eu fizera isso no Rosa dos Ventos, eu só precisava lembrar da vez em que eu e minha ex-namorada quaaase chegamos aos finalmentes. Pois é, fomos interrompidos pela avó simpática dela que resolvera chegar de viagem um mês adiantada.

Porém, dessa vez, não parecia estar funcionando. O desespero começou a tomar conta de mim. E se eu não conseguisse nunca mais levantar? Ficar trancafiado naquele lugar durante meses era muito mais do que suficiente para ficar excitado com qualquer coisa mínima que surgisse na cabeça. Era um jogo diário de controle para aquilo não acontecer. O que estava dando errado?

A resposta apareceu como mais uma brincadeira nem um pouco engraçada do destino, personificada com cabelos loiros e sorriso matreiro. O rosto de Nathan colou no meu cérebro e se recusou a sair dali. E então comecei a pensar no selinho que ele me dera, e de quando ele dormiu com a cabeça no meu colo. Aquela imagem se fixou na minha cabeça.

Imaginei ele roçando o rosto naquela parte da minha virilha, seu cabelo loiro tocando no meu baixo ventre. Suas mãos escorregaram até o zíper de minha calça e abriram-no lentamente, soltando em seguida o botão e puxando-a alguns centímetros para baixo.

Senti a boca de Nathan encostar no meu volume por debaixo da cueca e mordendo levemente o membro que já estava suficientemente duro. Ele segurou no elástico e a puxou para baixo, deixando o meu pênis livre para ir de encontro à sua boca e à sua língua.

Mil sensações invadiram minha cabeça ao visualizar essa cena. Continuei fazendo o movimento de sobe e desce no meu membro enquanto via o desenrolar daquilo em minha mente. Então, quase consegui sentir o aconchego úmido e quente da boca de Nathan envolvendo meu pênis, movimentando-se para cima a para baixo. Para cima a para baixo. Para cima e... e...

A vibração elétrica e indescritível do prazer atravessou meu membro por dentro e vazou para fora em forma de gozo. Ainda bati mais duas vezes para liberar toda a essência que ainda faltava a ser ejaculada. O torpor calmo do orgasmo pairou sobre o meu cérebro e livrou-me de uma tonelada de preocupações e estresse que haviam lá dentro.

Ainda ofegante, tentei compreender o que eu havia acabado de fazer. A realidade do que aquilo podia significar era tão estranha que preferi não processá-la naquele momento. Já me sentindo melhor, levantei-me e entrei no box do chuveiro para me lavar e deixar a água quente fazer o resto do trabalho. Eu tinha certeza que ia me arrepender horrivelmente daquele momento, mas a sensação interna de satisfação era tão boa que não me atrevi a expulsá-la tão cedo.

— NÃO ACREDITO. NÃO É POSSÍVEL QUE VOCE AINDA NEM TERMINOU DE ARRUMAR AS MALAS. Você quer o quê? Sair correndo atrás de um ônibus por quatrocentos quilômetros?

— Olha, ficar gritando desse jeito não está ajudando, ok? Só está me deixando mais nervoso. AAARGH. Como é que eu vou fazer caber essas meias? Não consigo mais. Desisto. — joguei-me na cama, totalmente entregue ao cansaço. O ônibus que partiria com todo o time para os quase vinte dias de competições das Intercolegiais de Junho estava lá fora e sairia dentro de meia hora. E eu ainda estava com metade do conteúdo da mala fora da dita cuja.

— Sou especialista em arrumar meias. Aqui, deixa que eu faço. — Samuel sentou-se ao meu lado na cama e dobrou as meias de um jeito que ocupou muito menos espaço e encaixou-as direitinho em um canto da mala.

— Ah, cara. Valeu. Eu estou completamente perdido nisso.

— Psiu. Me agradeça fazendo essa bosta de time ganhar. E dando uns pontapés certeiros nas partes sensíveis de Júnior e companhia limitada.

Dei uma gargalhada. Só Samuel para me fazer rir numa hora daquelas.

— São vinte dias, né? Quem vai me fazer ter dor de cabeça e preocupações sem você por perto? Estou realmente inconsolável. — Samuel falou, colocando as últimas peças de roupa que faltavam dentro da minha mala e fazendo um beicinho falsamente triste.

— Você está muito engraçadinho, sabia? Mas eu vou sentir falta de você também.

Samuel sorriu e me abraçou. Eu não parava frequentemente para pensar sobre aquilo, mas provavelmente ele era o melhor amigo que eu já tinha feito em qualquer escola. Eu ia sentir sinceramente falta dele naquele período.

— Eu também, mas não espalhe isso senão quebro sua cara quando você voltar.

— Ameaças não são o seu estilo.

— E esse casaco são muito menos o seu. Pra fora da mala agora. — ele falou, arrancando um suéter cheio de submarinos amarelos e a inscrição "I believe submarines" que minha avó havia me dado dois anos atrás dizendo que era uma homenagem a uma de minhas bandas favoritas, The Lumineers (mas eu sabia que era porque ela gostava dos Beatles) — Agora vamos. Se bem conheço o motorista, o Tcholão, ele ia preferir te fazer caminhar os quatrocentos quilômetros em vez de esperar mais cinco minutos.

Eu estava esperando que o ônibus estivesse estacionado no estacionamento da escola, onde seria mais ordenado e organizado para colocar os alunos, mas aparentemente o Rondarolli resolveu radicalizar e colocou ele estacionado em frente aos portões da escola, encostado no meio fio. Aquilo dava uma sensação muito maior de estar deixando o colégio, mesmo que fossem por alguns dias. Era como entrar em um portal para um mundo novo.

A parte da frente do Rosa dos Ventos estava cheia como eu nunca tinha visto antes. Alguns alunos que faziam parte da banda da escola se organizaram e improvisaram as melhores músicas possíveis que podiam ser tocadas em trompetes, flautas, trombones e tambores. Haviam arrumado o pequeno coreto que ficava do lado da fonte com fitas e laços coloridos, algo que eu só tinha visto no dia da festa de abertura do ano letivo.

Basicamente, todos os alunos do colégio estavam ali espremidos, se despedindo dos amigos e desejando boa sorte aos que iriam competir, afinal, depois da competição eram as férias, e quem partindo só veria novamente os outros dentro de um mês e meio. Eu e Samuel chegamos bem na hora, pois naquele momento eu via os primeiros garotos do meu time se aproximarem da porta do ônibus, acenando para todo mundo. Trombei com Igor e com Denis, e me despedi rapidamente de ambos.

— Bem, então é isso. Nos vemos daqui a quarenta dias. Vou viajar com meus pais nas férias e não vou estar aqui. — Samuel disse, quando já estávamos bem próximos do ônibus.

— Ah, então... Até depois, cara. Não esqueça de mim. — eu falei e o abracei.

— Ei! Ulisses! Ulisses! Espere!

Ouvi a voz gritar de dentro da multidão. Depois de procurar um pouco, o rosto de Torugo apareceu sorrindo radiante de lá do meio. Ele tinha recuperado totalmente o brilho no olhar desde o ataque do Gênio, embora se mostrasse apreensivo de vez em quando.

— Torugo! — gritei pra ele de volta, abrindo os braços para um abraço. Ele me agarrou e quase quebrou minhas costelas.

— Eu só queria desejar boa sorte. E... hun, tome cuidado por lá. E cuide de Nathan também. Você promete?

Aquela pergunta me pegou de surpresa. Do que será que ele estava falando? Perguntei-me se aquela pergunta teria outras intenções, mas o rosto dele não denunciava nada mais do que preocupação.

— Ahn, ok. Vou cuidar dele.

— Ótimo! Nos vemos...

— Ah, Torugo. Escute — eu o interrompi. Vê-lo ali me lembrou de algo que eu queria dizer a ele durante esse tempo e não encontrara uma situação boa o suficiente para fazê-lo. — a maior parte dos seus “amigos” vai estar lá comigo. Por isso, aproveite esse tempinho que vai ter sem eles pra ser você mesmo. Faça o que tiver vontade sem se preocupar com o que vão pensar. O que você sente só diz respeito a você mesmo. — falei, ao mesmo tempo ponderando o quanto aquele conselho poderia se aplicar a mim mesmo.

— Fazer o que eu tenho vontade... — O olhar dele pareceu sombrio e até mesmo desconfiado com o que eu disse, mas ele pensou por alguns segundos e então sorriu de novo. — Obrigado, Ulisses, você é um amigo muito especial e...

Ele foi interrompido pela buzina do ônibus. O professor Hudson surgiu da porta gritando o meu nome e eu tive que sair correndo até lá.

Entrei no ônibus e fui envolvido pelo sentimento ao mesmo tempo de saudade e de recomeço. Meus colegas de time conversavam animadamente antecipando o que ocorreria de bom lá e havia uma bagunça generalizada entre o pessoal do fundão.

— Não vai desperdiçar esse lugar especial reservado especialmente para o senhor, vai? — olhei para o lado para ver quem tinha dito isso e meu coração bateu mais forte ao ver que era Nathan. Ele estava no banco na ponta e tinha deixado o da janela com uma mochila, obviamente guardando o lugar para mim.

— Ora... Não fez mais que sua obrigação. — eu brinquei e ele deu uma risada.

— Muito bem, fofas, coloquem seus cintos de segurança que vamos passar cinco horas e meia na estrada. Tentem não vomitar, obrigado. — disse o Professor Hudson, tentando elevar a voz acima do barulho que os alunos estavam fazendo.

É claro que quase ninguém obedeceu à ordem imediatamente, pois estava todo mundo se aglomerando do lado das janelas virado para o colégio para se despedir uma última vez dos amigos. Vários braços acenavam animados. O ônibus deu um ronco e um solavanco.

— Coloquem esses cintos agora mesmo, santas. AGORAAAAA! — O professor gritou por um megafone. Houve um momento de reclamação geral, mas todos acabaram indo para os respectivos lugares e fazendo o que foi pedido.

Então o ônibus partiu. Procurei o rosto de Edgar e do Professor Leal na multidão, mas não vi nenhum dos dois. Não pensei neles muito depois disso, pois os muros e paredes antigos do Rosa dos Ventos já se distanciavam, deixando em seu lugar um sentimento de esperança.