“Ela quer e tudo bem

Assim foi e assim sempre será

Ela quer e esse é o habito

Tudo o que ela quer ela consegue.”

Há alguns séculos atrás, precisamente no ápice da Idade Média, havia um sexteto de padres missionários, que visitava periodicamente os pequenos vilarejos rurais da Alemanha. Dentre eles, havia um que já vinha algum tempo dando trabalho à igreja por um vício que custava muito ao Vaticano esconder: a pedofilia. Esse padre, Till Schneider, tinha uma compulsão por meninas de 14, 15 ou 16 anos. Mas essa psicose nunca preocupara a nenhum dos missionários, pois sempre se dava um jeito, tinha sempre de haver um jeito. Porêm, não foi assim que terminou aquela semana.

Era uma tarde quente de primavera quando os padres chegaram no pequeno vilarejo, uma festa estava sendo preparada para a chegada dos missionários que apareciam lá uma vez ao ano, sempre na mesma época. Houve um grande e apetitoso banquete, que tomou quase a tarde toda e depois iniciaram-se as danças, e foi nesse momento que ele a viu. Girando com sua juventude de 16 anos, linda como uma rosa vermelha que acaba de florescer. Seu nome, Rosenrot, despertou no padre um desejo por luxúria e pecado. Till sentia seu corpo arder em brasa, tamanho era o desejo e a atração que sentia por ela. Ele queria sentir seu corpo, queria sentir seu cheiro, queria torná-la parte de si.

Naquele mesmo dia houve o momento de confissão, onde Till sugeriu à sua escolhida que o procurasse pela noite para que ele a pudesse ajudar em seu processo de catequismo.

À lua já ia alta e ele se encontrava deitado em sua cama, esperando pacientemente pelo momento em que sua pequena menina viria apertar-se contra seu corpo, por bem ou por mal. Chega o momento tão esperado. Rosenrot trazia consigo uma rosa vermelha de presente e se deitou com o padre sem o mesmo fazer nenhum esforço.

Aqueles momentos foram os mais prazerosos da vida de ambos. Para Till pareceu muito estranho, uma vez que ele já tinha feito esse tipo de coisa dezenas de vezes sem sentir a atração e a paixão que começara a sentir, mas decidiu não ocupar a cabeça com isso por enquanto. O mais importante agora era fazer com que absolutamente ninguém soubesse de sua relação, e se soubessem, esperava não ter que tomar decisões trásticas demais

No dia seguinte, ele acordou e sentiu que Rosenrot ainda dormia em seu catre. Se alguém do vilarejo a descobrisse ali, concerteza os queimariam vivos nas fogueiras da santa inquisição. O silencio que até então permanecia intocado foi quebrado por passos leves e que concerteza tentavam não denunciar sua presença intrometida. Por alguns momentos Till não conseguia pensar em nada para se livrar das evidencias, mas foi ai que os passos foram recuando pouco a pouco. Provavelmente era algum aldeão que recuou por medo de cometer um pecado invadindo os aposentos íntimos de um santo padre.

Sem esperar mais um minuto, acordou sua amante e pediu para que ela saísse com cuidado pelos fundos de sua tenda. Antes de sair, porêm ela o fez prometer que ele e seus companheiros ficariam por uma semana naquele lugar. Para o missionário essas promessas de nada valiam, até porque que suas concubinas quase sempre acabavam se matando depois de saberem que só foram usadas para realizar um desejo e nada mais. Entretanto havia de fato algo que o prendia justamente aquela menina. Ele não sabia por que, mas ainda nutria o desejo de rever Rosenrot, não só para se satisfazer mas também para passar o tempo.

Passados alguns dias a menina começou a ter enjôos freqüentes, delatando sua gravidez. Ao saber disso, o padre entrou em um paradoxo de alegria e desespero. Ele desejava assumir o filho, mas não podia por sua posição de padre e também porque evidenciaria a não existência dos desígnios divinos.

Na tarde do mesmo dia eles foram dar um passeio no riacho que corria num bosque perto do vilarejo, e foi lá que, ao terminar de explicar que ele não poderia ficar mais na vila e que ela deveria abortar o filho, que o destino de ambos foi traçado.

Quando seu sonho foi cortado violentamente pelas palavras de seu amado, a linha da loucura que o amor carrega a envolveu, deixando-a compulsivamente disposta a usar de todos os artifícios para que ele ficasse ao seu lado eternamente, e, naquela mesma noite ela criou um jeito de ficarem juntos debaixo do manto sombrio da morte.

No ultimo dia de permanência dos missionários no vilarejo, Till ficou sabendo através de uma carta que sua amante lhe escreveu, que os seus pais haviam descoberto tudo e que o iriam denunciar ao Vaticano. No verso da carta havia um esquema de como assassinar os possíveis delatores. À noite, armado com uma faca, o missionário invade a residência dos pais de sua companheira e mata friamente seus moradores. A menina-amante ficara esperando do lado de fora com olhar de glória no rosto. Ao sair com um sorriso de alivio, ele percebeu que algo estava errado. Foi quando de trás dos arbustos e arvores surgem os aldeões, armados com forcados, tochas e clavas, que o espancam até que esteja com feridas por todo corpo.

No dia seguinte, amarraram-no a uma estaca e expuseram-no em praça publica para que fosse apedrejado. Ao fim da tarde sua carne ardia nas chamas da fogueira santa.

Rosenrot olhava as chamas hipnotizada, isso era o que ela queria? Será que deveria acabar com sua vida e a de seu filho também? As chamas então se tornaram atraentes, elas a chamavam, convidavam-na a acabar com as angustias, as dores.

Num único impulso inesperado ela vai de encontro ao seu querido padre morto.

“Poços profundos precisam ser cavados

Se você quer água limpa
Rosa vermelha, oh Rosa vermelha

Águas profundas não são calmas”

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