Rosa De Sangue

3 Assombrada Novamente


Notas iniciais
Taí o terceiro capítulo. Espero que gostem :3

Eu não devia ter adormecido. Devia ter feito qualquer coisa, como bater no Azin pela piada sem graça ou irritar a Mari. Até mesmo ter feito outro passeio sozinha por aí. Tudo, menos adormecido de novo.

Tive outro sonho, ou melhor, outro pesadelo. Tudo estava mais frio e sombrio neste, que logo de início eu pude notar que era diferente do outro que me assombrara por cinco noites. Era diferente... Novamente notei que não era algo normal. Ora, eu nunca tive pesadelos em sequência desse jeito, ou ao menos não me lembrava de ter. Eu queria ter tempo de ao menos pensar direito, mas como você deve saber, pesadelos não te permitem essa proeza.

Novamente lá estava a moça de cabelos brancos, que se assemelhava assustadoramente a mim. Ela corria, agoniada, fugindo de alguma coisa que eu ainda não conseguia assimilar o que era. Os longos cabelos brancos, antes presos e agora soltos de qualquer jeito no vento era o que mais chamava a atenção nessa garota. Será que eu era tão bonita quanto ela?

Parecia a beira do desespero, e o lugar onde ela corria não ajudava em nada. Era escuro, tenebroso, frio e com uma espécie de camada pesada de magia. Eu ainda não entendera o que esse lugar significava, e nem tinha tempo de entender.

Finalmente eu entendera o que estava acontecendo: ela estava fugindo desesperadamente de o que parecia ser um vulto — muito similar ao que eu já havia visto, coincidência? — negro que parecia estar fazendo de tudo possível e impossível para encostar as suas mãos na garota. Em dado momento, o vulto atirou alguma coisa nos pés da garota e a fez cair, e como em um passe de mágica ele apareceu logo a frente dela.

Não, não era mais um vulto: era uma pessoa. Eu não conseguia ver nada direito, mas me parece que era um rapaz que trajava uma espécie de roupa vermelha. Seus olhos eram incrivelmente rubros e brilhavam com maldade, seus cabelos eram morenos; ainda assim, não era possível distinguir seu rosto. Ele abaixou uma de suas mãos, pegando o que me pareceu uma arma de fogo. Eu já tinha visto aquilo antes... Era uma... Scarlet? Não queria acreditar no que estava vendo.

Ele apontou a arma para a garota, que o olhava em pânico. O rapaz, por outro lado, parecia divertir-se com todo aquele medo; em seu rosto surgiu o sorriso mais tenebroso que eu já vira em toda a minha vida. Não parecia com o de nenhum outro demônio que eu conhecia, e claro, preferia não conhecer.

Mas o que me levou a crer que era um demônio? Simplesmente por seu ar de maldade e psicopatia. Mesmo sendo uma mera espectadora de meu próprio sonho, era capaz de perceber isso nas atitudes do "vulto".

Meus poucos pensamentos diante daquilo foram interrompidos quando notei algo na mão da garota. Ela segurava uma rosa vermelha, idêntica à do meu último pesadelo. Era a flor mais bela que eu já vira, e ao mesmo tempo, a mais assustadora. Talvez seja por isso que ela esteja presa ao mundo dos meus sonhos: por ser impossível a sua existência.

O moreno disparou contra ela uma vez, e a moça caiu ao chão, ainda segurando a rosa. Vendo aquele desespero e sentindo um enorme prazer nisso, o rapaz pôs-se a gargalhar enquanto atirava mais vezes contra a dos cabelos brancos, que já estava fraca e perdendo muito sangue. Durante esses disparos e gargalhadas psicopatas, passou-se um pequeno filme em minha cabeça.

Era como se o antigo pesadelo voltasse, me fazendo rever algumas cenas de batalha. A garota e o rapaz se enfrentando arduamente, cada um dando o melhor de si. Pude reparar melhor alguns dos ataques do moreno: usava duas scarlets, vez e outra invocava algo que eu pude entender como sendo uma espécie de faca. Seus golpes eram certeiros e com grande dano, pelo o que pude reparar.

O filme esvaiu-se da minha cabeça com o último suspiro da garota: ela estava morta no chão e com todo o seu corpo perfurado. Ao seu lado, jazia a mesma rosa vermelha, dessa vez banhada em sangue. O rapaz gargalhara novamente, e meu pânico foi tamanho que acordei na mesma hora.

Uma scarlet... Havia alguma espécie de demônio que utilizava scarlets? Já ouvira falar desse tipo de arma em uma conversa entre os Sacerdotes de minha antiga cidade. Tentei ignorar a tensão do susto enquanto corria por aí tentando achar a azulada do manual que tudo sabe.

- Hm... — Ela me avaliou, enquanto pensava em uma possível resposta para a minha pergunta. — Você tem certeza de que está bem? — Perguntou-me ela, inexpressiva.

- Sim, eu tenho certeza, apenas responda a minha pergunta! — Eu não conseguia esconder o desespero que estava sentindo.

- Você certamente deve saber da existência de uma dimensão popularmente chamada Hades, não é? O Submundo. — Ela me fitou, esperando uma resposta. Eu apenas assenti com a cabeça.

- Pelo o que sei, nessa dimensão existem os chamados Caçadores de Recompensas, famosos por utilizar armas de fogo, as populares Scarlets que você mencionou. São demônios da raça Haros que tem como dever manter a dimensão sob controle, impedindo que as almas que lá estão presas escapem por um dos vários portais conectados a Ernas. Pela sua descrição, você viu um Haros em seu sonho.

- Caçadores de Recompensas? Mas... O nome não tem relação com a função. Eles estão lá só para manter a ordem? — Recusava-me a querer entender.

- Eles têm esse título porque além de tomar conta do Submundo podem ser contratados para qualquer espécie de missão, geralmente envolvendo espíritos. Suas armas são as únicas que conseguem ferir uma alma.

- Ah... Agora faz mais sentido. — Sussurrei para mim mesma. — Obrigada, Mari. Pode continuar fazendo... O que quer que você estava fazendo aí.

Afastei-me, a azulada de certa forma havia respondido a minha dúvida. Mas... O que um Caçador de Recompensas estava fazendo em meu sonho?

Notas finais
Gente, todas as informações sobre o Submundo são verídicas, visto que eu mesma as pesquisei e confirmei em alguns sites estrangeiros.