Rosa Cadavérica
1 Rosa Cadavérica
Aqui jaz meu corpo morto, deitado sobre um caixão de madeira muito mais caro do que eu gostaria, cercada de flores que não significam nada. Assisto minha despedida, as lágrimas culposas de quem deveria ter me amado mais intensamente.
Então ele se aproxima, e posso ver que ele não é tão bonito com os olhos inchados, e sei que me reprenderia por nesse momento acreditar que a morte é a maior das libertações.
Mas se estou agora fria, prestes a ser fechada em uma caixa e sufocada por terra, posso ver meu direito de em morte não amá-lo. Por que deveria sentir vontade de acalentá-lo, se eu quem serei enterrada?
Não sinto suas mãos tocarem as minhas, mas vejo-as. E então ele põe uma rosa entre elas, uma rosa que eu teria adorado, se já não estivesse morta.
E a rosa pesa sobre meu corpo, preenchida pela culpa de não tê-la me dado em vida.
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