Rosa

1 Capítulo único


Notas iniciais
Desde já agradeço por lerem ^^

Lágrimas rolavam por meu rosto. Encostei minha mão em uma lágrima. Elas não eram vermelhas, não era meu sangue deixando meu corpo pelos meus olhos, então por que estava doendo tanto? Apertei a barra de meu vestido preto, e olhei a rosa na minha mão

...

-Vamos, vem ver o clipe dessa música, Jenny- Você falou se movimentando impacientemente na cadeira em frente ao computador

-Não! Esse cara me dá medo- Disse emburrada, e você riu! Riu de minha cara! Tentei olhar para qualquer outro lugar menos para seu rosto, mas em todo seu quarto tinha pôster daquele cara. Arrepiei-me

-Quem é esse cara mesmo?- Falei olhando sua blusa com a face dele estampada

-Marilyn Manson, medrosa- Disse me encarando com seu sorriso torto, como eu amava aquele sorriso!

-O.k... Então vamos para a varanda? – Falou você mudando de assunto já sabendo que minha resposta era sim. Eu amava o céu! Na verdade eu amava muitas coisas. Você me estendeu sua mão e fomos andando de mãos dadas até a varanda, me sentei no nosso balanço e coloquei minha cabeça em seu ombro

Nós éramos tão diferentes, mas éramos tão bons amigos! Você tinha aquele jeito meio gótico, calça preta, blusa preta, um cordão com caveira, 16 anos, curtia rock... E eu com 10 anos, jeitinho de menininha, vestido estampado de flores cor-de-rosa, fita rosa na cabeça estilo Alice no país das maravilhas, e gostava da Xuxa

Meus olhos pararam sem querer em seu braço e nele havia um corte recente que parecia profundo. Ao você perceber onde eu estava olhando, puxou a manga da blusa para cobrir aquela marca

-Por que você continua fazendo isso, Eric?- Falei seriamente olhando em seus olhos azuis, e você encarou o chão. Movi seu rosto para que me olhasse

-Desculpa- Você falou em um sussurro, e me abraçou. Os cortes, as cicatrizes que cobriam seu corpo, podiam não ser no meu, mas doía tanto em mim... Talvez até mais do que em você

-Você promete que vai parar de fazer isso?- Perguntei encaixando meu rosto em seu ombro, você não respondeu. Eu não entendia! Por que fazer isso consigo mesmo? Eu já tinha implorado varias vezes para você parar. Tinha até pensado em falar para seus pais, mas você chorava me pedindo para não fazer isso, que eles iriam ficar preocupados, e eu me calava. Porém aquilo não estava certo!

-Eu te amo- Sussurrei em seu ouvido, e depois sentei novamente

-Eu adoro quando você diz isso- Você falou sorrindo do jeito que só você sabia fazer. Você nunca falou que também me amava...

Fui para minha casa, e no dia seguinte fiz o que sempre fazia, ia para a escola e depois para sua casa

-Eric! Acredita que tirei dez em matemática?!- Gritei adentrando a casa, eu estava tão feliz. Você havia me ajudado tanto nessa matéria, tinha até perdido algumas noites de sono me ensinando. Imagina quando você visse minha prova? Mas você não veio me receber como sempre

-Eric, você está aqui?- Era quase impossível de você não está em casa, afinal você era dito como “anti-social”

Fui até seu quarto, e encontrei você deitado, você deveria está dormindo, deveria está cansado. Sentei ao seu lado na cama, porém fui vendo uma mancha de sangue no colchão, e depois vi seu pulso cortado. Daí foi uma confusão, era ambulância de um lado, pais chorando do outro, e eu ali estática sem saber se gritava, chorava, ou se me debatia

...

Aproximei-me de seu caixão, coloquei uma rosa vermelha na tampa, vi seu corpo inerte e pálido vestindo um terno, coloquei minha face perto da sua

-Idiota agora você nunca mais vai poder me ouvir falar “eu te amo”- Sussurrei chorando em seu ouvido, e sai caminhando daquele lugar mórbido que cheirava a morte, sem mais a rosa, e sem mais meu amigo...

Notas finais
Mereço reviews com estrelinhas e opiniões?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!