Rosa é um outro nome para sangue
1 Cena 1 e Cena 2
CENA 1
Um castelo de agulhas atravessa o horizonte
Três lados, treze portas, trinta e treze janelas
Trinta trilhões de terços trincados em cruz sob a égide de agulhas de costura
Um trono de ferro perfurando estrelas e céus
[Sob o olhar perene de uma lua sangrenta
Corredores profundos, tocas, livros, sombra
Armaduras de aço frio, sonhos dormentes, demente solidão, sorriso
Alegria em sangue, suor, vermelho, presas brancas e cinzas
[Uma família de vultos silenciosos aspira pela compreensão
Guardiã das pontes quebradas, sábio e livro de páginas lisas
Ave cabelo arco-íris, alquimista sem planetas
Mago que perdeu o céu, soldadinho de cristal
[E uma antiga criança que colocou a lua nos olhos
Procurará a cor que nunca teve no peito]
CENA 2
As palavras ditas num jardim perdido
{Em vestidos barrocos, olhos impossíveis se jogavam aos céus}
Vê, a lua vermelha? Ela dança, então dançaremos. Toma esta mão, esta minha mão.
Sim, tão pálida, mas não te crista disso, você que me carregou nos braços quando os meus já foram cansados de te carregar.
Caminharemos, assim, mão a mão, cruzadas em união uníssona. Duas, como duas são as retas de uma igualdade, esquerda e direita equivaladas.
Eu serei pallas fria, com quatro membros, quatro braços, um pescoço, um corcel negro de neve a empurrar blocos de gelo.
E você será o que quiser.
Lá, para além dos rios, para além dos risos, seremos duas partes de três, de quatro, de cinco.
Serei os desbrios das pinturas, o desmantelho dos quadros, os riscos, os desníveis da parede leste da casa, o pântano, os olhos sem ar, o cimento.
E você será.
Vê? A lua vermelha brilha, dança, e exige coro e canto. Canta, comigo, canta. E dança.
{Ela não tinha o que responder}
Outra vez, me desvejo vendo esses olhos, que mais parecem poder tudo ver.
Claudico a mão perdida no rosto, imprópria. Beleza é uma palavra pequena.
Quando me encontrou, era uma sombra sem nome. Agora, nomeada, o que sou?
Se anda para frente, ando para trás. Se caio, me segura. Se não tenho voz, fala.
Por quais pés caminharam os seus passos? Quantas guerras impossíveis compreendeu?
Só queria poder dizer, com as mais brilhantes suspirações, tudo que me falta a respiração.
Olhar uma vez nesses olhos de finitos infinitos, que mais parecem poder tudo ver,
E finalizar a sentença de um sorriso, a soberania de uma decisão.
Em todos os ângulos que observa, pode observar as palavras que de mim morrem
Soletrando, no vazio informulável, esse sentimento...
[E pela noite onde sombras escondiam-se em luz, vermelha vontade escorria de todos os cantos de lábios.
Um pouco mais, só um pouco. Consegue sentir? Aqui, deita os dedos em meu ombro, em meu pescoço, em meu rosto. Ignora do sangue, a fome é funda. Apenas, aqui, meus olhos, durma neles como dormiram Troia e Minoia, descansa essa pele de veludo escuro nesta de mármore marrado. Sente? Sinta.
Senta, não vá cansar. A noite é nua e há muito ainda para se inundar.
[Uma risada agulha punturou o ar
Rimas podem esperar
[Um lábio pluma dedilhou a pele
Podem?
[Dentes brancos rarearam face
Sempre...e nunca
Uma
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